   A ltima Virgem

     Dorie Graham


       As melhores histrias de amor e paixo de todos os tempos.
        
        Sabrina Walker no est tendo um caso com Noah BanKs! E foi isso que disse a ela mesma... vrias vezes. Para Noah est tudo timo. Ela no faz mesmo o seu 
tipo.
        Mas aps a nica noite maravilhosa que passaram juntos, Noah foi fisgado. Ele est decidido a seguir Sabrina por toda a parte para provar que eles esto 
vivendo o romance mais apaixonado de suas vidas.
        
        
        
Ttulo original: The Last Virgin
        
        
       
       Disponibilizao: Marisa / Digitalizao: Marina
       Reviso: SO  / Formatao: Edina
          
Captulo Um
        
        
        -Noah, estou desesperada! - O pnico tomava conta da voz de Mona Freeman.
        Noah Banks engoliu em seco. Seu estmago contraiu. Normalmente mulheres lhe diziam tais palavras simplesmente sem flego, algo com o que ele se sentia mais 
capaz de lidar.
        Ele entrara no escritrio de seu scio, Cliff Walker, sem nenhum objetivo em mente alm de rever o balano do dia e os portflios de seus clientes depois 
da dose noturna de tequila. A ltima coisa que Noah esperava era participar de uma discusso entre Cliff e a futura esposa dele.
        O olhar de Noah foi de Mona para Cliff. Ele estava sentado  sua mesa de madeira macia. Sua expresso fazia Noah lembrar-se de seu prprio pai encarando 
a me, na poca em que ambos toleravam ficar na mesma sala.
        Mona correu at Noah e ele enrijeceu. As pequenas mos da moa agarraram seu brao, demonstrando uma certa frustrao. Porque ele sentia esse desejo de ajud-la, 
uma vez que nunca fora adepto de resolver crises familiares?
        Relutantemente, colocou as mos sobre as dela. Quase teve medo de perguntar, dada a expresso severa de Cliff.
        - Qual  o problema? 
        - No! - Cliff saltou da cadeira, arremessando-a para trs de modo inesperado. - Eu j disse. Ele... - Seu dedo tremia enquanto apontava para o scio. - 
... no  uma opo.
        Noah lanou-lhe um olhar. Qual era o problema de Cliff? Embora no fizesse ideia do que o scio queria dizer, aquelas palavras machucavam. Ele abriu a boca 
para protestar, e depois a fechou.
        Cliff tinha razo. O que quer que fosse, eles poderiam resolver sem sua ajuda. Cliff podia cuidar de sua mulher histrica. Noah deu um passo na direo da 
porta do escritrio em que havia entrado relutantemente.
        Mona caminhou com ele.
        - Cliff, Noah  seu padrinho, e nossa nica esperana. Com um leve sorriso, Noah bateu a mo sobre a dela.
        - Eu volto mais tarde. Parece que vocs precisam resolver isso sozinhos.
        - Ah, no! - Os olhos dela se arregalaram, suplicantes. - Precisamos de voc.
        - No! - Em um instante Cliff se ps entre os dois, com os cabelos escuros esvoaando em vrias direes, como se ele tivesse tentado literalmente arranc-los 
do escalpo. - Apenas teremos de avis-la para que v por conta prpria.
        - Mas, Cliff... - O lbio inferior de Mona tremeu. Ela piscou. - Isso vai estragar tudo. Estou planejando h semanas. Ela tem de chegar exatamente s nove, 
ou a surpresa ser arruinada. Voc sabe o quanto estou apostando nisso. Ela me odeia e preciso dessa festa para conquista-la. Acho que est chateada porque marquei 
o casamento numa data to perto do aniversrio dela. - Oh, por favor. Grandes lgrimas desceram pelas bochechas enquanto ela dava um soluo engasgado. 
        Noah intensificou as batidas em sua mo. O desconforto no estmago se tornou ura n. O que havia nas lgrimas de uma mulher que o fazia amolecer por dentro? 
Droga, ele nunca foi capaz de dizer no a uma mulher em apuros.
        - Quem tem de chegar aonde?
        - S-S-Sabrina - Mona soluou. - Tem de chegar  festa surpresa dela.
        - Sabrina? - indagou Noah, incapaz de reconhecer o nome.
        - A irm de Cliff.
        Noah fitou Cliff, que continuava imvel e em silncio. Ele havia mencionado uma irm quando estiveram em Auburn cinco anos antes, mas Noah nunca a conhecera.
        -  isso?  esse o motivo de toda essa choradeira? - Mulheres so criaturas to emotivas. Ele voltou o olhar do rosto cheio de lgrimas de Mona para a rgida 
expresso de Cliff. - Vocs s precisam de algum para bancar o motorista?
        - Para mim, significaria muito conquistar a simpatia dela. Acho que isso pode ser o bastante. - As lgrimas ainda saam dos olhos de Mona enquanto o fitava, 
mas um brilho de gratido preenchia o azul de suas pupilas. - Voc no pode comentar nada sobre a festa.
        Ela soltou o brao dele e foi para o lado de Cliff.
        - Cliff vai ajud-lo com os detalhes. - Voltou o rosto para o noivo. - Certo?
        - No. - Sua voz perdera um pouco da veemncia anterior.
        As pontas dos dedos de Mona tocavam as bochechas dele. Ela apertou o corpo contra o de Cliff.
        - Por mim?
        Ele fechou os olhos por um momento e passou o brao ao redor dela, se rendendo.
        - Eu realmente no gosto disso.
        Com um grito de felicidade, ela entrelaou os braos ao redor das costas de Cliff.
        - Eu te amo. Eles vo estar em um lugar pblico e todos vamos estar l para acompanhar. Tudo vai ficar bem.
        Deu um beijo demorado em seus lbios e se afastou para pegar a bolsa. As lgrimas agora se reduziram a uma ocasional fungada.
        - Tenho de cuidar das flores para o casamento. Explique tudo a Noah. - Mona saiu da sala em seguida.
        Noah se voltou para Cliff com um sorriso. Agora que a discusso tinha passado, a tenso diminura.
        - Isso faz o estilo dela. Cliff balanou a cabea.
        - Voc no faz ideia. - Virou na direo da mesa, pegou alguns formulrios e arremessou-os contra a mesa. - Eu nunca teria concordado com isso se no fosse 
o ltimo recurso.
        - So seis horas. Hora de beber algo. - Noah ignorou o comentrio de Cliff e guiou a conversa para o objetivo original de ter ido ao escritrio. Foi at 
o armrio atrs da mesa e pegou dois pequenos copos em uma prateleira.
        O drinque das seis era um ritual que tinham comeado durante o segundo ano do ensino mdio. Era uma tradio honrosa que Noah herdara de seu pai, que adotara 
o costume depois de uma semana no Mxico com seus colegas de faculdade. Durante a viagem, o pai desenvolveu muita afinidade pela tequila Jos  Cueryo, que agora 
era a nica marca usada no ritual. 
        Noah deu um dos copos a Cliff, que o colocou sobre a mesa e, em seguida, pegou unia garrafa de uma gaveta mais baixa. Derramou o lquido dourado nos dois 
copos.
        - Obrigado. - Noah ergueu seu copo oferecendo um brinde, seguido por Cliff. - Ao trabalho e ao prazer. Na mesma medida.
        Noah bebeu o drinque em um gole. Repousou o copo vazio e se dirigiu  janela, observando o cu do centro da cidade de Atlanta. O sol se punha lentamente, 
lanando grandes sombras sobre os telhados. Seis andares abaixo, uma longa fila de carros se arrastava pela rua.
        Ele olhou para Cliff.
        - Ento, finalmente vou conhecer sua irm.
        De forma repressora, Cliff apontou o dedo para o scio.
        - Leve-a at a festa surpresa, mas mantenha suas mos longe dela!  uma boa garota.
        Incomodado, Noah espremeu os olhos.
        - Por que ficou to nervoso? No tenho planos em relao  sua irm. Ainda nem a conheci, o que, alis, me parece um pouco estranho. Dava para entender quando 
estvamos em Auburn, mas trabalhamos aqui por anos antes de eu me mudar para Denver. J voltei h vrias semanas, ela mora em Atlanta e mesmo assim ainda no nos 
conhecemos. Por qu?
        Cliff o repreendeu.
        - Eu j disse. Ela  uma boa menina. No quero exp-la aos seus... seus hbitos pessoais. Acredite, tentei chamar todos para essa festa. Ningum estava disponvel.
        - Hbitos pessoais?! Eu estava pensando em uma simples apresentao, no uma reunio de colegas de quarto. - Noah inclinou a cabea enquanto sua indisposio 
com Cliff aumentava. - O que h de errado com meus hbitos pessoais?
        Com um som de exasperao, Cliff gesticulou com a mo.
        - Loiras nas segundas, morenas nas quintas e ruivas no final de semana. Sabrina no  desse tipo. Ela  romntica. Acredita em amor e em viver feliz para 
sempre. No quero que voc a corrompa.
        Noah se ressentiu.
        - Essa doeu. S porque gosto de mulheres no quer dizer que eu v pular em cima de sua irm. - Ele fechou a persiana. O cu de Atlanta desapareceu.
        - Apenas leve-a para a festa e no tente nenhum de seus truques, seno... eu e voc vamos ter de nos entender.
        - Nos entender? - Noah riu. Era difcil levar Cliff a srio enquanto seus cabelos pareciam o de algum sendo eletrocutado. - Voc est exagerando. Eu consigo 
me controlar. Alm disso, ainda no disse que concordo em lev-la.
        -  claro que voc vai fazer isso. Voc precisa. E vai se controlar. - Ele exalou pesadamente. - Eu no pediria se no estivesse desesperado. Tenho de viajar 
at Boca para fazer a reviso trimestral do portflio da Companhia Shoreland.
        - Voc ouviu a Mona. Ela contratou um buf. Est empenhada. Por algum motivo ela enfiou na cabea que Sabrina no gosta dela.
        Tudo para agradar uma mulher. Cliff estava fora de si. Noah fechou os olhos. Aos trinta anos, ele havia aprendido do modo mais difcil que no h como satisfazer 
uma mulher. Pelo menos no nesse sentido...
        Dois anos antes, ele deixara a sociedade com Cliff para acompanhar Rebecca at o Colorado. Ele teria dado tudo a ela: seu tempo, dinheiro, at havia oferecido 
seu nome. Graas a Deus ela recusara a oferta. No importava o que ele oferecesse, nunca era o bastante. Noah sara do relacionamento sem nenhuma iluso. Isso quase 
custou sua carreira.
        Cliff teria de aprender a mesma lio por conta prpria, mas como Noah poderia deixar de quebrar um galho para o scio?
        Voltou-se para Cliff:
        - Voc pode levar sua irm  festa. Eu vou a Boca por voc. A velha senhora Shoreland gosta de mim.
        - De jeito nenhum. Sua neta a est visitando com o noivo, o que no significa um impedimento para voc.
        - Espere um pouco! Eu no sou o canalha que voc pinta. Nunca roubei a mulher de outro homem.
        - No. Nunca precisou. Por algum motivo, as mulheres correm em sua direo.  irritante.
        Com um resmungo, Noah foi at a mesa.
        - Nem todas.
        - ? - Cliff franziu as sobrancelhas. - Quer dizer que pelo menos uma ainda no gemeu nos seus braos?
        - Aquela loira do quarto andar. Acho que trabalha na companhia de seguros. - Ele deu de ombros. - Ela tem sido meio evasiva.
        Um sorriso surgiu no rosto de Cliff.
        - Darcy. Almoamos juntos ontem. Saamos de vez em quando na poca da escola. - Ele limpou a garganta. -  claro que agora eu tenho a Mona. Digo, foi s 
um almoo. L estava ela, sozinha naquele balco enorme...
        - Voc a seduziu? - Noah o encarou, surpreso. As bochechas de Cliff pareciam um sinal vermelho. O bom e velho Cliff tinha almoado com a vtima de Noah do 
ms? Como era possvel?!
        - No, no! Nada disso. Darcy tem o ritmo parecido com o seu. Bem, ela era bem direta no colgio.  claro que as pessoas mudam...
        Noah se animou com a novidade. Darcy parecia ser exatamente o que ele precisava: um bom relacionamento descomplicado. Depois do desastre com Rebecca, ele 
achava que nunca mais ia querer alguma coisa com uma mulher.
        - Posso cuidar disso.
        Com as mos nos bolsos, Cliff encarou o scio.
        - Ento, voc vai me ajudar ou no?
        Noah afastou a mente das pernas compridas e curvas provocantes de Darcy. Preferia passar a noite de sexta com ela do que com uma "boa menina".
        - Voc no consegue arrumar outra pessoa?
        - No tem mais ningum! Eu no teria pedido a voc, se tivesse outra escolha.
        Com a testa franzida, Noah verificou a lista na mesa. Percebeu a pgina inteira de nomes riscados. - Voc pediu ao Fred, o cara do correio?
        - J disse que estava desesperado. 
        Noah apontou a lista.
        - Meu nome nem est aqui.
        Cliff o fitou Cliff.
        - Certo. O que voc quer? Quanto?   -
        - O qu? Agora vai me subornar? - Uma gargalhada subiu  garganta de Noah. - Esquea. Voc no poderia pagar o bastante.
        - Darcy! - Os olhos de Cliff se arregalaram. Ele andou at Noah. -  isso! Voc leva Sabrina para jantar e depois at a festa. Vou falar bem de voc para 
Darcy. Vou inclusive convid-la para a festa.
        Vises do decote generoso e dos quadris rolios de Darcy passaram pela mente de Noah. A expectativa percorreu seu corpo. No podia ser to ruim jantar com 
a irm de Cliff. Alm disso, ele havia perdido a maioria de seus clientes com sua ltima aventura, e Cliff estava lhe dando uma chance de reconstruir sua carreira. 
Ele devia algo a seu velho colega de quarto.
        Aps mais um momento de hesitao, Noah estendeu a mo.
        - Combinado.
        O alvio tomou conta da expresso de Cliff. At o cabelo pareceu relaxar. Ele apertou a mo de Noah.
        - Combinado. Voc leva Sabrina para jantar e depois para casa. Meu vo chega por volta das dez, mas Mona quer que vocs dois cheguem s nove em ponto. Direi 
a Sabrina que Mona vai at Boca comigo e que no voltaremos at domingo, Voc pode dizer que est cuidando do cachorro.
        - Cachorro?! - Noah cerrou os olhos -Aquela imitao de pastor alemo que odeia homens?
        Cliff piscou.
        - Opal  mestia de pastor alemo. E ela no odeia todos os homens. J se acostumou comigo. Ela s tem cime da Mona. De qualquer jeito, voc vai ter de 
cuidar dela.
        - Certo. - Concordando, Noah se dirigiu  porta.
        - Espere.
        Noah parou e se virou para o scio. Cliff fez uma pausa, encarando-o severamente.
        - H mais uma coisa que voc tem de saber sobre Sabrina. Ela no  o tipo de mulher com que voc est acostumado.
        - Est certo. Voc j me disse isso. Ela  romntica. No se preocupe, vou lev-la a um lugar legal.
        - timo. - Cliff torceu o rosto. - Mas no  disso que estou falando.
        Noah deu um suspiro impaciente.
        - Ento, do que se trata?
        Um olhar de ameaa veio do rosto de Cliff.
        - O que estou dizendo  que ela...  virgem. E quero que continue assim.
        
        Sabrina Walker rosnou. Retirou o calendrio da parede ao lado da caixa de fusveis e comeou a contar os quadrados que representavam os dias da semana, terminando 
na sexta-feira seguinte. Dia treze. Seria uma sexta-feira treze. Quem faz uma festa de aniversrio nesse dia?
        -  um mal sinal, Walker - ela murmurou consigo mesma. - Um pssimo sinal. - A depresso que a assolava h meses se manifestava. Todas as pessoas que conhecia 
j estavam casadas e esperando o segundo ou terceiro filho.
        Todas, menos ela. 
        Pulou na cadeira de escritrio de metal que comprara de segunda mo para combinar com a mesa tambm metlica herdada quando adquirira a livraria, h quatro 
anos. Depois de um minuto procurando entre pilhas de catlogos e folhas de pedidos sobre a mesa, ela desenterrou o telefone. Discou um nmero e esperou trs toques.
        - Al? - Bess Anderson, sua melhor amiga, atendeu.
        - A vida est passando diante dos meus olhos, Bess.
        - Sabrina?
        - Eu sei que aos 16 anos jurei esperar algum especial, mas pensei que j teria encontrado o amor a esta altura. - Sabrina enrolou o fio do telefone entre 
seus dedos. - Sou uma rvore. Fico sentada aqui e nada acontece na minha vida. No tem ningum para me dar boa-noite no fim do dia. - Engoliu em seco. - Sem esperana 
de ter um filho.
        - Oh, Brina... voc pode ficar com um dos meus. Que tal os trs? - Uma das filhas de Bess gritou ao fundo. - Com licena um instante. - Ouviu-se o som do 
telefone caindo e Bess gritou para que a filha ficasse quieta. - Desculpe - disse ela, enquanto voltava  linha.
        Os dedos de Sabrina ficaram vermelhos.
        - Eu s preciso de um comeo.
        - Tem um cara novo trabalhando para o Tom.
        - Estou pensando seriamente nessa hiptese...
        - Srio? timo. Marcamos um encontro...
        - Estourar a rolha, dar adeus  velha cereja...
        - Como  que ?!
        - Talvez seja a hora de perder minha virgindade. Ter um caso. Conhecer o lado selvagem. - Sabrina rangeu os dentes. Dizer essas palavras em voz alta enviou 
uma onda de satisfao por todo o seu ser. Puxou o dedo para fora do fio, permitindo que seu sangue circulasse num fluxo normal.
        - Ento, querida? Quem  ele? No vai fazer nada precipitado, no ?
        Sabrina riu.
        - Eu me mantive virgem por quase 25 anos. O que h de precipitado nisso?
        - Voc entende o que quero dizer. Quem  ele? Voc o ama? Por que no... ?
        - Eu no sei quem ele , ou ser. Do jeito que estou me sentindo, o prximo solteiro que passar na minha frente pode se dar bem!
        - Sabrina? - Toby Baxter, um estudante do ensino mdio contratado por ela para trabalhar no turno da tarde, colocou a cabea para dentro do escritrio. - 
Voc pode ficar l na frente um instante? Preciso ir ao banheiro.
        - Claro, Toby. S um instante. Ele sorriu, agradecido, e se retirou. Sorridente, Sabrina voltou ao telefone.
        - Est legal. O prximo homem solteiro, ento.
        - Olhe, Brina...
        - Eu preciso ir. Obrigada por me permitir desabafar, Bess.
        - Espere, no...
        Ela desligou. Nada que Bess dissesse poderia mudar sua deciso. Alm disso, Bess no era um poo de sabedoria. Olhe a baguna que fez com sua prpria vida. 
Sabrina suspirou e balanou a cabea.
        Pobre Bess. Quando tinham 16 anos, as duas choraram juntas quando descobrirem que Bess estava grvida de Tommy Anderson, seu primeiro namorado "de verdade". 
Para o horror de Sabrina, Bess, com seu rosto de modelo, jogou fora um futuro brilhante na alta costura para se casar com Tom e ter o beb.
        Nove anos e trs filhos depois, Bess ainda estava presa em Atlanta e a Tom. O corao de Sabrina se contorcia.  claro que Bess amava seus filhos, mas que 
vida incrvel ela poderia ter tido! Quantas noites tinham passado acordadas juntas planejando a sofisticada carreira de modelo que ela teria, o apartamento em Nova 
York e sua foto na capa da Vogue!
        Sabrina parou. Para ela, tudo o que sempre quis era uma carreira, um marido que a amasse e admirasse, e filhos. Profissionalmente, estava fazendo exatamente 
o que queria, mas faltava a vida pessoal. Claro que sempre marcava encontros, procurando esse algum especial. A tragdia de Bess a ensinou a no agir de outra forma. 
Infelizmente, nunca demorava muito para perceber que um homem no era O Homem, o certo, ento seus relacionamentos tendiam a evaporar antes de se tornar algo srio.
        Dando uma ltima olhada no calendrio, ela se afastou da mesa. Sexta-feira treze! Por que logo esse dia para um aniversrio?!
        Parou  porta do escritrio. Precisava fazer algo para se distrair. Fechando os olhos, se imaginou tomando sol em um lugar de areia cristalina. Era isso! 
Iria a seu resort favorito em Destin, na Flrida, e comemoraria seu aniversrio sozinha.
        Enquanto entrava na rea da loja, sua mente viajava com a lista de coisas que teria de fazer para se preparar para a viagem: certificar-se de que algum 
cuidaria da loja, ligar para o resort e marcar o voo. Com sorte, resolveria tudo at o fim do dia.
        Com a resoluo firme na mente, foi render Toby. A porta da frente da loja estava aberta, recebendo a brisa de maio. A luz do sol inundou as colunas das 
janelas que iam do cho ao teto, embelezando a frente do estabelecimento. Plantas pendiam em vasos perto das janelas e encostavam nas vrias estantes de livros, 
dando um leve toque de verde. Graves sons de jazz flutuavam no ambiente, vindos de caixas de som no alto.
        Com um murmrio de alvio, Tom correu para a porta dos fundos, deixando a pequena livraria vazia, exceto por Sabrina e Libby Conrad, uma das clientes regulares. 
Um leno florido prendia os cachos dos cabelos ruivos pintados de Libby atrs da cabea. Ela se esticou para alcanar uma prateleira alta em uma das vrias estantes.
        - Precisa de ajuda? - perguntou Sabrina. Balanando a mo, a velha senhora a dispensou.
        - No se preocupe comigo, querida. Estou bem. Sei que voc tem muito trabalho a fazer.
        Sabrina deu um sorrisinho. Estava to distrada agora que odiaria esbarrar inadvertidamente na pobre senhora. Pegando um regador atrs do balco, Sabrina 
foi regar um vaso de samambaia. Cuidar das plantas normalmente a acalmava.
        Libby raramente comprava ou trocava livros. Normalmente folheava e conversava com outros fregueses. Embora sentisse carinho pela velha senhora, Sabrina s 
vezes se perguntava quanto  senilidade de Libby. Ela costumava falar sem parar, viajando por histrias de um passado muito distante.
        Ao terminar de regar as plantas, Sabrina puxou o caderno de pedidos dos clientes para comparar com seu mais recente estoque de livros. Ainda tinha uma generosa 
leva de produtos novos, embora a entrada de muitas mega livrarias na rea a tivesse feito ampliar a sesso de livros usados. Precisava de um diferencial que lhe 
permitisse ter competitividade. Cliff ficou surpreso quando ela disse o tipo de investimento que estava fazendo, mas se no agisse assim, no duraria muito devido 
ao tipo de competio que estava tendo de enfrentar. At agora, sua estratgia estava funcionando.
        Tobby voltou dos fundos, dirigindo-se a uma pilha de livros usados no balco.
        - J cataloguei estes - disse, erguendo um monte. - Parte dessa velharia  lixo. - Resmungou alguma coisa que Sabrina no entendeu e desapareceu por um corredor 
de livros.
        Libby fez uma sbita apario no balco. Sabrina se preparou.
        - Henry me ligou?
        Suspirando, Sabrina respondeu com um sorriso.
        - No, Libby. Sinto muito, mas ningum ligou para voc.
        Uma expresso de esperana sumiu do rosto da senhora.
        - Ele vai ligar. Ele prometeu - disse ela, com sua voz rspida habitual.
        Sabrina apertou a mo da velhinha. Toda vez que Libby aparecia na loja elas repetiam essa cena. Normalmente, Sabrina controlava o inevitvel apelo de suas 
emoes. Hoje, no entanto, o corao disparou e os olhos se encheram de lgrimas. O que teria acontecido ao Henry de Libby?
        - Sim. - Sua voz tremeu. - Ele vai ligar. - Piscou com, lgrimas embaraosas. Esse ridculo desastre de aniversrio havia mexido muito com ela.
        Libby mexeu seu dedo enrugado.
        - Ele  um amante incrvel, sabe?
        Sabrina se ajeitou. Isso no era parte da rotina.
        - Tenho... certeza de que .
        - Sabe todas as posies!
        - Que... que bom para voc.
        - Ele toca gaita. - Ela se empolgou. - E eu dano. Vou lhe mostrar.
        - No precisa. - Sabrina olhou em volta. Nenhum outro cliente havia entrado e Toby provavelmente estava perdido nas prateleiras da seo de fico cientfica. 
- No precisa se dar ao trabalho.
        - Ah, sim, minha querida. Voc tem de aprender, para poder fazer com seu rapaz. - Ela jogou as mos para o ar e se sacudiu naquilo que devia considerar um 
movimento sedutor. A msica as envolvia. - Isso deixa os rapazes no clima, sabe?
        Sem saber como lidar com ela, Sabrina limpou a garganta, deu a volta no balco e alcanou a velha senhora.
        - E-eu no tenho um rapaz!
        - No? Talvez... seja... porque... voc... no faz... essa dana. - A mulher mais velha intensificou os movimentos e controlou a respirao. - Isso faz o 
sangue fluir.
        - Libby... por favor, por que no senta e descansa um pouco? Acho que j entendi como .
        - No... no... Voc tem de aprender!
        Sabrina enrubesceu. A mulher parecia prestes a ter um ataque do corao, mas parecia determinada a continuar at que Sabrina se juntasse a ela.
        - Certo. Disse Sabrina; erguendo os braos e balanando. - Mas s um pouquinho. - Olhou ao redor novamente para ter certeza de que ningum estava olhando.
        - Mais... com o quadril. - Os quadris de Libby se mexiam em crculos exagerados.
        Sabrina mordeu os lbios, se concentrando. Depois de alguns instantes, seus msculos se aqueceram e ela sorriu. A msica flua pelo seu ser. Seu corpo se 
movia em harmonia com as notas do sax.
        - Pronto. Acho que peguei o jeito.
        - Ah, pegou sim. Com certeza. - Uma forte voz masculina ecoou atrs dela. - A pergunta : ser que voc poderia me ensinar um pouco disso?
        O embarao inundou Sabrina, enquanto ela se voltou para encarar aquele estranho alto. Estava parado logo na entrada da loja. A leve brisa levantava um pouco 
seus cabelos escuros. Seus olhos, negros como carvo, brilhavam com incontida admirao. Seu olhar percorreu os quadris de Sabrina e ento subiu, parando por um 
longo momento em seus seios, antes de se erguer para encontrar os olhos dela.
        Um arrepio a dominou. Homens j haviam reparado nela antes, at mais frequentemente do que queria, mas sua admirao normalmente causava pouco efeito. Mas 
o olhar daquele homem provocou-lhe um frio no estmago.
        Aquele sorriso demorado mostrou que ele no havia sido enganado pelo vestido simples de algodo.
        - Viu? J fisgou um. -- Libby apontou na direo do recm-chegado. - Nada mau para sua primeira vez.
        O homem sorriu e se dirigiu at elas.
        O calor subiu pelo pescoo de Sabrina at suas bochechas. Nunca tinha ficado to mortificada.
        Ele se movia com a graa e a preciso de uma pantera. Esguio. Sensual. O terno cinza lhe caa bem, como se tivesse sido feito sob medida. Os ombros largos 
e quadris bem definidos preenchiam suas medidas com preciso.
        - E ento? Poderia? - A voz dele chegou at ela. Outro arrepio a dominou, agora vindo do fundo do estmago. A dana deve t-la deixado tonta.
        - Como ?
        - Pode ir! - Libby pegou no brao dele. - Sabrina no se solta nem um pouco. - Ela olhou para Sabrina. - E talvez esse seja o problema.
        Sabrina fitou Libby. As palavras se recusavam a sair de sua boca.
        Em resposta, o homem parou. Ele disse, direto:
        - Sabrina? - Encarava-a com olhos incrdulos.
        - Sim. - Ela ofereceu a mo, grata por ter encontrado sua voz, embora estivesse estranha, ligeiramente sem ar. - Sabrina Walker. Est procurando algo que 
eu possa ajudar a encontrar?
        - Bom, na verdade... - Ele envolveu a mo dela com. suas grandes mos. - ...eu vim procurar voc.
        - Por mim? - Sabrina piscou. Seu corao bateu com o triplo da velocidade, enquanto o calor das mos dele derretia nas suas. Um pequeno tremor nasceu em 
seus dedos e subiu pelo brao. Sentiu uma alarmante vontade de abra-lo. O que um homem lindo como aquele poderia querer com ela?
        - Isso mesmo. - Soltando-a, ele abriu os brados. - Sou Noah Banks. Trabalho com seu  irmo.
        Um misto de excitao e surpresa percorreu o corpo de Sabrina. 
        - Noah?! Minha nossa... Isso  que  surpresa. Cliff me falou muito de voc. - De como ela deveria correr na direo oposta, se por acaso esbarrasse com 
ele na rua.
        Os olhos de Noah brilharam.
        - Posso imaginar. Provavelmente s metade do que ele disse  verdade.
        - No sei, no. Tenho a impresso de que ele no deveria estar to enganado. - Sempre duvidara das histrias do irmo sobre as proezas sexuais de seu colega 
de quarto. At agora. Cliff estava certo em preveni-la. Noah emanava perigo. E excitao.
        Deu um passo para trs e quase esbarrou em Libby.
        - Meu Deus, sinto muito. Onde est minha educao? - Sabrina gesticulou na direo da mulher. - Esta  Libby Conrad, minha mais valorosa cliente. Sra. Conrad, 
este  Noah Banks, devorador de mulheres.
        Noah ps uma das mos sobre o peito.
        - Assim voc me magoa! - Pegou a mo estendida de Libby, beijando-a levemente. - Eu sempre deixo as mulheres sorrindo. E muito vivas, por sinal.
        - Aposto que sim. - Libby puxou a mo. - Voc  um rapaz sedutor, mas vamos ter de parar por aqui. Meu Henry vai estar aqui a qualquer momento, e ele  do 
tipo ciumento.
        O corao de Sabrina apertou novamente. Noah olhou por cima dos ombros, como se estivesse com medo de dar de cara com o amante da velha senhora.
        - Henry?
        - Henry Thomas Watson, de Decatur. Um homem de verdade. - Com dedos trmulos, Libby puxou um medalho de ouro do meio dos seios. Ela o abriu e segurou na 
direo de Noah.
        Apesar do que sentia, Sabrina se posicionou ao lado dele para dar uma olhada no famoso Henry. Havia dois pequeninos porta-retratos. Um deles tinha a figura 
de uma jovem de cabelo vermelho-fogo e um sorriso familiar, e o outro, a foto de um homem de cabelos ondulados, bonito mas srio, olhando em sua direo. Libby suspirou. 
Devem ter sido extremamente apaixonados.
        Noah se ergueu, soltou o medalho, fitou a senhora e sorriu.
        - Um homem muito sortudo, o seu Henry.
        - Pode apostar! - Libby deixou o medalho cair novamente para dentro do decote.
        Sabrina engoliu em seco e tentou acalmar o frio que sentia na barriga por causa do toque acidental de Noah. Tinha de se recompor. Era s um homem.
        Um homem solteiro.
        Ela recuperou o flego e deixou o olhar deslizar pelos ombros largos, a cintura na medida certa e mais para baixo. A sensao de inquietao aumentou. Ele 
limpou a garganta. Os olhares se encontraram. Embora estivesse apenas parado na sua frente, o calor daqueles olhos perfurou Sabrina.
        Ento, aquilo era desejo.
        - Olhem, vou sair do caminho e deixar os dois se conhecerem melhor. - Libby deu um tapinha no brao de Sabrina. - Viva um pouquinho. Piscou, se afastou e 
foi procurar Toby. .   
        Noah ficou ao lado de Sabrina. Seu irmo tinha de estar errado. Era impossvel ela ser virgem. No pelo jeito que se movia e a maneira como o encarava com 
olhos famintos. Seu corpo o atraa com aquela dana de sereia e voz aguda que, sozinhos, bastariam para fazer um homem perder a razo.
        - Cliff manteve um mistrio to grande sobre voc que atiou minha curiosidade. Andava tentando descobrir um jeito de conhec-la. - O olhar de Noah se dirigiu 
s estantes cheias de livros. Por algum motivo, no podia olhar direto para ela e dizer sua meia-verdade. - Perguntei a Tiffany, do escritrio, sobre o que deveria 
dar a Cliff e Mona como presente de casamento e ela mencionou que eu deveria perguntar a voc.
        Olhando de volta para cima, ele foi novamente envolvido por aquele olhar brilhante e azul.
        - Ento, aqui estou, com o humilde propsito de pedir seu conselho e verificar essa mulher misteriosa,  claro.
        Ela balanou a cabea.
        - Cliff sabe que voc est aqui?
        - ... no. Eu no disse aonde ia.
        Ela sorriu e seus olhos acenderam com prazer.
        - Bom, se voc no contar, tambm no contarei.
        - Meus lbios esto selados.
        Os cabelos de Sabrina brilhavam de forma hipnotizan-te, banhados pela luz do sol que atravessava a porta aberta. Noah cerrou a mo, para evitar tocar o cacho 
que pendia sobre os ombros dela.
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        Dorie Graham
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        - Voc no se parece nada com seu irmo. Exceto pela cor dos cabelos.
        Sua mo traioeira subiu. Os dedos passeavam pelas madeixas escuras. Macio como a seda. Ele se inclinou para a frente e sentiu o perfume de flores silvestres. 
O pulso disparou.
        - Hum... o presente de casamento. - A voz de Sabrina flutuou at ele, macia e hesitante.
        Os olhares novamente se encontraram. Claros e brilhantes, os olhos dela o envolveram at que ele sentisse como se estivesse se afogando neles. Aqueles olhos 
guardavam uma pureza que Noah nunca tinha visto.
        Com uma sacudida nos pensamentos, ele desceu a mo e se endireitou. Era verdade. Ela era virgem. Emanava inocncia. Um solteiro que no acreditava em contos 
de fada ou em " viveram felizes para sempre" no tinha o direito de se aproximar dela.
        - Sim. - Ele limpou a garganta e tentou afastar a nvoa em sua mente. - Sei que eles vo ganhar muitos presentes, mas gostaria de dar alguma coisa diferente.
        - Diferente - repetiu Sabrina, enquanto franzia as sobrancelhas para se concentrar. - Vejamos. - Ela passou os dedos no queixo e, de repente, teve uma ideia. 
- J sei! Mona gosta daquela galeria nova em Buckhead, aquela com gravuras coladas na frente. Arte contempornea. A dona a conhece. Ela pode ajud-lo a escolher 
alguma coisa. - Seus lbios se torceram numa curva sensual. - Desde que voc agrade Mona, Cliff ficar feliz.
        - timo. Arte contempornea. - Ele concordou. Conhecia o lugar. Dito isso, suas mos suavam. Tinha de convid-la para sair na sexta  noite, mas sua confiana 
e astcia habituais tinham fugido. Ficou parado como um colegial pronto para convidar sua primeira paixo para sair. E se ela dissesse no? Pior ainda, e se estivesse 
saindo com algum? 
        Fez uma careta. Nunca havia se preocupado com esse tipo de detalhe. . .
        - Ento, estou feliz que tenha feito uma visita.  interessante comparar o mito com a realidade. - Os olhos dela brilharam.
        Noah cerrou os punhos. Por algum motivo inexplicvel, ele odiava o fato de Sabrina conhecer suas proezas.
        - Engraado como a realidade pode se transformar em contos to exagerados. - Sua voz soou mais rouca do que pretendia, mas ela sorriu, concordando com a 
afirmao.
        Um momento de silncio se fez. Ela olhou por cima do ombro quando um novo fregus entrou.
        - Acho que  melhor voltar ao trabalho.
        Ele rangeu os dentes. Sua lngua parecia grande demais para caber na boca. Quando foi que tivera problemas para convidar uma mulher para sair?
        Sabrina se voltou para o balco, parou e o encarou novamente. O estmago de Noah apertou. As bochechas dela ficaram vermelhas.
        - Talvez pudssemos nos ver uma hora dessas - disse ela.
        - Sexta-feira  noite. - Ele balanou a cabea e tentou de novo. - Posso lev-la para jantar... sexta... nessa sexta  noite?
        O corao dele disparou.
        - Digo, s pensei que, j que voc  irm de Cliff, e com o casamento se aproximando, no faria mal se nos conhecssemos... - Subitamente fechou a boca. 
Por que estava gaguejando?
        - Certo.
        - Certo? - A angstia em seu corao desapareceu e ele queria se bater pelo alvio que estava sentindo naquele momento.
        - Sim. - Ela ergueu o rosto. Os olhos brilhavam. - Vou sair com voc na sexta-feira  noite.
        - timo! Que tal s sete?
        - Sete horas est bom. Tome. Vou lhe dar meu endereo. - Ela andou at o balco, escreveu alguma coisa num pedao de papel e entregou a ele. - O nmero do 
meu telefone tambm, caso voc precise. - Uma centelha acendeu seus olhos. - Esperarei ansiosa pela sexta-feira.
        A voz tinha um tom angelical. Enquanto segurava o papel, os dedos de Sabrina deslizaram at os de Noah. Ele engoliu em seco e enfiou no bolso o papel que 
estava nas mos. Com um supremo esforo, evitou sair correndo. O que, em nome de Deus, estava errado com ele?
        Com uma despedida balbuciada, ele andou para trs e se dirigiu at a porta. Fez um esforo para no olhar para trs, mas o peso daquele olhar intenso o seguiu 
por toda a calada.
        Quando saiu do campo de viso, ele parou para enxugar o suor das sobrancelhas. Nunca tivera muito contato com virgens. Era normal ter alguma reao adversa. 
Aquelas noes de "viveram felizes para sempre" e "casinhas no campo com cercas brancas" associadas s virgens no faziam com que se sentisse bem. Ele era alrgico. 
Devia ser isso. Exalou fortemente e relaxou. Com certeza, nos prximos trs dias, recuperaria a compostura.
        Uma noite. Apenas algumas horas. Ele conseguiria aguentar esse tempo com a irm de Cliff. Depois que a levasse at a festa, tudo estaria resolvido.
        Ele reivindicaria seu prmio!
        Sorriu, fazendo um esforo para substituir a imagem de Sabrina em sua mente pela de Darcy. O jantar com Sabrina seria tranquilo. S precisava se lembrar 
de evitar aqueles olhos e de no toc-la. Uma nuvem escura cobriu o sol. Ele se apressou e correu at o carro.
        
Captulo Dois
        
        
        Uma msica tocava levemente ao fundo, enquanto Sabrina colocava as mos na etiqueta com o preo de um vestido preto apertado. Ela suspirou e olhou para Bess, 
sua companheira de compras. Graas a Deus a amiga tinha vindo junto para ajudar. Nada do guarda-roupas de Sabrina com vestidos e saias floridas estaria bom para 
seu encontro com Noah. Ela precisava dos olhos crticos de Bess para escolher o modelo certo.
        Tirou o vestido preto do cabide e o colocou na sua frente.
        - Sexy.  isso que eu quero. Nada de flores, tons pastel e babados.
        - Bom, nunca pensei que veria esse dia. - Bess riu. Segurou uma saia vinho para ver o que Sabrina achava. - Ser sexy  algo em que posso ajud-la.
        Sabrina concordou. Bess juntou o vestido  pilha em seu brao.
        - Ento, fale mais sobre o senhor " alto, moreno e lindo" - pediu Bess, balanando a cabea. - Ainda no consigo acreditar que est pensando em dar o grande 
passo. Voc vai conhec-lo bem antes. E tenha certeza de que gosta dele de verdade, hein?
        - Ah, eu gosto dele. - Sabrina deu um longo suspiro. Seu olhar vagava pela pilha de roupas coloridas. - Ele tem uns olhos escuros to intensos, como se estivesse 
olhando direto para a minha alma. E sua voz me d arrepios na espinha. E aquela boca...
        Uma pequena ruga se formou entre as sobrancelhas de Bess.
        - Oh, querida. Espero que sim. Ningum merece ser feliz como voc. S acho que...
        - S no quer que eu exagere no romantismo. - Sabrina riu. - S porque no acredita em amor  primeira vista, no quer dizer que no exista. Muitos estudos 
j comprovaram as mudanas psicolgicas associadas ao amor. Basta a mistura certa de feromnios e pronto!
        Ela sorriu com a expresso confusa da amiga.
        - No me olhe assim. Pode ser agora. Desta vez pode ser para valer.
        Bess lanou um olhar de preocupao, depois ergueu um vestido longo e o virou de costas, para mostrar que era frente-nica.
        - Que tal este?
        - Definitivamente sexy, mas aposto que Noah gosta de olhar para pernas. - Sabrina adicionou mais um vestido a sua pilha e percebeu a quantidade que Bess 
j carregava. - Isso deve dar para comear. Vamos ficar aqui a noite toda se continuarmos nesse ritmo.
        - Sem problema. - Bess suspirou. Quando sa de casa, as meninas estavam brigando e Tom estava grudado na TV! - Ela franziu a testa. - Ser que notaram que 
eu sa?
        - Veja s. Nunca vi voc assim.
        Sabrina encontrou o olhar de Bess.
        - Acho que ele  "o certo".
        Uma empatia muito familiar tomou Sabrina. Balanando a cabea, ela seguiu a amiga por entre filas de manequim sem rosto at a cabine para experimentar roupas. 
Embora a maternidade tivesse sido uma bno para Bess, que adorava suas filhas, um certo ar de inconformidade s vezes tomava conta de seus olhos. Aquilo preocupava 
Sabrina.
        - Eu jamais perderia este momento. - Bess lhe entregou vrios itens da pilha quando chegaram  cabine. - J era hora de voc resolver se vestir como uma 
mulher.
        - Como assim? - Sabrina pendurou as roupas. - Eu me visto como uma mulher.
        - Sim. Tudo o que voc tem exala feminilidade, como numa onda, mas neste aqui... - Pegou um vestido roxo de gola decotada. - Neste voc ser uma mulher de 
verdade.
        Sabrina agarrou o vestido e fechou a porta da cabine.
        Virou-se para o espelho de corpo inteiro que ocupava uma parede. Com a testa franzida, examinou a longa blusa solta e calas pretas que estava usando. Bess 
tinha razo. Um vestido apenas no seria o bastante. O guarda-roupas de Sabrina precisava ser renovado. Ela suspirou. Sua vida precisava ser renovada.
        Arrancou a blusa e as calas. Teve de cavar fundo na gaveta para achar o conjunto de calcinha preta e suti meia-taa que agora usava. O tecido delicado 
a acariciava enquanto buscava o vestido roxo. Escorregou uma das mos pela curva de seu seio, arredondado pelo suti com suporte. Fagulhas de desejo a atravessaram, 
fazendo com que suspirasse. Suas cintas-ligas de algodo nunca a fizeram se sentir to sexy. Era como se seu encontro com Noah a tivesse libertado para explorar 
seu lado sensual.
        Sabrina mordeu os lbios, enquanto a lembrana daquele olhar quente a inundava. Como ele reagiria ao v-la naquela lingerie provocante? O calor a preencheu. 
O corao se acelerou da mesma forma que quando ele passara os dedos pelo seu cabelo. Aquele gesto simples havia feito seus hormnios viajarem. O que aconteceria 
se ele a tocasse de verdade?
        Ele ocupava a mente de Sabrina com fantasias que se tornavam mais estimulantes a cada dia que passava. Ela enrubesceu  memria de ter acordado suada naquela 
manh, com o lenol enroscado nas pernas e o sonho de Noah fazendo amor com ela fresco em sua mente.
        Com um grunhido, ela segurou os seios e apertou, enquanto pressionava as coxas. O desejo sexual apenas aumentava. Ser que ela poderia fazer amor com Noah?
        Sabrina se virou, e o Noah de seus sonhos, com a pele dourada brilhando em toda a sua glria, lhe dava um sorriso sexy. "Sentiu minha falta, meu doce? Voc 
me quer mais uma vez?"
        Ele se aproximou. To perto que seu hlito quente encostou na bochecha de Sabrina. "Aqui. Posso?"
        Ela deixou que as mos dele substitussem as suas em seus seios. As palmas das mos de Noah os envolveram e apertaram, enquanto os dedos brincavam com os 
mamilos sob o tecido. Um grunhido saiu de sua garganta. A boca quente cobriu o tecido. Ele a lambeu demoradamente e com fora. O prazer era to intenso que ela mordeu 
os lbios para no gritar.
        O desejo entre as coxas se tornara quase insuportvel. Ela engasgou enquanto ele a pressionou contra a parede, posicionando o joelho entre suas coxas e fazendo 
com que ela o apertasse. Ele clamou por sua boca. Aquela lngua quente contra a dela, as mos guiando seus quadris para mont-lo, fazendo com que mais prazer queimasse 
por dentro dela.
        Quando Sabrina encontrou seu ritmo, ele continuou a beij-la, enquanto rolava os mamilos por entre os dedos, empurrando-a em um ritmo mais e mais rpido.
        "Isso!" - ela gemeu enquanto a tenso chegava ao pice dentro de seu ser. "Sim, sim, siiiim!"
        Sabrina pulou contra a parede da cabine. Essas fantasias estavam ficando mais intensas. Ela precisava fazer amor com Noah. Deu mais uma olhada no espelho. 
No parecia mais to inocente agora, vestindo aquela lingerie sexy e com as bochechas rosadas. A dvida a assolou. Podia no parecer inocente, mas era. Nunca poderia 
se comparar s parceiras mais experientes de Noah.
        Deixando de lado as incertezas, vestiu o vestido roxo e se virou para o espelho.
        - Oh! - exclamou, maravilhada.
        Se  que era possvel, o vestido ficou mais provocante que a roupa de baixo apertada. O tecido flutuava sobre ela, acentuando suas curvas e deixando um leve 
relevo de seda sobre as coxas. A gola reveladora expunha um decote inexistente sem o suti. Enquanto se virava lentamente, Sabrina foi tomada pela confiana.
        Nesse vestido, ela era uma mulher completa.
        - Sabrina? - Bess chamou e bateu  porta. - Como ficou? Estou doida para ver...
        Sabrina escancarou a porta, sorrindo com o queixo cado da amiga. Deu um passo adiante e foi at um espelho triplo.
        - Minha nossa! - Bess parou ao seu lado. - Sexy definitivamente fica bem em voc. - Ela esfregou o tecido fino entre os dedos. - Ser que eles tm um desse 
no meu tamanho?
        Uma gargalhada brotou da garganta de Sabrina. 
        - Eu nem me sinto como eu mesma. Me sinto to... viva! - Ela abriu os braos e girou. Quando parou, sorriu para seu reflexo. Os olhos brilharam e as bochechas 
ficaram rosadas. - Quase sinto como se pudesse fazer qualquer coisa com esse vestido.
        - Como conquistar o corao de um dedicado playboy! Eu conheo esse olhar, Sabrina.
        - Pare! - Sabrina ergueu a mo. - Eu me recuso a ouvir qualquer aviso. - Viu o olhar de Bess no espelho. - J sou adulta. Estou cansada de ficar esperando 
minha vida acontecer.
        Endireitou os ombros e voltou a encarar o prprio reflexo.
        -  hora de fazer minha vida acontecer.
        - Querida, confie em mim. Com esse vestido, as coisas vo acontecer. A pergunta : voc est pronta mesmo? E ser que consegue fazer isso sem se envolver 
emocionalmente?
        Sabrina ficou parada. A excitao daqueles momentos com Noah a sustentara por dias. Se fechasse os olhos, conseguia ver a admirao em seus olhos escuros, 
sentia o corao disparar e a alma flutuar com o reconhecimento instantneo. Era como se conhec-lo a tivesse feito despertar.
        - Ele  O Homem, Bess. - Deixou aquela declarao pairar sobre as duas e se virou com um sorriso. - Sabe, meu tamanho? Com o clima esquentando, eu tambm 
poderia comprar um biquni novo e um maio ou dois. Ento, vamos ver o que mais a gente consegue achar. Acho que temos algo de bom por aqui.
        O sol era filtrado pela janela da cozinha compacta de Sabrina, que dava para o jardim, banhando de luz sua variedade de begnias e rosas em miniatura. Uma 
curva de vapor subia de sua grande xcara de caf. Ela deu uma olhada e verificou a data no calendrio da cozinha. Sexta-feira treze. Seu grande dia. Ergueu a xcara 
num brinde.
        - Feliz aniversrio para mim.
        Ignorando um vago pressentimento de perdio iminente, Sabrina se concentrou na noite que viria. O telefone na parede ao lado tocou. Ela engoliu a mistura 
quente e saudou a pessoa do outro lado.
        - Bom dia, me.
        - Bom dia, querida. Voc no est bebendo logo cedo, est? - A voz de Gabriella Walker tinha o tom usual de censura.
        - Na verdade, no. S estava brindando a essa ocasio fantstica.
        - Sabrina, so nove da manh. Vai me dizer que andou bebendo?
        - S caf.
        - Descafeinado? Sabrina riu.
        - No.
        - Essa cafena vai envelhecer voc, querida. Guarde minhas palavras. Voc  to linda agora. E jovem. Queria ser jovem de novo. Ter a sua silhueta, sua pele. 
Eu me cuidaria muito bem se fosse voc, com certeza. Infelizmente, os homens notam a embalagem primeiro, voc sabe. - Apesar do tom da bronca, as palavras de Gafwiella 
eram repletas de carinho. 
        - Voc ainda  bonita, me. E sei que papai acha isso. Voc sempre vai ser o docinho dele.
        Houve um breve silncio na linha.
        - Me?
        A me limpou a garganta.
        - Sim, querida. Estou com uma chamada na outra linha. Vou mandar seu pai ligar para voc mais tarde. Aproveite o dia. Feche a loja. Tire um tempo para si 
mesma. Eu amo voc, Sabrina, minha menina. - A voz dela tremeu de emoo.
        - Eu tambm te amo. Est tudo bem?
        - Sim. - Ela fungou. Apesar de toda a distncia at West Palm Beach, Flrida, onde sua me estava, Sabrina quase podia ver as lgrimas em seus olhos. - Tenho 
de desligar. Vejo voc na semana que vem.
        Sabrina desligou e ficou olhando para o telefone. Sua me estava praticamente chorando. Ela balanou a cabea. Era tpico de Gabriella ficar emocionada com 
seu aniversrio.
        Lavou a xcara e pegou a bolsa. Bem, era um dia especial. Um sorriso tomou conta de seu rosto. E a noite... esta noite seria inesquecvel.
        Voc est mesmo pronta? Ao final da tarde de sexta, Sabrina tinha tido bastante tempo para refletir sobre as palavras de Bess. Removeu algumas folhas secas 
de uma planta que pendia sobre a porta do banheiro. Montinhos de terra caam sobre a pia e a enorme banheira que a fizera comprar o apartamento.
        Ela se bajularia, levando tempo para se arrumar. Enquanto se afundava num banho com aroma de baunilha, fechou os olhos e o Noah de suas fantasias surgiu 
novamente, com os olhos ardendo de desejo.
        "Ah, Sabrina, voc no deve me deixar esperando tanto tempo." Tirou a camisa e se ajoelhou a seu lado. Os msculos de seu tronco se retesavam enquanto se 
aproximava dela. "Huuum...". Enquanto mordiscava a ponta de sua orelha, ele passava a ponta dos dedos por seu pescoo. "Seu cheiro doce me deixa louco."
        A palma da mo de Noah deslizou para acariciar seu seio. O corao de Sabrina disparou em expectativa enquanto ele descia a cabea. Ele passou a pontinha 
da lngua pelo mamilo, cobriu-o com a boca e sugou-o demorada e fortemente. Ela gemia enquanto a sensao se espalhava pelo corpo, alimentando o calor ntimo entre 
suas pernas.
        Enquanto se movia para lamber o outro seio, Noah afundou a mo pela gua com essncias, em direo  curva trmula de seu estmago. Ela ergueu os quadris 
e afastou as coxas, enquanto aqueles dedos fortes deslizavam por seus plos encaracolados, em direo s profundezas de sua feminilidade.
        O sangue subiu  sua cabea. O calor se apossou de Sabrina. "Noah!"
        O som do telefone a trouxe de volta  realidade. A gua derramou pelas bordas da banheira. Rosnando, ela saiu do banho e se enrolou numa toalha branca e 
felpuda.
        Sabrina agarrou o telefone antigo ao lado da cama depois do terceiro toque.
        - Al?
        - Sabrina? - A inconfundvel voz de bartono de Noah fez com que seus braas se arrepiassem.
        - Noah. Oi. - Ela falou surpresa. Ele deveria busc-la em menos de uma hora. Por que estava ligando?
        - Olhe, s estou ligando para avisar que vou chegar um pouquinho atrasado.
        - Ah. - Um alvio a tomou. Ele no estava cancelando o encontro. - Sem problema. - O calor enrubesceu suas bochechas enquanto ela olhava os dedos enrugados. 
Tinha passado muito tempo na banheira. - Leve o tempo que for preciso. Ainda no estou pronta.
        Depois de confirmar as orientaes para chegar a seu apartamento, ela desligou e correu para se aprontar. Pouco mais de uma hora depois, retocou o batom 
- o tom um pouco mais escuro que o de costume. Uma coragem sem precedentes tomou conta de seu ser enquanto encarava o espelho de corpo inteiro.
        Cliff e Mona estavam fora da cidade e mais ningum sabia desse dia especial. A no ser por uma ligao de sua me e, depois, de seu pai, o aniversrio de 
Sabrina tinha passado despercebido. Mas, em vez de se entregar  depresso que a acometia anteriormente, ela saborearia a noite que se aproximava.
        Sem dvida, Noah havia pensado em sua noite com ela como um simples jantar, mas para ela era muito mais que isso. Quer terminassem a noite com um beijo casto 
ou seguissem adiante para algo de maior intimidade, uma coisa era certa: ela apreciaria o presente de aniversrio dado a si mesma. O presente do faz-de-conta.
        Esta noite ela jantaria com o amante de seus sonhos.
        A campainha tocou. O corao de Sabrina pulou. Passou um perfume de essncia floral exclusivo, e correu at a porta. Noah esperava do outro lado, devastador 
em sua cala justa, camisa sem gola e casaco esporte. Ela prendeu o olhar em sua direo, maravilhada com o fato de ele realmente estar ali por sua causa.
        - Ol - disse e}a. Os dedos cocavam de vontade de tocar o firme contorno daquele queixo, ver se era mesmo to macio quanto parecia. Seu olhar parou para 
admirar aquela boca, com uma pequena entrada no meio do lbio inferior. Seus beijos seriam to empolgantes quanto imaginava?
        - Voc vai sair vestida desse modo?!
        O olhar de Sabrina procurou o dele. Os olhos de Noah brilhavam, escuros e penetrantes como antes, mas sem um vestgio da aprovao esperada. Ele quase parecia 
zangado.
        Ela fez um gesto para que entrasse.
        - No gosta do meu vestido?
        Noah ficou sem se mover por um instante. O queixo franzido, o olhar na direo de seus seios. Inconscientemente, ela olhou para baixo e viu o decote que 
estava to feliz em mostrar. Ele estaria desapontado?
        - Voc vai congelar. Vai fazer frio  noite. - Ele entrou no apartamento passando por ela, trazendo seu aroma silvestre. - Tambm deve estar frio no restaurante. 
 melhor se cobrir.
        Sabrina observou suas costas. Esse era Noah, o devastador de mulheres? Ele deveria estar babando em cima dela e de seu novo decote.
        - No seja tolo. Est fazendo quase trinta graus l fora. Vou ficar bem.
        Com as mos enfiadas aos bolsos, ele se voltou para ela. 
        - Est pronta, ento? Ns temos uma reserva.
        - Vou pegar minha bolsa. - Surpresa, Sabrina se afastou dele. Aquele homem podia fazer um curso de reciclagem sobre sutileza. Ela ergueu o queixo e decidiu 
se divertir, apesar dele. Certamente, no eram seus modos incrveis que faziam as mulheres voltarem implorando por mais.
        Sabrina sorriu. Ser que ele compensaria isso na cama?
        O murmrio de conversas os cercou, enquanto garons se moviam com eficcia por entre as mesas de toalha branca. Noah segurou o copo de usque e fitou a parede 
pintada de tijolos que mostrava a nobre transformao de um armazm militar anterior  guerra civil em restaurante. Uma lamparina pendia sobre o casal, criando sombras 
estranhas na parede de revestimento spero.
        A frustrao o envolvia. Ele olhava pela sala. Era sua imaginao, ou todos os homens estavam olhando para Sabrina? Stephen, o garom que servia a mesa deles, 
se aproximou, e Noah poderia jurar que o rapaz deu uma olhada para o decote de Sabrina. Por que ela no se cobriu como ele sugeriu? No houve um homem no restaurante 
que no tivesse notado sua entrada.
        Ela estava brilhando, fazendo pescoos se virarem, onde quer que fosse.
        Stephen se inclinou em sua direo.
        - Eu sugiro Blush. Um belo vinho para uma bela dama.
        Noah apertou a faca que segurava. Estaria o homem flertando com ela?
        A risada melodiosa da moa preencheu o ar. Seus dedos apertaram o brao do garom.
        - Bom, confio em seu discernimento. Traga o Blush, ento.
        Stephen se foi e ela olhou Noah de rabo de olho. O estmago dele apertou. Por que cada um de seus gestos causava uma resposta nele? Ele no havia esquecido 
o primeiro e breve encontro deles. Por toda a semana, ela preenchera sua mente. E suas fantasias.
        Sabrina moveu a cadeira um pouco para frente e seus seios se mexeram em sincronia. Ele segurou um gemido. Ela no tinha o direito de soar nem de parecer 
daquele jeito.
        Ela  virgem.
        Noah ficou repetindo aquelas palavras para si mesmo quando ela o cumprimentou com aquele vestido, deixando a garganta dele seca. Ele silenciosamente as repetiu, 
enquanto a levava at o carro e seu perfume de flores frescas o deixou tonto de desejo. Novamente recitou o lembrete, enquanto a escoltava at a mesa.
        No obstante, sua mo havia sentido aquelas costas delicadas e o calor da pele sob o vestido fino. Ela se movera em direo a ele de modo convidativo, com 
o quadril roando nele. A pulsao de Noah disparou e ele continuou silenciosamente recitando seu mantra.
        Ela  virgem.
        - Voc gosta de trabalhar com Cliff? - Ela tomou um gole de gua e usou um guardanapo para secar uma gota que havia cado no seio.
        Noah se esforou para desviar o olhar.
        -  timo. - Ainda segurando a faca, desenhou crculos no tecido da mesa com a ponta do talher.
        Ela  virgem. 
        - Ah, ento voc gostou de voltar para Atlanta?
        - Por mim, tudo bem.
        - Ento sente falta de Dhver?
        - Na verdade, no.
        - Bom, devo alert-lo que essa foi uma primavera mais agradvel do que de costume. Nos ltimos dois anos, o plen parecia ter ficado muito mais pesado. Eu 
fico dias em casa quando os pinheiros esto desabrochando.
        Ele concordou e colocou a faca de manteiga de volta no prato de po. Stephen se aproximou de Sabrina com um copo de vinho. Sem olhar muito na direo de 
Noah, ele ps o copo na frente dela. Depois, se ergueu, ficando ao lado da cadeira dela, que tomou um gole para experimentar.
        - Humm. Sim, este  perfeito. - A ponta rosa da lngua passava pelos lbios.
        Stephen se inclinou na direo dela.
        - E para o jantar, posso sugerir pato assado? Ele  preparado na prpria gordura, at ficar tenro e mido.  muito suculento.
        O sangue ferveu na cabea de Noah. Estaria ouvindo coisas ou o homem tinha usado a palavra de forma detestvel? Ele se jogara sobre Sabrina e parecia que 
estava praticamente babando sobre ela. Noah ficou tenso.
        Ela torceu o nariz. Nem mesmo esse gesto diminua sua beleza. Era a mulher mais sexy que j havia conhecido.
        - No sei. Passei mal na ltima vez que comi pato.
        O garom franziu os lbios.
        - Talvez uma costela? - Aos ouvidos de Noah, a voz do homem ficou atrevida. - Que tal um grande pedao de carne?
        - J chega! - Noah saltou de p, batendo com as mos na mesa. - Afaste-se dela! Ela  v... vegetariana!
        
        
Captulo trs
        
        
        O sangue subiu  cabea de Sabrina enquanto Noah se recolhia de volta  cadeira. A cadeira rangeu com o sbito silncio.
        Stephen desceu a mo pela frente de sua camisa de tecido branco.
        - Eu... vou trazer uns pes frescos. - Olhou de forma curiosa para Noah e se afastou sem olhar para trs.
        Lentamente, as mesas ao redor voltaram ao burburinho normal. Sabrina encarou seu acompanhante com um silncio sepulcral. Ele sabia. Maldito Cliff! Seu irmo 
no tinha o direito de divulgar uma informao to pessoal.
        O calor subiu pelo pescoo. O dio e a vergonha se misturavam nela. Seria a virgindade o motivo para o comportamento brusco de Noah?
        - Eu... sinto muito - Noah exalou pesadamente. - No queria fazer uma cena.
        Sem confiana para responder, Sabrina cerrou os lbios e contou at dez.
        Ele teve a decncia de parecer envergonhado.
        - Acho que exagerei. Ele parecia estar flertando com voc.
        - Flertando comigo?!
        - Voc deveria ter se coberto, como eu sugeri. Todo mundo est olhando... - Ele parou com o retorno de Stephen. Com movimentos cuidadosos, ele os presenteou 
com uma cesta de pes quentinhos e partiu.
        Sabrina olhou para o garom. Se o homem havia flertado com ela, no havia percebido. E mesmo que tivesse, isso no dava motivo a Noah para agir como um homem 
das cavernas. Ele parecia no estar prestando muita ateno nela. 
        Tinha tentado de tudo para provocar uma reao nele. Seus olhares sbitos passaram despercebidos. Ele no foi afetado pela ateno voltada para ele e a linguagem 
corporal direta. Numa frustrao crescente, ela at se esfregara nele. Noah no percebeu.
        Sabrina se inclinou e passou os dedos pela cesta de po.
        - Ele no tinha o direito.
        - O garom? - Noah congelou, com um pozinho no meio do caminho para o prato. - Ele estava flertando?
        - Estou falando do Cliff.
        Ele ps o po no prato. Os olhares se encontraram.
        - Ah.
        Apesar do calor nas bochechas, ela manteve o olho no olho.
        - Deixe eu adivinhar. Ele descobriu sobre hoje  noite e abriu o jogo.  claro que se certificou de que voc soubesse de todos os detalhes.
        Noah a encarou novamente por mais um momento e ento desviou o olhar para o prato.
        - No  nada demais. Seu segredo est a salvo comigo.  uma escolha sua querer se guardar para o verdadeiro amor.
        O corao dela disparou.
        - Tem razo. A escolha  minha.
        - Voc no acredita mesmo nessa coisa, no ?
        - "Coisa"?! 
        Ele balanou a mo num tom de desprezo.
        - Amor e viver feliz para sempre. - A cadeira rangeu de novo, enquanto ele apoiava os cotovelos na mesa. - Isso no existe de verdade. J vi inmeros relacionamentos 
se despedaarem na tentativa de encontrar isso. Essa  a vida real, no um conto de fadas.
        Sabrina se ergueu. A indignao atravessou seu ser. Como pde pensar que aquele era O Homem?
        - Talvez para algum cuja expectativa de relacionamento seja de uma noite, o amor verdadeiro seja um conceito muito complexo de entender.
        - O amor verdadeiro  um mito. Foi criado por pessoas que no se sentem confortveis com a luxria. Metade dos casamentos termina em divrcio. O que isso 
significa?
        - Quer dizer que a outra metade funciona. Meus pais esto casados h mais de trinta anos, e o amor deles  puro como no dia em que se conheceram.
        O homem teve a audcia de rir.
        - Vou dizer o que eu acho. Voc est totalmente na defensiva, porque no fundo tem medo que eu esteja certo.
        - Inclinou-se para trs e cruzou os dedos sobre o peito.
        - Voc est ficando mais velha, o relgio biolgico est batendo e onde est o "homem certo"? Talvez ele no exista.
        Ela o encarou, muda e chocada.
        Ele voltou para a frente. 
        - Olhe, eu realmente espero que voc o encontre. - O olhar encontrou o dela. - Tenho certeza de que ele ser um cara de muita sorte.
        Aterrorizada pela pulsao subitamente acelerada, ela pegou a bolsa. Se passasse mais um minuto com aquele homem, ela gritaria.
        - No estou com muita fome. Se importaria de me levar para casa? - Torcendo o pescoo, ela olhou ao redor procurando pelo garom.
        Por um momento, Noah pareceu querer argumentar, mas balanou a cabea e se levantou.
        - Tenho de dar um telefonema rpido, depois disso ns vamos. - Sem esper-la responder, levantou-se e apressou-se na direo dos fundos do restaurante.
        Sabrina fitou a rua pela janela do carro, ignorando Noah e o silncio pesado que se abatera sobre eles. No podia acreditar que havia pensado que ele poderia 
ser O Homem. Noah poderia parecer ser o amante dos seus sonhos, mas suas qualidades acabavam ali. O amante dos seus sonhos no pensaria que amor era apenas desejo 
disfarado. Apesar de toda a atrao fsica, ela no poderia sequer pensar em fazer amor com um homem to cnico.
        Uma placa de rua passou por eles. Ela se enrijeceu.
        - Para onde estamos indo? Meu apartamento fica para o outro lado!
        As mos grandes apertaram o volante. Ele se acomodou no banco do motorista, aparentemente alheio  atmosfera tensa. Claramente no percebera que sua falta 
de educao havia resultado no pior encontro da vida dela. E na destruio de sua fantasia.
        Noah respondeu sem olhar para ela.
        - Tenho de cumprir uma misso.
        - Uma misso?! - Ela 0 fitou, incrdula. Ele havia planejado uma misso no meio do encontro? - Que tipo demisso? 
        Finalmente, ele a encarou e um brilho surpreendente e maquiavlico preencheu seu olhos escuros.
        - Prometi alimentar a cadela do seu irmo.
        - Opal? Ela  da Mona. - Sabrina abriu os braos. Isso no fazia sentido. - Mas e aquele vizinho que toma conta dela?
        - Est fora da cidade.
        - Ento por que ele pediu para voc e no para mim? Eu sou da famlia.
        Noah deu de ombros.
        - Eu me ofereci. - Passou a se concentrar na rua. - Na verdade, achei que poderamos fazer isso juntos. - Deu um sorrisinho para ela. - Preciso que voc 
me proteja daquela devoradora de homens.
        Sabrina deu uma pequena risada.
        - E o que o faz pensar que no vou permitir que ela o devore?
        Ele a encarou por um momento, antes de seus lbios se abrirem num sorriso...
        - Vou correr o risco.
        Pega desprevenida pela sensualidade daquele sorriso, ela s pde concordar. Tentando controlar a pulsao que se acelerava involuntariamente, virou-se novamente 
para a janela.
        Sabrina cocou o queixo. Teria de ficar de guarda para no ser enganada pela embalagem bonita de Noah. Ela definitivamente no estava interessada.
        Aps dez minutos de silncio, adentraram a garagem de Cliff. O olhar de Sabrina se desviou para a grama bem aparada na frente da casa de seu irmo. Flores 
bem cuidadas acenavam para ela nas jardineiras das janelas ao longo do primeiro andar da casa dplex. Era uma imagem completa que refletia a vida de Cliff. Ele tinha 
tudo: carreira, casa e uma futura esposa amorosa.
        O desejo cresceu dentro dela. No havia trabalhado to duro quanto o irmo em busca daquilo? Ento, por que ela no tinha?
        Noah saiu e andou at o lado do carona.
        - Voc vem?
        Ela hesitou por um momento, mas no pde resistir ao pensamento da imagem de Noah  merc de Opal.
        - Por que no? - Novamente, aquele sorriso fcil enviou ondas de conscincia pelo seu ser. Ela cerrou os dentes e andou na frente dele.
        Com o barulho de chaves, ele destrancou a porta e fez um gesto para que ela entrasse. Ela deu um passo no interior escuro.
        - Engraado, eles sempre deixam uma luz acesa por causa da cadela. - Virando-se, tateou a parede  procura de um interruptor, alarmada pela proximidade de 
Noah, que estava atrs, perto da porta.
        O corao martelou. Como ainda podia ter esse tipo de reao depois daquele comportamento rude? A ansiedade aumentou, enquanto o interruptor a enganou. A 
ltima coisa que precisava era ficar sozinha no escuro com esse homem.
        Sabrina balanou o brao numa busca frentica. Sentiu alvio quando finalmente alcanou o interruptor. Respirou fundo e apertou o boto. A sala ficou toda 
iluminada.
        - Surpresa! - Um coro de vozes a recebeu.
        Piscando, ela se virou, atordoada pelo mar de rostos familiares que inundavam o salo de Cliff. Uma grande faixa se erguia nas extremidades da sala, desejando 
um feliz aniversrio. Bales de todos os tons adicionavam cor por todo o lugar aconchegante.
        - Bess? O que  isso? - perguntou enquanto retribua o exuberante abrao da amiga.
        O som foi ligado com os acordes de uma velha cano de Jimmy Buffet. Bess se afastou, sorrindo, enquanto o grupo de convidados com votos de felicidade envolveu 
Sabrina.
        -  a sua festa surpresa, boba. Feliz aniversrio! - Ela riu e abraou Sabrina novamente.
        - Sabrina. - Mona se aproximou, com os cachos loiros cobrindo o rosto rosado. Deu um beijo no ar sobre a bochecha de Sabrina. - Foi mesmo uma surpresa? Noah 
no contou?
        - Noah? - Ela o procurou, mas ele havia se misturado  multido. Voltou-se novamente para Mona, estranhamente desapontada. - No... Eu no fazia ideia.
        - Ele nos deu um sinal quando ligou. Tivemos de nos aprontar. No estvamos esperando sua chegada to cedo.
        O calor preencheu novamente as bochechas de Sabrina.
        - Ns terminamos cedo.
        Seu estmago traidor anunciou que estava vazio naquele momento.
        Tendo ouvido ou no aquele ronco do estmago por cima da msica, Mona levou a aniversariante pelo brao at uma mesa cheia de comida.
        - Prove essas casquinhas de siri. Estou trabalhando com um novo buf e preciso de sua opinio.
        Sabrina se virou para Mona.
        - No posso acreditar que teve tempo de planejar isso tudo com o casamento marcado para o prximo fim de semana.
        - No queria que seu aniversrio passasse despercebido com a correria. Eu nunca tive uma irm, Sabrina. Queria que comessemos com o p direito.
        - Obrigada. - O olhar de Sabrina percorreu a sala, enquanto uma emoo indesejada apertava-lhe a garganta. - Foi muita considerao de sua parte.
        A culpa sufocou seu peito. Talvez a tivesse julgado mal. No era culpa dela que desde que Cliff a conhecera, o estado emocional de Sabrina parecia estar 
descendo a montanha.
        Um sorriso iluminou o rosto de Mona.
        - Na verdade, voc tem de agradecer ao tio John. Foi ideia dele.
        - Tio John?
        - Ele est ansioso para conhec-la. Falei tanto de como voc se d bem com o Cliff.
        Hesitando, Sabrina passou a mo no estmago vazio.
        - Ser um prazer. Ele vai estar no casamento?
        Mona riu.
        -  bom que esteja. Na verdade, ele est vindo mais cedo de avio para me ajudar a cuidar dos ultimo detalhes. Nunca conseguiria cuidar de tudo sem o talento 
do tio John para organizar as coisas. Ele certamente sabe como cuidar de tudo!  um planejador de primeira. - Ela apontou para o banquete. - Coma!
        Atendendo  insistncia do estmago, Sabrina deixou de lado as perguntas sobre o tio John e seguiu o conselho de Mona. Comeu o bastante e se juntou aos amigos. 
Percebeu alguns olhares de relance de Noah desde que chegaram. Colocando os pensamentos sobre ele de lado, no se deixou abater e aceitou uma taa de vinho oferecida 
por Pete Henderson, um de seus vizinhos.
        Dois anos atrs, a mulher de Pete o havia deixado para viver com outra mulher. Sabrina j sara com ele num encontro sem maiores acontecimentos. Embora tivessem 
continuado amigos, nenhum dos dois tentou convidar o outro para sair uma segunda vez.
        Sabrina fitou seu cabelo espesso e sorriso fcil. Para a maioria dos padres, seu vizinho poderia ser considerado um homem atraente. Ser que ela o dispensara 
rpido demais?
        Estudou seus lbios e o formato da boca. Como seria beij-lo?
        Ele passou um guardanapo pela boca.
        - Ser que fiz besteira com o ltimo gole? Os olhares se encontraram.
        - No. Voc est bem.
        - Ah...  que, pelo jeito que estava olhando...
        - Eu s... - ela hesitou. O calor preencheu suas bochechas. Por que nunca aprendeu a flertar? -... voc tem uma boca bonita.
        Uma grande ruga se formou entre as sobrancelhas dele.
        - Obrigado. - Ele se endireitou. - L est seu irmo. Por onde ele andou?
        Ela se virou.
        - Ele tinha negcios em Boca. - Cliff cumprimentou Mona perto da porta. Sabrina cerrou os olhos. - Com licena. Tenho de dar uma palavrinha com o meu querido 
irmo.
        Um olhar de alvio cruzou o rosto de Pete, enquanto ela se virou para sair. Ela endireitou os ombros enquanto o dio inicial voltava. Ser que Cliff contou 
seu segredo para Pete tambm?
        Respondendo rapidamente a vrios cumprimentos, ela atravessou a sala. Cliff foi at um corredor nos fundos, com uma pasta na mo. Sabrina o seguiu. O dio 
crescia a cada passo. Irmo ou no, ele no tinha o direito de interferir em seus assuntos.
        Ele entrou no escritrio, deixando a porta semiaberta. Ela apressou os passos.
        - Cliff! Voc conseguiu. - A voz de bartono de Noah a fez parar.
        - Vejo que vocs gostaram um do outro. Espero no estar interrompendo nada.
        Uma risada feminina de som baixo saiu pela porta.
        - Claro que est, mas no posso reclamar, porque foi voc que nos uniu.
        Sabrina conseguiu chegar mais perto para espiar pela abertura. Noah estava ao lado de uma cadeira de encosto grande, com os braos em volta do peito. Uma 
loira curvilnea estava a seu lado, com as mos possessivamente subindo por seus braos. Sabrina se sentiu totalmente ultrajada. 
        A loira passou o dedo de ponta vermelha pelo queixo de Noah. 
        - Quando Cliff me disse que eu era o preo para trazer a irm dele aqui, fiquei lisonjeada a ponto de perder as palavras.
        Preo? Sabrina cerrou os punhos. A fria embaou sua viso. Cliff usou aquela loira para subornar Noah para cham-la para sair? Agora, l estava ele, como 
um adolescente obedecendo seus hormnios e saindo com aquela vagabunda, enquanto ainda estavam no seu encontro? Quem ele pensava que era?
        Ela se endireitou. Por que estava zangada? A vagabunda podia ficar com ele. Provavelmente foram feitos um para o outro. Noah Banks era o ltimo homem na 
face da Terra que Sabrina poderia querer.
        Virou-se e desceu o corredor. E pensar que se imaginou se apaixonando por ele. Como havia sido infantil. Bom, hoje era seu 25 aniversrio. Estava velha 
o bastante para acabar com essas fantasias tolas. Talvez nunca fosse encontrar "o homem certo", mas isso no significava que no poderia comear a viver.
        
        Noah ficou de p ao lado da porta dupla e engoliu um grande gole de cerveja. Darcy se apoiava nele, continuando uma conversa unilateral. Ele sugerira que 
se juntassem  festa na primeira oportunidade. A respirao voltava ao normal quando eles chegaram at as luzes brilhantes, msica animada e atmosfera festiva do 
grande salo aberto.
        Tinha ido ao escritrio de Cliff para avisar que no estava interessado em conhecer Darcy. No parecia certo agora que tinha encontrado Sabrina. Infelizmente, 
Darcy o seguiu e fez as apresentaes por conta prpria.
        A risada lrica de Sabrina se destacava sobre o tumulto de seus amigos. Esticando o pescoo, ele a viu rodeada de uma multido de homens. Seu estmago apertou. 
Ela era uma conquistadora de primeira. No tinha o direito de ser virgem.
        Darcy se esfregou nele.
        - Talvez devssemos fugir. - E apontou para Sabrina. - Sua "acompanhante" mal notaria.
        Rangendo os dentes, ele se afastou.
        - Tenho de ver se ela ter carona de volta.
        - Querido, sinceramente, no acho que voc precise se preocupar com ela. Vamos para minha casa. No  longe.
        Ele encarou a mulher que Cliff havia balanado na sua frente como uma cenoura oferecida a um coelho. De algum jeito, sua atrao havia diminudo. As curvas 
continuavam todas no lugar e proporo certos, mas o entusiasmo havia evaporado.
        - Se me der licena, preciso falar com Sabrina. - Enquanto Darcy o observava com olhos arregalados, ele se virou e andou pela sala. Noah havia trazido Sabrina. 
Apesar do comeo menos que perfeito, ela era sua acompanhante. A boa educao exigia que ele tentasse socializar com ela. Ergueu os ombros e passou pelo meio da 
multido.
        Sabrina baixou o olhar e sorriu. No era to ruim em flertar, afinal. Pete e a outra meia dzia de homens solteiros  sua volta estavam lhe dando total ateno. 
Ao contrrio de Noah, eles reagiam bem a seus olhares ingnuos e a sua sugestiva linguagem corporal. Com um toque gentil aqui e um sorriso ali, ela inclua todos 
na conversa.
        - Certo, quem pode responder essa? - Ela se inclinou para a frente e todos se moveram em conjunto, se aproximando e fechando o crculo.
        Com movimentos deliberados, Sabrina ergueu a garrafa de cooler at os lbios e a esvaziou, ento encarou um por um e sorriu. Um arrepio a atravessou. Pela 
primeira vez na vida, se sentia desejada.
        - Qual  a sua forma de seduo favorita?
        - Seduo? - Pete piscou os olhos castanhos.
        - Uh-huh. Se uma mulher fosse seduzi-lo, como voc gostaria que ela fizesse isso?
        - Bom... - Seus olhos deslizaram por Sabrina. - Ela teria de vestir algo leve e sexy...
        - Algo que mostrasse os seios! - disse o ruivo atrs dele.
        - Uma roupa de coelhinha! - acrescentou outro.
        - No. - Pete tocou a mo de Sabrina. - No  o que ela veste.
        - Isso mesmo. - Brendan, o contador de seu irmo, deu um passo  frente. -  o jeito que uma mulher beija que realmente me excita.
        - !
        - Isso a!
        - Oh! - Sabrina se voltou para Brendan. - Como assim?
        Ele sorriu.
        - Voc sabe, ela comea devagar, com os lbios...
        - No! - interrompeu um dos amigos de Cliff  sua esquerda. - Quero que ela use a boca inteira.
        - E o corpo se derreta! - acrescentou o ruivo. Um movimento atrs dele chamou a ateno dela. Seu corao disparou.
        Noah abria caminho na multido at eles.
        A necessidade irracional de se mostrar desejvel para ele tomou conta de Sabrina. Ela deu uma olhada para o grupo.
        - Talvez um de vocs devesse me mostrar.
        - Certo!
        - Isso a.
        - O Cliff no vai gostar.
        -  verdade.
        - Que tal o cara alto que veio com voc? Em conjunto, o crculo se abriu. Sabrina abriu os braos de forma apelativa.
        - Cad o esprito de aventura de vocs?
        - Seu irmo tem gnio forte.
        - E seu acompanhante tambm no parece muito cordial.
        - . Por que ele no pode mostr-la?
        Noah se aproximou furtivamente. Sabrina mordeu os lbios. Deitou a garrafa vazia numa mesinha.
        - Vamos escolher qual de vocs vai me mostrar. - Com um movimento do pulso, ela girou a garrafa.
        Pete mergulhou para esquerda. Brendan se esquivou para a direita. O ruivo se atirou por cima das costas do sof, para fora do alcance da garrafa. Sabrina 
apertou os lbios. Era pedir demais querer se sentir desejada?
        A rotao da garrafa parou. Ela engoliu em seco enquanto seu olhar viajava na direo das coxas alinhadas e do peito largo da figura brilhante parada de 
p na sua frente. Um ar de desnimo a prencheu. 
        - Bem, Noah - disse ela. - Parece que voc ganhou.
        
        
Captulo Quatro
        
        
        A ateno de Noah se voltou para os admiradores espalhados de Sabrina. O que deu neles? O bando parecia ter fugido da escolha no corredor da morte.
        - Ganhei o qu?
        - Viu? - O rapaz ruivo que estava atrs do sof apontou. - Eu disse que era ele que devia mostr-la.
        - Mostrar o qu? - Noah exigiu uma resposta.
        Um brilho demonaco iluminou o olhar de Sabrina. Ela ficou de p, deu a volta na mesinha e parou a centmetros dele.
        - Estvamos discutindo os meios mais eficientes de seduo.
        Noah espremeu os olhos. Um dio irracional percorreu seu corpo.
        - Estavam coisa nenhuma!
        - Ah, sim. - Ela se inclinou at ele. A palma da mo de Sabrina tocou seu peito. A pulsao de Noah disparou imediatamente. - Parece que o consenso  que 
o segredo de tudo est no beijo.
        - Beijo?!
        - Isso mesmo, mas nem todos concordam sobre qual seria o beijo mais sexy, ento achei que algum deveria me mostrar. - Seu olhar se voltou para a mesa. - 
E eu deixei a garrafa decidir quem seria essa pessoa.
        Noah olhou para a garrafa que apontava em sua direo. A adrenalina percorreu suas veias. Ele havia ganho o jogo da garrafa. Talvez tosse capaz de rir se 
todo o seu corpo no estivesse tenso de; ansiedade.
        Ele inalou o perfume de flores silvestres. O desejo o inundou. Ela ficou na ponta dos ps, se esfregando nele, com aquela boca lasciva a menos de um palmo 
de distncia da dele. Noah deixou sair um grunhido abafado, fez um movimento para agarr-la e parou.
        - No na frente de uma platia - murmurou.
        Levando-a pela mo, ele a conduziu at a sada mais prxima, uma porta lateral que dava numa varanda oportunamente vazia. Ela estava em seus braos antes 
que ele tivesse tempo de pensar. No estava claro se ele a abraava ou se ela mesma tinha se colocado nessa posio. Tudo o que sabia  que aquela doce boca apelava 
para ele com uma urgncia que no poderia ignorar.
        Noah explorou os lbios de Sabrina com leves toques e carcias gentis. Ento, acariciando aquele rosto com a palma das mos, se aventurou mais alm em seu 
beijo receptivo. Ela ancorou os dedos em seus cabelos e sentiu o tentador avano de sua lngua. Por longos e inebriantes momentos, Noah se perdeu em seu calor.
        Um pequeno gemido saiu da boca de Sabrina. Ela foi de encontro a ele, com os seios pressionando seu peito. As mos de Noah deslizaram pelas costas dela, 
depois pelos quadris, enquanto ele saboreava aquele contorno firme. Doce. Ela era doce e selvagem ao mesmo tempo, como nada que j houvesse experimentado. Uma emoo 
inominvel percorreu seu ser, acionando um senso de segurana inato.
        Inclinando a cabea, ele conteve o movimento faminto daquela lngua e deslizou as mos sob seus braos, at abaixo da cintura. O corao martelava. Ela mudou 
de posio, permitindo melhor acesso, enquanto os polegares de Noah acariciavam a parte de baixo de seus seios.
        - Er, com licena, pessoal. - A voz de Darcy veio de trs dele.
        Noah se afastou de Sabrina. Vislumbrou um pouco de sua expresso de surpresa antes de se virar para a loira. O olhar de Darcy pousou tristemente sobre ele.
        - Acho que isso quer dizer que voc no vai para casa comigo.
        - Darcy, eu...
        - Tudo bem. - Ergueu uma das mos. - Vale tudo no amor e na... voc sabe. Vou sobreviver. Eu s queria mesmo avisar que Cliff est procurando a aniversariante. 
E alguma coisa me diz que ele no ficaria muito feliz em ver vocs dois brincando de esconde-esconde com a lngua.
        - No. Acho que no ficaria. - Sabrina passou direto por Noah e parou ao lado de Darcy. Fitou Noah e um brilho severo surgiu em seus olhos. Ento se voltou 
para Darcy. - Obrigada por me lembrar!
        Noah se endireitou enquanto ela virava as costas. Deus, como era bonita. Seus olhos brilharam, as bochechas ficaram rosadas e todo o seu rosto se iluminou.
        - Parece que perdi a cabea por um momento. - Virou e se apressou para passar pela porta, voltando para a festa.
        - Ei, espere! - Noah correu atrs dela com o corao na mo. Tentou alcan-la, enquanto Sabrina se juntava novamente ao grupo de admiradores, mas ela correu 
para longe, ignorando-o. 
        Voltando-se para um dos membros do grupo, ela pediu:
        - Pete, poderia me levar gera casa?
        Noah se empertigou com seu tamanho intimidador. O homem olhou em sua direo. Noah olhou de volta, enviando um desafio silencioso. Balanando a cabea, Pete 
encolheu, sentando-se novamente entre as almofadas do sof.
        - Pelo amor de Deus! - Sabrina encarou Noah.
        Ele a encarou de volta. Por que ela estava furiosa? Um momento antes, quase havia entrado em combusto espontnea em seus braos.
        - Eu vou lev-la para casa.
        Ela sorriu um sorriso glido, olhando por cima dos ombros de Noah.
        - Obrigada. Mas eu no ia querer afast-lo do seu... suborno.
        Um sentimento de remorso surgiu no fundo do estmago. Ele se virou e viu Darcy a seu lado.
        - J chega! - Noah se afastou de Darcy e seguiu na direo de Sabrina. Sua garganta se fechou diante da expresso de dor nos olhos azuis dela.
        Uma loira alta e esguia empurrou Mona, que tinha acabado de chegar, com os olhos arregalados observando a todos.
        - Eu vou lev-la! - afirmou a loira esbelta. Dirigiu um olhar curioso para Noah, enquanto se posicionava ao lado de Sabrina. - Vamos embora daqui.
        - Obrigada, Bess. - Sabrina abriu as mos e depois fechou-as com fora. Seu olhar se voltou para Noah. - E obrigada pela noite... encantadora.
        Noah engoliu em seco. A sensao ruim cresceu dentro dele. O que foi que ele fez?
        - Sabrina...
        - Boa noite, Mona. - Sabrina a abraou rapidamente. - Obrigada pela festa.
        Mona franziu a testa.
        - Est tudo bem? Tem certeza de que quer ir embora to cedo?
        - Est tudo bem. Foi uma festa maravilhosa. Obrigada por todo o seu esforo. - Sabrina olhou novamente para Noah. - Sinto muito.  que estou realmente muito 
cansada.
        O tom frio de sua voz fez um arrepio percorrer a espinha de Noah. O arrependimento o manteve enraizado no cho, enquanto ela virava de costas com Bess e 
as duas saam.
        Vinte minutos mais tarde, Sabrina afundou na pilha de travesseiros de renda. Tinha passado dias procurando em pequenos brechs e negociantes de antigidades 
para encontr-los. Abraou um deles, apertando-o entre as palmas das mos.
        -  isso, Bess. L se foi a ltima iluso.
        A cama afundou um pouco quando Bess sentou-se a seu lado.
        - Posso entender por que est chateada. Mas s porque seu irmo e o scio dele so dois cretinos, no quer dizer que voc tenha de deixar seus valores de 
lado.
        Sabrina esmagou o travesseiro contra a colcha.
        - E o que os meus valores me trouxeram de bom?
        - Brina, voc tem uma tima vida. J  dona do prprio negocio. Aos 25 anos, isso  uma conquista e tanto. Voc tem esse apartamento maravilhoso, e  livre 
para ir e vir quando quiser. Nada prende voc.
        - Talvez eu queira alguns laos.
        - E transar com o primeiro homem que quiser vai lhe dar isso?
        - Ah! "Que quiser". Esse  o problema. Se ningum me quer porque sou virgem, ento como  que eu vou perder a virgindade?! - Rolou para o lado e jogou o 
travesseiro no cho. - Sei l. S sei que no posso continuar do jeito que estou. Alguma coisa tem de mudar. Eu tenho de mudar.
        - Mas voc no  do tipo que sairia apenas por uma noite. Pense nisso. Quando inicia um projeto, voc sempre vai at o fim. Lembra quando resolveu pintar 
a sala de jantar e acabou toda enrolada aqui, pintando as paredes de todos os cmodos?
        - E o teto. Nossa, meus braos doeram muito.
        - E que tal a vez em que resolveu fazer uma prateleira para algumas das suas quinquilharias e acabou fazendo... - Ela gesticulou, apontando para o mvel 
que ia do cho ao teto na parede oposta.
        - Quem imaginaria que eu tinha talento para isso?
        - Alm disso, olhe s a livraria.
        Sabrina deu um suspiro. Tinha comeado a trabalhar na loja num emprego de meio expediente e acabou comprando o lugar.
        - Eu sempre planejei ter a minha prpria livraria, desde que me formei em administrao.
        - Voc entende onde quero chegar. No vai ficar satisfeita com uma noite apenas. Vai querer um relacionamento e, confie em mim, no  assim que se comea 
um.
        Com um movimento sbito, Sabrina se ergueu e se sentou.
        - Viu!  a que voc se engana. A velha Sabrina poderia se sentir assim, mas a nova, no. Ele aceitou uma mulher como suborno, Bess. E voc a viu? Como posso 
competir com aquilo? Estou me redefinindo. Ocasies drsticas pedem medidas drsticas!
        Ela se ergueu:
        - Chegou a hora de perder minha virgindade!
        - Sabrina...
        - J decidi. Na verdade, eu j tinha planejado o resto do fim de semana.  a oportunidade perfeita.
        - Ento, est falando de algum tipo de encontro amoroso? Porque eu ainda no consigo imagin-la saindo com algum por apenas uma noite.
        - Um caso, eu acho.
        - Um caso?
        A excitao atravessou o corpo de Sabrina.
        - Isso mesmo. Um caso de fim de semana. Isso resolveria tudo.
        Bess balanou a cabea.
        - Voc vai se apegar.
        - No se ele no for da cidade.
        As sobrancelhas de Bess se ergueram em dvida.
        - Cliff provavelmente j alertou todo homem solteiro em Atlanta. Eu tenho reservas para um resort na praia. Partirei para a Flrida de manh bem cedinho. 
Vou arranjar um caso de fim de semana para mim.
        - Voc no est falando srio.
        Sabrina balanou as pernas do lado de fora da cama e apontou para o local onde suas malas estavam esperando prontas. 
        - Ah, vou sim! 
        
        Noah agarrou o volante e espiou o sinal vermelho. O ar tinha ficado pesado. A umidade envolvia as luzes da rua, distorcendo seu brilho.
        Ele se remoa em culpa. A lembrana do olhar no rosto de Sabrina enquanto ela o encarava apertava seu estmago. Quando fez aquele acordo com Cliff, no havia 
pensado nas consequncias. No havia pensado em Sabrina. Na ocasio, ela no passava de algum sem rosto, um meio para conseguir seu objetivo egosta, no uma mulher 
de carne e osso.
        O sinal abriu. Ele fez uma manobra e virou o carro em direo ao apartamento dela. Tinha de v-la. Precisava pedir desculpas, de algum jeito, explicar que 
tudo mudou quando se conheceram. Darcy no significava nada para ele. Qualquer atrao que poderia ter sentido por ela evaporou quando a viu ao lado de Sabrina.
        Noah deixou sua memria voltar para o momento daquele beijo incrvel. Ela  virgem! O velho mantra o assombrava. Cliff provavelmente estava certo ao mant-lo 
afastado de Sabrina. Mas agora, tendo-a visto, conhecido, beijado... no havia possibilidade de Noah ficar longe dela.
        Fechando os olhos, ele resmungou. Ela sabia sobre Darcy o tempo todo. Sabrina estava brincando com ele, sem dvida, sabendo que a lembrana de sua boca quente 
o atormentaria. Provavelmente ele mereceu.
        Um trovo rugiu ao longe, enquanto ele entrava na via expressa. As primeiras gotas de chuva se chocaram contra o para brisa quando ele fez a curva da esquina 
do apartamento. Afastada da estrada principal, a construo se erguia como uma fortaleza sombria, cercada por grandes carvalhos, pinheiros e bordos.
        Deu uma olhada rpida no relgio antes de descer do carro. Passava da meia-noite. A pulsao disparou enquanto escalava o curto lance de escadas at a porta. 
A luz escapava pelas brechas das cortinas. Ela ainda estava acordada.
        Se apegando  sua deciso, ele bateu  porta. As cortinas se abriram um pouco e depois voltaram para o lugar. Por um longo momento, Noah segurou a respirao, 
desejando que ela abrisse a porta. A porta se abriu o bastante apenas para Sabrina espiar o lado de fora. Ele suspirou.
        - O que est fazendo aqui?
        O tom seco da voz dela o fez vacilar.
        - Posso entrar... por favor? - ele balbuciou a palavra no muito usada.
        Ela hesitou por um momento, deu um passo para trs e falou:
        - Por que no?
        O perfume de flores o cercou enquanto passava. Sabrina vestia um fino robe que roava contra suas coxas. O sangue aqueceu. Noah deixou o olhar vislumbrar 
a pontinha dos seios delineados pelo tecido sedoso e rapidamente desviou os olhos.
        Analisou todo o espao da sala de estar do apartamento com uma olhada. O brilho de um abajur de cermica em uma mesinha lateral emprestava calor e sensao 
aconchegantes ao ambiente que no havia notado antes, provavelmente porque no tinha sido capaz de tirar os olhos dela. A sala tinha um apelo convidativo. Quadros 
e esttuas de gatos chamavam a ateno, e vasos de plantas cobriam toda mesa e prateleira disponveis.  
        - O que est fazendo aqui? - indagou ela novamente.
        - Vim conversar com voc... sobre hoje  noite - disse ele. 
        - Pensei que voc estaria muito ocupado neste momento.
        Ele suspirou profundamente. Ela no estava facilitando as coisas.
        - Como eu disse, eu gostaria de explicar.
        Ela o encarou, ergueu as sobrancelhas e cruzou os braos sobre os seios redondos.
        Com esforo, Noah conseguiu erguer o olhar.
        - Olhe, Sabrina, sinto muito por aquele acordo estpido que fiz com seu irmo. Nunca pensei que isso afetaria voc. Fui insensvel e cruel.
        O trovo soava ao longe. Ela cerrou os olhos e deixou os braos carem para o lado.
        - Tudo bem, desculpas aceitas. Foi bom ter se dado o trabalho de vir at aqui. Agora, eu tenho um grande dia planejado para amanh.
        Ele piscou.
        - S isso?! No vai me dizer que eu fui um cretino?
        - J que tem conscincia do fato, por que desperdiar minhas palavras?
        - O que fiz foi terrvel. Gostaria de compensar de algum jeito.
        Ela o fitou por um momento, ento deu de ombros.
        - Isso no  necessrio. J aceitei suas desculpas. Pode correr de volta para a sua vagabunda.
        Ele rangeu os dentes e chegou mais perto.
        - Eu no me importo se nunca mais puser os olhos em Darcy.
        - Bom, certamente isso no  da minha conta. No h a menor necessidade de voc me dar um relatrio dos seus passos. - Pegou um porta retratos de bronze 
na ponta da mesa. - Por que no...?
        - Por que no o qu?
        Seus dedos tocaram levemente a fotografia coberta pelo vidro.
        - Por que no est com ela? Achei que essa era a ideia. O motivo de ter me levado para jantar.
        Ele xingou por entre os dentes.
        - Era, mas eu ainda no conhecia voc quando concordei com a coisa toda. No estava certo.
        Sabrina colocou a foto de volta na mesa.
        - Bom, lamento que a noite no tenha dado certo para voc.
        - No foi de todo ruim. - Os olhares se encontraram. - Partes dela sero inesquecveis.
        Ela engoliu em seco e fechou os olhos. Quando os abriu, um brilho quente os iluminou profundamente.
        - Voc no se importou, ento... com aquele beijo? Acho que eu deveria pedir desculpas. Queria me vingar de voc. Faz-lo pensar que eu era desejvel.
        Noah no desviava o olhar de sua boca.
        - Como eu poderia pensar de outro jeito? Caso no tenha notado, eu estava gostando daquele beijo muito mais do que tinha o direito.
        Os dentes de Sabrina apertaram o lbio inferior. Ela deixou a foto no lugar e se aproximou dele.
        - Eu fiz aquela cena para deix-lo com cime. - As bochechas tornaram-se rosa - Digo, a inteno era que um dos outros me beijasse-- Um suspiro lhe escapou. 
- Mas nenhum parecia interessado.
        - Tolos. 
        - Ento, voc ficou? - Ela sorriu. 
        O desejo pulsava em suas veias.
        - Fiquei o qu?
        - Com cime.
        - Com certeza!
        Os lbios dela se afastaram. Colocou a mo sobre o peito dele, no lugar onde batia o corao.
        - No precisava.
        Deus, o que havia nela que o fazia querer bater no peito e urrar? Essa simples frase fez a euforia se apossar de todo o seu ser. Pressionou a mo sobre a 
dela.
        - Sabrina, eu...
        - Beije-me outra vez, Noah. - Ela prendeu seu olhar, com os olhos quentes, mas hesitantes. - Nunca algum me fez sentir desse jeito.
        Ele congelou. Ela ficou na ponta dos ps. Toda a extenso do corpo de Sabrina o abraou. Seu hlito sussurrava entre os lbios de Noah, ento a boca roou 
na dele. Noah ficou paralisado, atormentado.
        Ela fez um suave som de gemido e tocou seu lbio inferior com a lngua. Com um grunhido, ele a envolveu em seus braos. Com um movimento nico, Noah clamou 
sua boca, a lngua no encontrou resistncia alguma ao se unir  dela. Bebeu profundamente a sua doura, de alguma forma se sentindo redimido pelo poder daquele 
beijo.
        Fechou os olhos, o desejo o dilacerando enquanto ela movia o corpo contra o seu. Deslizou as mos pelos braos de Sabrina, pelos ombros e desceu pelas bostas. 
Ela passava os dedos em seu cabelo, enquanto ele descia ainda mais para alcanar suas ndegas. Ela gemeu suavemente em sua boca. Noah a ergueu, agarrando suas ndegas 
firmes e pressionando-as de encontro a sua rigidez.
        Ela recuou, com os olhos dilatados, o rosto rubro e os lbios macios e tentadores. Lentamente, puxou o lao do robe at que se soltasse e escorregasse at 
o cho. Arqueando as costas, se desfez da roupa.
        - Toque-me.
        O olhar de Noah se prendeu em seus seios desnudos. Era mais linda do que havia imaginado. O branco cremoso de sua pele acentuava o contraste com a cor dos 
mamilos. Ele ansiava por toc-la, lev-la at a boca e prov-la.
        O peito ficou pesado. Fechando os olhos, ele a deixou de p.
        - Sabrina, se fizer isso, no vou conseguir parar. 
        Ela segurou seu rosto com a palma das mos.
        - Talvez eu no queira que voc pare. Voc me deseja, Noah. Posso sentir.
        Uma risada seca saiu de sua garganta.
        - No posso negar, mas acho que no importa.
        -  s o que importa. Eu tambm o desejo.
        Aquelas palavras ao mesmo tempo o provocaram e detiveram. Ele respirou fundo e fez meno de se afastar dela, mas o calor daquele corpo e a promessa em seus 
olhos o impediram.
        Ele balanou a cabea.
        A umidade preencheu os olhos dela.
        - Por favor! Tenho 25 anos e sou virgem. Na poca em que vivemos, isso me torna um tipo de aberrao. Prometo no me afeioar. S preciso saber como  se 
sentir uma mulher de verdade. Est na hora. Se no for voc, vai ser outra pessoa. - O olhar o prendeu. - Eu no sei por qu, mas quero voc.
        Ele conseguiu sufocar p apelo ao orgulho masculino que vinha daquelas palavras. Seu peito apertou. Cliff no poderia proteg-la para sempre. A ideia de outro 
homem a tocando fez um calor diferente subir pelo corpo de Noah. A expresso determinada n rosto de Sabrina confirmava sua inteno. Ela encontraria outra pessoa.
        - Eu no acredito em amor, Sabrina.
        O queixo dela se ergueu um pouco mais.
        - Eu disse que no me afeioaria. No estou pedindo para me amar, s para fazer amor comigo.
        Sabrina ficou na frente de Noah, coberta apenas pela calcinha preta de renda, que oferecia dicas atormentadoras de sua verdadeira feminilidade. Com um dedo 
esguio, ela aproximou o rosto dele.
        - No quero ficar sozinha esta noite. E voc?
        Ele respirou, inalando aquele suave perfume de flores junto a alguma coisa mais elusiva, uma essncia que era s dela. Era uma combinao poderosa; que Deus 
o ajude.
        - No.
        
        
Captulo Cinco
        
        
        Sabrina sorriu. Sentiu um imenso alvio. Sua prpria audcia a surpreendeu, mas nunca havia ansiado tanto por algo. Noah a enchera de desejo, fazendo com 
que seu corpo doesse de tanta necessidade. Ela o agarrou pelas mos.
        - Ento venha para a cama.
        Ele no protestou, seguindo-a at o quarto, s parando ao chegarem  grande cama de dossel. Aps puxar a colcha, ele se virou para ela, encostando seus lbios 
nos dela mais uma vez. Ele lhe reivindicou a boca, empurrando firmemente sua lngua e beijando-a enquanto a deitava gentilmente. As mos dele massageavam seus seios, 
friccionando seus mamilos rgidos at que ela gemesse de prazer.
        Ela puxou a camisa dele com fora, tirando-a de dentro da cala. Ele parou para retirar a pea de roupa pela cabea. Suspirando, ela deixou seu olhar passear 
pelo dorso esculpido de Noah. Sua pulsao acelerou.
        Os sapatos e a cala dele se juntaram  camisa no cho, e ele se deitou ao lado dela. Com um longo dedo, acariciou a curva do seio de Sabrina.
        - Voc me deixa sem ar.
        O sangue lhe subiu at as orelhas. Nunca ficara a ss com um homem como aquele antes, mas, de alguma forma, com Noah ela se sentia segura. Ela se encheu 
de excitao e passou os dedos pelo peito forte de Noah, brincando com os mamilos msculos. E, para seu deleite, ele emitiu um som gutural de prazer.
        - Me diga o que devo fazer - pediu ela.  
        - Deixe-me sabore-la. -Ele abaixou a cabea. A ponta de sua lngua pincelou os mamilos dela.
        Ela quase se levantou da cama. Sentiu uma onda de calor que se instalou no vrtice de suas coxas. Ele sorriu levemente, e ento a puxou at seus lbios. 
Ele a sugou por quase uma eternidade, indo de um seio ao outro.
        Deliciosas sensaes a fizeram tremer. Cada vez que ele sugava, ela sentia uma nova onda de prazer. Para espanto dela, seu ventre se movia num ritmo carnal. 
Sons que ela nunca emitira antes saam de sua garganta.
        Ele soprou o mamilo ereto dela, que brilhou. Quando suas mos escorregaram pela parte baixa do ventre de Sabrina, seu corpo se ergueu. Ele parou com as mos 
quentes e firmes na pele dela.
        - Voc est bem?
        Ela fez que sim. Estava mais do que bem. Cada clula de seu corpo vibrava, renovada.
        - Acho que foi s um reflexo. Ningum havia me tocado l antes.
        Os olhos dele escureceram. Ele espalhou os dedos, cobrindo o corte de renda preta.
        - Quero toc-la em todos os lugares.
        Mais uma vez, ela s conseguiu fazer que sim.
        Ele a acariciou do pescoo at a cintura, passando por cada curva, at que seus dedos chegaram  calcinha. Ele a tocou atravs da renda, e apertou, pressionando 
os dedos contra a sensvel juno entre as pernas dela. O olhar dele refletiu puro prazer.
        - Voc est to molhada.
        O rosto de Sabrina esquentou. Ela engoliu em seco.
        - Sim, eu diria que estou bem, e pronta. - Ela olhou para a cueca protuberante dele, tremendo em antecipao.
        - E voc?
        - No deveramos apressar uma coisa boa.
        - Oh, mas eu me sinto to... necessitada.
        Os lbios dele se curvaram com aquele sorriso sexy.
        - Vamos retirar isso e ver o que posso fazer a respeito. - Com um nico movimento, ele puxou a calcinha, passando pela cintura e pelas pernas, e a jogou-a 
na pilha de roupas junto ao cho.
        - Assim est melhor? - Ele passou os dedos pelos plos cacheados at encontrar sua feminilidade. Com movimentos hbeis, tocou a parte dela que ansiava por 
ser tocada.
        - Ohh... sim. - Ela se agarrou a ele enquanto Noah fazia sua mgica, circundando seu ponto de prazer at que ela gemesse e seu corpo mais uma vez se movesse 
num ritmo ertico.
        Ele a beijou, a boca passando pela nuca, pelo pescoo e mais uma vez pelos seios. A suco firme de sua boca junto  presso de seus dedos levou-a ao cume 
do prazer. A tenso extraordinria aumentava. Ela pressionou os dedos contra seus ombros e se jogou contra ele. Com um grito sobressaltado, ela gozou, indo aos cus 
com uma intensidade que a deixou sem ar.
        Noah a segurou, acariciando suas costas gentilmente, at que ela se acalmasse.
        Ela se aconchegou nele, balanada pela reao extrema.
        - Foi... incrvel.
        O peito dele se moveu com uma risada suave.
        - Voc  incrvel.
        Os olhos dele brilharam de aprovao. O corao dela se dilatou. Ela o beijou, procurando seu calor, a carcia de sua lngua. 
        Ele se moveu e sua ereo se pressionou contra a coxa dela.
        - Sabrina, eu preciso de voc.
        Um turbilho de desejo passou por ela.
        - Sim. - Ela se ajoelhou e procurou o cs da cueca dele. -  hora de deix-lo um pouco mais confortvel.
        Com a ajuda dele, ela retirou a cueca. Ele se reclinou, sem se envergonhar de seu evidente desejo. Impressionada, ela foi em direo a ele e parou.
        - Gostaria de toc-lo.
        Ele a olhou com os olhos entreabertos.
        - V devagar. No sei por mais quanto tempo conseguirei aguentar.
        O tom rouco de sua voz a fez tremer. Ela se concentrou em sua ereo, segurando-a gentilmente e passando os dedos da base ao topo, circundando a ponta arredondada.
        -  to macio! - disse ela, maravilhada. - Duro, mas ao mesmo tempo macio. Como veludo - Inclinando-se, ela encostou o rosto na superfcie lisa.
        Noah deixou escapar um gemido rouco. Ela se endireitou, envergonhada por sua impulsividade.
        - Desculpe-me.
        - Querida, voc no precisa se desculpar. - Ele a puxou at seus braos e a rolou para baixo dele, separando seus joelhos e ficando entre suas coxas. O pnis 
dele pressionava contra ela. Sabrina se moveu, esfregando-se nele experimentalmente e sentindo seu corpo reagir de imediato.
        Ele segurou a cintura dela para acalm-la.
        - Espere.
        Para desnimo dela, ele saiu da cama e pegou a cala no cho. Ela se sentou, aflita. Ele no podia ir embora.
        - Noah...
        - Eu quase me esqueci.
        Ela olhou para o pequeno pacote quadrado nas mos dele e se recostou nos travesseiros repreendendo a si mesma. Estava to entusiasmada que no pensara em 
proteo.
        Momentos depois, ele se deitou sobre ela. Sabrina o envolveu com as pernas enquanto um calor espontneo vindo daquele homem impossvel e irritante a preenchia. 
Ele tinha um jeito muito carinhoso para uma pessoa cnica.
        - Me lembrarei de voc para sempre por isso.
        Ele a beijou mais uma vez e ento apoiou sua testa na dela.
        - Ainda no  tarde para desistir.
        Em resposta, ela o envolveu com os braos e pernas.
        - No quero desistir de nada. Esperei muito por este momento. Me ame, Noah.
        Ento ele a tocou, provando-a e a sentindo-a com os dedos. Sua ponta arredondada se pressionou por dentro dela. Ele empurrou um pouco e parou.
        Ela podia senti-lo preenchendo-a, pressionando contra sua barreira.
        - Est tudo bem. S faa rpido.
        Fazendo que sim, ele retirou os dedos. Ele a beijou rapidamente na testa e ento murmurou:
        - Feliz aniversrio, Sabrina. - E, com um poderoso empurro, ele a penetrou.
        Ela engasgou com a dor, que passou quase instantaneamente. Ele estava dentro dela, completamente dentro dela, e ela no era mais uma virgem. Uma sensao 
maravilhosa e satisfatria a percorreu. 
        E ento ele se moveu. Desta vez, o prazer se irradiava de dentro para fora num calor delicioso. Ela gemeu.
        Noah parou em cima dela, se apoiando em seus prprios braos.
        - Estou machucando voc? Ela balanou a cabea.
        - No, no pare.  to... to bom.
        Noah riu suavemente e as palavras lhes faltaram enquanto ele a amava da forma que Sabrina sempre havia sonhado que faria. Seu olhar se juntou ao dela enquanto 
ele proporcionava prazer a ambos, e ela nunca se sentira to conectada a outro ser vivo. A beleza e a delicadeza daquele momento a levara a um plano mais alto, e 
ele tambm estava l. Ela podia ver na profundidade de seus olhos e sentir em cada movimento de seus corpos.
        As lgrimas turvaram sua viso enquanto vrias ondas de prazer passavam por ela. Noah enterrou o rosto nos cabelos de Sabrina, respirando quente em seu pescoo. 
O orgasmo veio com tanta fora que ela abriu a boca num grito silencioso.
        Ele caiu por cima dela. Por um momento, ela ficou deitada, estarrecida. Ser que ela morreria bem ali, sem ar e cheia de um prazer alm da experincia humana? 
Certamente ningum jamais alcanara um ponto to alto quanto aquele que haviam acabado de atingir. Aquilo no poderia ser sexo comum.
        Com um gemido suave, Noah rolou parado lado, levando-a junto, para no atrapalhar o abrao ntimo. Sabrina deixou o olhar pairar sobre o rosto descansado 
dele, memorizando a curva de sua bochecha, a linha reta e forte de seu nariz e a sombra de seus clios sob as plpebras fechadas. O corao dela se encheu de calor.
        Os olhos dele brilharam. Ele retirou uma mecha de cabelo do rosto dela.
        - Voc est bem?
        Sabrina precisou engolir antes de responder. Por alguma razo, sua garganta estava comprimida.
        - Estou bem, e voc?
        Ele deu um sorriso sexy. Aparentemente, aquilo era tudo que ela precisava para sentir desejo por ele outra vez. O sangue dela correu mais rpido quando ele 
segurou seu rosto e beijou seus lbios delicadamente.
        - Querida, no sinto dor alguma. Voc  uma deusa.
        - No me coloque num pedestal.
        - No, senhora. - Ele se aconchegou nela, colocando suas pernas por entre as dele. - Gosto de voc exatamente onde est.
        Ela passou os dedos nas costas dele, arranhando-o suavemente com as unhas. Ele cheirou seu pescoo at que ela levantasse o queixo para dar-lhe melhor acesso. 
Aps mord-la gentilmente, ele beijou as nuances de seu pescoo e vagarosamente se afastou dela. Deu-lhe um ltimo beijo nos lbios.
        - Volto j.
        - No v muito longe - disse ela enquanto ele saa de baixo das cobertas.
        Com um sorriso por cima dos ombros, ele foi em direo ao banheiro. Ela se virou de barriga para baixo, sorrindo com a viso daquele maravilhoso homem nu 
entrando confiantemente em seu banheiro.
        Uma satisfao que ela no conhecia a preencheu. Havia feito. Tinha perdido a virgindade. E em grande estilo.
        - E feliz aniversrio para mim - cantarolou suavemente para si mesma. 
        Noah retornou rapidamente, com uma toalhinha mida nas mos.
        - Sentiu minha falta?
        Apoiando-se nos cotovelos, ela sorriu para ele.
        - Claro.
        Ele passou as mos pelas costas dela e por cima de seu bumbum, circundando um dos lados antes de parar. Consciente do que poderia vir a acontecer, ela sentiu 
um arrepio na espinha.
        - Por mais que eu queira explorar esse seu lado, acho que gostaria de v-la com o outro lado para cima agora. Se voc no se importa - disse ele.
        A mo quente de Noah se pressionou contra ela, que se contorceu. Quem diria que ter o bumbum acariciado seria to bom?
        - Promete comear de onde parou?
        Os olhos dele brilharam e ele lhe deu um pequeno aperto antes de retirar a mo.
        - Prometo. O que a senhora quiser. - Ele levantou a toalha. - Mas primeiro, voc me permitiria cuidar de voc?
        - Cuidar de mim? - Ela se sentou.
        Ele fez que sim, com seus intensos olhos escuros. Seu olhar pairou sobre ela, sobre a juno entre suas coxas.
        - Oh. - Um calor a tomou. A ideia de Noah "cuidando" dela ali fez sua boca secar. E seu sexo pulsar. - Certo.
        - Ento deite e relaxe.
        Sabrina fez o que Noah pediu, sem retirar o olhar dele. Era um homem magnfico. Os msculos ondulavam sob a pele morena conforme ele se movia. Plos negros 
faziam um redemoinho em seu peito escultural e se angulavam em direo ao abdome liso. Logo abaixo, seu sexo se enrijecia conforme ele se posicionava na frente dela. 
Bastava olhar para ele para quer-lo.
        - Abra para mim, Sabrina.
        Ela hesitou, se sentindo subitamente tmida e... decadente.
        - No venha com timidez agora.
        A excitao nos olhos dele era o encorajamento de que ela precisava. Um gemido suave escapou da boca dele conforme ela abriu as pernas, lhe dando boas-vindas 
a sua parte mais ntima. Noah se ajoelhou em frente a ela, passando a toalha morna por dentro de suas coxas.
        - Isso faz voc me desejar outra vez? - A voz estava rouca e ele a afagava ainda mais para cima, roando levemente a parte dela que ficara molhada para ele.
        Ela fechou os olhos quando a toalha morna foi retirada e um ar fresco passou por sua pele.
        - Sim!
        Ele foi para a outra coxa, acariciando at a parte de cima e parou. Ela gemeu suavemente.
        - No me provoque, Noah.
        - Vou chegar l, querida, s estou sendo minucioso. O calor do tecido cobriu seu centro ansioso. A mo dele se pressionou contra ela, os dedos provando sua 
entrada atravs do tecido. Cora um suspiro, ela se moveu em direo a ele. Ela o queria outra vez.
        - Voc gosta disso, no  mesmo?
        - Sim. - Ela tremia conforme ele passava o tecido por sua fenda. Cuidadosamente, ele explorou cada dobra e cada vinco, circundando a carne macia com a toalha 
morna at que ela gemesse e mordesse os lbios. Aquela deliciosa tenso mais uma floresceu por dentro dela, deixando-a sem flego e aguando seus sentidos. O mais 
leve dos toques quase a fazia perder o controle.
        - Devagar. - Quando ele retirou o tecido ela demonstrou seu desapontamento. - No precisa se preocupar, amor. Ainda no terminei com voc.
        Seu hlito quente passou por dentro de suas coxas, momentos antes de sua boca se posicionar ali. E ele a beijou, seguindo o mesmo caminho da toalha. Sabrina 
fechou os olhos enquanto uma expectativa do que estava por vir a fez queimar por dentro. Ela sonhara com aquele momento. Ele procurou sua fenda e ela mordeu os lbios 
conforme ele passava a lngua por seus grandes lbios.
        O pulso dela acelerou e ela se contorceu enquanto ele, com os lbios, os dentes e a lngua, explorava seu terreno mais ntimo. Finalmente, alcanou seu ponto 
de prazer. Ele provocou o clitris, circundando-o at que seus quadris encontrassem o ritmo que a trouxesse de volta ao clmax. O prazer transbordou atravs dela 
em uma onda que se formou, a percorreu e se quebrou com uma intensidade de partir o corao.
        - Noah!
        Noah posicionou o corpo ao lado de Sabrina. Pretendia deix-la recuperar-se aps o primeiro round, mas ela se mostrou to excitada enquanto ele a limpava, 
que Noah comeou a desej-la novamente. O odor que exalava dela o havia distrado, at que ele comeou a experiment-la. Oh, o abenoado sabor de Sabrina! Ele lambeu 
os lbios e segurou os seios dela, tentando ao mximo ignorar sua incontrolvel ereo. Ela era virgem.
        Este devia ser o motivo pelo qual o sexo era to incrvel. Ela era to apertada. To pronta para ele. To proibida. Nunca havia tido uma virgem antes. Fazia 
sentido a reao to forte ante a novidade.
        Inspirando, tentou novamente controlar a libido. Era preciso ir devagar com ela, deix-la ajustar-se. Por mais que ele quisesse, no podia esperar que Sabrina 
o amasse por toda a noite na sua primeira vez.
        Ela rolou por sobre ele. Seus lbios roaram a testa de Noah, enquanto sua mo pousou tranquila no peito dele.
        - Voc  um homem maravilhoso. Obrigada.
        Uma risada rouca rompeu de sua garganta. Ele estava to excitado que doa, mas ainda era cedo para tom-la novamente.
        - No precisa me agradecer. Definitivamente, o prazer foi meu.
        Sabrina deslizou a mo pelo peito de Noah e, depois, mais abaixo. O sangue dele ferveu e seus msculos se contraam  medida que os dedos dela acariciavam 
seu abdome e continuavam a jornada rumo ao sul do corpo de Noah. 
        - Sabrina, voc no precisa...
        Os dedos dela se fecharam em torno da extenso latejante.
        - Eu quero!
        Ela tentou uma leve compresso, depois afagou a tenra carne dele.
        - No consigo superar esta sensao.
        Quase doa rir.
        - Voc est indo... muito bem.
        Ela o envolveu os dedos mais uma vez e massageou da base ao topo.
        - Assim?
        - Sim. - A palavra saiu quase como um sussurro.
        - Voc vai gozar se eu continuar. - Um tom de admirao lhe tocava a voz. Ela detinha total controle sobre ele, e sabia disso. Ainda assim, Noah no queria 
que ela parasse.
        - Eu gosto disso - murmurou Sabrina em seu ouvido. - Gosto de toc-lo desta forma, da sensao que me d.
        Um calor derretido se armazenou no corpo dele, indo em direo  inevitvel erupo. Ele tambm gostava disso, muito at, mas ao mesmo tempo ela o fazia 
sentir-se inexperiente, fora de controle. Ele agarrou o pulso de Sabrina, acalmando sua mo, tentando lutar contra a irresistvel vontade de imergir seu prprio 
corpo bem fundo no dela.
        Ela ficou de joelhos ao lado dele, fitando-o com seus inocentes olhos azuis.
        - Faa amor comigo, Noah.
        As palavras soaram como msica aos ouvidos de Noah.
        - No  cedo?
        - Oh... existe um tempo mnimo que devemos esperar?
        Ele sorriu da expresso de preocupao dela.
        - No, s pensei que voc pudesse estar dolorida.
        - Bem, eu realmente sinto algo, mas no creio que seja pelo motivo que voc est dizendo. - Sentou sobre ele enquanto falava, selando sua fenda mida ao 
calor de Noah.
        Sabrina fechou os olhos e sua cabea pendeu para trs. Noah perdeu o flego enquanto ela esfregava o corpo ao longo do pnis dele. Para a frente, para trs, 
e novamente para a frente, at que a ponta robusta dele roasse a entrada dela.
        - Eu gostaria... que ns no precisssemos... parar... Parar? Ela no poderia sequer pensar em parar. No agora.
        -... que eu pudesse ao menos... deixar voc entrar em mim...
        Foi necessrio um momento para que ela entendesse.
        - Querida,  melhor fazer isso agora, ou ser tarde demais.
        Ela abriu os olhos.
        - Oh.
        Sem deix-lo, ela se debruou para pegar um preservativo na gaveta de sua mesa de cabeceira. Sabrina corou.
        - Eu esperava que fossem teis.
        Negando-se a lidar com o fato de que ela tinha um suprimento de camisinhas  mo, Noah pegou o pacote e se colocou de prontido em tempo recorde. Ele a tocou 
entre as pernas, encontrando-a inchada e, oh, muito molhada.
        Movendo os quadris, ele se posicionou na abertura dela. Ela se inclinou para a frente levemente, enquanto ele a penetrava. Com um movimento, ela se sentou 
firmemente em Noah, colocando-o totalmente dentro de sua cavidade aquecida. 
        - Oohh... - Ela se enfeitou contra ele, experimentando usar o quadril. - Isso  muito bom.
        - Monte em mim, Sabrina, Voc vai satisfazer a ns dois. 
        Os msculos dela se apertaram em torno dele. Ela se movia, tentando no incio, depois com crescente velocidade enquanto um rubor sexual lhe cobria a pele. 
Da serenidade do rosto aos mamilos rseos dos seios, ela figurava uma imagem de tamanha beleza que marcava a memria dele. Quando Noah relembrasse esta noite, essa 
seria a viso que teria dela.
        - Oh, Noah... isso ... to bom... tooo... booom...
        - Sim... sim... sim...
        Ela gozou primeiro, o rosto e o corpo se contorceram em uma viso de xtase. Ele no conseguia deixar de olh-la fixamente. Quando ela entrou em colapso 
por cima dele, sua fenda se apertou em convulso, empurrando Noah a um abismo de prazer to intenso que ele achou que morreria. Quando o longo orgasmo terminou, 
ele a embalou enquanto o corao voltava ao compasso e deitou, atordoado, maravilhado pelo sexo mais incrvel que jamais tivera.
        Por fim, ela se moveu, rolando para o lado e quebrando a unio. Aninhou-se nas curvas do brao de Noah.
        - Uma garota pode se acostumar com isso. Ele a beijou na testa.
        - Espero que sim. - Ele mesmo poderia se acostumar com aquilo. Um silncio calmo os envolveu. Ele afagou uma mecha dos cabelos de Sabrina por entre os dedos.
        -  sempre assim to... to... indescritvel?
        Ele deu um longo suspiro. O que ela diria se ele lhe contasse que nunca havia sido assim to indescritivelmente indescritvel?
        - Foi normal. Sabrina o beijou no peito.
        - Mentiroso.  impossvel que seja sempre assim. Ningum faria mais nada.
        O orgulho estufou o peito dele. Ele havia tornado a primeira... e a segunda vez dela memorveis... para ambos.  claro, no era somente mrito dele. Com 
os movimentos sensuais dela e o modo como respondia ao toque mais sutil, Sabrina possua sensualidade suficiente para tornar qualquer homem o mais poderoso amante.
        - Foi incrvel - disse ele. - Ns somos bons juntos. O olhar de Sabrina encontrou o de Noah, repleto de tanta felicidade que seu corao apertava. Ser que 
ele um dia se cansaria de olhar para ela?
        - Sabrina, h uma coisa que no entendo.
        Ela virou o rosto em direo a ele, sobrancelhas levantadas em questionamento.
        - Voc  uma mulher incrivelmente sensual. No consigo entender por que voc esperou tanto.
        Ela o observou em silncio por um tempo, depois suspirou.
        - Acho que sempre tive estes pensamentos romnticos. Eu queria que fosse perfeito. Queria esperar pelo amor. Especialmente aps tudo o que Bess passou; ela 
 aquela que me trouxe para casa mais cedo. Somos amigas desde sempre. - De qualquer forma, ela engravidou com 16 anos e abriu mo de uma carreira bastante promissora 
como modelo para casar com o pai do beb.   
        Sabrina balanou a cabea. 
        - Era uma criana criando outra criana. Nunca teve a chance de descobrir quem  de verdade, o que poderia ter feito da vida. - Tudo isso aumentou ainda 
mais minha crena de que deveria esperar o homem certo, o amor verdadeiro.
        - Mas aps todos esse tempo, por que agora? Os delicados ombros de Sabrina balanaram.
        - Eu j disse. Aos 25 anos, me sentia uma aberrao. Nunca havia me dado conta de que o amor verdadeiro seria to difcil de encontrar.
        - Nunca houve outra pessoa?
        - Oh, houve alguns homens.
        - Alguns?
        - No tantos quanto voc.
        - Ora, eu nunca tive nenhum homem.
        - No tantos relacionamentos. E obviamente, eu nunca... voc sabe, com nenhum deles. Nunca demorou para eu perceber que no era o homem certo.
        - E hoje?
        - Bom, hoje eu abri mo do pr-requisito do amor verdadeiro e decidi pela paixo verdadeira. - Um sorriso se desenhou nos lbios dela enquanto percorria 
o peito dele com as mos, penteando seus pequenos cachos com os dedos.
        - Eu odeio ser o cnico por aqui.
        - Mas voc .
        -  mais fcil voc conseguir achar uma, paixo verdadeira do tipo que acabamos de dividir, o que, a propsito, no  to fcil, do que achar o amor verdadeiro.
        Os olhos de Sabrina escureceram e algo como tristeza se apoderou deles.
        - Voc realmente no acredita no amor. 
        Ele no conseguiu respond-la diretamente.
        - Meus pais tinham o que eu acreditava ser um casamento feliz. Ento, a um ms do meu 15 aniversrio, a aparente vida perfeita deles se dissolveu em longos 
silncios pontuados por discusses hostis. Eles se divorciaram em tempo recorde.
        - Eu passei alguns anos pulando de um lado para o outro entre os dois, escutando as amargas reclamaes de um contra o outro. Quando terminei o ensino mdio 
e me mudei para Auburn, j sabia que nunca me casaria.
        Ela continuava acariciando Noah, passando os dedos gentilmente para cima e para baixo em seu peito. Ele trincou os dentes. Por que havia lhe contado sobre 
os pais? Nunca falava sobre eles.
        - Sinto muito que voc tenha passado por tudo isso. - A voz dela era baixa, acalmando o menino ferido dentro dele. - Mas o amor de verdade realmente existe. 
Meus pais fariam qualquer coisa um pelo outro.
        - Certa vez, meu pai dirigiu mais de trezentos quilmetros em um dia para trazer para minha me a torta favorita dela, de sua padaria favorita, que ficava 
na cidade onde ela havia crescido.
        Noah arqueou as sobrancelhas.
        - Isso  dedicao.
        - Ele demonstrou o tamanho do seu compromisso com ela. Minha me faria o mesmo por ele. Isso  o amor verdadeiro. Despender tempo e energia para dirigir 
essa distncia, mesmo estando cansado e tendo um milho de outras coisas para fazer. Perder noites de sono juntos porque um dos dois est com uai problema a resolver. 
Ou ainda abrir mo de seu bichinho de estimao favorito porque seu amor  alrgico a pelo de gato.
        Um sentimento de melancolia se apoderou dele. Tinha tentado dar isso tudo a Rebecca. Aonde isso o levou?
        - Acredito que se doar dessa forma  um exagero.  raro existir uma pessoa que reconhea. E a pessoa que se d corre muito risco.
        Sabrina traou o contorno da bochecha dele.
        - Quem te magoou, Noah?
        Ele rangeu os dentes, sem querer ressuscitar antigas feridas. Mais uma vez, a delicadeza da voz dela e a compaixo em seus olhos fizeram com que ele falasse.
        - Eu namorei diversas mulheres, sempre de forma casual. Houve uma mulher, porm. Arrisquei tudo por ela. Abri mo da sociedade com o seu irmo, desisti de 
uma carreira lucrativa para ir com ela para Denver e comear tudo de novo, do zero.
        - Dei a ela tudo que tinha. O que era meu era dela. Meu tempo, meu dinheiro, toda a ateno que uma mulher pudesse querer. - Noah fez uma pausa, todo o velho 
desapontamento estava renovado. - No foi suficiente - continuou ele. - No final, ela encontrou algum com mais tempo, mais dinheiro. Algum disposto a satisfazer-lhe 
todos os caprichos.
        - Me parece que voc est melhor sem ela. - O tom protetor da voz de Sabrina fez com que ele virasse para ela, sorrindo, a despeito de tudo.
        Os cabelos escuros dela caram desalinhados em volta dos ombros. O branco de sua pele cremosa apresentava uma suculenta viso de inclinaes e curvas, e 
seus olhos o fitavam em extasiada ateno. Sim, ele estava bem melhor sem ela.
        Ele correu seus dedos pelo brao dela.
        - Que tipo de tolo ficaria aqui deitado, reclamando do passado, tendo uma linda mulher aqui ao seu dispor?
        - Voc no est dispondo de ningum, meu caro.
        - No sou nenhum idiota. - Passou a boca sobre a dela, que se abriu, fazendo-o sentir-se bem-vindo novamente, varrendo as teias de aranha do passado da mente 
dele com uma carcia doce da lngua.
        Ela se moveu ao encontro dele, circulando seu mamilo com o polegar. Ele ficou instantaneamente excitado. Noah interrompeu o beijo, precisando limpar a mente, 
mas ela comeou a beij-lo numa trilha por seu queixo, descendo pelo pescoo at o peito. Quando a lngua dela roou seu mamilo, o corpo dele tremeu em resposta.
        Com os olhos bem abertos, ela riu dele.
        - Um pouco sensvel, no ? Ele gargalhou.
        -  melhor voc tomar cuidado ou se tornar o objeto da minha luxria outra vez.
        Ela passou a lngua pelo mamilo dele novamente.
        - Uma garota s pode ter esperanas.
        O sangue dele acelerou. Ela estaria realmente pronta para o terceiro round?
        - Vamos comear pelo incio. Uma toalha mida no resolver desta vez.
        O lbio inferior dela se projetou, fazendo beicinho.
        - No vai "cuidar" de mim agora?
        - Oh, cuidarei de voc da maneira correta. Acredito em limpeza. - Deixou o olhar passear pelos seios dela de mamilos rseos, at o tringulo de cabelos negros. 
- Devemos ser ainda mais meticulolos que da ltima vez. No mnimo um trabalho da cabea aos ps.
        Ela revirou os olhos. 
        - Da cabea aos ps?
        - O que voc prefere: chuveiro ou banheira?
        Os seios suculentos dela se arrepiaram. Suas pupilas dilataram.
        - No sei, acho que chuveiro.
        O calor preencheu o corpo dele. Como se divertiriam com ele mostrando a ela todas as formas que um homem pode amar uma mulher? Pegou a boca de Sabrina, beijando-a 
profunda e minuciosamente at que ela gemeu e pressionou seu corpo contra a ereo dele.
        - Fique aqui. Vou ligar a gua e volto para voc.
        - Faa sair vapor. Eu gosto quente. Ele gracejou.
        - , eu percebi.
        Sabrina aliviou a presso e Noah escorregou de seus braos. Algum dia ela se cansaria de olh-lo? Pela segunda vez esta noite, ele passeava pelo tapete enquanto 
ela se deleitava com a viso de sua glria natural.
        Homem doce, sexy. Como algum pode t-lo magoado?
        O desejo de apagar toda a dor do passado de Noah brotou em Sabrina. Talvez ela cancelasse a viagem  Flrida. Passaria o fim de semana aqui, com ele. Era 
um amante muito atencioso. Por que no ter um caso com Noah?
        A mente dela relembrou o que acontecera nas ltimas horas e sua pele aqueceu. O amante com que ela sempre sonhara tinha virado realidade.
        A porta do banheiro abriu. Ele emergiu, os primeiros filetes de vapor danando atrs dele. Sabrina fitou a ereo de Noah e sentiu-se umedecer-se entre as 
coxas. Nunca imaginou que os homens pudessem ser to belos.
        Ele a levantou, apoiando-a contra o peito. Uma camada fina de vapor cobria o espelho do banheiro, embaando a imagem deles,  medida que ele abria a cortina 
do chuveiro. Noah entrou debaixo da gua quente e foi deslizando Sabrina por seu corpo at que ela ficasse sobre os prprios ps.
        - Se ficar muito quente,  s falar.
        Ele a beijou novamente. A gua jorrava sobre eles enquanto ele a massageava dos ombros at os quadris. As mos dele a deixaram. Um aroma de pssego coloria 
o ar.
        Um momento aps, ele envolveu o pescoo dela com as mos ensaboadas. Deslizou a espuma para cima atrs das orelhas de Sabrina, depois para baixo at a clavcula.
        - Seus seios so perfeitos.
        - So? No achei que voc tivesse reparado.
        - Eu estava me esforando muito para no reparar. Ela esfregou a barriga nele enquanto Noah ensaboava seus seios, apertando as pontas com os dedos. O desejo 
percorreu o corpo dela. Bolhas de sabo lhe escorriam pela barriga.
        Sabrina ensaboou a mo e retribuiu o favor, com ateno especial ao trax de Noah. A pele dele estava quente e macia sob os dedos dela, os msculos duros 
e definidos. Ela deslizou as mos para baixo, acariciando seu abdome rgido e reto.
        - Se for um pouco mais para baixo, ns teremos o terceiro round aqui no chuveiro.
        - Achei que esse era o plano. - Deslizou a mo mais para baixo, mas ele se afastou
        - Ainda no terminei de ensabo-la. - Derramou mais gel nas mos e se ajoelhou diante dela.
        A gua quente batia nas costas dele, espirrando espuma no corpo dela. Com movimentos longos e vagarosos, ele ensaboou as pernas de Sabrina, primeiro esfregando 
do quadril aos tornozelos, depois acariciando suas panturrilhas, os joelhos e as coxas. A respirao de Noah aquecia a barriga dela e desejo se apossava de seu corpo 
enquanto ela pousava as mos nos ombros dele.
        As palmas das mos dele alisaram as ancas dela, depois a parte de trs das coxas.
        - Eu quase me esqueci da promessa que fiz mais cedo.
        Ele segurou suas ndegas e apertou. Ela gemeu, agarrando com mais fora os ombros dele enquanto ele a apertava. A lngua de Noah provocou o umbigo dela.
        Devagar, ele se levantou e fez um percurso beijando sua barriga, os seios, parando para lamber cada mamilo sensvel, e foi at o pescoo. A boca de Noah 
pairou perto da dela enquanto continuava a afagar gentilmente seu bumbum. Ela fez um rudo baixo e se contorceu contra ele.
        - Voc realmente gosta disso - disse ele.
        - Parece que eu gosto de tudo.
        A ereo dele pressionava o abdome dela. Sabrina balanou os quadris e sua fenda encontrou o membro duro de Noah. De repente, ele parou, pressionando a testa 
contra a dela.
        - Ns no trouxemos preservativos.
        - Oh. - Ela piscou. Havia esquecido novamente. - Embaixo da pia. - Ela se escorou na parede, a gua quente batendo em sua pele, enquanto Noah saa rapidamente 
e voltava mais depressa ainda.
        Um som baixo e gutural vibrou da garganta dele, pouco antes de capturar os lbios dela. Sua lngua invadiu a boca de Sabrina, forando-a com o mesmo desejo 
que queimava dentro dela. Sabrina o acompanhou, golpe a golpe, enquanto ele a erguia, atando suas pernas por sobre seus braos.
        Ela o imprensou contra a parede.
        - Diga que me quer de novo.
        - Eu te quero novamente. - Seus quadris moviam-se mais uma vez por vontade prpria.
        A ponta do sexo dele sondou a abertura dela. Sabrina se moveu, em seguida suspirou,  medida que ele arremetia para dentro dela, alargando-a e preenchendo-a. 
O prazer envolveu Sabrina, enquanto a gua caa sobre eles, elevando a temperatura.
        Noah a tomou com tamanha urgncia que a fez estremecer at o mago. Uma e outra vez ele a penetrou, cada movimento disparando ondas de calor que percorriam 
o corpo dela. Sons incoerentes romperam da garganta dela. Sabrina incitava Noah, movendo os quadris no ritmo compassado da investida dele.
        Enterrando a cabea na curva do pescoo dela, ele deu um grito abafado junto  ltima estocada. Ela se retesou. Seu orgasmo veio com tanta fora que a deixou 
sem ar e atordoada.
        Sabrina esmaeceu nos braos de Noah, enquanto ele se inclinava sobre ela. Por um bom tempo eles ficaram assim, enquanto a gua corria em filetes pelos corpos 
entrelaados. Ao final, ele se moveu.
        - Voc realmente saber como acender um homem.
        - Talvez devssemos dar um tempo. Dormir um pouco. Ele a beijou com tamanho carinho que os olhos dela marejaram.
        - Tudo bem, mas s at eu me recompor. Acho que alguma coisa est acontecendo aqui.
        Um calor no relacionado  gua quente que corria sobre eles a preencheu. Com um sorriso sonolento, ela desligou o chuveiro e deixou que ele a conduzisse 
at a cama.
        

      Captulo Seis
        
        
        Sabrina olhou de relance seu relgio na mesa de cabeceira. Quatro horas da manh e ela estava completamente desperta. Noah estava deitado ao lado dela, respirando 
profundamente, com um brao esticado possessivamente sobre a cintura dela.
        Ela no queria que a noite acabasse. O amante de seus sonhos no era nada comparado ao verdadeiro Noah. Ele fizera amor com ela com cuidado e intensidade 
to profundos que a deixara confusa.
        Com o olhar fixo, ela traou os ngulos do rosto dele e um calor preencheu seu corao. Mordeu os lbios. Santo Deus, o que estava acontecendo? Ele fez com 
que ela tivesse sentimentos por ele. Como pde passar de desprezo a... estes sentimentos por ele em to pouco tempo? No era de espantar que Bess estivesse to apreensiva.
        Sabrina foi tomada de pnico. O que estava fazendo? Estava se apaixonando por Noah, um cnico mulherengo assumido, um homem que aceitara uma vagabunda como 
suborno? O choque desses pensamentos fez com que ela ficasse desperta e fitando cegamente o teto.
        No podia ter um caso com Noah. Ele realmente no acreditava no amor. Agora que a tenso sexual havia dissipado, o impacto da situao a atingia. No podia, 
de forma alguma, se apaixonar por ele - ela s se magoaria.
        Quando os primeiros raios de sol apareceram atravs da cortina, Sabrina j havia revisto a catstrofe sob todos os ngulos, tentando achar algum sentido, 
Era simples, na verdade. Tinha esperado tanto pelo amor verdadeiro que sua psique a confundiu numa mudana precipitada de planos. Ele foi o primeiro. Consequentemente, 
seu subconsciente transferia para ele todas as emoes e fantasias guardadas.
        Sabrina olhou para as malas prontas. S havia uma coisa a fazer. Tinha de ir  Flrida. Precisava ter um caso. Assim, ela saberia se estes sentimentos existiam 
pelo fato de ela nunca ter estado com outro homem ou por causa de Noah. De qualquer forma, seu plano tinha ainda mais sentido agora.
        Ela se liberou dos braos dele. Noah balbuciou alguma coisa ainda dormindo, mas no acordou. Com um suspiro, ela foi at o banheiro. Havia tempo suficiente 
para pegar o vo. Colocaria a noite anterior de lado, marcando-a como se fosse mais uma de suas fantasias. Hoje era um novo dia. Hoje encontraria um caso.
        O barulho de uma porta impeliu Noah a um estado de total alerta. Procurou por Sabrina e franziu o cenho quando a mo alcanou os lenis vazios. Rolou para 
o lado.
        - Sabrina?
        Ela se virou de onde estava, perto do armrio, uma das malas na mo, a bolsa e uma segunda sacola penduradas num ombro.
        - Voc est acordado.
        - Voc est indo embora? - Ele franziu o cenho. No era dessa forma que havia imaginado a manh. Na verdade, depois da noite anterior, ele tinha vislumbrado 
um comeo de fim de semana bem diferente.
        O olhar de Sabrina se perdeu.
        - Sim, eu avisei que tinha planejado um grande dia. 
        Noah bateu na cama.
        - Venha aqui. Quero desejar-lhe um bom dia de forma adequada.
        Ela hesitou, os dentes mordendo o lbio inferior.
        - Mude seus planos. Passaremos o resto do fim de semana juntos.
        - No posso... olhe, a noite passada foi maravilhosa, mas acabou. No posso ter um caso com voc.
        - Um caso?
        Sabrina gesticulou com a sua mo livre.
        - Voc sabe... tipo o que tivemos na noite passada, mas por um perodo maior de tempo.
        Ele ficou de p, depois pegou a roupa no cho. Como ela pode pensar em ir embora aps a ltima noite? Ele vestiu a cala enquanto ela continuava parada, 
olhando para ele.
        - Ento, quer dizer que a noite passada foi uma coisa de um dia s?
        - Ns concordamos sobre no haver laos.
        -  verdade. Voc ia sem se despedir? 
        Ela concordou com a cabea.
        - Claro que no.
        Noah enfiou um brao na camisa e se remexeu por um momento antes de achar a outra manga.
        - Sobre a noite passada...
        - Oh, no foi nada - sussurrou Sabrina, mexendo inquietantemente na ala da bolsa. - Quero dizer obrigada. Foi realmente legal da sua parte... voc sabe... 
fazer isso por mim. Eu realmente agradeo.
        Ela agradece? Ele se endireitou. Seu estmago revirou. Essa no era nem de perto reao que ele esperava. Ele forou um sorriso.
        - Sem problema. Ficaria feliz em servi-la a qualquer momento.
        Sabrina arregalou os olhos. Outra vez, sua cabea balanou.
        - Obrigada,  muito generoso de sua parte, mas, como eu disse, no ser necessrio.
        Noah encarou Sabrina, profundamente decepcionado. O que ele esperava?
        - Sabe, se isso  sobre o acordo de "sem compromisso" ...
        - Oh, no. Voc estava certo. No daria certo. Voc sabe que Cliff ficaria furioso se descobrisse.
        - Cliff, certo. - Ela tinha um motivo. Noah provavelmente ficaria sem emprego, caso o irmo dela ficasse sabendo.
        - Tenho de ir andando, ou perderei meu vo.
        Ele balanou a cabea, depois olhou em volta procurando os sapatos. Ela segurava a porta enquanto ele pegava os sapatos e a seguia para fora. Embora o dia 
estivesse nublado, a luz ofuscou a viso dele. Encostando-se na parede, ele calou um dos sapatos.
        - Sabrina...
        - Obrigada novamente, Noah. Eu realmente tenho de ir. - Tentou sorrir para ele e, antes que Noah tivesse a chance de responder, saiu apressada para o estacionamento.
        Ele a observava enquanto ela corria para um Malibu azul. Resmungando, ele calou o outro p. Um trovo estrondou enquanto ele ia em direo a seu prprio 
carro. Sentou-se ao volante e um pressentimento apoderou-se dele. Grossos pingos estatelaram no pra-brisa.
        A lembrana dos olhos dela, iluminados de desejo, relanceou a memria dele.
        - Diabos.
        Eles no podiam, se separar dessa forma. Ele manobrou o carro pelo asfalto molhado e conseguiu avistar as lanternas traseiras do carro de Sabrina desaparecendo 
ao longe. Sentiu raiva de si mesmo. Ela estava chateada, provavelmente cheia de arrependimentos por ter deixado um patife como ele toc-la.
        No que ele estava pensando? Ele no estava pensando. Ao menos, no com a cabea. No depois da maneira que ela havia olhado para ele, tocado nele. Sacudiu 
a cabea. Me ame, Noah.
        Que homem teria recusado?
        Um homem digno. Ficou aborrecido ante a pequena voz de sua conscincia. Ela no havia desejado um homem digno na noite passada, diabos. Desejara ele. E ele 
a havia satisfeito muito bem. No, ela no podia estar decepcionada nesse ponto. Nenhuma mulher havia reagido daquela forma ao toque dele. O desejo fez ele estremecer 
 memria.
        Ele nunca achou que estar com uma mulher pudesse ser to... recompensador. Ela havia extrado tudo dele, mas havia se dado por completo. Olhou para o carro 
dela  frente. Maldio, ele no podia deix-la partir.
        Noah verificou os carro  frente, ento entrou na rua atrs de Sabrina. Poderia dar a ela tudo que ela queria? A culpa amargou-lhe o pensamento. Quem ele 
era para sequer achar que teria uma chance com uma mulher como Sabrina? Ela estava aqui, fugindo dele to rpido quanto o trnsito e o mau tempo lhe permitiam.
        Se ele tivesse um pouco de orgulho, retornaria e a deixaria ir embora. Pisou mais fundo. No sabia para onde ela estava indo, mas no poderia deix-la ir 
sem saber como se sentia verdadeiramente sobre a noite passada.
        Pegaram a sada para o aeroporto na estrada interestadual. Noah fez uma careta. Apertou o volante, estranhamente perturbado pelo fato de Sabrina estar deixando 
a cidade. Ele a seguiu at ao estacionamento do aeroporto Hartsfield. Logo em seguida, ela retirou a grande mala e a segunda sacola do porta-malas de seu carro.
        Aps trancar o carro, ele correu para o lado dela.
        - Deixe-me ajud-la com isso. - Ele se curvou para pegar a mala.
        Ela se assustou, colocando a mo sobre o peito.
        - Noah, o que est fazendo aqui?
        Noah agarrou a mala, repentinamente sentindo-se tolo por correr atrs dela.
        - Voc no deixou eu me despedir.
        - Oh. - Ela mordeu o lbio. - Me desculpe, eu estava com pressa.
        - Vim ver voc decolar.
        O olhar de Sabrina se prendeu ao dele e, por um momento, os olhos dela refletiram um pouco do calor que haviam demonstrado na noite anterior.
        - No precisa. De verdade.
        - Eu quero. - Ele apontou em direo ao terminal principal.
        Ela concordou com a cabea e eles se colocaram a caminho, precipitando-se sobre as passagens do trnsito e desviando das gotas de chuva at o prdio. Viajantes 
matutinos se apressavam pela rea congestionada.
        - Ento, para onde voc est indo?
        Ela forou a passagem at o balco de embarque.
        - Vou para a praia. Flrida. A ideia  escapar por alguns dias.
        Imagens de Sabrina vestida com sumrias roupas de banho romperam a mente de Noah.
        - Quer companhia?
        O sorriso dela congelou.
        - Voc?
        Ele olhou em volta.
        - No estou vendo mais ningum. - Ele sacudiu as sobrancelhas. - Voc pode precisar de algum para afugentar os estranhos.
        Ela corou um pouco.
        - Bom, na verdade, eu espero fazer alguns novos conhecimentos.
        - Conhecimentos?
        Ela se endireitou, levantando o queixo no ar.
        - Suponho que devo agradecer-lhe. Voc me ajudou a chegar a uma deciso. - Seus lbios redondos curvaram em outro sorriso. - Eu me sinto livre de verdade.
        O sangue pulsou nas orelhas dele. Ela no podia estar dizendo o que ele pensava.
        - Livre?
        As sobrancelhas dela levantaram.
        - Sim, o que voc fez por. mim na noite de ontem. Bem, isso me deu muito mais liberdade. . .
        Noah estreitou os olhos.
        - Sei que no tenho o direito de perguntar e Deus sabe que eu no creio que queira ouvir a resposta, mas liberdade para fazer o qu? 
        Ela se posicionou em uma fila que se formava atrs de um dos balces.
        - Se quer saber, eu vou  procura de uma aventura de fim de semana.
        Suas entranhas se contorceram.
        - O qu?
        - Uma aventura. Voc sabe, como a noite passada, porm mais longa.
        Ele olhou para ela estarrecido, sem palavras, nauseado.
        - Sim, voc disse isso mais cedo, mas, se quer uma aventura, estou mais que disposto.
        - No! Muito obrigada. Quero algum de fora da cidade. Uma pessoa com a qual Cliff no v aborrecer-se, nem v afast-la. Alm disso, estaremos os dois no 
casamento, no queremos causar constrangimentos.
        Noah chegou mais perto dela.
        - Voc no pode estar falando a verdade. E todo aquele papo sobre o homem certo e "foram felizes para sempre"?
        - Voc no v? Voc estava certo, no jantar, quando disse que eu estava desperdiando meu tempo.
        - Eu no creio que tenha dito isso.
        - Toda aquela histria sobre meu relgio biolgico era verdade. Acho que fiquei aborrecida porque voc estava certo. - Ela deu um risinho. - O mais engraado 
 que cheguei a achar que voc era o homem certo. O corao de Noah apertou.
        Os ombros de Sabrina balanaram quando ela abafou uma gargalhada vigorosa.
        - Eu realmente reconheo como voc me ajudou a ver que j era tempo de eu viver a minha vida. - Ela deu de ombros novamente. - E  claro que me ajudou a 
eliminar a barreira que me prendia. Vejo tudo isso como um trampolim para mim.
        A nusea cresceu dentro dele.
        - Trampolim?
        Ela balanou a cabea.
        - Parece emocionante, no?
        - No. - Um tipo de pnico tomou conta de Noah. Ele a segurou pelo brao. - Voc no pode fazer isso, Sabrina. Estaria cometendo um enorme erro. Se arrependeria 
pelo resto de sua vida.
        Os olhos dela estreitaram-se.
        - Como pode saber do qu eu poderia me arrepender? - A fila andou. Sabrina pegou a bagagem da mo dele para entreg-la ao atendente, depois se dirigiu ao 
balco, colocando a mala de mo no cho. Noah rangeu os dentes. A culpa tomou conta dele. Precisava demov-la desse plano ridculo.
        Poucos minutos depois, ela se virou para ele, carto de embarque na mo. Ele pegou a mala de mo e seguiu Sabrina at a fila para a verificao de segurana. 
Ela olhou no rosto dele e algo como arrependimento passou pelos olhos dela.
        - Olhe, agradeo sua preocupao, mas sou uma menina crescida. Ficarei bem.
        O olhar de Noah desejava a boca de Sabrina. A memria de t-la amado derramou-se sobre ele, o calor da presso dela contra ele, o golpeada lngua ainda fresco 
na mente. Ele havia lhe tirado a virgindade e agora da pretendia doar todas as suas qualidades a um estranho.
        Porque Noah a havia liberado.
        A culpa e um pouco de outra emoo no muito conhecida que ele no quis explorar cresceram dentro dele. Noah a encarou, sem palavras.
        Depois que o segurana conferiu o bilhete e a identidade de Sabrina, ela colocou a bolsa na esteira rolante.
        - Bem, at logo. Ele se endireitou.
        - Espere. Sabrina, no v.
        - Isso  algo eu tenho de fazer. - Ela sorriu um sorriso tmido e caminhou em direo ao detector de metal.
        O atendente olhou zangado para Noah.
        - O senhor tem um carto de embarque?
        Sabrina recolheu a bolsa do outro lado da esteira rolante. Sem olhar para trs, seguiu em frente e uniu-se aos outros viajantes rumo  multido.
        Noah balanou negativamente a cabea para o atendente.
        - Eu s quero falar com ela.
        - Daqui em diante, somente passageiros com carto de embarque.
        Noah recuou, se esgueirando para ver Sabrina mais uma vez enquanto ela desaparecia numa escada rolante. O corao dele pulsava forte. No podia deix-la 
ir. No sem antes faz-la recobrar o juzo.
        Ele cerrou os punhos e percebeu que ainda segurava a mala dela. Encheu-se de determinao.
        -  isso. Se tenho de comprar uma maldita passagem s para devolver a mala e falar com ela, ento que assim seja.
        Um suborno bem colocado para um estudante universitrio no incio da fila para compra de passagens encurtou a espera. Dez minutos depois, chegou ao porto 
dela. Sabrina tinha se jogado em uma cadeira de vinil. Noah sentou-se ao lado dela. Como ela reagiria a esse plano insano?
        Ela o encarou, os olhos arregalados.
        - O que est fazendo aqui?
        - Voc esqueceu a bolsa.
        - Eles o deixaram entrar aqui sem passagem?
        - Vale o preo de uma passagem se eu puder demov-la dessa ideia. Voc no pode fazer isso.
        - Voc comprou uma passagem s para falar comigo? 
        Ele se inclinou em relao a ela.
        - Eu no entendo por qu, Sabrina. Por que voc quer fazer isso?
        Ela olhou para a frente.
        - Voc nunca entenderia.
        - Tente me explicar.
        Os ombros dela se inclinaram.
        - Voc j se sentiu invisvel? Como se estivesse do lado de fora, olhando para dentro? Como se todo o mundo estivesse numa festa maravilhosa e voc no tivesse 
sido convidado?
        Ele deslizou o brao ao redor dos ombros dela, mas ela se esquivou para longe dele.
        - Sabrina...
        - Bom,  tempo de eu comear minha prpria festa. A raiva brotou nele.
        - J pensou em doenas ou gravidez?
        - Voc parece o Cliff... No se preocupe, terei cuidado. Usarei proteo.
         Noah apertou os olhos. Ele nunca mais poderia viver consigo mesmo se no a impedisse.
        - J volto.
        Os olhos dele saltaram. Ela ficou de p ao lado dele.
        - Aonde voc vai?
        - Ao banheiro feminino, passar p-de-arroz no meu nariz. - Com um balano de cabea, ela fitou a multido.
        Noah fitava a janela do tamanho da parede, quase no vendo o alvoroo l fora, na pista. Talvez se ela ficasse ausente bastante tempo pudesse perder o vo. 
Ele se acomodou no assento e firmou o olhar num relgio pendurado em uma parede distante.
        Quase quinze minutos depois, ele se levantou no meio da multido, procurando por ela. Onde estava? Ela realmente perderia o vo. Tinham anunciado h pouco 
o embarque. Ignorou o crescente desconforto e nutriu a esperana de que o plano dela pudesse falhar.
        Finalmente ele a viu. Um homem alto caminhava ao lado dela. Muito perto. A mo dele pousada  base da espinha dela. O cabelo na parte de trs do pescoo 
de Noah arrepiou em ateno. Quem diabos era esse? Ela havia apanhado um estranho no caminho at o banheiro?
        O casal aproximou-se. A risada inconfundvel de Sabrina alcanou os ouvidos de Noah. Ele rangeu os dentes. Esse sujeito poderia ser qualquer pessoa.
        - Noah - chamou ela, ao se aproximarem. - Voc ainda est aqui. No precisava esperar. - Lanou-lhe um olhar obtuso e apontou para o estranho. - Este  Michael. 
Ele  arquiteto. Tivemos uma disputa pelo ltimo pacote de chiclete e decidimos dividir.
        - Que interessante. - Noah levantou os lbios, numa tentativa de sorrir. Aquele velho mal-estar bateu no estmago dele.
        - Michael Barnes. - O homem estendeu a mo. Noah encarou o gesto e virou para Sabrina.
        - Voc sabe que realmente no quer fazer isso.
        O locutor anunciou o embarque final para o vo dela. Sabrina arregalou os olhos.
        - Acho que nos perdemos do grupo. Michael, voc est com seu carto de embarque?
        - Aqui mesmo. - Retirou o papel do bolso.
        - Espere um minuto! - Noah os encarou. - Ele est nesse vo?
        Sabrina sorriu.
        - No  maravilhoso? Ns dois vamos para Destin via Panam City. - Ela se virou para Michael. -  melhor nos apressarmos.
        Antes que Noah pudesse formular um protesto lgico, ela se voltou para ele.
        - Tenha um timo fim de semana, Noah. A gente se v por a.
        Por a? O sangue de Noah pulsou forte. Seu pnico de antes voltou dez vezes mais intenso. Sabrina caminhou com o estranho ao lado, a mo dele nas costas 
dela. E se o sujeito fosse algum assassino psicopata?
        Noah tinha de fazer alguma coisa. O pensamento voava enquanto ele se dirigia ao porto. Outros passageiros caminhavam em direo ao balco de embarque. Mais 
uma vez, ele percebeu que ainda segurava a bolsa de Sabrina. Fechando os olhos, ele entrou na fila atrs do ltimo passageiro. Parecia que finalmente faria valer 
a pena o dinheiro gasto na compra daquela passagem. 
        Balanando a cabea, entregou o bilhete e a identidade ao atendente.
        - No acredito que esteja fazendo isso.
        Os motores do avio rugiram. Sabrina agarrou o descanso para brao e se forou a relaxar. O que se passava com Noah para segui-la at o aeroporto? O homem 
devia estar sofrendo de um grande ataque de conscincia. Ela franziu o cenho. Que pena que no tivesse sofrido isso mais cedo... antes de terem sado... antes de 
ontem  noite. O golpe faminto da lngua dele, o corpo duro contra o dela e as mos andarilhas de Noah tomaram seu pensamento.
        Tinha perdido a virgindade. A percepo causou arrepios em seu corpo. A noite inteira tinha assumido uma qualidade surrealista, como uma de suas fantasias. 
Entretanto, tinha sido real. As juntas dela pareciam duras e os msculos doam em lugares que ela sequer sabia que existiam.
        Ele fora extraordinrio, mas ela havia sido sincera em lhe falar sobre seus planos, em deixar claro que aquela noite no se repetiria. Embora recus-lo de 
manh - fingindo que a noite deles fora casual, quando na verdade tinha sido muito alm de casual para ela-tenha sido a coisa mais difcil que Sabrina j teve de 
fazer.
        Seguramente, ele a queria agora, mas... e amanh ou semana que vem? Ela fechou os olhos. No, s teria sofrimento se tivesse se envolvido com ele. Se ao 
menos no tivesse jogado aquele jogo infantil na festa. Talvez se ele no a tivesse beijado, ela no teria almejado isso novamente, quando ele bateu  sua porta.
        Michael colocou a mo sobre a dela. Sabrina sentiu um n no estmago. Estava agindo de forma infantil novamente.
        - Nervosa? - perguntou ele.
        Ela acenou com a cabea. Voar nunca a perturbara. Entretanto, voar na companhia de um estranho viril estava destruindo seus nervos. O que estava fazendo?
        Ela desembaraou a mo para cavar na bolsa o meio pacote de chiclete. Era estranho como ontem, a essa hora, ela no tinha a menor ideia de como atrair um 
homem. A apreenso correu por seu corpo. O estmago apertou com a memria da expresso atordoada de Noah. A ateno extasiada de Michael com certeza provou a ela 
que no havia dvida de que ela era desejvel.
        Olhou para ele. Pelos padres de qualquer pessoa, Michael era um homem bonito. Todos os cabelos em sua linda cabea eram macios e lisos. Seus olhos azuis 
brilhavam com inteligncia e interesse genuno, e ele preenchia seu terno bem-cortado em todos os lugares certos.
        - Aqui, deixe-me ajudar. - Pegou um chiclete para ela. Depois de desembrulhar com movimentos lentos e cuidadosos, levou o chiclete aos lbios dela.
        Sabrina sentiu-se envergonhada. Endireitou-se no assento, pegando o chiclete com as mos.
        - Obrigada. - No pde olhar para ele enquanto colocava o chiclete na boca.
        Uma comissria de bordo ligou o sistema de comunicao e explicou os procedimentos de emergncia.
        - No se preocupe. - Ele descansou o brao ao longo da parte de trs do assento dela e se inclinou em direo  Sabrina. - Eu a protegerei. 
        O piloto deu boas vindas a bordo. Momentos depois, o avio correu a pista. O Estomago de Sabrina embrulhou  medida que subiram, alando vo.
        Michael deixou o brao cair ao redor dela. Sabrina resistiu ao instinto de afast-lo e prendeu o flego pela eternidade que o avio levou para se nivelar. 
O aviso para apertar o cinto de segurana apagou. Os outros passageiros comearam a se movimentar.
        Ele ainda mantinha o brao apertado ao redor de Sabrina. Ela engoliu em seco. Tinha de relaxar, se pretendia levar a cabo seu plano. Talvez se passassem 
o dia juntos e tivessem um jantar agradvel, ela estaria  vontade o bastante com ele no domingo para...
        - Voc j fez alguma vez em um avio?
        O olhar dela voou em direo ao de Michael. Seu corao acelerou.
        - Fez o qu?
        Os olhos dele brilharam. Ele percorreu o brao dela com a ponta do dedo.
        - Ns dois somos adultos, obviamente atrados um pelo outro. No h razo para ficarmos dando voltas, h? - Retirou o brao e acenou com a cabea para a 
parte traseira do avio. - Voc vai para o toalete. Eu lhe darei um minuto e depois me unirei a voc.
        Ela piscou. Meu Deus, era uma namoradeira melhor do que havia imaginado. Tomando um flego profundo, ela se levantou. Era a chance de ela dar um impulso 
em sua vida e tirar Noah de sua mente. Embora estivesse atingindo sua meta mais cedo do que esperava, era isso que queria.
        Sabrina ficou de queixo cado. O pnico tomou conta dela.
        - Eu...
        - Michael! - Um homem vestido de terno escuro parou ao lado deles. Michael se levantou. O homem lanou um olhar curioso para Sabrina e virou para apertar 
a mo do companheiro dela. - Est indo para a reunio da St. Marks?
        - Voc achou que eu perderia a praia? O homem riu.
        - timo. Bateremos umas bolas. Trouxe sua raquete?
        - E uma lata nova de bolas.
        - timo. Faremos isso, ento. - Novamente, o olhar do homem a percorreu. - Ento, Lorraine e as crianas vo bem?
        - Bem. Bem. As crianas esto crescendo como ervas daninhas.
        - Muito bom. Elas o mantero sempre ligado. Nos vemos l. - Com isso, o homem liberou o corredor.
        Sabrina fitou Michael. Encheu-se de descrena. Lorraine e as crianas? Ela se virou para ele, enquanto ele afundava no assento.
        - Voc  casado? Ele deu de ombros.
        - Ns temos um acordo. 
        Ela ergueu as sobrancelhas.
        - Ela sabe que voc no usa aliana para poder seduzir mulheres estranhas em banheiros de avio?
        Ele se recostou.
        - Olhe, voc veio at mim. Eu s ia dar o que voc queria.
        Ela o encarou em silncio, chocada. Tinha ido at ele? Talvez ela realmente no quisesse aquele chiclete. Talvez tivesse paquerado Michael s para provocar 
cimes em Noah. Fazer sexo com o||j estranho talvez estivesse na ordem do dia. Mas de ondeele foi pensar que ela faria isso com um homem casado, no toalete do avio?
        Enojada, ela agarrou a bolsa.
        - No posso fazer isso. Foi um engano.
        - Azar o seu. - Ele cruzou os braos e deixou seu olhar passar por ela. - Me avise, se mudar de ideia.
        Ela levantou do assento enquanto olhava para a parte de trs do avio. Acharia um assento o mais longe possvel desse idiota.
        Noah se afundou no assento e elevou uma revista para cobrir o rosto quando Sabrina entrou no corredor. Como ele explicaria sua presena ali? Ele sequer podia 
explicar a si mesmo por que tinha embarcado.
        Ousou uma olhada por cima da revista. Ela estava andando no corredor na direo dele, provavelmente indo ao banheiro. Ele se recostou, mantendo a revista 
no lugar. timo. Ela estava dando um tempo daquele Michael.
        Noah estremeceu. O sujeito tinha se oferecido de todas as formas, desde que Noah ocupara em um assento vrias filas atrs deles. Teve de evitar o olhar dele 
vrias vezes para no precisar usar o saco para enjo. Ele no sabia que a culpa podia deixar o corpo doente, mas seu estmago tinha se revoltado com a viso dos 
dois se aconchegando juntos.
        Michael se levantou. Entrou no corredor, notavelmente indo atrs de Sabrina. Noah fitou, desanimado, o olhar do homem preso ao traseiro dela. Meu Deus, eles 
iam transar no banheiro!
        Noah ficou de p. Um som de angstia escapou de sua garganta. Ele andou pelo corredor em direo a Sabrina, o corao batendo forte, o intestino dando voltas. 
No podia deix-la fazer isso. No dessa forma. No depois da noite anterior.
        Ela congelou, os olhos arregalados em descrena.
        - Noah?
        Com um olhar significativo para Michael, Noah a tomou em seus braos. S havia um modo de mostrar para esse idiota que a moa tinha dono.
        - Querida, afinal, consegui me unir a voc.
        Antes que ela tivesse tempo de reagir, ele a puxou para mais perto e a beijou. Ela hesitou durante um breve segundo, antes de se derreter, a lngua cumprimentando 
a dele com o mesmo fervor da noite passada. O sangue de Noah correu intensamente.
        Eles eram bons juntos. Ele no tinha imaginado isso. Por que ela estava to propensa a achar outra pessoa?
        Michael fez um som de desdm enquanto passava empurrando.
        - Vocs dois podem ficar um com o outro. Sabrina endureceu, como se recobrando os sentidos.
        Empurrou Noah para longe, com os olhos ardendo em fogo.
        - O qu, agora voc est me espiando? - Ela manteve a voz baixa, mas muitos dos outros passageiros fitaram-nos abertamente.
        - Estou salvando voc desse seu plano ridculo.
        - No preciso de salvamento.
        - Precisa sim.
        Uma comissria aproximou-se, falando entre dentes.
        - Senhor, por que no se senta?
        Noah a desprezou e virou-se para Sabrina.
        - No posso deixar que faa isso. Precisamos conversar. 
        O lbio dela tremeu e ela chegou para trs.
        - Acho que no. Voc est louco? Achei que voc no ia embarcar.
        Ele voltou at seu assento para pegar a bolsa dela.
        - Voc esqueceu isto.
        - Voc embarcou s para me dar minha bolsa?
        - Voc  muito desligada. Ainda bem que estou aqui para cuidar de voc. De modo algum eu deixaria aquele varapau a iniciar no Clube de Milhagem.
        Os olhos dela se arregalaram.
        - Todos vocs pensam da mesma forma, com suas mentes sujas.
        A comissria se posicionou entre eles.
        - Talvez vocs dois devessem sentar.
        Noah encarou Sabrina, a raiva bombeando por ele.
        - Ele fez a proposta a voc!
        - Senhor. Senhorita. Por favor, sentem-se. - A comissria cruzou os braos. - Vocs poderiam discutir isso posteriormente, em particular.
        Sabrina ficou ereta, os olhos flamejando.
        - No temos nada a discutir. - Virou rapidamente, parou e voltou atrs. - E no vou ter um caso com voc!
        Dito isso, avistou uma seo de assentos depois do toalete. Noah a fitou. Aquele porco havia proposto algo a ela, mas Sabrina tinha se afastado dele o mximo 
possvel. Um sorriso encurvou os lbios de Noah. Talvez a mulher estivesse recobrando um pouco da razo, afinal.
        
        Sabrina estremeceu com o ar gelado que soprava por uma abertura acima do guich de recepo do hotel. Enquanto esperava sua vez para registrar-se, observou 
o vasto salo de entrada com sua fonte reluzente e uma selva de rvores em vasos. Um homem de cabelos escuros chamou sua ateno. Ela ficou tensa e ele virou, revelando 
o perfil de um estranho. Relaxando, ela se voltou para a mesa.
        Tinha perdido Noah no aeroporto, quando ele a perseguia na esteira de bagagens. O homem era intolervel. O que teria acontecido para ele segui-la?
        Sabrina tinha sido muito clara sobre seus planos. Noah havia entendido que eles no o incluam. Como, ento, tinha vindo parar no avio, ou mesmo no saguo 
do aeroporto? Um outro calafrio lhe correu a espinha. Ele realmente tinha pensado que ela pretendia unir-se ao Clube de Milhagem com aquele calhorda.
        O casal em frente a ela saiu acompanhado de um mensageiro, e uma mulher bem arrumada em um uniforme preto a cumprimentou com um sorriso.
        - Posso ajud-la?
        Sabrina avanou e colocou as malas no azulejo espanhol.
        - Sim, eu gostaria de me registrar.
        - Certamente. Qual  o seu nome?
        Sabrina lhe disse e algumas batidas de teclado depois, a mulher meneou.
        - Aqui est, srta. Walker. Sua sada est marcada para tera-feira.
        - Perfeitamente. - Isso lhe daria um pouco mais de tempo para realizar sua misso.
        - Um momento, por favor. Deixe-me assegurar que seu quarto est pronto.
        Ao passo que a mulher debruava-se sobre o computador novamente, um homem jovem, tambm vestido em preto, uniu-se a ela atrs do guich. A expectativa iluminou 
o rosto dele quando seu olhar se dirigiu para alm de Sabrina. 
        - Ol, Sr. Perry.  bom t-lo de volta.
        Sabrina viu um homem de constituio mediana que separava vrias notas de uma grande pilha e as dava para um sorridente camareiro. Os olhos do camareiro 
se arregalaram e ele acenou em agradecimento. Enquanto ele correu para segurar a porta rotatria frontal, chaves  mo, o homem encaminhou-se para o guich, ao lado 
de Sabrina.
        Era bem apessoado e tinha em torno de quarenta e poucos anos. Vestia uma camisa de seda furta-cor, com calas verde-oliva que ecoavam o verde plido de seus 
olhos. O homem ps o brao em volta de uma mulher mais velha.
        Apesar da idade, ela possua um porte orgulhoso, os ombros retos, os seios mais que adequados enfrentavam a gravidade com ajuda de uma quantidade chocante 
de Lycra em estilo leopardo. Calas compridas pretas e longas moldavam seus quadris, enquanto um leno vermelho embrulhava-lhe os ombros. S o inconveniente grisalho 
de seu grande cabelo de rainha indicava a verdadeira idade.
        O Sr. Perry sorriu ao jovem homem, os cantos de seus olhos verdes apertaram.
        - Bom dia para voc, Andrew. Yvonne.
        Ele acenou com a cabea  mulher que ajudava Sabrina e ela lhe concedeu um sorriso luminoso.
        -  sempre um prazer t-lo conosco, Sr. Perry.
        - Decidi que minha querida me precisava de um repouso em suas guas curativas do Golfo, portanto eu a trouxe comigo desta vez.
        Ele apertou a me afetuosamente.
        - Ela anda abusando ultimamente, mas voc vai descansar este fim de semana, no vai, Rosie?
        Rosie deu uma risada grandiosa.
        - No se eu conseguir achar um cavalheiro forte para passar o tempo comigo. - Elevou a mo ossuda at as bochechas do filho para dar-lhe uns tapinhas. - 
No se preocupe, Bill, eu me divertirei sozinha.
        Sabrina riu junto com os outros. Que figura era essa Rosie. Sabrina sorriu quando Bill a pegou olhando e piscou para ela. E que filho para tratar a me com 
tamanho cuidado. Um homem de valores fortes. Talvez isso estivesse mais prximo do que Sabrina estava procurando.
        Olhou de relance a mo esquerda dele, ficando aliviada com seu estado civil. Se bem que Michael tambm no estava usando aliana.
        - Ns reservamos nosso ltimo quarto de frente para a praia. - A atendente interrompeu os pensamentos de Sabrina. - Estamos com uma multido para o fim de 
semana. - Ela deslizou um carto pelo balco.
        Enquanto a atendente dava as instrues para chegar ao quarto, Sabrina trocou olhares com Bill novamente e sorriu. Ele era, com certeza, bastante encantador, 
com um bronzeado que denunciava horas ao ar livre. Ainda assim, tinha o que ela descreveria como um " ar sbrio".
        O olhar dele a avaliou da cabea aos ps, ento para cima novamente.
        - Voc est no prdio novo. Eles estavam quase acabando quando estive aqui da ltima vez. Fiz uma excurso pessoal dos apartamentos centrais. So bem acabados 
em vinho e dourado, uma combinao notvel. Ela meneou.
        - Sim, eu soube que eles estavam reformando uma antiga ala, mas no venho aqui h algum tempo. - Ela balanou o carto. - Contato que eu possa acordar e 
ver o Golfo da minha janela; estou feliz.
        Sabrina agradeceu a atendente e afastou-se do balco, a mala na mo, a bolsa pendurada no ombro. Bill virou-se com ela.
        - No me diga que uma beleza como voc est viajando sozinha.
        - Foi uma viagem muito... improvisada.
        Rosie virou-se para Bill, entregando-lhe o carto que Andrew acabara de dar a ela.
        - Querido, v indo. Preciso falar com Andrew por um momento. Preciso ter certeza de que terei uma daquelas novas camas confortveis. Ele est verificando.
        - No se preocupe, vou esperar. - Ele murmurou em tom conspiratrio a Sabrina: - No h como prever em que tipo de problema ela se meter por conta prpria.
        Sabrina sorriu e levantou a mala. Nunca havia namorado um homem mais velho. Talvez ele tivesse mais ideia do que uma mulher realmente quer. Ela ousaria fazer 
um convite a ele na frente da me?
        - Bem, talvez eu esbarre em voc novamente. 
        O calor brilhou nos olhos dele.
        - Vou me esforar para garantir isso.
        Manteve os olhos nos dela por um breve momento antes de voltar sua ateno para Rosie, que havia descoberto outro assunto para discutir com Andrew.
        Sabrina andou em direo ao elevador, inspecionando a praia por uma ampla janela. Amantes do sol pontilhavam a areia branca. Se no fosse Bill, certamente 
outro pretendente satisfatrio a esperava ao longo da Costa do Golfo.
        Fortalecida com otimismo renovado, apertou o boto para o seu andar e tentou expulsar todos os pensamentos de Noah de sua mente.
        
        Noah piscou ao reflexo da luz do sol na gua azul esverdeada e na areia branca. Mesmo atravs dos culos escuros a praia brilhava. Inspirou o ar salgado 
e procurou por Sabrina na rea. A danada quase se livrou dele no aeroporto. No entanto, ele conseguiu se esquivar e a seguir at esse suntuoso resort em Destin, 
a oeste de Panam City.
        O sol refletiu no relgio quando ele foi conferir a hora. Sabrina tinha estado no quarto por quinze minutos. Se seu palpite estivesse certo, ela iria direto 
para a praia.
        Passou por um grupo de universitrios que jogavam voleibol e foi em direo a uma cadeira desocupada ao lado de um guarda-sol distante. Teria uma boa viso 
da praia daquele ponto, mas no ficaria muito  vista.
        Sabrina surgiu quando ele se sentou no assento de lona. Ele se agitou mais para a frente, a garganta apertando  medida que ela se encaminhava para um ponto 
perto dos jogadores de voleibol. Um biquni meia-taa azul luminoso envolvia seus lindos seios, enquanto uma canga florida abraava seus quadris. Ignorando os guarda-sis, 
ela abriu uma toalha multicolorida na areia, espalhando seus pertences pelas laterais, enquanto se debruava para endireitar os cantos.
        Quando ficou de p e deixou cair a Sanga, Noah foi atingido pelo calor. A cintura estreita, curvada at os quadris bem torneados, o longo contorno das pernas 
complementando o firme bumbum de Sabrina. Noah encravou os dedos no prprio brao, abafando a onda de possessividade que tomava conta dele. De alguma maneira, resistiu 
 tentao de pular em cima dela e cobri-la. Ela havia deixado claro que o trabalho dele tinha acabado e que ela no tinha nenhum servio futuro para ele.
        Alm isso, ainda no podia deixar Sabrina v-lo. Ela provavelmente se fecharia e ele poderia perd-la desta vez. Talvez se ele se mantivesse calmo, conseguisse 
bolar um plano.
        Noah respirou fundo e se forou a relaxar. Sabrina acomodou-se na toalha, com as pernas esticadas. Com movimentos leves, passou protetor solar na pele macia. 
Em pouco tempo, vrios jogadores de voleibol a rodearam.
        Noah esticou o pescoo quando um dos jovens espalhou loo nas mos e passou pelas costas de Sabrina. O rapaz era alto como o idiota do Michael, e duas vezes 
mais louro. Noah cravou os calcanhares na areia. O que ela tinha contra cabelos escuros?
        - Universitrios. - Uma voz ao lado assustou Noah. Ele moveu seu olhar de Sabrina. Um casal mais velho deixou-se cair na sombra feita pelo guarda-sol. O 
senhor cambaleou enquanto se recostava em uma das espreguiadeiras de lona.
        - Esto por toda parte. - Gesticulou em direo ao grupo em volta da rede de voleibol.
        - Pare de reclamar. - A mulher jogou uma toalha na cadeira adjacente. Ela piscou para Noah. -  como se ele no tivesse sido jovem um dia. Simplesmente no 
se lembra.
        O homem fez um som enfadado. Inclinou-se em direo a Noah. 
        - Ns nunca nos comportamos como esses jovens. 
        A mulher bufou.
        - Voc devia t-lo visto. No d para dizer olhando para ele agora, mas aquele jovem coro - acenou com a cabea em direo ao companheiro de Sabrina - no 
perderia em nada para meu Marvin. - Bateu levemente na mo do marido.
        Marvin grunhiu. Ele acenou na direo de Sabrina.
        -  como mel para as abelhas.
        Engolindo, Noah seguiu o olhar do homem. O "jovem coro" tinha terminado as costas de Sabrina. Moveu-se para a frente dela e alcanou o vidro de loo. Noah 
se rasgou de raiva. Onde ser que aquele garoto estava pensando que esfregaria Sabrina agora?
        Noah quase levantou da cadeira antes de Sabrina pegar o protetor de volta e acenar para o rapaz voltar para a rede onde seus amigos haviam retomado o jogo.
        - Sua chance  agora. - O senhor apontou o dedo enrugado para Sabrina. - V at l enquanto esto todos distrados.
        Noah encarou o homem duramente.
        - O que o faz pensar que estou interessado? Marvin cutucou a mulher com o cotovelo. Os dois se abriram em risadas de sabe-tudo. Noah fez cara feia.
        - Algumas pessoas so um pouco mais maduras. Algumas pessoas no precisam agir a qualquer impulso.
        Risadas repicaram do casal. Com um acenar de cabea para Sabrina, o senhor bateu no peito.
        - No sei quanto a voc, mas isso faz algo com meus impulsos.
        A mulher o fitou, olhos arregalados, ento esmurrou sonoramente o brao do homem. Noah voltou o olhar para Sabrina, repleto de medo.
        Sabrina estava deitada de bruos. Seu delicioso traseiro contraa enquanto ela soltava os ns da parte de cima do biquni. A garganta de Noah secou quando 
ela derrubou o fio, deixando as costas nuas ao sol. Engoliu em seco. Aquela extenso lisa de pele e os pensamentos dos seios de Sabrina livres incendiaram seus impulsos. 
Sua boca umedeceu ao lembrar-se do gosto dela.
        - Olhe para aquele pequeno anjo - disse a senhora a Marvin. - No lhe faz lembrar do nosso Justin, quando tinha aquela idade?
        Apesar de tudo, Noah levantou o olhar de Sabrina para olhar para onde a mulher de Marvin tinha indicado. Duas mulheres, carregadas com bias e sacolas de 
praia, marchavam ao lado de Sabrina. Atrs delas, uma criana vinha se arrastando, carregando um balde com gua que derramava pela borda.
        O menino se aproximou de Sabrina. Ele tropeou. O balde voou de suas pequenas mos. Noah prendeu a respirao. A gua derramou em cima de Sabrina. Ela guinchou 
e ficou prontamente de p.
        O jovem coro viking parou a meio passo, do outro lado da rede. Seu olhar se fixou em Sabrina. Seus olhos se arregalaram em apreciao. A bola de vlei voou 
por sobre a rede. Com uma alto paulada forte, ela bateu na cabea dele. O rapaz caiu na areia.
        Noah saltou de p. Meu bom Deus, ela o havia matado!
        - Oh, meu Deus! - Sabrina puxou a canga para cima e a enrolou no corpo para se cobrir.
        Seu olhar voou do pequeno garoto, que estava parado com a boca aberta, para seu novo amigo, Ben, deitado de cara na areia. 
        - Oh, meu Deus! - Horrizada, amarrou o cordo
        - Timmy, pea desculpas para a senhora. - Uma mulher queimada de sol empurrou o menino adiante.
        Sabrina ficou de frente para ela.
        - Est tudo bem. - Dispensou a mulher e a criana e foi tropeando pela multido que se juntava ao redor de Ben. Ele tinha sido to simptico passando o 
protetor solar nas costas dela. Um garoto to agradvel, estava terminando o primeiro ano na Universidade Estadual da Flrida.
        Bom Deus, por que ela tinha desamarrado a parte de cima do biquni? Uma pequena marca de bronzeado parecia to pouco agora. A multido dispersou. Ben continuava 
imvel, deitado. Ela estava com um n na garganta de medo.
        - Ele est respirando? - perguntou ela, com falta de esperana, a um colega de equipe dele.
        O jovem virou-se para ela.
        - Ele nunca perde um saque. O que pode ter acontecido?
        As bochechas de Sabrina queimaram. Ela abriu a boca.
        Ben gemeu e mexeu a cabea. Sabrina fez uma breve orao de agradecimento. Abaixou-se ao lado dele. Colocando o brao ao redor dele, ela o ajudou a sentar.
        - Pobrezinho. Voc est bem?
        Ele fez uma careta, tocando a tmpora de leve.
        com fora nas costas. O que tinha feito? Era s um garoto.
        - Minha cabea.
        - Eu sei. - Ela olhou em volta. - Voc precisa de gelo. Sua me est com voc?
        O queixo dele caiu.
        - Ela est em casa, em Freeport.
        - Oh. - Agora ela havia acrescentado um insulto ao dano. Devia ser sua primeira viagem por conta prpria. Ele era to jovem.
        - Voc tem seios bonitos.
        O calor aqueceu a face de Sabrina.
        - Sinto muito. No era minha inteno...
        - Preciso de uma aspirina. Pode me ajudar a ir at o meu quarto? - O olhar verde de Ben sondou o dela.
        Por alguns segundos, ela enrijeceu, mas ele gemeu novamente e afundou o rosto nela. Estava com dor e a culpa era dela. Alm do mais, apesar do tamanho, ele 
era visivelmente apenas um garoto.
        - Tudo bem. - Ela concordou com a cabea. Com a ajuda dos amigos de Ben, ela o colocou de p.
        - Aqui. - Um deles pegou seus pertences, o biquni errante inclusive, e os lanou na bolsa, escorregando a bolsa at o ombro de Sabrina.
        Com Ben apoiando pesadamente nela, Sabrina foi tropeando at o hotel. O ar interno causou arrepios ao longo da pele aquecida dela. Um cavalheiro mais velho 
segurou o elevador para eles.
        - Quatro. - Ben esticou-se para tocar o boto. Seu brao roou as pontas dos seios dela. Ela prendeu a respirao e chegou para trs, os mamilos formigando 
sob a malha fina.
        - Desculpe. - Ele olhou para ela com uma expresso de arrependimento.
        Ela acenou com a cabea, relaxando um pouco. Seguramente ele no quisera fazer nada. Obviamente ainda estava com dor. 
        - Talvez devssemos chamar um mdico para voc. Ben afastou a preocupao de Sabrina.
        - Estou bem. S preciso de umas duas aspirinas e deitar um pouco.
        Quando chegaram ao quarto dele, Ben afundou em uma das camas de casal.
        - Pode fechar as cortinas, por favor?
        - Claro. - Sabrina se apressou para atender, fechando a viso do sol e do mar. Voltou-se para ele. - Voc tem aspirina?
        Ele acenou para o banheiro.
        - No estojo preto de barbear perto da pia.
        Com um aceno, ela se apressou para pegar. Parou por um momento na porta do banheiro. Havia areia pelo cho. Barbeadores molhados, pequenos cales de banho 
e papel higinico cobriam a rea. Todos os universitrios eram bagunceiros assim?
        Sacudindo a cabea, ela alcanou a pequena bolsa preta perto da pia. Abriu o compartimento maior da bolsa e procurou dentro dela, apalpando at que seus 
dedos se fecharam no pequeno frasco. Aps encher um copo com gua, foi at o lado da cama, pisando em mais roupas pelo caminho.
        - Obrigado. - Ele sorriu debilmente e engoliu as plulas que ela lhe deu.
        - Bom menino. - Pegando o copo de gua, ela o colocou na mesa.
        O olhar de Ben firmou no trax dela.
        - Ento... posso v-los novamente?
        Sabrina piscou, sentindo-se repentinamente nua com a fina canga. Talvez ele no fosse, afinal, uma criana.
        - Por que no descansa? Quer um pouco de gelo?
        - Oh, querida, gelo no vai ajudar o que est me afligindo. Tudo que preciso  de voc, se aconchegando aqui ao meu lado. Voc  uma tortilla quente, Sabrina. 
Voc no gosta de mim? - Inclinou-se para a frente e pegou o brao dela.
        Sabrina fechou os olhos. Apesar de seus impressionantes peitorais e trax ondulado, Ben no poderia ter mais que 19 anos. E, apesar de sua constituio, 
no se comparava nem um pouco a Noah.
        A lembrana de beijar o trax de Noah - o trax de um homem - flutuava sobre Sabrina. O tato e o gosto da pele dele banharam-na, antes que ela despertasse, 
apagando a viso. No pensaria em Noah. E mesmo ele tendo aparecido naquele avio, ela definitivamente no teria um caso com ele.
        Olhou novamente para Ben. Ele olhava para ela com olhos luminosos, cheios de esperana. Como ela poderia dispens-lo to facilmente? No conseguia nem pensar 
em fazer amor com ele.
        - Olhe, Ben. Realmente voc  um sujeito agradvel.  tudo que uma menina poderia querer. Mas no estou confortvel com essa diferena de idade.
        Ele apoiou a cabea para trs e riu.
        - Eu estava com medo de que voc estivesse me achando repulsivo, ou algo do tipo. - Deslizou os braos ao redor dela, puxando-a para perto. - Acho que voc 
 sensual como o diabo para uma gatinha mais velha. Eu gosto que voc seja mais madura que as meninas que conheo.
        - Voc tem, pelo menos, 20 anos? A boca de Ben repuxou para um lado.
        - Quase. Mas a maioria das gatinhas pensa que sou mais velho. Voc sabe, eu tenho um bom fsico. Eu malho. - Ele baixou a voz at um rosnado sedutor. - Alm 
do mais, eu tenho a performance de um homem de 20 anos.
        Sabrina tirou gentilmente os braos dele da sua cintura.
        - Isso  muito bom. Voc parece bem agora. Sinto muito que tenha sido atingido por aquela bola, mas eu tenho de ir.
        - Ahh, por favooooor - implorou ele com olhos de filhote de cachorro.
        Ela foi andando, jogando a bolsa de praia no ombro.
        - Tenha um bom fim de semana, Ben. Foi bom conhecer voc. - Sentindo um pouco de contrariedade, ela partiu, fazendo o possvel para ignorar o grito de contestao 
dele enquanto fechava a porta.
        Noah apoiou-se na grade da varanda, olhando para baixo, para os ps, pendurados a quatro pavimentes do cho.
        - Cristo, como fui me meter nisto?
        A situao toda era engraada, na verdade. Talvez mais tarde ele fosse capaz de rir de sua corrida atrs de Sabrina e seu patife nrdico, depois quase quebrar 
a perna num castelinho de criana. Talvez um dia achasse divertida a ameaa do pai superprotetor de golpe-lo no cho. No momento, entretanto, Noah no estava rindo.
        Pelo menos tinha escapado a tempo de ouvir o nmero do andar do patife enquanto corria para o elevador. Aps subir as escadas correndo, ele irrompeu no andar, 
 medida que o ntimo casal desaparecia em um quarto no final do corredor. Por sorte, um carrinho de arrumadeira estava parado do lado de fora do quarto ao lado.
        Com toda pressa, ele entrou sorrateiramente pela porta aberta, passou pela arrumadeira agachada na banheira e saiu para a sacada. Com um movimento rpido 
e insensato, ele se viu agarrando a sacada vizinha. Com esforo, Noah jogou uma perna para cima por sobre a grade e puxou o corpo para o lado de dentro.
        - E agora?  
        Seria um fiasco se ele no pensasse rpido em um plano. A mulher acabaria com ele. Ajeitando os ombros, ele ficou na frente da porta da sacada e bateu.
        - Manuteno.
        A porta abriu. O patife louro olhou de soslaio para Noah.
        - Sou da manuteno do hotel... estamos verificando se todas as sadas externas esto em ordem.
        - Ela j foi, cara. 
        Noah relaxou.
        - Quer dizer que vocs dois no...
        - No, ela me dispensou. - Ben pressionou uma lata de cerveja gelada contra a cabea. - Ento, o qu... voc a est seguindo, ou algo do tipo?
        Noah piscou.
        - No. Eu no estou seguindo ningum. Ela ... uma amiga e eu estou somente vigiando-a, para o seu prprio bem.
        - Oh. - O garoto deu de ombros. - Eu vi voc l na praia, olhando para ela. Voc se destacava um pouco. Era o nico completamente vestido.
        Noah olhou para suas calas e camisa, as mesmas que havia usado ao levar Sabrina para jantar. Teria de comprar umas roupas em algum lugar. Franziu a testa 
ao olhar para as manchas de suor que s propagavam debaixo dos braos. 
        - No tive tempo de trocar de roupa.
        O garoto catou um par de shorts do cho, levou-os at o nariz e cheirou. 
        - Estes esto passveis se quiser emprestado. Voc vai se misturar melhor.
        - Ah, no, obrigado. Voc no saberia me dizer para onde ela foi, saberia?
        - Neste ponto no posso ajudar.
        Noah sacudiu a cabea e fez um gesto em direo ao quarto.
        - Voc se importaria se eu cortasse caminho? Com um aceno de mo, o garoto chegou para trs.
        - Por favor. Sabe, da prxima vez, pode tentar essa histria de manuteno pela porta da frente.
        Noah o encarou com consternao.
        - Certo. Obrigado. - Cruzou o quarto e j estava com a mo na maaneta quando o garoto o chamou.
        - Boa sorte com Sabrina. Voc pode se dar bem. Ela parece gostar de caras mais velhos.
        Noah apertou os olhos bem fechados. Tinha se dado muito bem.
        - Eu s estou aqui para cuidar dela. 
        O garoto teve coragem de rir.
        - Certo, cara, se voc diz.
        Franzindo as sobrancelhas, Noah saiu do quarto. Por que ele se preocuparia com o que aquele garoto idiota pensava? Seu nico interesse em Sabrina era colocar 
um pouco de juzo em sua cabea, depois coloc-la no prximo avio para casa. Cara mais velho, realmente!
        
        Um doce prazer disparou por ela. Balanou os quadris enquanto empurrava seu corpo fortemente contra o dele. Sua respirao parou. Seu mundo estilhaou. Ela 
gritou.
        Quando se acalmou, ela ergueu a face dele para contemplar carinhosamente o homem que lhe concedeu tal xtase. Noah sorriu para ela, os olhos escuros cheios 
de gua. "Eu preciso de voc, Sabrina. Sempre."
        Sabrina gemeu e rolou para o lado. Ela estremeceu. Abrindo os olhos, contemplou o travesseiro vazio ao seu lado. Noah. Diabo de homem. Ele tinha de se insinuar 
em todo lugar?
        Esmurrou o travesseiro. Eu no acredito no amor, Sabrina. Mesmo em sonho ele s falava de sua necessidade por ela. Tinha de esquec-lo. Se pudesse ao menos 
seguir com essa histria de ter um caso, poderia deixar de ter essas fantasias ridculas sobre esse homem.
        Uma olhada rpida no relgio mostrou a Sabrina que ainda havia bastante tempo para tomar um banho e se aprontar antes que a happy hour comeasse no bar da 
piscina. Depois da horrvel experincia com Ben, estava louca por um cochilo. O que no era muito surpreendente, j que quase no dormira na noite anterior.
        Depois de um rpido banho, Sabrina colocou um vestido de vero verde-claro. Ela o havia comprado na sua farra de compras com Bess. Quando rodopiou na frente 
do espelho e viu as costas nuas e o comprimento de pernas  mostra abaixo da curta linha da bainha, sua pele se aqueceu. Com um sorriso de satisfao, ela se dirigiu 
ao bar.
        O sol de fim de tarde pairava por detrs de um solitrio conjunto de nuvens. Uma gaivota guinchava acima. Sabrina sentou-se em um banco de canto e sorriu 
quando uma brisa morna soprou sobre ela.
        - O que vai beber, linda moa? - O garom limpou o balco em frente a ela.   
        - Frozen margarita.
        -  para j. - ele saiu para cuidar do pedido dela, e ela olhou ao redor, para outros clientes.
        Um homem e uma mulher sentados em um canto, tomando um drinque com enfeites de guarda-chuva. Um casal de jovens, provavelmente em lua-de-mel, sentados, abraados, 
e um grupo de universitrios ao redor de uma mesa distante. Sabrina prendeu o flego e procurou por Ben no meio deles. Para seu alvio, nenhum deles lhe parecia 
familiar.
        Ela realmente precisava encontrar algum mais velho - algum que no tivesse mulher e filhos em casa. Algum por quem ela pudesse se apaixonar.
        O garom colocou a bebida na frente de Sabrina.
        - Aqui est, senhorita.
        - Obrigada. - Ela alcanou a bolsa.
        - Por favor, permita-me. - O homem que havia se registrado no hotel ao mesmo tempo em que ela sentou em um banco  direita de Sabrina.
        Ela retribuiu o sorriso.
        - S se voc no for casado. No tenho absolutamente nenhuma utilidade para homens casados neste fim de semana.
        As sobrancelhas grossas do homem arquearam. Ele riu.
        - Temo que eu tenha tentado isso uma vez... e uma vez j foi muito. Alm disso, sou muito ocupado para manter uma esposa.
        Ela sorriu e ele se virou para o garom.
        - Ponha isso na minha conta, Mark, e pegue outro para mim, se puder ser to gentil.
        - Nenhum problema, Sr. Perry. J estou trazendo. - Com uma saudao rpida, o garom os deixou.
        - Ento - Bill virou-se para Sabrina -, voc tem averso a homens casados?
        Ela tomou um gole da bebida, saboreando o frio penetrante que deslizava pela garganta.
        - Vamos dizer que eles no so adequados ao meu plano.
        - timo, eu tambm no gosto de vagabundos. - Ele estendeu a mo para ela. - Bill Perry,  sua disposio. Sinto muito por no ter tido a chance de me apresentar 
mais cedo. Rosie  um pouco difcil. Eu esperava poder encontr-la aqui, entretanto.
        Ela colocou a mo sobre a dele.
        - Sabrina Walker. Eu acho maravilhoso como voc cuida de sua me.
        Ele apertou a mo dela entre as dele.
        - Ela me ensinou tudo o que sei. - Uma leve olhada no relgio fez com que suas sobrancelhas se juntassem. - Ela deve me encontrar aqui. Gostaria de apresent-la.
        Sabrina sorriu. Um homem to atencioso e carinhoso era raro de encontrar hoje em dia.
        - Eu adoraria conhec-la. Ento, o que voc faz para no ter tempo para uma esposa?
        - Sou produtor.
        - A est voc. - A me de Bill, Rosie, com o cabelo to grande quanto antes, entrou no bar.
        A mulher sabia como fazer uma entrada. Tinha trocado a blusa de leopardo e as calas pretas por um vestido de zebra com uma fenda de cada lado, revelando 
uma quantidade chocante de pernas. Entretanto, essas pernas continham fascnio suficiente para atrair os olhares boquiabertos da distante mesa dos universitrios.
        - Ah, me. - Bill levantou-se para cumpriment-la, beijando-a levemente nas bophechas. 
        Ele fez um gesto para Sabrina que se levantou do banco e parou a seu lado.       
        - Deixe-me apresentar  amvel Sabrina Walker. Sabrina, Rosalie Perry, a me mais encorajadora que qualquer um poderia querer.
        - O prazer  meu. - Sabrina sorriu, pegando a mo da mulher.
        O aperto de Rosie era surpreendentemente forte. Ela devia ter cerca de 60 ou 70 anos, mas tinha a imagem de uma mulher muito mais nova.
        Pequenos ps-de-galinha se formaram nos cantos dos olhos de Rosie quando ela sorriu para Sabrina. Tinha caractersticas notveis, porm a tenso lisa de 
sua pele indicava uma cirurgia plstica.
        - Agora, no precisa se preocupar, querida. Eu posso atestar pelo meu Bill. Ele  um bom homem. Um profissional.
        - Rosie  minha maior f, assim como uma de minhas principais conselheiras. Se eu tiver um problema, ela est l para me ajudar a solucion-lo.
        Rosie sacudiu a mo cheia de anis no ar.
        - Comecei nesse negcio muito antes de voc nascer. - Ela piscou para Sabrina. - Sei de tudo que est por dentro e por fora.
        Ela olhou para Bill e ambos gargalharam largamente.
        - Voc ouviu isso, filho? Tudo que est por dentro e por fora!
        Tiveram um pequeno acesso de riso enquanto Sabrina olhava de um para o outro. Com um suspiro, ela esperou que se recuperassem. Talvez ento eles a deixassem 
por dentro da pequena piada.
        Bill segurou o cotovelo da me, ainda sorrindo amplamente.
        - Vamos encontrar uma mesa. Sabrina, voc vir conosco?
        - Sim, eu gostaria. - Eu acho. Pegou sua bebida e a que o garom havia trazido para Bill. Manobrando por entre outras mesas, se apressou atrs deles.
        Bill puxou a cadeira para a me enquanto Sabrina colocava as bebidas sobre a mesa. Ele moveu-se at a cadeira de Sabrina e puxou-a para ela.
        - Obrigada.
        - O prazer  todo meu. - Sentou-se ao lado dela e Sabrina ficou entre me e filho. - Sabrina, um nome to encantador. Ento, como uma beleza como voc est 
sozinha aqui? Est esperando um jovem coro?
        - De fato, j tive minha cota de jovens. Estava esperando achar algum mais maduro.
        Rosie acenou com a cabea em sinal de aprovao. Uma luz de entendimento brilhou nos olhos de Bill. Ele apertou a mo dela.
        - Ahh... est procurando um homem que tenha um pouco de experincia?
        - Definitivamente, experincia  uma vantagem.
        - Sou um homem de experincia variada.
        - Oh, sim. - Rosie apoiou adiante. - Bill  absolutamente o melhor no que ele faz.
        Sabrina teve de admirar o entusiasmo da mulher.
        - Certo, voc  um produtor. O que voc produz?
        - Filmes. - Ele tomou um gole da bebida, pensativo.
        - Ele  o melhor na indstria,, Um vencedor de prmios, meu Bill. 
        - Deixe-me perguntar algo, Sabrina. - Os olhos de Bill brilharam com intensidade. - Voc gosta de variedade? Gosta de tentar coisas diferentes?
        Ela prendeu a respirao. 
        - Sim, acredito que esta viagem inteira  sobre experimentar o novo e desconhecido.
        Um amplo sorriso iluminou a face de Bill. Ele bateu levemente na mo dela.
        - Sim. Eu soube quando a vi que voc tem um corao aventureiro.
        - Voc sabe escolh-las, filho.
        Sabrina correu o dedo ao longo do sal que cobria a borda de seu copo.
        - Acredito que aventura pode ser exatamente o que eu quero.
        Bill soltou um pequeno som de excitao.
        - Tenho procurado justamente uma mulher assim, algum que ouse deixar o caminho conhecido, que faa suas prprias regras, sem se preocupar com o que a sociedade 
impe.
        Ela riu.
        - Acredite, eu definitivamente no tenho andado pelo caminho conhecido.
        Ele e Rosie compartilharam um olhar de quem entende. Sabrina se endireitou, sentindo-se um pouco consciente de si mesma. Eles teriam adivinhado que ela falava 
de seu longo tempo como virgem?
        A garonete, uma mulher jovem bronzeada e com cabelos descoloridos, chegou  mesa deles. Enquanto anotava o pedido de bebida de Rosie, Bill inclinou-se mais 
para perto de Sabrina. Segurou sua mo e esfregou o dedo polegar ao longo da palma da mo dela, enquanto perguntava em voz baixa:
        - E esse desejo de trilhar o caminho desconhecido aplica-se a todas as reas de sua vida?
        O olhar dela vagueou sobre ele. Poderia realmente fazer isso com ele? Lambeu o sal do dedo e tomou um trago longo da bebida. Com um relance rpido, verificou 
se Rosie ainda estava ocupada com a garonete e perguntou:
        - Voc quer dizer sexualmente? 
        O olhar dele foi at os lbios dela.
        - Voc  uma mulher sensual. S espero que esse esprito aventureiro a acompanhe no quarto.
        Ela engoliu em seco e fechou os olhos. A noite anterior certamente poderia ser qualificada como aventureira. Ela mudou de posio, ainda sentindo dor nos 
msculos.
        - Suponho que voc possa dizer que minha experincia sexual se qualifica como incomum.
        Ele chegou mais perto, a boca pairando prximo  orelha dela.
        - Entendo completamente. No se preocupe, vou tomar conta de voc direitinho.
        - Voc vai? - Surpresa e alvio fluram por ela. No sabia como mostrar a seu potencial companheiro toda sua falta de experincia. Bill tinha feito isso 
ficar to fcil.
        - Ela  adorvel. - Rosie bateu levemente na mo de Sabrina. - Voc lhe perguntou sobre amanh?
        - Ainda no. - Ele ofuscou Sabrina com um sorriso arrependido. - Pensei que chegaramos a esse assunto.
        - O que acontecer amanh?
        Bill esfregou as mos, a excitao revirando seus olhos.
        - Estamos comeando uma nova filmagem. Voc gostaria de vir? 
        Rosie riu enquanto pegava a bebida de Bill.
        - Sim, querida, venha. Gostaramos de lhe mostrar tudo que est por dentro e por fora do negcio.
        Os cantos da boca de Bill se contraram, at que ele estava sorrindo amplamente.
        - Sim, Sabrina, eu realmente gostaria que voc viesse.
        Uma risada borbulhou da garganta de Rosie.
        - Vir  opcional, mas certamente animado. 
        Sabrina encarou a mulher. Ser que Rosie teria alguns parafusos soltos?
        Ainda sorrindo, Bill pegou a mo de Sabrina.
        - Voc  uma mulher notvel. - Seu olhar a varreu da cabea aos ps. - Ser um acrscimo excitante ao nosso projeto. Eu poderia trein-la. Tenho o pressentimento 
de que voc tem um dom natural.
        Uma sensao de apreenso pairou sobre Sabrina. Acrscimo ao projeto deles?
        - Desculpe, no tenho certeza se entendi. O que  exatamente esse projeto? No tenho nenhuma experincia com atuao, se  isso que voc est pensando.
        Rosie se inclinou para a frente.
        - A maioria das pessoas no acha necessrio ter experincia. O trabalho do meu Bill pode exigir um pouco mais dos atores envolvidos, mas, no seu caso, ser 
voc mesma deve dar certo. - Outra gargalhada escapou dela. - Ah, dar certo. Eu acabo comigo mesma.
        Ela se recostou na cadeira.
        - Srio, ele  famoso pela profundidade de enredo em seus projetos. Um grande feito naquela rea.  
        O trax de Bill inchou.
        - Sim, bem, penso que vale a pena empregar o intelecto tanto quanto a libido, se possvel.
        Dar certo? Libido? Sabrina moveu-se no assento, o olhar alternando de Bill a Rosie. Sobre o que eles estavam falando?
        - No seja modesto. Ele tambm  conhecido pelos inovadores ngulos de cmera que usa. Faz o espectador sentir-se como se estivesse presente.
        O nvel sonoro no bar aumentou alguns decibis quando dois homens vestidos de calo de banho e uma mulher de cabelos escuros vestida no menor maio que Sabrina 
j havia visto entraram. Os trs riam e falavam com muita animao, quando duas outras mulheres de biquni e um terceiro homem se juntaram a eles. Era o grupo mais 
atraente e sensual que Sabrina j tinha visto. Para sua surpresa, eles se dirigiam para a mesa em que ela estava.
        Rosie brilhou.
        - Oh, que timo, parece que voc vai conhecer o elenco.
        - Boa tarde a todos. - Bill os cumprimentou. Pegou Sabrina pela mo. - Esta  Sabrina. Ela no  estonteante?
        O calor subiu pelo pescoo de Sabrina  medida que vrios deles se aglomeravam ao redor dela. Estonteante? Todos tinham corpos esculturais e bronzeados profundos, 
com sorrisos deslumbrantes. As trs mulheres tinham seios do tamanho de meles maduros.
        Sabrina sentiu-se uma caipira deselegante. O que ser que Bill produzia? Esse grupo no parecia atuar em um documentrio. Um sentimento de inquietao passou 
por ela.
        Uma das mulheres de biquni se agachou ao lado da cadeira de Sabrina. Os seios de melo apertaram-se contra o descanso de brao. 
        - Oi, Sabrina! Sou Tabby. -ergueu uma mecha do cabelo de Sabrina. - Bonito.
        Sabrina piscou e ficou inquieta. O olhar de Tabby se fixou no dela.
        - Voc vai nos acompanhar na filmagem? Bill disse que estava procurando outra menina.
        - Bem, eu...
        - Ela  uma gata. - O homem louro agarrou a mo de Sabrina e a sacudiu com um tremor amvel usando suas grandes patas. - Sou Clarence - disse, piscando para 
ela -, mas todos me chamam de Thor. - Ele acariciou o brao de Sabrina. - Eu gosto de rugir - acrescentou, enigmaticamente.
        Sabrina forou um sorriso e puxou o brao de volta. Eles certamente eram um grupo e tanto.
        -  um prazer, Thor.
        - Sim, ser. - O olhar dele a varreu da cabea aos ps, demorando no caminho.
        Sabrina olhou de relance para Bill. Ele estaria com cimes do flerte bvio do ator? Ele sorria amplamente enquanto gesticulava a uma das outras mulheres.
        - Esta  Ginger.
        Ginger inclinou-se para frente, os seios rechonchudos mal cabendo em seu pequeno top. Sabrina endireitou-se, tentando no se sentir inadequada. Ela meneou 
para a moa de cabelos escuros.
        Olhando com esforo atravs de seus caros culos de sol, Ginger nivelou seu olhar agudo ao de Sabrina.
        - Espero que no se importe por termos vindo direto da praia. Estou poupando energia hoje. Esse tipo de trabalho exige tudo de mim.
        - Claro que no. - Sabrina sorriu firmemente.
        Bill tocou seu cotovelo, desviando a ateno dela aos outros.
        - Estamos sem o George aqui, meu diretor, mas este  o Frank, nosso operador de cmera nmero um, e Mojo e Priss.
        Frank lhe dirigiu um aceno com dois dedos. Mojo acenou com a cabea e deslizou a mo ao longo da coxa de Priss. Ela acenou e se inclinou para ele. Segurou 
seu rosto e pressionou a boca contra a dele. Com um gemido, ele a virou dando-lhe um abrao mais completo, sem quebrar o beijo. Priss contorceu-se e passou largamente 
os dedos dela pelo trax nu de Mojo, enquanto o beijava com tudo que tinha.
        Bill riu ao lado de Sabrina.
        - No  preciso de muito para esses dois comearem. 
        Com alguma dificuldade, Sabrina limpou a garganta.
        - Voc no disse. O que  a filmagem de amanh?
        - Ns amos chamar de Raposas Vikings, mas os capacetes com chifre esto sendo uma dificuldade.
        - Eu o adverti quanto a isso - Rosie sacudiu o dedo em riste.
        - Sim, voc me advertiu, mas eu gostei da histria dos escravos sexuais, ento ns a mantivemos, fizemos uns pequenos ajustes no roteiro e adquirimos novas 
fantasias. Estou bastante entusiasmado. Contudo, ainda no estamos certos sobre o ttulo.
        Sabrina encheu-se de horror enquanto seu olhar arregalado se alternava novamente entre Bill e sua me, depois pelo grupo que os rodeava estavam filmando 
um filme porn e esperavam que ela se juntasse a eles!
        - Deve haver algum engano. - Ela virou para Bill. - Eu no tinha ideia... quer dizer, voc estava l com sua doce me... eu no sabia.
        As sobrancelhas de Bill arquearam.
        - De fato, Rosie  uma de minhas maiores financiadoras.
        Rosie sacudiu a cabea enquanto enrugava os lbios em decepo.
        - Ela parecia o tipo aventureiro.
        Ele virou os olhos preocupados para Sabrina.
        - Sim, e o que voc falou sobre sua necessidade de aventura... experimentar o novo e desconhecido... ousar quebrar as convenes?
        Sabrina sentiu-se esquentar at as razes do cabelo. Tinha dito que no vinha seguindo o caminho convencional, mas como eles podiam ter pensado que ela queria 
dizer isso?
        - Eu sinto muito. Isso tudo  um mal-entendido. Acredite, nunca fiz isso antes.
        - Ahhh! - Os olhos de Bill se iluminaram com entendimento. - Voc est nervosa por causa da cmera.
        - Voc  virgem de vdeo? - Tabby se ajeitou, a esperana vislumbrando nos olhos.
        Sabrina baqueou para trs na cadeira. A humilhao percorreu seu corpo. Como havia se metido nisso? Apertou os olhos bem fechados.
        - Algo assim.
        Rosie se inclinou sobre a mesa.
        - Sei exatamente como voc se sente. Tabby pode te guiar, ou pode ser Thor, ou Mojo... ou Thor e Mojo.
        Sabrina ficou de p.
        - No!
        Tabby ainda tentou.
        - Priss?
        Sabrina mordeu o lbio e sacudiu a cabea.
        - Tem certeza? - Bill franziu a sobrancelha. Desviando o olhar, Sabrina acenou com a cabea, vigorosamente.
        Quando ousou olhar, Bill estava com uma expresso de pura angstia.
        - Estraguei tudo. Imaginei que pensvamos da mesma forma.
        Ela sufocou a prpria raiva. No dissera que estava  procura de aventura?
        - No  culpa sua. Eu vim aqui procurando excitao. 
        Bill inclinou-se em direo a Sabrina.
        - Se Raposas Vikings no  o seu tipo de excitao, podemos consertar isso. Diga-me o que quer, Sabrina. Estamos no ramo de criar fantasias. Qual o seu desejo 
mais profundo?
        Ela tomou um flego longo e expirou. Desejo. O que ela conhecia sobre desejo? Uma dor aguda a atravessou. Ela suspirou.
        - Quero um homem que se preocupe comigo, que ponha minhas necessidades acima das dele, que queira me fazer feliz.
        Rosie acenou com a cabea.
        - Voc quer amor.
        Amor? Ela balanou a cabea. No tinha mudado de ideia sobre isso? Estava ficando muito velha para esperar algo to evasivo. 
        - Eu me contentaria com ateno.
        Novamente, Bill concordou com cabea. Olhou alm dela. 
        - Eu diria que um homem que vem ao salvamento de uma mulher  do tipo atencioso.
        Sabrina observou atentamente em volta de Tabby e viu um homem de cabelos escuros vindo na direo deles pelo bar. Seu corao disparou.
        Ela apertou a mo contra o trax, enquanto uma onda de surpresa e alvio a varria.
        - Noah.
        
      
Captulo Sete
        
        
        Ele tinha vindo, socorr-la. Sabrina sorriu e se aproximou de Noah a medida que o elevador lotado os levava para cima e para longe do bar da piscina. Ela 
inalou seu odor, um pouco de ar marinho misturado com sua essncia natural.
        O elevador parou e a maioria dos ocupantes saiu em um dos andares. Uma maravilhosa alegria tomou conta dela.
        Por que no vira isso? Noah se preocupava com ela. Tinha de se preocupar. Por que outra razo ele a teria seguido nesta viagem, chegando como um cavaleiro 
para salv-la da dificuldade mortificante em que ela entrara h pouco? Esse cavalheirismo explicava tudo. Que boba tinha sido, tinha deixado que ele pensasse que 
ela no estava interessada. No tinha sonhado com a admirao nos olhos dele quando fizeram amor. Ele tambm tinha sentido isso. Sim, Noah era um cavalheiro gentil, 
pronto para proteg-la. Claro que ele se preocupava.
        Qual o seu desejo mais profundo? A pergunta de Bill lhe veio  memria, junto com a resposta. Ela queria Noah. Queria explorar cada centmetro divino dele, 
tocar, sentir o gosto e se esbaldar. Queria repetir a sensao dele a preenchendo, fazendo amor selvagem com ela.
        O elevador parou novamente. Alguns passageiros esbarraram em Sabrina para, sair e ela usou isso como uma desculpa para se apertar contra ele. O brao dele 
veio ao redor dela, e Noah a segurou perto, mesmo aps o ltimo passageiro sair, deixando-o a ss. Ela aplainou a palma dela contra o msculo delgado do abdmen 
dele. Sentiu, mais do que ouviu, o gemido lnguido dele.
        A satisfao ondulou por ela. Uma fantasia descarada de fazer amor com ele no elevador passou pela mente de Sabrina, mas ela acalmou o impulso para explorar 
mais com as mos. O tempo para o sexo viria depois. Ela faria desta uma seduo lenta.
        - Obrigada por me tirar de l. Eu me coloquei numa enrascada ali. - Inclinou a cabea para v-lo melhor.
        Um tremor o percorreu.
        - O garom disse que o sujeito gerencia um barco de prazer onde faz audies para supostas atrizes. E se ele a tivesse levado para l? Como eu a teria encontrado?
        - Oh, voc teria. De alguma maneira, voc teria vindo me salvar. Eu sei disso.
        Os msculos da mandbula de Noah se contraram.
        - Pelo menos voc ter o bom senso de jantar no quarto hoje. Preciso de um descanso da funo de afastar potenciais pretendentes.
        - Voc ficar comigo, no ? 
        Noah deu uma bufada.
        - Assim vai ser mais fcil manter o olho em voc. Ela sorriu enquanto um plano se formava em sua cabea. At o cair da noite, Noah seria dela.
        Sabrina atendeu o telefone e virou para olhar Noah. Ele estava parado alm da porta aberta da sacada, admirando o Golfo a partir do timo ponto que Sabrina 
tinha no stimo andar. O sol tinha imergido no horizonte e tons espetaculares de laranja e vermelho tingiam o cu azulado. Uma msica calma no ptio flutuava at 
eles.
        Sorrindo, ela se uniu a ele na grade da sacada.
        - A comida estar aqui em aproximadamente trinta minutos.
        Ele acenou com a cabea, o olhar firmado no horizonte.
        - Que lindo.
        Ele no respondeu. Seus ombros tremeram quando ele expirou intensamente.
        Movendo-se para trs dele, ela alcanou seus ombros.
        - Voc est to tenso. Afinal, ele virou para ela.
        - E como esperava que eu estivesse? - Ele gesticulou de modo selvagem com os braos. - Persegui voc o dia todo, repelindo todo sujeito disponvel que chamasse 
sua ateno. - As sobrancelhas dele arquearam. - Eu... defendendo a virtude de uma mulher. E uma que no quer ser defendida.
        - Mas eu agradeo seus esforos, Noah. Honestamente, eu agradeo. - Fechou os olhos e deixou o fluxo da msica vinda do ptio lhe envolver. Lentamente, mexeu 
os quadris, balanando ao som das notas suaves.
        - O que est fazendo?
        Ela abriu os olhos enquanto seu corpo entrava em uma batida sensual.
        - Estou lhe agradecendo.
        Ele levantou as mos, como se fosse afast-la.
        - Voc no tem de me agradecer. No me pediu que fizesse nada disso. 
        Ela se moveu e o tecido do vestido esbarrou em seus mamilos, acariciando-os com o movimento.
        - Mmm.... certo, ento eu o estou seduzindo. Ele emitiu um som sufocado.
        - Pensei que no fssemos ter um caso.
        Incapaz de resistir  sensao, ela pegou os prprios seios e apertou, perdida no fascnio da prpria dana.
        - No. No um caso - disse ela, delirantemente, enquanto imaginava as mos de Noah na sua pele.
        - Mas, Sabrina, se voc no parar, ns vamos terminar naquela cama. - Ele apontou para o quarto dela.
        Contemplando Noah, ela acariciou seu prprio corpo, indo at as coxas e de volta aos seios.
        - Se no me tocar logo, eu morrerei por negligncia. 
        Com uma blasfmia sufocada, ele a pegou nos braos.
        - Voc  uma mulher muito frustrante.
        Eles caram sobre a cama, os lbios de Noah caindo sobre os dela, a lngua dele faminta. Enquanto ele vasculhava a boca de Sabrina, as mos vagavam por todo 
o corpo dela. Parecia que a tocava em todos os lugares: nos quadris, nas costas, nos seios.
        Oh, a magia que dos dedos dele faziam nos seios dela! Tocando-a pelo tecido fino, ele apertava seus mamilos entre os dedos, enviando ondas de calor diretamente 
ao mago dela. Sabrina moveu-se em direo a ele, puxando a camisa do cs da cala, para poder deslizar mais abaixo e o provocar tambm.
        Os dedos dele passearam pelo pescoo dela, atrapalhando-se com o fecho do vestido na nuca. Ela abriu rapidamente os botes pequenos para ele. O vestido caiu 
e ficou preso  cintura dela, desnudando os seios. Os olhares se cruzaram por um caloroso momento, ento ele curvou a cabea e colocou uma extremidade rsea na boca.
        Ela gemeu com o prazer arrebatador que ele lhe dava, enquanto a umidade se formava entre suas pernas.
        - Isto ... to bom. 
        Excitando-a com golpes enrgicos, ele deslizou a mo pela coxa dela. A calcinha demonstrou-se uma barreira inadequada quando ele deslizou os dedos sob o 
elstico, desobstruindo a entrada dela.
        - Eu adoro como voc fica toda molhada para mim. Noah beijou-a novamente, os dedos imitando a dana da lngua enquanto a acariciava intimamente, mergulhando 
nas profundidades de Sabrina e retirando os dedos inmeras vezes. As sensaes aumentavam dentro dela desta vez, formando uma espiral mais e mais apertada.
        - Eu quero estar dentro de voc.
        - Sim... sim. - Juntos, retiraram rapidamente a calcinha dela.
        Sabrina alcanou o cs da cala dele, mas Noah afastou as mos dela.
        - Numa prxima vez, amor, eu deixo que voc me dispa. Agora, no posso esperar.
        Para seu prprio assombro, ela se lembrou do preservativo.
        - Aqui. - Ela rolou para o lado, agarrou a bolsa na mesa-de-cabeceira, grata por estar to perto, e tirou um dos pacotes quadrados.
        Jogando-se para trs na cama, ela tentou respirar e acalmar o corao que batia forte. Seus mamilos formigavam. O sangue pulsava pelo sexo. Ela quase gritou 
quando Noah a tocou novamente naquele lugar.
        Ele a cobriu, sua boca conectada  dela, enquanto deslizava para dentro de Sabrirt em- um golpe longo. Com movimentos calmos e controlados, ele a montou, 
entrando fundo na intimidade dela, e saindo quase completamente antes de golpear novamente.
        - Sim... Sabrina... Oh, Deus...
        O desejo a consumiu. Sua vida inteira girara para ela chegar aqui, neste momento nico, com este homem nico e as sensaes que ele provocava nela. Seu corao 
inflou com a magia que ele proporcionava, levando seu corpo a um momento bom, at que a tenso quebrou e ela se contraiu em torno dele, presa nas profundidades de 
um orgasmo poderoso.
        Um gemido baixo separou os lbios dele e Noah estremeceu contra o corpo de Sabrina, dentro dela. Seus braos se apertaram fortemente ao redor dela e ele 
desmoronou, rolando para o lado com ela presa no abrao ntimo.
        Ela se abraou a ele, o corao de Noah batendo contra a orelha de Sabrina. Noah, seu gentil cavaleiro. O amante de seus sonhos. Sentiu-se confiante por 
afet-lo daquela forma.
        Olhando para baixo, ela riu da confuso que haviam feito. Seu vestido torcido e engruvinhado na cintura. Ele ainda vestido, com exceo da cala e da cueca 
que estavam na metade do caminho logo abaixo de suas ndegas finamente curvadas.
        - Hum, ns vamos ter de fazer melhor que isso. - Ela puxou a camisa dele.
        A boca sensual de Noah encurvou em um sorriso.
        - Sinto muito. A culpa  sua por me deixar to excitado.
        Ele agarrou a camisa, mas ela o parou.
        - Ainda no.
        Uma batida  porta e uma voz amortecida anunciaram que o servio de quarto havia chegado. Ela puxou o vestido para cima e apontou para que ele fosse at 
a porta.
        - Coloque sua cala, e atenda a porta. Quero o jantar na cama.
        Ela ficou de joelhos, rodando o vestido para a posio certa, enquanto Noah ia em direo  porta.
        - Depois eu vou despi-lo, como voc prometeu. 
        Ele sorriu para ela.
        - Qualquer coisa que voc quiser, querida. Qualquer coisa.
        
        Algo luminoso contra as plpebras arrancou Sabrina de seu sono. Bocejando, ela espreguiou lentamente. A luz do sol adentrava pelas cortinas abertas. Um 
peso na sua cintura e um calor s costas lhe trouxeram a memria. Suas bochechas ruborizaram quando rolou cuidadosamente para o outro lado.
        Noah resmungou algo em seu sono e apertou mais o abrao. Sua ereo parcial pressionada contra a coxa dela. Sabrina sorriu sozinha. O homem no parava. Parecia 
que estava gozando novamente nos sonhos.
        Ela fechou os olhos enquanto os detalhes da noite anterior rodopiavam em sua mente. Ficou envergonhada.
        Como podia agir assim de modo to descarado, to diferente dela mesma quando estava com ele? Era como se ele fosse algum tipo de droga que a fazia agir e 
falar de um modo que ela s ousaria sonhar na-vida cotidiana. 
        Agora,  luz do dia, suas aes haviam terminado. Perdera a virgindade para o melhor amigo de seu irmo, um conhecido e admitido mulherengo perito  em satisfazer 
mulheres, um homem que por alguma razo fazia brotar profundas emoes nela, emoes que a preenchiam agora, enquanto ela cedia  necessidade de toc-lo e acariciar 
ligeiramente seu queixo.
        Ser que tinha se sentido to aliviada em v-lo na noite anterior que racionalizara toda essa teoria de cavalheirismo para se permitir uma outra noite de 
xtase nos braos de Noah? Tola! As emoes com as quais tinha acordado no dia seguinte a seu aniversrio se aglomeravam dentro dela com o dobro de intensidade, 
sufocando-a. Tinha ignorado a advertncia estridente de seu crebro e deixado seu corpo conduzi-la.
        E todos esses sentimentos estavam de volta.
        Por que tinha se deixado acreditar que ele a queria? Ser que estava to sozinha, to desesperada que chegou a pensar que suas fantasias eram reais?
        - O que faz voc parecer to sria esta manh?
        O corao dela bateu forte. Ele a contemplou, os olhos escuros e sonhadores. Ela forou um sorriso enquanto a ereo de Noah pressionava contra ela.
        - Estava imaginando se voc acordaria em algum momento.
        Ele pousou a palma da mo no seio dela.
        - Eu estava sonhando com voc. Com isso aqui. - Ele a acariciou suavemente.
        Ela engoliu em seco. No poderia fazer amor com ele agora, no quando se sentia to vulnervel; suas emoes  flor da pele.
        De alguma forma, conseguiu dar outro sorriso. Afastou-se para longe dele, embrulhando o corpo no lenol, enquanto tentava ficar de p.
        - No podemos passar o dia inteiro na cama. Est lindo l fora. A praia est esperando.
        As sobrancelhas dele arquearam em surpresa. No havia dvida de que a rejeio no fazia parte da sua experincia.
        - Isso pode esperar. A praia no vai fugir.
        Tentou toc-la, mas ela desviou para o outro lado. Ele franziu o cenho.
        - Alguma coisa errada?
        Aproximando-se to composta quanto poderia em seu lenol, Sabrina se agarrou em toda sua dignidade.
        - No h nada errado. S acho que talvez devesse deixar claro... Bem, ontem  noite eu estava me sentindo grata por voc ter me tirado daquele... problema 
em que eu havia me metido.
        - Grata? - Os olhos de Noah se arregalaram.
        - Bem, aliviada...
        - Aliviada? - Ele estava sentado agora, franzindo o cenho. -  assim que voc chama isso?
        Ela expirou com frustrao. Estava dando tudo errado.
        - Ontem  noite, no bar, por que veio me socorrer? Eu no sabia que voc estava aqui. Pensei que tivesse perdido voc no aeroporto.
        Ele piscou, como se no estivesse entendendo.
        - Por que voc embarcou naquele avio e me seguiu at aqui, por que razo? - Ela prendeu a respirao. Talvez estivesse certa na noite anterior. Talvez ele 
se importasse.
        Depois de uma longa pausa, ele, limpou a garganta.
        - Bem, eu me sentia responsvel por voc.
        - Responsvel?
        - Voc mesma disse que devia me agradecer por t-la " liberado". Alm disso, devo muito ao Cliff. - Seus olhos se estreitaram. - E, aparentemente, algum 
precisa tomar conta de voc.
        O lbio dela tremeu. Eu no vou chorar.
        -  s isso?
        Ele levantou as mos, perplexo.
        - Era a coisa certa a fazer. O que voc queria?
        - Eu no queria nada. - Dor e raiva a sufocaram. Tola. Tola. Dez vezes tola. Ele no a seguira porque se importava. Ele a seguira por senso de responsabilidade 
e obrigao para com o irmo dela.
        Os olhos de Sabrina embaaram.
        - S quero deixar mais uma coisa clara.
        - Por favor, deixe, porque no estou entendendo nada. Num momento, estamos nos divertindo e, no outro, voc est aborrecida comigo e eu nem sei por qu.
        Nos divertindo. Era isso que o tempo que haviam passado juntos significava.
        - Eu estou aborrecida comigo, no com voc.
        - Certo. Era isso que voc queria deixar claro?
        Noah pressionou o copo de ch gelado contra a testa e se amaldioou como um bobo. Devia ter pego o primeiro vo da manh para Atlanta, mas Sabrina estava 
to chateada esta manh. Ele no tinha certeza, mas suspeitava que era algo relacionado a ele. De alguma forma, no conseguiu deix-la.
        Entornou todo o copo gelado garganta abaixo e baixou o zper do bluso. Apesar do calor da tarde, ele no ousou tirar a jaqueta fina. Escondia a ereo em 
seu short.
        Pelo menos tinha tido a chance de fazer compras ontem. Seria muito incmodo usar calas compridas neste estado. Diabo de mulher. Ela tinha de ser to sensual?
        Ela tomou um flego profundo.
        - Ns no estamos tendo um caso.
        - No estamos? - Os olhos dele se arregalaram em descrena.
        - No.
        - Deixe-me contar uma coisa, querida, voc pode no ter muita experincia nesse assunto, mas eu tenho. E isto... - Ele bateu na cama para dar nfase -  
um caso.
        Sabrina cruzou os braos, olhando fixamente para ele. Por um momento, Noah s ficou parado, olhando de volta para ela.
        - timo. Isso significa que voc est  caa de um caso novamente?
        Ela acreditou que merecia isso, mas ainda assim doa.
        -Ns no vamos ter um caso.
        O fato de ela poder fingir que no via a atrao existente entre eles estava alm da compreenso de Noah, mas ele havia honrado os desejos dela. No seria 
fcil, agora que sabia o que estava perdendo, mas ao menos um deles estava usando o bom senso.
        A memria de t-la encontrado no bar na noite anterior o fez estremecer. Mark, o garom, havia lhe dado informaes sobre a companhia de Sabrina quando Noah 
entrou no bar. Nunca se sentira to em pnico e aborrecido quanto ao v-la cercada, com os olhos arregalados de medo.
        Agora ela sorria para ele, toda inocente, como se tivesse esquecido que ele a havia arrancado da beira de uma orgia na noite anterior. Ele estremeceu. Se 
aquele produtor a tivesse levado para seu barco do prazer...
        - Qual o problema?
        Ele apontou um dedo acusador para ela.
        - Voc me distraiu de propsito ontem, para que eu no pensasse sobre isso. Se alguma coisa tivesse acontecido a voc, se aquele pervertido a tivesse forado...
        - Oh, voc est falando de novo daquele assunto do bar. No foi assim. Eu lhe disse. Bill estava realmente aborrecido. Foi um pequeno mal-entendido. - Suas 
bochechas coraram. - Eu realmente disse a ele que procurava excitao.
        Noah bufou.
        - Bem, voc com certeza conseguiu. - Ele rosnou.
        - Se Cliff desconfiar disso...
        - Meu irmo tem de aprender a cuidar da prpria vida.
        - Os olhos de Sabrina faiscaram.
        Tentando relaxar, Noah tomou um gole do ch gelado. Pelo menos ela ainda tinha coragem. No parecia nem um pouco traumatizada pela provao Mas, ele nunca 
conseguiria se recuperar. Estremeceu novamente. Pensar nela nas garras daquele homem velho e asno.
        - J  domingo. Acho que no conseguiria encontrar um caso de fim de semana a esta altura.
        Os ombros dele relaxaram.
        - Tudo bem, ento acho que devo ir para o meu quarto e tomar um banho. Posso te levar para tomar caf-da-manh?
        - Caf-da-manh?
        Ele olhou para o relgio.
        - Ainda  cedo para o almoo, mas aposto que o restaurante prepara um caf-da-manh decente aos domingos.
        - Certo. - Ela engoliu, surpresa e aliviada. - Um caf-da-manh seria bom.
        
        Felizmente, a tenso entre eles havia dissipado quando ele voltou para lev-la para tomar o caf-da-manh. Ela atendera  porta renovada e sorridente como 
se a discusso que tiveram mais cedo no tivesse acontecido.
        Noah sacudiu a cabea. A mulher tirava completamente seu equilbrio. Parte dele exultava pelo prazer que ela lhe proporcionava, a outra parte lamentava sua 
inabilidade de resistir ao charme dela. Sabrina era irm de seu melhor amigo, o homem que o estava ajudando a reerguer sua carreira, o homem ao lado do qual ele 
estaria de p em menos de uma semana. E Noah havia tirado sua virgindade.
        Deveria estar verificando os horrios dos vos da noite, no desfrutando um caf-da-manh amigvel com ela.
        Recordaes da doce boca de Sabrina vagando sobre ele, os olhos dela queimando de desejo enquanto tirava as roupas dele vagarosamente, e seus mamilos brotando 
contra os lbios dele caram sobre Noah. A culpa lhe torceu o intestino. Sentia por ela qualquer coisa diferente de amizade.
        
        - Isto  absolutamente maravilhoso. - Ela sorriu, o olhar examinando o ambiente onde estavam. A pedido de Sabrina, tinham sentado a uma mesa na rea coberta 
do ptio do bar da piscina. Um funcionrio levou as sobras do caf-da-manh deles.
        - Admita. - Sabrina fez um gesto em direo ao Golfo do Mxico, to quieto em sua costa primitiva. - Voc precisava de um dia de folga. Um dia para sentar 
e desfrutar a paisagem.
        O olhar de Noah vagueou pelos lbios beijveis de Sabrina, os ombros delicados, os seios arredondados, do tamanho certo para lhe encher as mos. Ele acenou 
com a cabea.
        - Estou desfrutando um bom pedao da paisagem. Inclinando-se para a frente, ela brincou com uma fina cordinha do biquni.
        - Vamos nadar. Voc no est quente?
        Noah quase soltou uma gargalhada. Nunca havia estado to terrivelmente quente em toda sua vida, mas saltar na arrebentao com Sabrina no parecia a escolha 
mais sbia no momento. Ele acabaria implorando que ela o deixasse voltar para sua cama, e seu ego ainda no estava curado da ltima rejeio dela. Sentia-se bem 
e seguro com a mesa entre eles. A mesa escondia seu desejo evidente que at a jaqueta estava sendo incapaz de mascarar.
        - Precisamos deixar a comida assentar primeiro. - Ele enrugou os lbios quando um rapaz que passava fitou Sabrina. Noah no conseguia entender por que a 
mulher tinha de andar por a sem nada para lhe cobrir o minsculo biquni alm da pequena canga.
        Ela empurrou a cadeira para trs e ficou de p.
        - Puxa, ento um passeio tranquilo ao longo da praia. Podemos ao menos molhar os dedos dos ps na gua.
        Dedos dos ps.. Ele chegou a cadeira um pouco para trs. Os dedos dos ps pareciam seguros. Ao menos ela parecia ter abandonado o plano de pular no prximo 
homem disponvel que aparecesse. Talvez ele fosse capaz de mant-la distrada pelo resto do dia e depois coloc-la num vo noturno para casa.
        - Certo, um passeio tranquilo.
        Ela brilhou de contentamento e o conduziu ao deque de madeira de acesso  praia. Ele evitou olhar o balano flexvel dos quadris dela e, silenciosamente, 
recitou as mdias do ndice Dow Jones at que a tenso em sua virilha aliviasse.
        O sol bateu neles. A areia arranhava a sola dos ps. Ele tirou a jaqueta, puxou a camisa por cima da cabea e tirou os sapatos, jogando todos os artigos 
em uma pilha sobre a areia. Olhou desejosamente a gua.
        - Tambm no quero levar tudo isso. - Ela chutou as sandlias, desamarrou a canga e a esparramou na areia. Depois de procurar na bolsa por um momento, Sabrina 
pegou uma pequena carteira.
        - Voc pode levar isto para mim? No tenho bolsos. Ele varreu o olhar pelos trajes escassos dela, uns poucos retalhos de pano amarrados por tiras. No, ela 
no tinha bolsos. Seu sangue acelerou. A mulher tinha de parecer to confiante? Ele estendeu a mo.
        - Claro. 
        Ela colocou a carteira no calo dele, e o agraciou com um sorriso brilhante.
        - Obrigada. Oh, s mais uma coisa... Novamente, catou algo da-bolsa e, desta vez, tirou um frasco de protetor solar.
        - Eu preciso reaplicar. S vai demorar um minuto. Noah virou-se para olhar a vastido de gua azul-esverdeada. Por que se torturar olhando Sabrina espalhar 
a loo na pele macia? Ele tampouco ofereceria seus servios. Deixe que ela alcance cada curva lasciva de seu prprio corpo. Olhe o que aconteceu com o ltimo rapaz 
que a ajudou. Sem essa. Ela estava por conta prpria.
        Uma gaivota guinchou acima. A risada de crianas flutuou na brisa leve. O rdio de algum tocava uma das vinte melhores msicas.
        - Pronto, j terminei. Voc  o prximo - disse ela, ficando parada logo atrs dele.
        Ele comeou a virar, mas as mos de Sabrina o seguraram pelos ombros.
        - Fique parado. Moreno como voc , tambm vai se queimar.
        Ele prendeu a respirao quando a loo gelada lhe tocou a pele. Deveria ter dito que nunca havia se queimado com o sol, mas os dedos gentis de Sabrina o 
estavam esfregando, acariciando sua pele aquecida. Abafando um gemido, ele recorreu novamente ao truque de citar silenciosamente valores acionrios.
        As mos dela planaram abaixo pela espinha dele. As pontas dos dedos roaram o elstico do calo de banho de Noah e deslizaram novamente at seus ombros. 
Mais uma vez, a loo fria lhe tocou a pele, depois as mos quentes de Sabrina. Ela ficou ao lado dele, espalhando loo por cima do ombro direito de Noah, depois 
para baixo em toda a extenso do brao. Se fosse qualquer outra mulher, Noah teria pensado que ela estava tentando seduzi-lo.
        Mas nenhum brilho de sensualidade refletia dos olhos dela. Sua voz no tinha um tom abafado. No, esta no era uma mulher qualquer. Era Sabrina com seus 
instintos maternais, suas maneiras irritantemente prticas ao se mover para a esquerda dele.
        Ns no estamos tendo um caso.
        Um pequeno sorriso apareceu num dos lados da boca de Sabrina.
        - Quase pronto.
        Tentando no ficar desapontado, Noah a parou antes que ela comeasse o outro brao.
        - Eu continuo daqui.
        Ela lhe passou o frasco. Ele colocou um pouco da loo na mo, depois fez alguns movimentos obrigatrios pelo brao e trax.
        - Pronto. Podemos caminhar agora?
        Aps enfiar o frasco de volta na bolsa, a qual ela deixou junto com a canga, Sabrina virou-se para ele.
        - Vamos andar em direo ao per. Se conseguirmos manter um bom passo, faremos um exerccio decente.
        Noah concordou com a cabea. Ele estava com uma mulher desejvel, em uma das mais bonitas praias do mundo, e eles estavam indo caminhar para se exercitar. 
Ele estava perdendo o jeito.
        Ela marchou diretamente para a gua, no parando enquanto a agua no cobrisse seus tornozelos.
        - Tem certeza que no quer nadar? Est timo. - Ela agachou e jogou alguns punhados de gua sobre a face e ombros. 
        Ele engoliu em seco diante da viso dela levantando molhada da arrebentao, pequenos fios d'gua lhe descendo o corpo, passou ante os olhos de Noah.
        - Mais tarde, talvez.
        Eles andaram a passos largos em silncio. Noah no pde resistir a caminhar ao lado dela na gua fresca. Ela tropeou uma vez. Ele a pegou, o corao acelerando, 
mas ela se firmou com um riso e se afastou dele.
        - Olhe. - Apontando, ela andou para fora da gua e foi em direo a uma escultura de areia de um carro de corrida em tamanho real.
        Noah a seguiu.
        - Isso levou algum tempo.
        A escultura se estendia para baixo e ao longo da areia. O artista tinha esculpido um assento no meio, completo com um volante.
        Uma menina pequena com tranas correu at eles, uma p de plstico em uma das mos.
        - Voc pode dirigir ele.
        Sabrina agachou, as mos apoiadas nos joelhos, um sorriso largo no rosto.
        - Voc ajudou a fazer?
        - No. - A menina cocou o nariz. - Olhei eles. A gente est aqui a manh toda. - Fez um gesto em direo a um guarda-sol que cobria um homem e uma mulher 
que segurava um beb.
        - Dois homens fizeram isso, mas eles foram embora. Eles disseram que qualquer um podia brincar. Eu dirigi um pouco, mas voc pode usar agora, se quiser. 
- A garotinha sorriu esperanosamente para Sabrina.
        Sabrina olhou a criana por um momento, antes de esticar o brao, talvez para limpar um pouco da areia em sua bochecha. Ela parou pouco antes de toc-la, 
entretanto.
        - Obrigada, talvez eu v.
        Com um olhar rpido para Noah, Sabrina escalou a escultura. Sorriu de novo para menina, e alguma coisa melanclica na expresso de Sabrina fez com que o 
trax de Noah se apertasse.
        - Eu sou Sabrina. Qual  o seu nome?
        - Megan. Eu tenho 6 anos. E aquele  o Tyler. Ele  meu irmozinho. Ele chora algumas vezes, mas eu ajudo a tomar conta dele. Eu dou mamadeira para ele, 
porque ele no pode comer comida de verdade ainda. Ele  muito pequeno.
        Noah acompanhou o olhar de Sabrina quando ela o desviou para o irmo de Megan que estava no colo da me,  medida que esta se aproximava. A melancolia no 
olhar de Sabrina se intensificou. Ela pulou para fora do carro, sorrindo para a mulher.
        - Oi, Megan est nos mostrando o carro.
        - Ela falar at suas orelhas doerem. Ela est aborrecendo vocs? - Apesar das palavras, a me de Megan afagou os cabelos da filha com bvio afeto.
        - Viu Tyler? No parece to amassado como antes. - Megan foi, p ante p, espiar o irmo.
        Noah chegou mais perto. O beb piscou os olhos negros para Sabrina e seus lbios de boto de rosa se abriram em um sorriso desdenhado. Noah sorriu, virando 
o olhar para Sabrina, mas ela parecia no not-lo. O irmozinho de Megan dominava sua ateno. Os olhos de Sabrina brilhavam macios e quentes e estavam cheios de... 
desejo.
        Noah ficou de queixo cado quando compreendeu. Sabrina queria um filho. Pelo olhar que lanava quela criana, ela no s queria um filho como precisava 
de um.
        - Ele  lindo. - Sua voz estava baixa, quase reverente. Finalmente voltou-se para Noah, como se acabasse de lembrar que ele estava ali.
        - Ele  um anjo.
        Noah limpou a garganta. Apoiou-se no ombro dela, tentando dispersar o desconforto que havia cado sobre ele.
        - Ele  uma pessoinha.
        Para provar para si mesmo que o pequeno pacote no lhe ameaava, ele o cutucou. Cinco dedos em miniatura fecharam-se em volta do dele. Um estranho calor 
cresceu dentro dele. Noah olhou para a me do beb.
        - Qual a idade dele?
        - Amanh far cinco semanas. - Ela moveu a criana nos braos, mas ele continuou a segurar firmemente o dedo de Noah.
        - Voc  muito abenoada. - A voz de Sabrina falhou. Ela piscou vrias vezes.
        O remorso se apossou do corao de Noah. Ele no estava em posio de dar a Sabrina o que ela queria, uma casa com cerca branca, muito menos um beb. Se 
houvesse um pouco de honra dentro dele, se afastaria dela agora mesmo.
        Noah livrou seu dedo e chegou mais perto de Sabrina.
        -  melhor continuarmos.
        A garganta dela estava seca, como se tivesse dificuldade de engolir. Ela balanou a cabea e virou para Megan.
        - Obrigada pelo passeio. Tome conta de seu irmo.
        - Vou tomar. - Megan acenou enquanto eles se viravam para ir embora.
        Noah acenou de volta.
        - Criana simptica. 
        Sabrina acenou novamente com a cabea, enquanto andava formalmente ao lado dele.
        Ele suspirou. Ela estava se enganando com essa coisa de ter um caso. Queria filhos, um marido, um lar. Se ele tivesse metade de um crebro, a colocaria no 
prximo avio para casa e lhe diria adeus.
        Sentindo-se inadequado, ele a olhou de relance. O desejo ainda tomava os olhos dela, s que agora combinado com uma tristeza que o rasgava.
        Seguramente, um dia ela acharia algum e teria um ou dois filhos. Noah deixou seu olhar vagar sobre ela. No havia dvidas. Mulheres como ela no ficam sozinhas 
neste mundo. O mistrio estava em por que ningum a havia agarrado ainda.
        Ele engoliu e focalizou a faixa de areia na frente deles. Era bom que o sujeito a tratasse bem, entretanto, porque ela merecia o melhor. Merecia um homem 
que lhe desse tudo o que quisesse, inclusive a cerca branca.
        Que pena que ele no era o tipo de homem de cerca branca.
        No conseguiu evitar olh-la novamente. Desta vez, ela forou um sorriso para ele. Revirava suas entranhas ver como estava triste o olhar de Sabrina. Sem 
ter o que dizer, pegou a mo dela e a apertou de forma reconfortante.
        Ela chegou um pouco mais para perto enquanto, continuavam a andar pela praia de mos dadas, sem falar. Um sentimento suave tomou conta dele. Sim, com certeza 
era uma pena que ele no fosse o tipo de homem de cerca branca.
        
      
Captulo Oito
        
        
        -Aquela ali parece um rato de pra-quedas. - Noah apontou para uma nuvem fofa sobre eles.
        Voltaram para o ponto onde haviam deixado seus pertences. Sabrina estava deitada na canga, enquanto Noah usava a jaqueta para proteger a cabea e as costas 
da areia. Por mais atencioso que ele tivesse sido o dia todo, ela no conseguia deixar de demonstrar um pouco de melancolia.
        Sabrina levantou a cabea. O vento moveu as nuvens.
        - Acho que parece um desses palhaos assustadores.
        - Ah... pode ser.
        Olhando para Noah de relance, ela apontou para uma nuvem com formato indiscriminado.
        - Aquela parece uma rosa murcha.
        - Parece mesmo.
        Virando de lado, ela olhou para ele. Precisava sair desse mau humor. No era justo com Noah. Ele estava tentando mim-la com tanto empenho.
        Ele estava perto o suficiente para ser tocado, se ela esticasse a mo. O olhar de Sabrina passeou longamente por ele. A luz do sol brilhava no corpo bronzeado 
de Noah. O homem era pura tentao.
        - Voc est sendo estranhamente agradvel hoje.
        Ele a havia surpreendido mais cedo ao convid-la para o caf-da-manh. Pensava que ele queria lavar as mos em relao a ela, uma vez que Sabrina tinha deixado 
claro que eles no teriam um caso. Se ela estivesse em seu pleno juzo, provavelmente teria recusado educadamente. Os olhos de Noah continham  tamanha esperana 
que ela no pde recusar. 
        - Sou um sujeito agradvel. 
        Ela tentou um pequeno sorriso.
        - Voc parece ser.
        - No, de verdade... pode me testar. - Os olhos dele brilharam.
        - Certo, vamos nadar. - Talvez o calor a estivesse acometendo, abatendo. Um mergulho refrescante poderia ser o que ela precisava.
        Ele parou.
        - O sol est quente.
        - E a gua parece fresca e fria.
        - Rejuvenescedora.
        - .
        Ele ficou de p, limpou a areia das costas e estendeu a mo para ela.
        - Venha.
        Engolindo, ela colocou a mo sobre a dele e se deixou ser levada para onde as ondas quebravam na praia.
        - Venha. - Ele a persuadiu para dentro da gua azul. Quando ela j estava com a gua pela cintura, ele a soltou.
        - Tudo bem?
        Ela jogou punhados de gua sobre o trax e ombros.
        - Est maravilhoso.
        Com um pequeno esguicho, Noah desapareceu embaixo da arrebentao. Apareceu novamente alguns metros  frente, acariciando suavemente a gua, com os msculos 
dos braos e dos ombros ondulando em um espetculo de fora. Ele era uma beleza misteriosa, raios de sol refletindo na gua em volta dele,  medida que Noah mergulhava 
e voltava  superfcie.
        Sabrina tomou flego e deu um mergulho longo e raso. A gua fresca girou a seu redor. Ela nadou algumas braadas  virou de costas, chutando a gua  toa, 
enquanto as nuvens vagueavam sobre ela. Fechando os olhos, ela bloqueou todos os pensamentos e se concentrou na respirao, inspirando calmamente pelo nariz, e expirando 
pela boca.
        Gradualmente, ela relaxou. Uma brisa quente passou sobre ela. A gua a embalou, levando-a para longe com sua lenta corrente. Uma msica tocava ao longe, 
em um rdio na praia.
        - Um centavo pelos seus pensamentos. Assustada, ela virou de lado, engolindo gua. O sal fez arder seu nariz. Ela se debateu e inspirou mais gua, depois 
boiou para cima novamente, ofegando em busca de ar.
        - Opa, espere. - Firme e seguro, Noah colocou o brao ao redor da cintura de Sabrina e a arrastou para onde seus ps alcanavam o fundo.
        Ele a trouxe contra seu trax, a gua batendo nos ombros dela. As sobrancelhas de Noah enrugaram-se enquanto ele batia levemente nas costas de Sabrina.
        - Respire.
        - Eu estou bem. - Ela tossiu, bem consciente da parede de msculos que a sustentava. Seu corao acelerou, enviando calor por todo seu corpo. - Voc me assustou.
        - Sinto muito, eu no pretendia peg-la de surpresa. - A testa de Noah franziu de preocupao.
        Ela sorriu e alisou a sobrancelha dele com a mo, incapaz de no toc-lo. Os msculos do trax de Noah contraram ao toque da outra mo de Sabrina.
        - Est tudo bem. 
        - Tem certeza? - Um brilho de provocao iluminou os olhos dele. - Porque eu adoraria ajudar com uma pequena respirao boca a boca, se fosse necessrio.
        Sabrina encheu-se de desejo. Por que ser que ela sempre perdia a cabea quando ele a tocava? Alguma parte distante dela gritou em advertncia, mesmo quando 
ela se apertou contra ele, seu brao curvado em volta do pescoo de Noah.
        - Bem, agora que voc mencionou, estou me sentindo um pouco... sem ar.
        Ela pressionou a boca contra a dele, to incapaz de parar quanto era de impedir seu corao de bater. Deslizando o outro brao ao redor do pescoo dele, 
ficou nas pontas dos ps, se abrindo para ele, alegrando-se ao toque da lngua de Noah. Ele a beijou gentil e docemente, como se o tempo tivesse parado e tudo o 
que importasse era aquele beijo entorpecente.
        A gua ondulou ao redor deles. Uma gaivota gritou em algum lugar ao longe. O beijo continuou em uma dana lenta e vagarosa de lnguas, dentes e lbios. O 
desejo aqueceu o sangue de Sabrina e endureceu seus mamilos. Ela se afastou, s para se fundir novamente na confuso extasiante.
        Noah deslizou as mos pelas laterais de Sabrina at a extremidade da parte de cima do biquni. Um leve puxo e ele estava solto. Noah a tocou por debaixo 
d'gua, massageando-a, enquanto sua boca continuava o tenro ataque.
        Um gemido baixo escapou da boca de Sabrina enquanto Noah rolava seus mamilos entre os dedos. Um fogo lquido brotava entre as coxas dela. Inclinado os quadris, 
ela se pressionou contra ele, contorcendo-se para chegar mais perto.
        Alguma coisa atingiu a superfcie perto deles com uma pancada forte e sonora, espirrando gua sobre eles. Ela pulou para trs, virando em direo  confuso. 
Noah moveu-se com ela, protegendo-a dos que estavam na praia, embora a gua a cobrisse.
        - Desculpe, senhor. Esta foi muito longe. - Um menino, provavelmente por volta dos 10 anos, berrou da praia. Estava com gua pelos joelhos, a uns cem metros 
deles. Outro garoto, bem menor, cobriu o rosto e foi andando para a praia, em direo a uma figura maternal.
        Um disco flutuava na gua perto deles.
        - Aqui estou eu, perdendo meu biquni de novo. - Aflita, Sabrina torceu e puxou at colocar a vestimenta errante de volta no lugar. Mais que depressa, amarrou 
um n nas costas.
        - Ei, atleta! Preste ateno. - Com um movimento ensaiado do punho, Noah lanou o disco que voou em um arco perfeito at o menino.
        Confuso e frustrao sexual agitaram Sabrina. Agora que Noah no a estava tocando, os alarmes em sua cabea tocavam um pouco mais alto. Ao mesmo tempo, 
ela nsia por mais do toque de Noah.
        Ele se virou para ela.
        - Desculpe, eu no pretendia me distrair dessa forma.
        Ela deu de ombros, esforando-se para parecer o mais casual possvel. Estava completamente envergonhada. Tinha estado to absorvida na luxria que provavelmente 
no se lembraria de onde estava at que eles tivessem feito amor ali mesmo no Golfo.
        - Est tudo bem.
        Com um pequeno gesto, ele esticou a mo para ela.
        - Venha, voc est ficando um pouco vermelha. Est na hora de lev-la para dentro.
        Um tremor a sacudiu por dentro quando pegou na mo dele. Noah a estaria levando embora para terminar o que haviam comeado? Ele a deixou livre tempo suficiente 
para pegarem seus pertences na praia. Quando eleja havia vestido a camisa e Sabrina amarrado a canga em volta dos quadris e pendurado a bolsa no ombro, ele segurou 
a mo dela outra vez.
        Sabrina sentia seu corao pulsar nas orelhas enquanto eles passavam pela porta lateral e encontravam o elevador dos fundos. Muitas outras pessoas entraram 
com eles no elevador, molhadas da piscina ou sujas de areia da praia. As portas se abriram no andar dela e Noah apertou sua mo enquanto abria caminho para os dois 
por entre os outros passageiros.
        Sabrina olhou rapidamente para trs enquanto as portas se fechavam. O que teria acontecido se tivessem ficado sozinhos naquele elevador? Fechou os olhos 
ante o pensamento, ao mesmo tempo em que o calor brotava nela.
        - Chave?
        Abrindo os olhos, ela sacudiu a bolsa para procurar entre seus pertences. Achou a chave no mesmo momento em que chegaram  porta do quarto. Parecia que toda 
a saliva tinha ido embora de sua boca no instante em que ela abriu a porta.
        Ela se virou para Noah, dividida entre lhe dar um adeus precipitado ou arrast-lo para a cama.
        - Noah...
        - Por que voc no toma um banho, tira um tempinho para si mesma, e eu a encontro mais tarde?
        - Oh... - Ela no deveria se sentir to desapontada. Deveria estar aliviada. - Certo.
        Ele abaixou a cabea para plantar um beijo casto na bochecha dela e se virou para partir.
        - Jantar?
        Ele parou e virou para ficar de frente para ela.
        - Com certeza.
        - Olhe. No estou com disposio para sair outra vez. Gostaria de fazer uma coisa mais calma, se estiver de acordo.
        - Por volta das sete?
        Agora o alvio fluiu, fazendo com que um sorriso surgisse nos lbios dela.
        - s sete est timo.
        Noah estremeceu quando se feriu novamente com a navalha. Ele exalou, se concentrando,  medida que guiava a lmina ao redor do queixo.
        - Voc s vai fazer companhia para ela, camarada, anim-la, s isso. No  um encontro.
        Franziu a sobrancelha diante de seu reflexo. A verdade era que ele no confiava em si mesmo sozinho com Sabrina, no com a memria do doce corpo dela o assombrando. 
Rangeu os dentes e expulsou a imagem de sua mente.
        Ela no estava certa se queria Noah e, admitindo ou no, ela no queria ter um caso, Queria o que ele no podia lhe dar: um final feliz.
        Ele enxaguou a navalha e a colocou de lado enquanto esfregava o rosto com uma toalha. Sabrina tinha estado to tristonha hoje. De alguma forma, conhecer 
Megan e seu irmozinho tinha extinguido o brilho nos olhos dela.
        Noah havia se sentido estranho, ficando ao lado de Sabrina e observando aquele beb. Ele realmente nunca tinha notado bebs. O garotinho era to novo, to 
inocente.
        Sacudindo-se, Noah vestiu o short caqui e a camisa plo. Tinha tomado a liberdade de solicitar servio de quarto a ser entregue no quarto de Sabrina. Na 
verdade, tinha ficado aliviado quando ela sugeriu que no sassem. Pelo menos no ficaria afastando nenhum pretendente.
        Ele franziu o cenho novamente. Ela parecia ter abandonado seu plano louco. Isso era bom. Ento, por que o estmago dele estava dando um n?
        Colocando as incertezas de lado, chegou  porta de Sabrina. Ela atendeu prontamente  batida de Noah. Havia prendido o seu cabelo a esmo no topo da cabea, 
e alguns fios perdidos lhe roavam as bochechas e a nuca. Vestia um short com fendas e uma frente-nica azul que acentuava a cor de seus olhos. Uma camada de esmalte 
rosa nas unhas dos dedos dos ps completava o traje.
        Noah engoliu, o sangue esquentando. Talvez os dedos dos ps no fossem to seguros.
        - Oi.
        - Oi. - Ela sorriu, e recuou para que ele pudesse entrar.
        Uma msica lenta tocava no rdio  mesa-de-cabeceira de Sabrina. A porta corredia estava aberta, deixando entrar uma brisa suave e o quebrar distante das 
ondas. O sol poente enchia o cu de ricos tons de laranja e vermelho. Ela pedira que o servio de quarto arrumasse o jantar deles em uma pequena mesa de frente para 
tal paisagem. Ela entregou-lhe uma taa de vinho.
        - Obrigada por ter feito o pedido.
        Ele meneou e a seguiu enquanto ela saa para a sacada.
        -  to calmo aqui. - Ela contemplou o horizonte. Assistiram ao pr-do-sol em silncio. O olhar de Noah passeava por Sabrina. De alguma forma, a beleza espetacular 
do momento parecia aumentar a melancolia dela. Ele segurou a grade, sentindo-se intil. Como poderia devolver o brilho dos olhos dela?
        Ela se virou para ele depois que as ltimas fagulhas de vermelho dourado enfraqueceram e as primeiras alfinetadas de luz brilharam no plido escurecimento.
        - Com fome? - perguntou ele.
        Concordando, ela o conduziu at a mesa. O aroma de frutos do mar marinados subia dos pratos. Noah desdobrou o guardanapo.
        - Sabe, eu adorei este fim de semana.
        - Estou um pouco surpresa de Cliff no ter aparecido.
        - Cliff? Voc acha que ele viria atrs de voc? Ela o fitou.
        - Ele poderia, se percebesse que ns dois sumimos ao mesmo tempo.
        Movendo-se desconfortavelmente, Noah sorveu um gole de vinho.
        - Como ele saberia onde procurar?
        - Eu sempre falei desta regio... mas posso estar errada. Ele est to envolvido com Mona e o casamento por esses dias. - Deixando escapar um suspiro pesado, 
ergueu o copo novamente at os lbios. 
        Noah acenou com a cabea, mas um sentimento de desconforto o tomou.
        - Dana comigo? - Sabrina levantou e estendeu a mo para ele. O rdio sussurrava uma melodia suave.
        O olhar triste e esperanoso nos olhos dela o fez ficar de p. A lua tinha subido, lanando um brilho suave. Eles foram para a sacada, e ela deslizou para 
os braos dele. O cheiro fresco de Sabrina o envolveu. Ela cheirava a sabonete e mulher.
        Ela encostou a cabea no ombro dele, e Noah inalou aquela essncia que era s dela. Ela aconchegou o corpo macio no dele, deixando todos os nervos de Noah 
totalmente em alerta.
        Ns no vamos ter um caso.
        O pulso dele acelerou. Murmurou o nome de Sabrina no cabelo dela. Deveria se afastar. Deveria ir embora. A mo dele acariciou as costas nuas dela.
        Os dedos dela se prenderam da parte da frente da camisa dele. Ela virou o rosto para o dele. A respirao dela vibrou sobre as bochechas dele, ento os lbios 
se roaram. Quando Sabrina pressionou a boca contra a de Noah, ele ignorou sua conscincia gritante e a beijou.
        Ela gemeu, se apertando nele, enquanto Noah aprofundava o beijo. Ela se abriu para ele, permitindo acesso a toda doce cavidade de sua boca deliciosa. A lngua 
dela golpeou a dele com tanta nsia que o corao de Noah disparou. Ela tinha sabor de vinho e Sabrina - uma combinao irresistvel.
        Ele deixou as mos vagarem coluna abaixo at a curva firme do bumbum. Com um gemido prprio, ele a segurou, erguendo-a, ajustando-a  parte dele que desejava 
preench-la.
        Ela se moveu contra ele, suspirando o nome dele em seu ouvido. O desejo estremeceu o corpo de Noah. Chegando para trs, ela pegou o rosto dele entre as mos. 
O olhar dela o prendeu.
        - Faa amor comigo, Noah.
        Ele ficou imvel. O sangue corria nas orelhas. Por ele, poderia sofrer ao deix-la, mas naquele instante no poderia neg-la, da forma como ela o contemplava. 
Ao menos tinha encontrado uma forma de colocar o brilho no olhar de Sabrina novamente.
        Sabrina tomou um flego longo, o corao acelerando. Deixou o olhar vaguear pelos lbios de Noah antes de voltar aos olhos dele. O desejo reluzia do fundo 
deles. A pulsao dela acelerou.
        - Vamos entrar.
        Ele virou para ergu-la nos braos. A expectativa tomou conta dela enquanto Noah a carregava para a cama. Ele a colocou de p, deslizando-a pelo corpo e 
tomando sua boca em um novo beijo ardente. Ela acariciou as costas dele enquanto os lbios de Noah deixaram os de Sabrina para lambiscar um caminho ao longo do pescoo 
dela.
        - Sabrina... - Ele segurou os seios dela atravs da blusa e passou os polegares pelos mamilos enrijecidos. - Voc no sabe o que faz comigo.
        Ela suspirou e puxou a camisa dele para fora da cala.
        - Acho que fao ideia.
        - Eu quero ver voc... toda. - Ele tirou a camisa e olhou para ela, os olhos escurecidos de desejo.
        Com os dedos tremendo, ela tentou desabotoar os botes nas costas.
        - Vire-se. Deixe-me ajud-la. - Ele foi para trs dela, para sentar na beirada da cama.
        Ela virou. As articulaes dele roaram as costas dela enquanto ele soltava os botes ao mesmo tempo em que ela soltava o n no seu pescoo. O corao dela 
acelerou quando a blusa deslizou para o cho.
        Noah colocou os braos em volta dela e sua boca passou pelas costas at a lateral de Sabrina. Ele correu as mos para cima para massagear os seios dela.
        - Olhe como voc  linda.
        Ela levantou os olhos. Seu corao disparou  viso refletida no espelho pendurado do outro lado. Os dedos bronzeados de Noah contrastavam com a pele alva 
de seus seios. Ela abafou um gemido, incapaz de desviar o olhar, enquanto ele acariciava seus mamilos intumescidos.
        - Agora este. - Noah desamarrou o short dela e puxou-o at os quadris de Sabrina.
        O calor apossou-se dela quando virou para olhar para ele, vestindo nada mais que uma calcinha branca de algodo. O olhar dele passeou por ela. Noah enganchou 
o dedo no elstico da cintura dela.
        - Voc inteira. - Com um movimento suave, deslizou a vestimenta pelas pernas de Sabrina.
        Ao retirar a calcinha, ela apoiou as mos nos ombros de Noah. A pele dele estava quente e macia sob os dedos dela, os msculos duros e bem definidos. Mais 
uma vez, o olhar dele a percorreu, enviando ondas de calor para baixo da barriga dela.
        - Primoroso. - Ele correu a mo pelos quadris dela at os seios. Mais uma vez, passou o polegar pelo mamilo entumecido. Ento, inclinando-se para frente, 
ele a capturou com a boca.
        - Noah. - Ela afundou os dedos no cabelo dele, enquanto ondas de desejo se formavam dentro dela. Assim como antes, a resposta de seu corpo era imediata. 
A umidade formava-se entre suas coxas, a nsia naquele ponto se intensificando a cada sugada da boca de Noah.
        Quando ele se dirigiu ao outro seio dela, Sabrina ofegou, excitada quase alm do suportvel.
        - Preciso que voc... me toque.
        Noah ergueu-a e a deitou na cama. Se no estivesse to excitado, talvez tivesse rido. Ela sempre tinha sido incrivelmente corajosa, apesar de sua inocncia. 
Deus, ela era linda. Roou a palma da mo pela barriga acetinada dela, saboreando o toque macio e firme dela.
        - Mas eu estou tocando voc.
        Ela mordeu o lbio. Suas bochechas coraram.
        - Sim, eu percebi... e eu gosto do jeito como est... me tocando com as mos... e a boca. Mas... eu estou... ardendo.
        Ele sorriu, inundado com orgulho masculino, e lhe roou a barriga com o rosto. Ele poderia ensinar uma coisa ou duas a ela sobre arder de desejo. Depois 
de mergulhar a lngua no umbigo dela, ele levantou a cabea.
        - Aqui?
        Ela se contorceu, os dedos presos no cabelo dele. Sabrina molhou os lbios. O rubor em suas bochechas ficou mais forte.
        - Mais para baixo.
        Ele exalou. Com o olhar preso no dela, permeou os dedos pela confuso dos cachos dela. O corao de Noah pulsava enquanto o corpo de Sabrina tremia e ela 
ofegava.
        Ele parou, mas ela balanou a cabea, encorajando-o a continuar. Afastando-lhe as pernas, ele escorregou para baixo para explor-la de modo mais ntimo. 
Ele inspirou o cheiro de mulher dela e a tocou.
        Sabrina gemeu, levantando os joelhos para garantir a Noah melhor acesso.
        - Estou to... to quente.
        Um riso sufocado ficou preso na garganta de Noah. Ele tambm estava um pouco inflamvel. Mergulhou a cabea para sabore-la.
        Ela se inclinou contra ele. Os rudos sensuais que fazia criavam ondas de desejo dentro dele. Ela respondia a todo toque, todo movimento da lngua dele. 
Noah a amou com a boca e com as mos, procurando tesouros escondidos enquanto saboreava sua doura.
        Ela inclinou os quadris e o dedo dele deslizou para dentro dela. Sabrina era to apertada. Ele olhou para cima. Os olhos dela estavam vidrados, os lbios 
separados. Ele empurrou mais fundo dentro dela, reivindicando-a, exaltando por saber que nenhum outro homem a havia tocado desta forma.
        Beijou-lhe o interior da coxa. Sabrina suspirou quando ele colocou a boca novamente sobre ela, provocando-a com a lngua e os dentes. Ele deslizou um segundo 
dedo ' para dentro dela para se juntar ao primeiro, golpeando-a at que ela comeasse a gemer e seus adorveis seios subissem e descessem com a respirao ofegante.
        Ele colocou a outra mo embaixo dela para apertar suas ndegas firmes, enquanto a erguia novamente at a boca. Ele gemeu, perdendo-se no sabor e na sensao 
dela.
        Ela se movia de encontro a ele. Um gemido baixo rasgou a garganta de Sabrina, ento ela enrijeceu e gritou. Ele a agradou com a lngua e a introduo firme 
dos dedos enquanto os quadris dela arqueavam para cima.
        S depois que ela se acalmou foi que ele se virou para o lado e a tomou nos braos. Beijou-lhe o cabelo e acariciou-lhe as costas, enquanto ela permanecia 
agarrada a ele. Por um bom tempo, ele a segurou, e um calor estranho se espalhou por dentro dele.
        Surpreendentemente, o olhar de anseio que Sabrina tinha ao olhar aquele beb na praia inundou Noah novamente. Ele engoliu em seco. Ela queria tanto. Merecia 
um homem que pudesse lhe dar o pacote completo. Ele beijou o topo da cabea dela. O arrependimento que havia sentido mais cedo voltou com mais mpeto. Se ao menos 
ele fosse o tipo para casar.
        A culpa veio na esteira do arrependimento. Ele devia deix-la agora. No tinha de ficar com ela desta forma, j que no podia se entregar para sempre.
        Ela se mexeu, sorrindo para ele, o brilho danando nos olhos. Bateu os dedos no trax dele.
        - Acredito que agora  a sua vez.
        Abaixando a cabea, ela lambeu o mamilo dele enquanto a mo vagava pelo estmago abaixo. Ele engoliu em seco. Se tivesse um grama de honra, ele a faria parar. 
Ela beijou-lhe um caminho pelo trax, a boca quente na pele dele.
        Noah fechou os olhos.
        - Sabrina, voc no precisa fazer isso. 
        Ela zangou-se em desaprovao.
        - Vamos l, eu deixei voc fazer da sua forma comigo. Agora  a minha vez de encantar voc.
        Roou os lbios sobre os dele e o beijou, a lngua massageando a dele de uma forma que ele a puxava mais para perto.  medida que ela esfregava os seios 
contra o trax nu de Noah, ele lutava para se controlar. De algum lugar, de alguma maneira ele precisava dragar alguma fora de vontade.
        Sabrina deslizou a mo pela parte da frente do corpo de Noah. Seus dedos vaguearam por cima do short dele. O desejo o queimou. Ele se afastou e tomou uma 
respirao falhada. Agarrando seus punhos, ele tirou as mos dela do corpo.
        - Talvez no seja uma boa ideia.
        - Eu s quero tocar voc. Quero que faa amor comigo. 
        Noah bufou e se soltou dela.
        - Eu me preocupo com voc, Sabrina.
        - Eu tambm me preocupo com voc, Noah. - Ela o segurou pelo rosto e o beijou com tanto calor e paixo que ele soube que no poderia se negar a ela.
        S uma ltima vez para lembrar e guardar, depois vou deix-la em paz.
        Ele a rolou para baixo dele, cobrindo-a com seu corpo. Saboreou a boca de Sabrina, catalogando cada gosto e textura enquanto suas mos memorizavam as curvas 
do corpo dela. Uma reentrncia aqui, uma curva ali. Mamilos macios e sensveis que ficaram de prontido para cumpriment-lo quando passou os dedos sobre eles em 
uma longa carcia de adeus.
        Chegando para trs, ele se moveu. E um lento beijo de adeus aqui. Sugou o mamilo rosado, acariciando-o com a lngua at que ela o puxou pelos ombros.
        - Oh, Deus, Noah, no me faa esperar mais. Quatro mos o despiram do resto das roupas com muita rapidez. Sabrina apareceu com um preservativo de algum lugar 
e ele se condenou por no ter sequer pensado nisso. Na pressa, ela rasgou o pacote. Os dedos dela tropearam nos dele enquanto ela o ajudava a desenrolar.
        Noah encontrou o olhar de Sabrina enquanto deslizava para dentro do calor acolhedor dela. Sabrina se ajustava a ele to firmemente que ele suspirou de prazer. 
Jamais seria to bom assim novamente. O corpo dela tinha sido feito para o dele. Cada contorno era um complemento para a forma dele, envolvendo-o, acariciando-o, 
levando-o a um lugar de xtase que ele nunca havia sonhado existir.
        Os quadris dela encontravam os dele a cada investida. Seus gritinhos interrompidos aumentavam o desejo dele, apressando-o. Noah manteve o ritmo compassado, 
sem querer que o momento acabasse, suspendendo-os no fluxo de seu amor.
        - Oh... oh... ooohh, Noah. - Ela se agarrou a ele, muito cedo, movendo-se contra ele, enquanto seu corpo entrava em convulso a primeira vez, ento de novo, 
e de novo em um orgasmo que roubou a respirao dele e ativou seu prprio clmax.
        Ele estremeceu dentro dela, ento caiu tremendo sobre Sabrina. Os msculos internos dela continuaram tremendo ao redor dele em pequenos abalos secundrios 
enquanto ele ficava deitado, entorpecido. Um senso de ironia o preeencheu. Como Deus tinha feito uma mulher to perfeita fisicamente para ele, e to emocionalmente 
fora do seu alcance?
        Ela queria demais. Deus o ajudasse, ele simplesmente no era homem para ela.
        Deslizou para fora dela, cheio de amargura e ressentimento. Nunca estaria  altura das expectativas dela. Este tinha de ser o fim da histria.
        - Tudo bem, ento talvez ns devssemos ter um caso.
        - O qu? - Ele virou para ela, recobrando-se  viso dela. Os olhos dela brilharam, as bochechas estavam rosadas, os lbios inchados pelos beijos dele. Parecia 
completamente amarrotada e completamente amada. 
        Nunca tinha estado to bonita.
        Ela se aconchegou mais para perto dele.
        - Eu realmente poderia me acostumar com isso. 
        O corao dele balanou.
        - Sabrina, isso... no  o que voc realmente quer.
        - Eu sei que  isso que venho dizendo, que no  um caso, mas voc est certo. Ns sempre acabamos juntos na cama. Deve ser um caso.
        - Sabrina...
        - Vai ficar tudo bem. Na verdade, o casamento ser daqui a alguns dias e as festividades comeam logo que voltarmos. Eu estava pensando, pode parecer estranho, 
mas... se estendssemos isto at o prximo fim de semana, poderia ser realmente bem divertido.
        - Sabrina, no podemos. Eu no posso. No seria certo.
        - Por que no?
        Ele pegou a mo dela.
        - Voc no quer um caso. Voc quer muito mais. E merece mais.
        Ela fez um som exasperado.
        - O que faz voc pensar que sabe o que eu quero?
        - Eu vi seu olhar hoje, com aquela menina e seu irmozinho.  isso que voc quer, querida.
        Ela piscou, prendendo o lbio inferior entre os dentes. Ento olhou em volta, agarrou o lenol e se cobriu.
        - Ns concordamos em no criarmos laos.
        - Sim,  verdade.
        Os lindos olhos de Sabrina embaaram quando ela olhou para ele.
        - Voc acha que no posso fazer isso. Ter uma relao sem laos afetivos com voc.
        Ele passou os dedos pela bochecha dela.
        - Acho que  da sua natureza ter sentimentos mais profundos que isso.
        Ela piscou, como se estivesse lutando para no chorar.
        - Por que me seguiu at aqui? Por que me salvou ontem  noite?
        A garganta dele fechou. Ela voltava ao assunto.
        - Eu j disse. Eu me sinto responsvel por voc.
        - Responsvel? - A voz dela foi sumindo enquanto falava.
        Ele gesticulou com a mo.
        - Toda aquela conversa de que eu havia liberado voc. Se eu soubesse que voc reagiria desta forma ao ser amada...
        - Ainda assim voc teria feito amor comigo. Voc me quis. Acho que ainda me quer. Voc s est com alguma ideia cavalheiresca na cabea de que tem de ser 
nobre.
        Nobre? Ele? Seu corao golpeou contra a caixa torcica. Claro que a queria. Ele a desejara desde o momento em que entrou na sua loja e a encontrou com os 
quadris balanando naquela dana sensual. Queria devorar sua boca quente e mergulhar to fundo dentro dela que talvez nunca mais achasse a sada.
        Mas ela era uma sonhadora. Uma sonhadora que acreditava em amor e " foram felizes para sempre". No era nada to nobre quanto o cavalheirismo que o impedia 
de se comprometer em um caso. Era instinto de autopreservao.
        Ele deixou o olhar cair at os lenis amarrotados.
        - Voc me entendeu mal.
        - Acho que no.
        Ele olhou para cima e encontrou a boca de Sabrina  distncia de um fio de cabelo da sua.
        - Vamos ter um caso, Noah.  
        Uma profunda tristeza se abateu sobre ele.
        - No posso. Eu estaria prestando um grande desservio a voc.
        - No estaria, no. Eu posso aguentar.
        Com um cansado balanar de cabea, ele deixou o olhar vagar por sobre ela uma torturante ltima vez. O que tinha esta mulher que o tentava alm da sua resistncia? 
Dor e esperana reluziam nos olhos dela, perfurando o corao de Noah. Ficar significava machuc-la mais.
        O corao dele, se  que tinha um, estrondeou estupidamente.
        - No, Sabrina. Eu sinto muito.
        Os olhos dela se arregalaram, mas ela no disse mais nada quando ele virou e juntou suas coisas. Ele se vestiu e foi embora, deixando a porta bater atrs 
dele. Inferno! Quando ele tinha desenvolvido uma conscincia?
        
        
Captulo Nove
        
        
        Sabrina rolou, ficando de costas, e encarou o teto. Droga de homem. Como podia t-la abandonado dessa forma? O corao dela se contraiu.
        Eu me preocupo com voc, Sabrina.
        Como poderia se preocupar com ela e partir? Um vrus no cavalheirismo dele. No precisava que ele fosse nobre. Precisava dele nu ao lado dela, dentro dela.
        Apertou o travesseiro e gemeu. Pensar que havia deixado que ele a tocasse e beijasse em todos os lugares. Com certeza, ele tinha dado a ela o que deveria 
ser o pai de todos os orgasmos. Muitas vezes. Fazer sexo com Noah tinha ultrapassado suas mais selvagens fantasias. Queria experimentar novamente o sentimento de 
liberao que tinham compartilhado na primeira noite. Suspirando, bateu com o travesseiro no colcho.
        Quem ela estava enganando? Sabrina queria que ele se preocupasse com ela, realmente se preocupasse com ela. Quero um homem que se preocupe comigo, que coloque 
minhas necessidades acima das dele, que queira me fazer feliz.
        No era exatamente isso que Noah tinha feito? Desde o comeo, tudo o que ele fizera contradizia a imagem que ela fazia dele antes de se conhecerem. Noah, 
o arrebatador de mulheres, no poderia ter nem um osso de cavalheirismo nele, diferente do seu Noah, do Noah que ela conheceu na ltima semana.
        Seu Noah. Sabrina fechou os olhos. Quando tinha comeado a gostar tanto dele? Aqui estava ela, tentando defender suas aes, at parecia que estava... se 
apaixonando por ele. Ela se endireitou, o corao estrondando.
        Amor? Aquele sentimento doentio era amor?
        Ela afundou na cama. Um caleidoscpio de memrias piscava  sua frente. Noah aparecendo do nada para beij-la sem sentido na frente daquele idiota casado 
no avio. Noah chegando como um tipo de anjo vingador para libert-la das garras do produtor questionvel e sua equipe. Noah segurando-a, levando a ela prazeres 
como nunca tinha imaginado.
        Eu me preocupo com voc, Sabrina.
        Ele tinha um modo engraado de demonstrar isso.
        O que tinha feito com que ela o seduzisse? Aps a caminhada deles, ela havia decidido abandonar o plano. Ver Megan e seu irmozinho a fez lembrar que ela 
no havia mudado o que queria da vida. Seduzir Noah no a teria levado nem um pouco mais perto de seus objetivos.
        Convid-lo para jantar tinha sido somente uma estratgia para lutar contra a depresso. Ele deveria ter feito companhia para ela. Ento, a lua e o vinho, 
combinados com a irresistvel atrao que ela sentia por ele e seus hormnios estabanados, conspiraram contra ela.
        Ela sabia como ele era desde o princpio. Ele no tinha feito nenhuma promessa a ela. No a havia seduzido de nenhuma forma. Ela tinha sido tola de glorificar 
o comportamento dele. Noah tinha sofrido de um grave ataque de culpa, nada mais.
        Rangendo os dentes, ela foi a passes largos at o banheiro, para abrir o chuveiro. Entrou debaixo da gua quente. Com movimentos fortes, esfregou cada centmetro 
do seu corpo, como se pudesse lavar a memria do toque de Noah.
        Voc consegue fazer isso sem se envolver emocionalmente? As palavras de Bess rasgaram os ouvidos de Sabrina.
        - Eu no estou emocionalmente envolvida! - Saiu do chuveiro e jogou a toalha em volta do corpo, as mos trmulas.
        Sabrina cerrou os punhos e foi para o quarto se vestir, o olhar caindo nas cortinas que tremulavam com a brisa fina. O luar iluminava a pequena sacada, lanando 
um brilho sedoso sobre a pequena mesa onde ela e Noah tinham compartilhado o jantar.
        Ela engoliu em seco. O olhar de Sabrina voltou para a cama, com o acolchoado desordenado e os travesseiros amarrotados. O estmago dela embrulhou. No conseguiria 
ficar ali. Nem por mais um minuto sequer.
        Correu para o armrio e arrancou a mala da prateleira de cima. At onde sabia, esse caso estava acabado.
        
        O avio mergulhou e nivelou, os motores vibrando em um zumbido constante. Sabrina virou para olhar pela janela escura. As nuvens tinham se movido para esconder 
a lua e as estrelas. Ela suspirou.
        Aps despertar o recepcionista cansado, ela tinha escapado de modo impetuoso do hotel. Dirigindo o carro alugado a toda velocidade, chegou  Cidade do Panam 
em tempo recorde. Para seu profundo alvio, pegou o vo de meia-noite para Atlanta.
        Casa. O pequeno apartamento de Sabrina nunca lhe pareceu to bom. Tinha combinado que um de seus funcionrios abriria a livraria na manh seguinte. Sabrina 
poderia dormir e lamber as feridas. 
        Fechou os olhos, descansando a cabea no encosto alto do assento. Seus membros pareciam muito pesados para se movimentar. Ela fez uma careta. Os msculos 
internos de sua coxa e ndegas estavam doloridos, sem dvida por causa de sua acrobacia de antes com Noah, e por alguma razo inexplicvel seu peito doa.
        - Sabrina?
        Ela acordou com a voz masculina. Seu pulso acelerou. Um estranho de cabelos escuros tinha passado despercebido para o assento ao lado dela. Pelo menor milissegundo, 
ela nutriu a esperana de que Noah a tivesse seguido.
        Mas este homem a investigava com olhos claros, azuis, e seu cabelo tinha um toque ruivo. Ela se endireitou.
        - Eu o conheo?
        Ele balanou a cabea.
        - Ainda no nos conhecemos, mas eu j ouvi tudo a seu respeito.
        Ela levantou a cabea, franzindo o cenho, enquanto ele procurava alguma coisa nos bolsos do casaco. Aps um momento, o rosto dele brilhou."
        - Ah, aqui est. - Ele segurava um envelope amassado.
        - Desculpe, eu no...
        - Meu nome  John Dalton. Eu sou como um parente da Mona. Ela me pediu para ir ajudar a resolver alguns pequenos problemas para o casamento.
        - Ento, voc  parente da Mo... tio John! Voc  o tio John da Mona? - Ela olhou para ele com desconfiana.
        O homem no poderia ter mais que 35 anos. - Como pode ser?
        Ele riu e o sorriso transformou sua aparncia comum. Os olhos dele brilharam e o rosto ficou mais atraente. Sabrina ficou chocada. Ela estava paquerando 
o tio da Mona.
        John abriu o envelope enquanto explicava.
        - Minha irm, que  uns bons dez anos mais velha que eu, casou-se com o pai da Mona, que  uns bons doze anos mais velho que minha irm.
        - Sua irm  madrasta da Mona.
        - Ento, ns no somos parentes consangneos, mas j que tnhamos idades parecidas, e como ela no tem mais ningum na famlia, eu e Mona simplesmente resolvemos 
assim. Ela achou que seria engraado me chamar de tio. Acho que pegou.
        Ele sacudiu a cabea.
        - Eu sempre estive por perto para ajud-la a se organizar. No me surpreendeu quando ela me pediu que viesse antes.
        Entregou a Sabrina a fotografia que havia retirado do envelope. A foto era dela, Cliff e Mona. O garom tinha batido a foto para eles quando saram para 
jantar uma noite. Mona e Cliff sentados juntos aconchegados, sorridentes, enquanto Sabrina se empoleirava reprimida do outro lado.
        Devolveu a foto a John.
        - Ela foi tirada no Blarney's.  um barzinho onde eu e Cliff costumvamos ir. - Ela fechou a boca, surpresa com o ressentimento contido em sua voz.
        A ateno de John continuou na fotografia.
        - Eu gostaria de ter estado l. - Ele levantou a cabea. Seu olhar conectou-se com o de Sabrina. - Eu no teria deixado voc se sentir deslocada.
        - Eu... - Sabrina caiu para trs no assento.
        Como ele tinha feito isso? Ela tinha estado desgostosa por meses, incapaz de admitir para si mesma o motivo. John tinha acertado na mosca. Ela tinha se sentido 
deslocada. Desde que Mona havia entrado na vida de Cliff, Sabrina vinha se sentindo estranha.
        Ela investigou o novo companheiro.
        - Ento, voc est indo a Atlanta a esta hora.
        - Estou pensando em levar minha empresa para l. Eu queria ter um pouco de tempo para encontrar alguns dos meus contatos e verificar a rea. E tem o casamento, 
 claro.
        - Que tipo de negcio?
        John enfiou a foto no envelope e o guardou no bolso de trs.
        - Propaganda. Eu j passo uma boa parte do meu tempo em Atlanta.
        - Por que este vo da madrugada? Ele encolheu os ombros.
        - Foi o melhor que consegui conciliar com minha agenda. Eu poderia pergunt-la o mesmo.
        Sabrina bufou.
        - Voc no quer saber.
        Ele se inclinou mais para perto. Sua gua-de-colnia envolvente girou ao redor dela. Um olhar de simpatia encheu os olhos de John.
        - Claro que quero.
        Algo nele a fez seguir adiante. Talvez fosse sua sinceridade, ou seu olhar emptico, ou talvez o fato de que apesar de ser um completo estranho, ele conseguiu 
extrair uma reao verdadeira dela. Conversar com ele era to confortvel quanto conversar com Bess. O que quer que houvesse em John Dalton, ele fazia Sabrina sentir-se 
segura.
        A chance de desabafar foi irresistvel. Ela contou tudo a ele. Claro que deixou de lado qualquer meno sobre as emoes intensas que tinha experimentado 
durante o fim de semana. Ao explicar sobre o plano e seu fracasso absoluto, uma luz de lamento se derramou na vida dela.
        A depresso de Sabrina estava mais pesada que nunca. Noah poderia estar certo? Ser que o amor verdadeiro era somente uma inveno de sua imaginao? Ser 
que ela nunca acharia o " Homem Certo" ?
        John bateu de leve na mo dela, as sobrancelhas arqueadas em compreenso.
        - Eu sei que  difcil enxergar isso agora, mas foi melhor assim. Voc vai encontrar algum que merea, algum para amar, que amar voc de volta.
        Sabrina estreitou o olhar para John.
        - Voc acredita no amor?
        Ele a olhou por um longo momento, depois meneou, alguma coisa morna brilhando nos olhos dele.
        - Pode-se dizer que sou uma pessoa crdula.
        - Ento, voc j o experimentou em primeira mo? 
        O calor nos olhos dele pareceu brilhar e crescer, deixando Sabrina perplexa.
        - Eu acho que a resposta seria sim.
        Ela o fitou por um momento, ficando tensa sob o olhar dele. No era possvel que todo aquele calor fosse direcionado a ela. A lembrana de uma outra mulher 
certamente fez brilhar aquele olhar morno.
        Suspirando, Sabrina virou-se para contemplar atravs da janela enquanto luzes brilhavam ao longe, embaixo deles. Estavam chegando ao destino.
        - Voc tem sorte.
        - Esta noite eu tenho.
        Ela virou para dar a ele um olhar de indagao.
        - Estava morrendo de vontade de conhecer voc desde que Mona me enviou aquela fotografia. No pude acreditar quando a vi. Deve ser o destino.
        Uma sensao de desconforto correu por ela. Destino. Ela franziu a testa.
        - Talvez no haja destino. Talvez no haja nenhum poema ou motivo para o universo. O mundo e nossas vidas so governados pelo caos e por acontecimentos fortuitos. 
Nada importa. Nada que fazemos ou acreditamos  significativo.
        - Eu tinha ouvido que voc era uma romntica inveterada. Isso no me pareceu muito romntico.
        O piloto anunciou que estavam chegando ao aeroporto. Sabrina brincou com o cinto de segurana.
        - Talvez eu tenha finalmente criado juzo.
        - Oh, eu espero que no. - O comentrio foi to suave, que ela no teve certeza se tinha ouvido.
        O avio comeou a descer e ela virou para ele.
        - No me diga que voc  um romntico de verdade? 
        Um sorriso lento encurvou os lbios de John, e ela no pode deixar de reparar novamente como isso o transformava. Ele faria alguma mulher feliz.
        - Sou conhecido por declamar uma linha ou duas de poesia.
        - Verdade? Poesia? - Apesar da melancolia, o corao dela baqueou.
        - E eu definitivamente acredito em finais felizes, ento, se isso faz de mim um romntico, eu me declaro culpado.
        Sabrina aprumou a cabea e o avaliou. Era bom demais para ser verdade. Ele acreditava no amor e "viveram felizes para sempre". Se ela pudesse ter projetado 
o homem perfeito para ela, John poderia ter sido ele.
        O avio atingiu a pista e planou at parar. Ele apertou a mo dela.
        - Isso foi muito bom, Sabrina. No importa o que voc diga, eu acredito que o destino nos uniu neste vo.
        Ele inclinou a cabea de forma pensativa.
        - Voc vai almoar comigo amanh... - Olhou para o relgio. - Quero dizer, hoje, no vai?
        Ela engoliu ante a esperana aparente nos olhos dele. Como poderia rejeitar um sujeito que acreditava em finais felizes?
        - Com certeza. - Ela ignorou o modo como seu estmago se retraiu. - Almoo seria timo.
        
        A porta do elevador abriu. Noah endireitou os ombros e olhou para o longo corredor que conduzia ao conjunto de escritrios que ele dividia com Cliff. Respirando 
fundo, ele pisou sobre o caminho acarpetado. Tinha gastado boa parte da manh na viagem de volta, mas ainda poderia trabalhar algumas horas. Tinha tempo para fazer 
algumas transaes. Alm disso, quanto mais cedo ele encarasse o scio, melhor.
        A caminhada at as portas de vidro duplo levou um tempo incomum. Noah parou com a mo na maaneta metlica. Uma luz fluorescente brilhava no letreiro dourado 
com o nome de Cliff e depois o seu.
        A culpa queimava o estmago de Noah. Quando ele tomou um tombo em Denver, Cliff o recebera de volta sem perguntar nada, acolhendo-o de braos abertos. Ento, 
menos de um ms depois, a irm dele havia feito o mesmo. S que Sabrina tinha feito isso literalmente.
        Faa amor comigo, Noah.
        Com a expresso firme, ele empurrou a porta. Agora no era hora de chorar o que passou. Tinha trabalho a fazer. Sem dar sequer uma olhada para os lados, 
ele andou a passos largos, passando pela mesa da recepcionista, em direo ao isolamento de seu escritrio.
        - Noah! Graas a Deus voc est aqui. - Tiffany, recepcionista e secretria dos dois, surgiu na frente dele, a mo cheia de pequenos bilhetes. - O Sr. Cramer 
insiste que voc telefone para ele imediatamente. J ligou trs vezes. Alguma coisa sobre a diviso de aes da Home Depot e...
        - Obrigado, Tiffany. - Ele arrancou a pilha de mensagens da mo dela e recuou em direo ao escritrio, as tmporas pulsando.
        - Hum, e Cliff disse que se voc tivesse, uh, colho de aparecer, ele queria v-lo imediatamente... no escritrio dele.
        Noah parou e girou nos calcanhares. Tiffany mordeu os lbios. As sobrancelhas bem-feitas dela arquearam at a linha de contorno do cabelo.
        - Ele parecia um pouco transtornado. Est tudo bem?
        - timo.
        - Oh... devo pegar caf para voc? Ele balanou a cabea.
        - No, obrigado. Acho que devo resolver isso de uma vez.
        Um momento depois, Cliff respondeu  batida  porta com um afiado "Entre".
        Ele olhou para cima quando Noah entrou. Seus lbios tremeram e seus olhos se estreitaram  medida que ele empurrava a cadeira para trs e ficava de p.
        - Diga-me, velho amigo, o que foi isso de voc e minha irm sumirem da festa dela quase ao mesmo tempo, depois ficarem incomunicveis pelo resto do fim de 
semana?
        Noah plantou os ps separados.
        - Oi, Cliff.
        - Voc no pde deix-la em paz, no ? Tinha de fazer mais uma marca na sua cabeceira, no ?
        -  verdade, eu no achei que poderia deix-la...
        - Eu sabia. Voc a arruinou!
        Uma risada seca saiu da garganta de Noah. Como se alguma coisa pudesse arruinar Sabrina. A mulher era perfeita em todos os sentidos.
        - Arruin-la? No nos dias de hoje, no com a idade dela.
        - Que droga, Noah! Como voc pde? - Cliff moveu-se para a frente dele. O estmago de Noah se apertou ao brilho de angstia nos olhos do scio. O cara realmente 
se preocupava com a irm.
        - Ela  uma mulher crescida. Voc tem de deix-la viver sua prpria vida.
        - Mas ela  minha irm, pelo amor de Deus.
        - Olhe, no existe nada entre ns.
        - Quer dizer que vocs no...
        - Quero dizer que ela  especial, como voc disse. Ela merece algum que v trat-la corretamente.
        Cliff o encarou por um momento. Sentou-se na beirada da mesa, os braos cruzados sobre o peito.
        - Ento, voc no est dormindo com ela? Noah balanou a cabea.
        - No. - Ao menos, no mais. 
        Por um longo tempo, Cliff encarou Noah, os olhos estreitos. Ento encolheu os ombros.
        - E como foram as coisas com Darcy?
        - Darcy?
        Parecia ter sido h um milho de anos que tinham conversado sobre ela pela primeira vez. Ele realmente tinha estado interessado? Parecia duro entender que 
ele tinha aceitado a mulher como suborno para sair com Sabrina. Ele se sentou em uma cadeira na frente de Cliff.
        - Olhe, eu apreciaria se voc contivesse seu instinto casamenteiro no futuro.
        - Voc no ficou com Darcy? Mas eu pensei...
        - Eu mudei de ideia. 
        Cliff o encarou novamente.
        - Ento, o que voc fez neste fim de semana? Noah sacudiu a cabea. Como poderia explicar o tempo que passou com Sabrina?
        - Sabrina descobriu tudo sobre nosso acordo com Darcy. Eu no sei, ela deve ter escutado alguma coisa. Ficou transtornada e deixou a festa. Eu fui atrs 
dela. Tinha de explicar. - Ele fez uma pausa. No havia sentido em revelar tudo a Cliff. S o aborreceria. - Eu acabei a seguindo at o aeroporto para tentar falar 
com ela.
        Noah levantou-se e afastou-se.
        - Ela estava planejando algum tipo de caso de fim de semana. No queria ouvir a voz da razo. Ento um cara deu em cima dela. Eles embarcaram juntos... Eu 
no podia deix-la fazer qualquer coisa precipitada. Eu os segui.
        - Um caso? Ela deixou um sujeito estranho peg-la dessa forma?
        Noah o encarou e meneou.
        - Depois houve um jovem patife na praia e um sujeito mais velho no bar.
        - Meu Deus. - A face de Cliff tinha ficado plida. - Ela no fez... voc sabe... com nenhum deles?
        - No.
        - Tem certeza? '
        - Sim. Eu mantive o olho nela. Por que diabos eu a teria seguido? - A meia verdade caiu pesada no estmago dele. Tinha se mantido fiel  verdade... na maior 
parte do tempo.
        - Por qu, afinal? - Por um momento, Cliff o encarou, os olhos apertados. Ento ele se moveu. - Eu sei que virgens no fazem o seu estilo, mas depois que 
vocs dois desapareceram... bem, eu pensei que com certeza...
        Noah fitou o vazio  sua frente, a culpa contorcendo-lhe as entranhas.
        Cliff apoiou-se na escrivaninha.
        - Ento, est preparado para esta semana?
        - Esta semana?
        As sobrancelhas de Cliff arquearam.
        - O ch-de-panela, ensaio na igreja, jantar de ensaio... o dia do meu casamento. Voc ainda  o meu padrinho, no ?
        A sensao ruim cresceu dentro de Noah. O casamento de Cliff. Como poderia ter se esquecido?
        - Claro, eu no perderia.
        - timo. Para ser honesto, eu s quero terminar logo com isso.
        Noah ficou de p.
        - Eu preciso trabalhar.
        Com um rpido olhar para o relgio, Cliff balanou a cabea.
        - Tenho um cliente que est para chegar. &cho que  melhor eu ir trabalhar tambm.
        Meneando, Noah virou-se em direo  porta.
        - No trabalhe muito duro, entretanto. Mona me culpar se voc aparecer exausto no casamento. Ela quer tudo perfeito. No pode haver um padrinho cansado.
        Olhando por cima do ombro, Noah apertou o punhado de mensagens.
        - Tenho algumas ligaes a fazer.
        Cliff assentiu com a cabea e Noah virou-se novamente para partir. Talvez se ele se concentrasse no trabalho, esqueceria o ltimo fim de semana. Estalou 
o queixo e rumou ao escritrio. De alguma maneira, tinha de esquecer Sabrina e o fato de que ele a veria durante toda a semana. Se passassem mais uma vez pela sua 
mente aquelas horas gloriosas que havia passado ao lado dela, ele ficaria louco ou, pior, imploraria para ela terminar o que eles haviam comeado.
        
        - Voc teve um fim de semana de aniversrio agradvel? - Libby emergiu de um corredor, os culos de leitura na ponta do nariz, um livro de capa dura na mo.
        Sabrina parou a caminho do escritrio. Estava extremamente atrasada. Perdera a noo da hora enquanto almoava com John.
        - Oi, Libby - ela suspirou. - Foi tudo bem. Como foi o seu fim de semana?
        - Fomos a uma festa no Shady Grove. Eu ensinei os Petersons a danar tango. - Os olhos dela se arregalaram. - Voc gostaria de aprender?
        - Uh, no, obrigada. - As bochechas de Sabrina se aqueceram. Ela teria estado muito melhor se no tivesse aprendido a ltima dana de Libby. Ficou mortificada 
ante  memria de ter danado para Noah e os resultados desastrosos.
        Libby viu suavemente.
        - Foi muito ruim, querida?
        A campainha da porta tocou. Trish, o funcionrio de meio expediente, acenou pela loja enquanto se dirigia para cumprimentar o cliente que entrou.
        Voltando para Libby, Sabrina suspirou.
        - Foi... desastroso.
        - Voc no foi para a Flrida para se mimar?
        - No vale a pena relembrar. No tenho energia para isso.
        - Sinto muito. No pretendia fazer uma inquisio. Voc s no est com a sua tagarelice habitual.
        Uma resignao entorpecida recaiu sobre Sabrina.
        - Acho que vou passar por um perodo de ajuste filosfico.
        - Oh, isso parece srio. Guarde suas coisas e me encontre no canto de leitura. Vou preparar ch para ns duas.
        Sabrina abriu a boca para protestar enquanto Libby se afastava, mas mudou de ideia. Trish poderia atender ao pequeno nmero de clientes que entravam, e os 
pedidos na mesa de Sabrina continuariam ali. Alm do mais, tomar ch com Libby era classificado como boa relao com os clientes.
        Pouco tempo depois, ela se acomodou  frente de Libby em uma das poltronas que no combinavam, na parte de trs da loja. O vapor subia da caneca que LiHby 
a entregou. Sabrina inalou o odor ctrico.
        Libby se inclinou em direo  caneca.
        -  ch de laranja. Agora, me conte sobre esse ajuste filosfico.
        Sabrina tomou um gole da bebida calmante.
        - Minha experincia durante o fim de semana me levou a repensar minhas ideias sobre o amor verdadeiro.
        - Ah, o amor verdadeiro. Um tpico com o qual estou muito bem familiarizada. Ento, a que concluso chegou?
        Uma risada amarga emergiu da garganta de Sabrina.
        - Que toda a minha ideia romntica de achar o amor verdadeiro no foi nada alm de tolice.
        Libby franziu a sobrancelha.
        - Oh meu Deus, isso  srio. Eu diria que voc teve um interldio romntico que foi menos que satisfatrio.
        Gemendo, Sabrina segurou a cabea com as mos.
        - Oh, Libby, eu fui to idiota. Realmente achei que ele era o "Homem Certo". - Ela levantou a cabea, sorrindo amargamente. - Entretanto, eu devo dizer que 
em certos aspectos ele foi extremamente satisfatrio.
        - Ah. - As sobrancelhas de Libby levantaram em entendimento. - Bem, voc sabe, querida, sexo extraordinrio  certamente parte de um relacionamento de amor 
verdadeiro. No momento em que vi o meu Henry, as fagulhas comearam a voar. Quando danamos, eu soube que seramos timos juntos. Quando ns realmente fizemos sexo... 
bem, eu soube sem dvidas que ele era o homem certo. Eu posso no ter querido admitir na hora, mas l dentro de mim eu sabia.
        - Como... como voc soube? - Sabrina inclinou-se para frente, ansiando pela resposta de Libby.
        Uma luz brilhou nos olhos da mulher mais velha.
        - A Terra tremeu.
        Com um suspiro, Sabrina jogou-se para trs na cadeira. A Terra tremeu. Ela entendia isso. O que ela e Noah tinham experimentado se qualificava como uma sada 
dos eixos.
        - Eu entendo, mas o amor no  s fsico.
        - Claro que no, mas muitas vezes, especialmente se os envolvidos forem honestos sobre as coisas, o fsico vem primeiro. E o resto cresce da.
        - Ou  somente fsico e tudo cai por terra. 
        Libby a olhou de forma cortante.
        - Voc tem de perseverar! Ningum disse que seria fcil. S porque  amor verdadeiro no significa que tudo cair do cu. s vezes voc tem de batalhar.
        A frustrao ondulou por dentro dela.
        - Eu no posso. Ele... ele me dispensou. - Os cantos da boca de Sabrina caram com a memria dolorosa.
        - Tolice. Eu dispensei o Henry pelo menos uma dzia de vezes.
        Sabrina piscou.
        - Voc fez isso?
        - Eu no era muito confiante. J tivera meu corao partido uma vez. S queria um relacionamento fsico, mas sabia que Henry queria mais. Ele merecia mais.
        - Voc est falando como o sujeito que me dispensou. Ele disse que no poderia me dar tudo o que eu merecia. - Um n cresceu na garganta de Sabrina.
        - Bem, meu Henry simplesmente se recusou a desistir. Ele persistiu at botar abaixo a minha resistncia. Como eu disse, eu estava atrada por ele desde o 
incio, mas tinha medo de confiar e me casar com ele. - O lbio dela tremeu. - Mas ele me desarmou.
        Os olhos dela assumiram aquele olhar distante.
        - Eu me lembro do dia em que aceitei a proposta dele. Ela ficou quieta e o corao de Sabrina inflou. Libby merecia o Henry dela.
        Depois de um momento, Libby piscou e voltou para Sabrina.
        - Ele vir atrs de mim. Eu no sei o que o est impedindo, mas ele  o homem mais persistente da face da Terra. Ele vir aqui um dia desses e ter uma maldita 
desculpa.
        A garganta de Sabrina ardia com tanta fora que ela mal conseguiu falar. Inclinou-se para dar um tapinha de leve na mo de Libby.
        - Ns vamos perseverar, Libby. Ns vamos perseverar.
        
Captulo Dez
        
        
        Sabrina passou os dedos pelo copo de vinho e olhou em volta no Blarney's. O bar estava quieto esta noite, com apenas alguns poucos clientes espalhados e 
reclinados sobre as mesas. Um relgio que mostrava o logotipo de uma cerveja popular brilhava na luz escura.
        Onde estava Bess? Sabrina estava quase estourando de necessidade de falar com ela. Quem melhor que Bess para entender seu remorso sobre ceder a seus anseios 
fsicos por Noah, um homem que era completamente errado para ela?
        Bess saberia o que dizer para aliviar a nusea que havia se instalado no estmago de Sabrina. Falar com ela seria um tremendo alvio. Talvez tudo o que Sabrina 
precisava era derramar toda a sua histria sobre o fim de semana horrendo, o fiasco com Noah e seu encontro subseqente com John Dalton.
        John Dalton. Ela tomou um gole de vinho e deixou escapar um pesado suspiro. Ele a havia levado ao mais caracterstico restaurante italiano essa tarde. Embora 
seu apetite estivesse em falta, ela se encantara com o xadrez vermelho e branco das toalhas de mesa, as velas brancas curtas e grossas e o violinista que havia feito 
uma serenata na mesa deles.
        O proprietrio, de rosto redondo, havia, evidentemente, reconhecido John e os atendido pessoalmente. O servio e a comida tinham sido primorosos, e John 
fora caloroso e agradvel. Nunca houve homem mais gentil na Terra.
        Infelizmente ele no era para ela.
        Sabrina balanou a cabea. A linguagem corporal aberta dele e o contato visual fixo mostraram claramente seu interesse. Esse olhar caloroso apareceu nos 
olhos de John diversas vezes e ele no deixou passar nenhuma oportunidade de toc-la. Na verdade, ele pediu para deixar agendadas todas as horas livres que Sabrina 
teria durante o resto da semana. Era tudo que ela podia fazer sem se comprometer.
        O sino acima da porta do bar tocou. Sabrina olhou para cima. O alvio correu por ela quando Bess caminhou em direo  mesa.
        - Eu estava ficando preocupada com voc. - Sabrina cumprimentou a amiga, enquanto Bess se estatelava no banco  sua frente.
        Bess fez um sinal para a garonete, que parecia ser a nica a servir o lugar.
        - Sinto muito pelo atraso. As meninas, pela primeira vez, estavam no poro entretidas com um vdeo, e Tom estava se sentindo um pouco romntico.
        Ela se abanou com a mo e, se os olhos de Sabrina no estivessem enganados, um rubor denunciante rastejou pelas bochechas da amiga.
        - Seria de se pensar que depois de todos esses anos... bem, o homem sabe como manter as coisas excitantes. - Bess virou-se para pedir um copo de vinho quando 
a garonete chegou.
        Ela esperou at a garonete sair antes de continuar com uma voz rouca e terrivelmente ofegante.
        - Na verdade, ele me comprou calcinhas comestveis. Voc pode acreditar?
        - Calcinhas comestveis?
        - Um-hum. Foi incrvel. Ele estava incrvel. Estava to excitado que poderia ter continuado a noite toda. Eu precisava de uma, pausa, entretanto. Ele s 
queria que eu continuasse... bem, voc sabe, de novo e de novo.
        Ela passou as mos pelas sobrancelhas.
        - Quantos orgasmos mltiplos uma mulher pode ter? No que eu esteja reclamando, mas juro que quase tive um ataque cardaco.
        Sabrina balanou a cabea, estupefata. Bess no pareceu perceber.
        - Eu precisava de uma pausa para recuperar o flego. Tive de convenc-lo que valeria a pena esperar se me deixasse escapulir por uma hora. - Inclinou-se 
para a frente e abaixou ainda mais a voz. - Ele vai vestir a outra calcinha. -- Ela chegou para trs. Uma risadinha baixa borbulhou na garganta de Bess enquanto 
ela se abanava novamente.
        A garonete voltou com o vinho de Bess e Sabrina tomou um grande gole do dela. Ignorando o copo de vinho Chablis, Bess virou-se para Sabrina quando elas 
ficaram novamente sozinhas.
        - Eu fico quente s de pensar nele. Desde que... meu Deus, eu ainda nem contei para voc. Este fim de semana foi uma loucura.
        Sabrina balanou a cabea.
        - Eu que o diga. Eu...
        - Ns deixamos minha me ficar com as meninas ontem e fomos a um desses motis. - Bess olhou de relance para um casal na mesa vizinha e se debruou ainda 
mais sobre a mesa. - Um com vdeos e brinquedos erticos. A princpio, eu estava muito desconfortvel, mas o Tom realmente entrou no clima, e bem... eu no pude 
evitar depois disso.
        - Bess. - Sabrina parou. O que poderia dizer? Que achava a atitude da amiga chocante? Que a ltima coisa que precisava ouvir agora era o quo perfeita era 
a vida sexual de Bess? Que at agora ela nunca tinha ouvido falar em calcinhas comestveis?
        Os olhos de Bess se arregalaram.
        - Oh, meu Deus. Como eu pude ter esquecido? - Ela agarrou o brao de Sabrina. - Voc teve o seu caso?
        Sabrina fez uma pausa. Ser que seus inmeros encontros com Noah constituram um caso? Ela sacudiu a cabea. Ele havia declinado seu pedido para terem um 
caso. De repente, j no estava mais to ansiosa para contar tudo  amiga.
        - Na verdade, no.
        Bess a fitou com as sobrancelhas levantadas e encolheu os ombros quando Sabrina demorou a responder.
        - timo. Eu realmente esperava que voc no tivesse. Acredite em mim: vale a pena esperar o homem certo. Eu achei o meu.
        Ela sorriu.
        - Ultimamente, o sexo tem sido melhor do que eu poderia sonhar, mesmo antes deste fim de semana, mas a melhor parte ... - Ela fez uma pausa, os olhos faiscando.
        Sabrina esperou por um momento. O que poderia ser melhor do que sexo incrvel em um relacionamento de compromisso? Finalmente, ela suspirou.
        - O qu?
        - Ns vamos renovar nossos votos.
        - Vocs vo o qu?
        - Vamos nos casar novamente - irradiava Bess.
        - Por qu? - Sabrina no pde evitar o tom de incredulidade na voz.   .
        Bess se aproximou um pouco.
        - Bem, voc se lembra... a primeira vez no foi na melhor das circunstncias. Estvamos ambos um pouco... resistentes, mas parecia necessrio na ocasio. 
Quero dizer, ns nos amvamos, mas o momento... - Ela fez um gesto para fora com a mo.
        Sabrina franziu a testa. Na ocasio, Bess dizia amar Tom, mas Sabrina sempre sentiu que ela dizia isso para se convencer que era a coisa certa a fazer. Tinha 
apenas 16 anos, afinal. O que poderia entender de amor?
        - Bess, voc chorou por semanas antes do casamento.
        - Exatamente. - Bess relaxou, mostrando-se aliviada porque Sabrina a havia entendido, o que no ocorreu. 
        Nem um pouco.
        - Por que voc precisa renovar os seus votos? Esse tipo de coisa no tem data de validade.
        Bess inclinou a cabea.
        - Cus, voc no est parecendo nem um pouco voc mesma, Sabrina.  claro que no tem data de validade, mas queremos celebrar o fato de nosso amor ter durado 
tantos anos, apesar do nosso comeo estremecido.
        Ela suspirou de um modo sonhador, distante.
        - Desde que nos decidimos, tem sido como comear do zero novamente. Ele me liga duas, trs vezes durante o dia. Eu at fui escondida ao escritrio dele na 
semana passada enquanto as meninas estavam na escola. Nunca subestime o poder de uma rapidinha.
        - Ento, vocs dois esto tendo sexo do bom. Isso  timo. Isso  incrvel. - Sabrina fez o possvel para forar algum entusiasmo na voz.
        Queria estar feliz por Bess, realmente queria. S que as confisses francas de Bess tinham deixado Sabrina deprimida. Como se estivesse soterrada por tijolos.
        - Oh.  to mais do que sexo do bom. Eu me sinto quente e vibrante s de sentar de mos dadas com ele em frente  televiso.
        Sentindo-se decididamente insegura, Sabrina mudou.
        - Bess, est me dizendo que est apaixonada pelo seu marido?
        Os olhos de Bess brilharam.
        - Eu sempre o amei, Brina. Ultimamente, entretanto, parece que estamos nos apaixonando novamente.  por isso que queremos renovar nossos votos.
        Ela balanou o copo pela base.
        - Foi tudo ideia do Tom. D para acreditar? Num minuto eu estava falando sobre o casamento de Cliff e Mona e a prxima coisa que me lembro  que ele estava 
de joelhos.
        Ela balanou a cabea e fungou. Os olhos dela nublaram.
        - Foi o momento mais romntico da minha vida. Tenho tanta sorte em t-lo.
        Sabrina olhou longa e fixamente para a amiga.
        - Voc est feliz de verdade, no ? Quero dizer, todo esse tempo ao lado de Tom voc tem sido feliz?
        Bess balanou a cabea e juntou as sobrancelhas.
        - Claro. O que voc pensava?
        - Honestamente? Pensava que voc era muito infeliz todos esses anos, que voc se arrependia de ter desistido de Nova York.
        - Nova York?
        - A fuga. Vogue.
        Uma risada curta abriu os lbios de Bess.
        - Ah, isso. - Seus ombros subiram, depois desceram. - Isso foi um sonho que eu tive h muito, muito tempo.
        - Voc nunca se arrependeu de ter desistido?
        - Pelo Tom? Pelas minhas meninas? No. Nem uma vez. No consigo imaginar viver uma outra vida. No consigo imaginar a vida sem eles.
        Sabrina meneou, maravilhada com a revelao. Bess era feliz. Imagine s.
        - Ento, estou feliz por voc.
        Bess estendeu a mo sobre a mesa para apertar a mo de Sabrina.
        - Eu sabia que voc ficaria. Agora, voc  uma das madrinhas de Mona, mas sei que voc no vai me desapontar. Vai ser minha dama de honra, no vai?
        Um n se formou na garganta de Sabrina. Outro casamento, outra noiva. Ela no tinha ido nenhuma vez at o altar e Bess estava pronta para o segundo tempo. 
Com o mesmo homem.
        Sempre a dama de honra, nunca a noiva. Ela inspirou e impediu a onda de autocomiserao que a tomava.
        - Com certeza. Eu ficaria honrada. Mais uma vez. Um sorriso radiante estourou no rosto de Bess.
        - Eu sabia que voc no me decepcionaria. - Ela olhou para o relgio na parede. - Tom est contando os minutos.  melhor eu ir. Ele prometeu um castigo malcriado 
se eu me atrasar.
        Ela comeou a levantar e parou.
        - Voc quer falar sobre alguma coisa? 
        Sabrina mordeu o lbio e sacudiu a cabea.
        - Eu estou bem. V se divertir.
        - Tem certeza? Voc parece um pouco, no sei, alheia de algum modo. - Bess estreitou os olhos e voltou para a cadeira. - No est chateada ainda por Cliff 
ter subornado o seu encontro? Diga-me que no passou todo o fim de semana amuada e que por isso no levou seu plano adiante.
        - Eu... s estou um pouco cansada. V logo, a no ser  claro, que esteja querendo um pouco de castigo.
        Bess ficou de p e foi para o lado de Sabrina. Jogou os braos ao redor dela em um abrao rpido.
        - Voc  um amor, Sabrina. Contarei todos os detalhes a voc assim que ns os resolvermos.
        Caminhou alguns passos em direo  porta, antes de virar.
        - Ligarei para voc amanh.
        Sabrina forou um sorriso e acenou para ela.
        - Divirta-se.
        Muito depois de Bess ter ido embora, Sabrina ainda estava sentada fitando o vazio. Sua melhor amiga em todo o mundo era feliz, tinha sido sempre feliz. Sabrina 
estava satisfeita por ela. Aqui estava a prova de que o amor existia, que tinha perdurado por todos esses anos em circunstncias menos que desejosas.
        Levantou seu copo e ignorou a sensao esquisita no mago e o vazio no peito.
        - Ao amor - disse e tomou um longo gole. - O que quer que seja isso.
        Cedo na manh seguinte, Sabrina fez uma careta e apagou o que havia anotado na agenda. Embora tivesse planejado ficar bastante tempo esta semana na loja, 
com todas as festividades do casamento, ela ainda tinha de espremer algum tempo para revisar a atualizao do seu oramento. O problema era que entre o ch-de-panela 
na quarta-feira, o jantar de ensaio na sexta-feira e o casamento no sbado, no sobrava muito tempo para trabalhar.
        Precisaria de qualquer tempo ocioso que tivesse para controlar seus nervos para ver Noah outra vez. Por que havia concordado em ser madrinha de Mona? Mona 
tinha, obviamente, se sentido na obrigao de convidar a nica irm de Cliff, e Sabrina no conseguiu pensar em uma s desculpa que a habilitaria a recusar.
        Agora estava fadada a encontrar com Noah em todos os eventos. Uma onda de agonia a varreu por dentro. Como seria possvel encar-lo novamente?
        Apoiou-se no balco da livraria e desejou fervorosamente uma xcara de caf. No dormira muito ontem  noite, depois do surpreendente anncio de Bess.
        A porta da loja gemeu. Ela olhou para cima de seu labirinto de rabiscos. John Dalton pisou na soleira, segurando duas xcaras fumegantes. O aroma de caf 
forte a alcanou, trazendo um tanto de conforto, da mesma maneira que o prprio John parecia fazer.
        Ela deu um sorriso pequeno. O homem era uma maravilha. Por que ele no fazia o pulso dela acelerar como Noah?
        - E, aqui est um homem atrs do meu corao.
        - Ah, um prmio verdadeiramente glorioso. - Ele colocou uma das xcaras na frente dela e retirou vrios pacotes de acar e de creme do bolso.
        - Obrigada. Eu precisava disto. - Ela inclinou a cabea enquanto adoava a bebida. - Eu no estava esperando voc esta manh.  uma surpresa agradvel.
        - Bem, acontece que Mona desaprovou meu smoking. Ela vai me encontrar perto daqui para escolhermos outro. E a verdade  que eu cheguei mais cedo de propsito 
para poder comear o dia vendo uma das mais bonitas mulheres que eu j tive o prazer de conhecer.
        - Eu? - Sabrina repuxou a boca para um lado. Tinha olheiras gigantescas sob os olhos. A ltima coisa que se sentia era bonita. - Nossa, estamos exagerando 
hoje.
        Ele olhou para ela com curiosidade declarada.
        - Voc no acredita que seja bonita?
        Ela suspirou. Gentil e cego como a tia da Bess, Hattie.
        - Eu no quero fazer disso uma discusso. Foi uma observao amvel. Obrigada.
        A mo dele cobriu a dela. Uma vez mais, Sabrina foi golpeada pela bondade de John e o triste fato de no sentir nada com seu toque. Ainda assim, um sentimento 
caloroso caiu sobre ela. Ele debruou por cima do balco mais para perto dela, os olhos cheios de empatia.
        - Sei que nos conhecemos h pouco tempo e que no sou mais que um estranho para voc, Sabrina, mas quero que saiba que me importo com voc. Estou aqui para 
voc, em qualquer funo que voc precisar.
        Ele sorriu.
        - Voc tem um ombro para chorar e ouvidos para ouvir.
        Ela balanou a cabea.
        - Acho que j fiz bastante disso na outra noite.
        - Ah, mas ainda tem alguma coisa pesando no seu pensamento. Alguma coisa que no me contou. - As sobrancelhas dele enrugaram. - Um assunto do corao, acredito.
        Endireitando-se, ela puxou a mo da dele.
        - Meu corao est perfeitamente bem. S estou um pouco cansada esta manh. Nada que um pouco de cafena no resolva. - Ela o saudou com a xcara antes de 
dar um longo gole.
        Ele a olhou atentamente por um momento e foi para longe do balco.
        - Ns ainda iremos juntos ao ch-de-panela amanh  noite?
        No momento, ela estava to cansada que sentia que poderia passar os prximos dias dormindo. Mas, quando dormia os sonhos vinham, reavivando as memrias dos 
momentos ao lado de Noah quando ela havia perdido o controle. Mas se tinha de enfrent-lo, ao menos teria John para apoio moral.
        Ela suspirou.
        - Sim, iremos.
        Ele balanou a cabea.
        - timo. No quero tir-la de seu trabalho. Pego voc amanh por volta das seis da tarde?
        - Estarei pronta.
        Ele balanou a cabea novamente.
        - S tem mais uma coisa que voc deveria saber, Sabrina.
        Ela levantou as sobrancelhas e esperou que ele continuasse.
        - Voc estava certa quando disse que eu era um homem atrs do seu corao.
        Ela o encarou com surpresa. Abriu a boca, mas no tinha ideia do que dizer ante a franqueza dele, ento fechou-a novamente.
        Ele levantou o queixo.
        - Eu queria deixar claro desde o comeo. - Os olhos dele estreitaram. - Vou fazer o possvel para faz-la esquecer quem quer que tenha colocado esse olhar 
ferido em seus olhos, depois vou mostr-la o quanto um homem pode apreciar uma mulher.
        - John... - Mais uma vez, as palavras lhe faltaram.
        - No diga nada. Vai dar tudo certo. Voc vai ver. - Deu outro aceno decisivo, virou-se e foi embora, batendo a porta atrs dele.
        Sabrina passou a mo pelos olhos. Por qu, ah, por que ela no podia se apaixonar pelo homem certo?
        
        Como Cliff tinha achado a mulher certa? Noah colocou o presente na crescente pilha de embrulhos que transbordava de uma mesa decorada com sinos e fitas brancas. 
Cliff e Mona estavam perto, lado a lado, dando boas-vindas alegremente a cada convidado do ch-de-panela que Tiffany preparara para eles. O casal parecia emanar 
um deprimente brilho de felicidade.
        Mais sinos fofos estavam pendurados na entrada para a sala nos fundos do Casey's, um restaurante de madeira polida e com cabines no primeiro andar do prdio 
comercial deles. O dono, um dos clientes de Cliff, tinha conspirado com Tiffany para preparar a festividade.
        - Parece um quadro - disse Tiffany ao lado dele, enquanto se inclinava para ajeitar o lao no presente de Noah.
        -  um quadro.
        - Legal. Dei a eles uma cafeteira com timer. - Ela encolheu os ombros. - Estava na lista. - O olhar dela se fixou atrs dele. - Oh, l est Sabrina. Quem 
 aquele sujeito com ela? No me lembro de t-lo visto na festa dela.
        Sabrina tinha acabado de passar pela entrada da sala. Como uma noiva em um bolo de casamento, ela parou debaixo de um par de sinos de casamento decorativos, 
o brao encaixado no brao de um estranho de cabelos escuros. O olhar dela encontrou o de Noah e o tempo parou.
        Um pouco de emoo obscura se desencadeou nele. Os lbios dela se separaram e o estmago dele se contraiu ao lembrar-se da boca quente de Sabrina. Ela piscou, 
os olhos azuis se arregalaram quando ela desviou a ateno para seu acompanhante. Algo que Noah temia era o cime fervendo dentro dele, torcendo seu interior. Cliff 
moveu-se para perto dele quando Tiffany saiu de perto, resmungando alguma coisa sobre o ponche.
        - Quem diabos  aquele homem? - Noah encarou fixamente o homem de p ao lado de Sabrina. Teria ela retomado a ideia de ter um caso? Ou pior, teria realizado?
        - Oh, esse  o tio de Mona, John.
        - Tio? Ele no parece ser tio de ningum para mim.
        - Voc parece estar com cimes.
        - S estou curioso.
        - Ela tem passado bastante tempo com ele esta semana.
        - Bom para ela.
        - Ele  realmente um bom sujeito. Mona espera que eles se acertem. Ela vem tentando fazer com que ele se mude para c h anos. Ela achou que Sabrina poderia 
ser o incentivo necessrio. Parece que .
        - Oh. - Noah fez o possvel para manter o tom e a expresso de desinteresse. Por que deveria se preocupar se Sabrina se envolvesse com o tio de Mona?
        - Eu soube que ele ja achou um local para o escritrio e fez uma proposta para uma casa, uma casa grande. A proposta foi aceita ontem  noite. Ele certamente 
no perde tempo.
        Uma gota de desconforto atravessou Noah. Ele encolheu os ombros como se para desalojar o sentimento.
        - Bom para ele. Mona deve estar contente.
        - Exultante - interrompeu Cliff, levantando as sobrancelhas sugestivamente. - Parece que  uma tima casa, Sabrina a viu. Tem um jardim bem grande, uma cerca 
branca e, ao lado do quarto principal, um quarto de beb. Ele disse a Mona que tem um plano.
        Noah inclinou a cabea em direo a Cliff.
        - Oh, eu esqueci de adverti-lo. - As sobrancelhas de Cliff arquearam em um pedido de desculpa. - Eu convidei Darcy... voc sabe, antes que voc dissesse 
que no estava interessado.
        Noah seguiu o olhar de Cliff para onde a loura, bebida na mo, traava o caminho em direo a eles. Ainda tinha todas as curvas certas em todos os lugares 
certos, mas os hormnios dele no queriam apreciar tal fato.
        - Ol, bonito. - Ela encaixou o brao no dele.
        - Darcy.
        - Venha. - Mona adiantou-se para agarrar Cliff. - Tiffany quer que a gente abra os presentes.
        - Certo, certo... - Cliff sorriu de forma indulgente enquanto ela o arrastava para mais perto da mesa.
        - No  divertido? - murmurou Darcy. Tomou um gole da bebida.
        Noah balanou a cabea displicentemente, enquanto esquadrinhava a multido que havia se juntado. Sabrina estava de p, perto da parte de trs, o "tio" de 
Mona ainda preso ao lado dela. O olhar de Sabrina permanecia em Cliff e Mona, porm, o olhar de anseio daquele dia na praia roubava os olhos dela enquanto ela os 
assistia abrir os presentes.
        Noah fechou os olhos, evitando uma onda de arrependimento. Um grito de prazer chamou a ateno dele. Com  um ltimo rasgo, Mona abriu a embalagem do quadro 
i que ele havia comprado. Redemoinhos de cores luminosas danavam pela tela. 
        - Noah, eu amei! Como voc sabia? - Os olhos de Mona brilhavam.
        Sabrina tinha se movido para frente e Noah acenou em direo a ela. 
        - Sabrina sugeriu a galeria. O olhar dele cruzou com o dela e, por um momento, ele foi transportado para aquela tarde do primeiro encontro deles. Se pudesse 
voltar atrs e fazer tudo diferente, ele o i faria?
        - Voc, querido. Obrigada. - Mona lanou os braos ao redor dele, desalojando Darcy. 
        Depois de um abrao rpido, ela o libertou, virando-se para Sabrina.
        - Obrigada, Sabrina. Foi muito gentil de sua parte sugerir a galeria.
        - Eu sabia que voc gostava de arte contempornea. - Sabrina moveu-se desconfortavelmente, enquanto John parou ao lado dela e colocou os braos possessivamente 
ao redor de seus ombros.
        As palavras de Libby ecoaram na mente de Sabrina. Voc deve perseverar! Ningum disse que era fcil.
        A raiva acometeu-a quando Darcy espremeu-se ao lado de Noah. O olhar de Sabrina percorreu a mulher antes de pousar novamente em Noah. O homem no deveria 
mais ser capaz de aquecer seu sangue, especialmente com o suborno dele nos braos.
        - Ol, Noah.
        - Sabrina. Voc est adorvel como sempre. - O olhar dele passou por John, o canto da boca de Noah levantou em um movimento lnguido que poderia ser o incio 
de uma carranca. A satisfao correu dentro dela. Ser que ele estava com cimes?
        Sabrina fez um gesto em direo a John.
        - Este  John Dalton. John, Noah Banks.
        Noah aceitou o aperto de mo de John, mas, para satisfao de Sabrina, o msculo de seu queixo se retraiu enquanto eles se cumprimentavam. Ser que ele ainda 
estava interessado? Se ela o persuadisse do modo como Henry havia persuadido Libby, ele acabaria cedendo?
        - E eu sou Darcy Reynolds. - Darcy inclinou-se para frente, apertando a mo de John. - Muito prazer.
        Enquanto John estava ocupado com Darcy, Sabrina chegou mais perto de Noah.
        - Posso falar um instante com voc?
        Ele deu uma rpida olhada em John e Darcy, que j estavam engajados em uma conversa.
        - Eu no...
        - Por favor. - Ela pegou a mo dele, apertando seus dedos com esperana. Ela perdia completamente a razo quando ele a tocava. Talvez ela tivesse um efeito 
similar nele.
        - Tudo bem.
        O pulso de Sabrina acelerou um pouco enquanto ela o guiava atravs da multido. Cliff e Mona estariam ocupados por um bom tempo com a enorme pilha de presentes. 
Agora, tudo o que ela queria fazer era achar um local quieto onde pudesse tentar colocar algum juzo na cabea de Noah.
        O olhar dela balanava de lado a lado. Um corredor curto no fundo da sala levava  cozinha. De um lado do corredor, antes da cozinha, havia duas portas fechadas. 
Ela tentou a maaneta da primeira. Seu corao bateu forte quando a porta abriu.
        Parecia ser uma despensa de mantimentos. Grandes latas, caixas e sacos revestiam as prateleiras que iam do cho ao teto.
        - Aqui - disse ela, arrastando Noah atrs dela.
        - Sabrina, eu no acho...
        - Ento, no faa. S escute. - Depois de acender a nica lmpada suspensa no teto, ela fechou a porta.
        -Este provavelmente no  o melhor lugar para conversar.
        - Voc preferia ter essa conversa l fora, aos ouvidos do meu irmo?
        Ele tomou um flego e se apoiou contra uma prateleira.
        - Olhe, se  sobre o fim de semana...
        - Por que est com medo de ficar aqui sozinho comigo? O queixo dele se ergueu.
        - Eu no estou com medo.
        Ela deixou o olhar passear por ele. O sangue dela aqueceu ante a lembrana do corpo firme dele, de seu toque macio. Apesar de tudo que havia acontecido entre 
eles, ela ainda o queria, que os cus a ajudassem. Voc deve perseverar!
        - Ento, voc no vai se incomodar se eu chegar mais perto... - Ela se moveu de forma que seu corpo roou no dele. -... desta forma.
        As mos dele moveram-se para os quadris de Sabrina e ela se preparou, mas ele nem a repeliu, nem a puxou para ele.
        - Voc disse conversar.
        Um tom rude na voz de Noah fez com que a felicidade florescesse dentro de Sabrina. Ele estava nervoso. Ela se moveu, pressionando os seios contra o trax 
dele enquanto corria as mos pelos msculos slidos dos braos de Noah.
        - Voc consegue negar que me quer? 
        Ele fechou os olhos.
        - Sabrina... - Quando os abriu novamente, as profundidades escuras arderam com o desejo que ele havia compartilhado to livremente com ela apenas alguns 
dias antes.
        - Eu sabia. Voc ainda me quer. - Pressionou os lbios contra os dele, desejando que retribusse o beijo.
        Pelo tempo de uma batida do corao, ele permaneceu rgido, ento passou os braos ao redor dela, cavando sua boca com toda a paixo de seus encontros anteriores. 
A lngua de Noah acariciou a dela com uma fome igual  de Sabrina. Ela bebeu o beijo dele, saboreando o calor delicioso que percorria cada clula de seu corpo.
        Ele escapou para murmurar o nome dela depois pegou a boca de Sabrina novamente, enquanto suas mos repassavam o corpo dela. A mo deslizou para cima, por 
dentro do vestido dela para tocar suas ndegas, enquanto a outra apalpava o seio. O desejo disparou dentro dela. Ela se gloriou na sensao das mos e da boca dele.
        - Noah - ofegou ela quando ele quebrou o beijo, arrastando os lbios pelo pescoo at a clavcula dela.
        Ela se livrou dos botes da frente do vestido, abrindo o caminho para a boca de Noah. Um puxo rpido no fecho dianteiro do suti dela e a lngua dele reivindicou 
o mamilo de Sabrina, fazendo dele um cume. Ela enterrou os dedos no cabelo dele e o embalou em seu seio, a boca dele provocando uma umidade entre as coxas dela.
        - Voc me deixa to quente. - Ele se dirigiu ao outro seio dela, usando os dentes e a lngua como havia feito com o primeiro.
        Ela se moveu contra ele e gemeu.
        - Oohh. Voc tambm me deixa quente. Toque-me. - Guiou a mo dele at o centro de anseio dela.
        Ele no precisou de mais nenhum encorajamento enquanto deslizava os dedos pelo elstico da calcinha para tocar o ponto inchado do desejo dela. Com a boca 
e os dedos dele fazendo sua mgica, a tenso cresceu e girou dentro dela. Ela tocou a dureza do sexo dele por meio das calas compridas e apertou-o.
        Uma batida leve soou na porta. Noah parou e ela engoliu um grito de frustrao. A batida soou novamente e ele se endireitou, afastando-a para que ele pudesse 
comear a ajeitar as roupas dela. O sangue pulsava nas orelhas dela. O corpo de Sabrina doeu com a paixo no resolvida.
        - Sinto muito - murmurou ele.
        A garganta dela se apertou. Sabrina repeliu as mos de Noah, terminando de abotoar o vestido em silncio. Noah moveu-se para longe dela o mximo que o pequeno 
espao permitia. A mortificao a dominou mediante a expresso fria dele. Noah no parecia nem um pouco feliz de ter sido pego com ela.
        Ele ajustou o queixo e abriu a porta.
        - Hum, com licena. - Darcy olhou para dentro, para eles. John estava parado ao lado dela. - Cliff est procurando voc, Noah.
        Sabrina no sabia se ficava grata ou no por Darcy ter desenvolvido esse hbito aborrecedor de interromp-los. Ela com certeza serviu como uma lembrana 
descarada de por que Sabrina deveria parar de se atirar para Noah.
        - Obrigado. Eu sairei em um segundo. - Quando Noah voltou-se para Sabrina, ela estava surpresa de ter visto a mo de John na cintura de Darcy enquanto eles 
retornariam para a festa.
        Qualquer culpa que pudesse ter sentido evaporou naquele momento. Talvez ela tivesse imaginado o interesse de John nela, ou talvez ele tivesse percebido que 
eles nunca seriam mais que amigos.
        Noah parou, apoiado na porta.
        - Eu deveria ter mostrado mais comedimento.
        Ela abriu a boca para protestar, mas ele colocou o dedo nos lbios dela.
        - Voc tinha razo antes. Ns no estamos tendo um caso.
        Um sentimento de afronta a preencheu quando ele virou e saiu. Ela poderia no saber muito sobre essas coisas, mas tinha uma boa ideia de que todo esse tempo 
quente e intenso juntos constitua um caso. A teimosia dele tornou mais difcil a resoluo dela. Ele certamente no facilitaria, mas ela certamente ia perseverar.
        Ela encontrou John um momento depois.
        - Pode me levar para casa, por favor?
        Ele olhou para Darcy, e de novo para Sabrina.
        -  claro.
        Uma pequena alfinetada de culpa atingiu Sabrina por tir-lo da festa. Ele estaria interessado em Darcy? Bem, Sabrina se preocuparia com isso depois. Porque 
agora ela precisava do espao e da solido da sua casa. Tinha planos a traar.
        Da prxima vez, ela teria Noah s para ela, e teria certeza que ningum os interromperia.
        
        
Captulo Onze
        
        
        O lquido mbar girou e parou no fundo do copo de Noah. Ele o ergueu para um longo gole. Fechou os olhos enquanto o lquido lhe queimava a garganta e sacudiu 
a cabea. Ainda podia se lembrar do olhar de afronta de Sabrina quando ele a deixou.
        Depois de Sabrina ter ido embora com John, Noah havia sado discretamente da sala dos fundos para o bar na parte da frente do Casey's. Ele chamou a ateno 
do garom, quando este levantou os olhos aps servir uma caneca de cerveja.
        - Outra!
        O homem encolheu os ombros, mas depois de servir a cerveja, levou a Noah uma outra bebida.
        - Voc est com a cara de quem perdeu algo muito especial.
        - Talvez. - Olhando para o copo, Noah ajeitou o queixo. Uma imagem de Sabrina, os olhos bem abertos e os lbios separados em convite, flutuou pelos olhos 
da mente de Noah. Ele tinha perdido muito.
        - Fracassado - murmurou ele para o usque, quando outro cliente chamou o garom do outro lado do balco de grades de bronze.
        O que Noah sabia sobre dar a uma mulher como aquela o que ela queria da vida: uma casa, filhos... amor? Como poderia dar a ela uma coisa que no existia?
        Ele bebeu outro gole e fechou a mo. Seus dedos estavam entorpecidos. Ele grunhiu de satisfao.
        - Vou querer o mesmo que ele - disse uma voz feminina atrs dele. O banco ao lado foi arrastado. Um cheiro de flores flutuou em cima dele. Ele coou o nariz 
e sorriu quando atingiu a boca em vez do nariz.
        - E a, garoto?
        Ele virou para fitar a recm-chegada. Era loura e curvilnea e terrivelmente familiar. Seu olhar fugiu para a parte de trs dela. Ele franziu o cenho.
        - Darcy.
        O rosto dela se abriu.
        - Claro. Foi muita falta de considerao de sua parte ter sumido com a irm de Cliff novamente. Ainda bem que achei vocs antes que ele o fizesse.
        Ela se inclinou para perto de Noah. O olhar dele fixou-se nos seios dela, presos firmemente pela camiseta fina amarrada. Ele olhou para o prprio colo. Nada. 
Nem um movimento. Abriu a boca. Ou ele havia se embebedado at a obscuridade, ou Sabrina o tinha arruinado para outras mulheres.
        - Ento, o que est acontecendo entre voc e Sabrina? - Darcy recebeu a bebida do garom e deu um gole cauteloso.
        - Quem quer saber? - Aborrecido, Noah piscou, enquanto tentava se concentrar melhor. Suas plpebras estavam pesadas.
        Ela encaixou o brao no dele.
        - Por que no vamos para casa? Parece que voc est prestes a cair. 
        Ele piscou para ela. O bar girou por um momento vertiginoso. Dormir. Ele concordou com a cabea. Dormir parecia bom. Com uma grande dose de dificuldade, 
ele ficou de p. Noah pescou as chaves no bolso. Elas caram pelas pontas de seus dedos at o cho.
        Darcy abaixou-se para peg-las, depois ficou ereta, colocando as chaves no prprio bolso.
        - Por que eu no dirijo?
        Ficar de p parecia impossvel, ento deixou que ela colocasse o brao dele ao redor do ombro dela enquanto deixavam o Casey's. Do lado de fora, ele olhou 
para o cu. A luz da rua balanou e rodou. Ele fechou os olhos. Dormir. Tudo que precisava era dormir um pouco. Tudo estaria bem pela manh.
        
        Sabrina estava deitada acordada, olhando para o teto. Parecia ter virado um hbito desde que conhecera Noah. Ele havia dito que se preocupava com ela. Ser 
que de alguma forma ele no se achava merecedor, que seu passado o havia manchado de forma que ele no se permitia ser feliz ao lado dela? Se Noah gostava dela, 
poderia aprender a am-la?
        Jogando as cobertas para o lado, rolou para o lado e ficou de p. Tinha de descobrir. A nica maneira de conseguir dormir um pouco era ir v-lo e deixar 
as coisas claras. Tinha muitas perguntas e nenhuma resposta.
        Alm disso, na privacidade da casa dele, ela poderia encontrar uma forma de convenc-lo de uma vez por todas que eles deveriam ter um caso.
        Achou o endereo dele na lista telefnica e hesitou brevemente antes de decidir no ligar para avisar. Tinha o elemento surpresa a seu favor. No havia sentido 
em elimin-lo.
        Momentos depois, andou em direo ao carro. A viagem pela cidade parecia no terminar, mas a determinao a conduziu para a casa de subrbio de Noah. Quando 
chegou l, parou, o corao batendo forte. Ento, tomando um longo flego, bateu  porta dele.
        A dobradia velha rangeu. A porta se abriu. Sabrina piscou. Darcy estava parada  porta, apertando um roupo masculino ao redor de suas abundantes curvas. 
O roupo de Noah.
        As sobrancelhas dela se arquearam.
        - Sabrina? Isso no ...
        - No. - Sabrina abriu a boca, mas nenhuma outra palavra saiu. A dor apertou sua garganta enquanto descia os degraus.
        - Espere!
        Sem olhar para trs, Sabrina fugiu.
        
        Umas batidas altas ecoaram nos tmpanos de Noah. Rolou para o lado, estremecendo com a dor. A cabea dele pulsava, o estmago pesava e a boca tinha um gosto 
como se algum houvesse morrido ali dentro.
        As batidas soaram novamente.
        - Que diabos  isso? - Ele agarrou a cabea e gemeu. At seus cabelos doam.
        - Pode deixar que eu atendo.  o entregador de pizza. Eu pedi alguma coisa para almoarmos. Voc perdeu o caf-da-manh dormindo. - Uma figura feminina enfiada 
em um roupo que lhe parecia familiar passou em frente  cama, indo em direo  porta.
        O corao dele disparou. Uma vaga lembrana de Sabrina e seus olhos negros de paixo flutuou atravs de sua conscincia e ele piscou, tentando decifrar a 
trana loura caindo pelas costas de uma mulher.
        - Quem...
        Lembranas borradas da noite anterior se aglomeraram no crebro dele, a expresso chocada de Sabrina quando ele a havia deixado, ele entornando bebida atrs 
de bebida no bar do Casey's, e um bumbum arredondado que no o impressionou da forma como ele esperava.
        - Darcy - resmungou ele e gemeu novamente, lanando os braos sobre os olhos.
        - Boa tarde, bonito. - O lado da cama afundou um pouquinho quando ela se sentou. O cheiro de peperone pairava no ar. - Cliff ligou. Estava muito aborrecido 
por voc no ter aparecido no escritrio esta manh, mas ficou aliviado por eu estar aqui tomando conta de voc. Eu o tranquilizei dizendo que voc estava doente 
e que eu estava cuidando para que melhorasse.
        Mastigou silenciosamente um pedao de pizza e assobiou suavemente.
        - Achei que voc fosse um caso perdido. Ele moveu o brao e abriu um olho turvo.
        - Cliff?
        Ela repuxou a boca para um lado.
        - Mona o est fazendo correr. Ele me pediu para pedir a voc que v experimentar seu smoking e para lembr-lo que o ensaio  amanh  noite, seguido de um 
jantar.
        Maldio. Ele teria de encarar Sabrina outra vez, e to cedo.
        O olhar dele caiu sobre Darcy. O cabelo cado em espirais desordenadas. A abertura do roupo revelava um bom decote.
        - Ns no...
        Ela ergueu as sobrancelhas.
        - Escute, querido, se tivssemos feito alguma coisa, voc se lembraria. Caf? - Ela colocou o ltimo pedao de pizza na boca enquanto ele balanava a cabea.
        Alguns minutos depois, ele se sentou e aceitou a xcara fumegante, mas o aroma forte do caf embrulhou-lhe o estmago.
        - Obrigado.
        - Espero que no se importe com minha intromisso, mas o que est acontecendo entre voc e a irm de Cliff?
        Ele olhou para ela.
        - No que o que voc faa debaixo dos lenis seja do meu interesse.
        - No  mesmo.
        Ela o inspecionou pela borda da xcara.
        - S que ela apareceu aqui na noite passada enquanto voc estava cado. A propsito, ela foi embora quando eu atendi a porta, vestida desta maneira, bem...
        - Maldio. - As tmporas dele pulsaram. Todo o corpo ficou tenso. Como era possvel ele se sentir pior? Sabrina tinha vindo v-lo na noite anterior aps 
ele t-la abandonado e tinha encontrado Darcy na casa dele.
        - Por que voc est vestida assim?
        - Tomamos um tombo no jardim da frente enquanto entrvamos. Meu vestido ficou sujo. Voc  um cara grande, sabe?
        Ele enterrou as palmas das mos nos olhos. Isso s estava ficando pior.
        - Eu vou pagar pelo seu vestido.
        - No tem problema. Vai ficar bom depois de lavar. Eu tentei explicar, mas ela no quis ouvir. Sinto muito.
        timo. Sabrina provavelmente havia vindo falar para ele que tipo de porcaria ele era. Agora nunca falaria com ele novamente. No importava que ele no tivesse 
ficado com Darcy. Em circunstncias normais, ele no teria hesitado em deitar aqueles grandes seios louros em sua cama.
        Maldio, se  ele no quisesse fazer exatamente isso, no teria feito aquele acordo estpido com Cliff em primeiro lugar. Nunca teria tido de sair com Sabrina. 
Toda esta semana teria sido completamente diferente. Quem poderia dizer se ele no teria acabado em algum hotel com Darcy?
        - Aqui, aspirina para a sua cabea. Eu nunca saio sem elas. - Ela estendeu a mo para ele com duas drgeas brancas na palma.
        Aps um momento de hesitao, ele deslizou as plulas para dentro da boca e engoliu-as com um gole de caf. Resmungando, ele alcanou o telefone para discar 
o nmero de Sabrina.
        Tinha de falar com ela. O que diabos ele diria ainda no sabia, mas esperou com o corao batendo em algum lugar na garganta. Depois de vrios toques, a 
secretria eletrnica atendeu.
        Ele desligou, o corao ainda golpeando e uma dor sombria enchendo seu peito. Ele remoeu o problema. Era quinta-feira. O casamento seria dali a dois dias. 
Fazia sentido que ela no estivesse em casa. A mulher tinha uma vida, afinal de contas.
        E no o inclua.
        O arrependimento o sufocou. Sabrina o odiava, sem dvida. Provavelmente nunca falaria com ele novamente, o que era bastante justo.
        - Olhe, Noah..- Darcy moveu-se ao lado dele na cama. - Eu falarei com ela, se voc quiser. Explicarei que eu s estava tentando ajudar.
        Ele levantou a cabea e a encarou por um longo momento, cheio de raiva de si mesmo.
        - Obrigado, mas acho que  melhor deixar tudo como est.
        - Tem certeza?
        Acenando com a cabea, ele alcanou a cala que estava jogada no encosto de uma cadeira. De alguma maneira, Darcy o havia despido na noite anterior.
        Ela se moveu para trs dele.
        -  uma pena que as coisas no tenham funcionado entre ns. Poderia ter sido divertido.
        Ele exalou e olhou fixo para ela. Darcy era uma mulher bonita, sem dvida. Deus a tinha abenoado abundantemente em todos os lugares certos. Era lamentvel 
que Noah no conseguisse demonstrar nenhum entusiasmo. Ele nivelou seu olhar ao dela.
        - Talvez em outro lugar, num outro momento.
        As sobrancelhas dela se arquearam e a boca arredondou em um beicinho.
        - Bem, eu conheci uma pessoa na noite passada e parece que h um interesse mtuo. - Ela foi em direo ao banheiro, pegando o vestido que estava pendurado 
na maaneta ao passar.
        - Bem, boa sorte. Acho que evitarei relacionamentos por um tempo. Eles so simplesmente muito complicados. - Puxou uma camisa limpa da gaveta.
        - Voc realmente deixou isso mal resolvido. 
        Ele estreitou os olhos.
        - Mal resolvido?
        - Voc deixou isso mal resolvido para ela, Sabrina. Talvez vocs dois devessem ter um romance selvagem e liberar essa sensao incmoda em seu ser.
        Ele franziu o cenho.
        - Eu no tenho ela, nem ningum, em meu ser.
        Ela se contorceu dentro do vestido. A vestimenta se agarrou ao corpo.
        - Se voc diz. Tudo o que sei  que, da ltima vez que fui dispensada, o cara estava caidinho por uma stripper. Pobre sujeito, ela fugiu com um vendedor 
de aspirador de p. De qualquer forma, voc tem o mesmo tipo de olhar abandonado.
        - E voc  perita no assunto?
        - Eu reconheo um caso de paixo quando vejo um. - Lanou um olhar direto para ele.
        Noah no respondeu. Pelo que ele sabia, Darcy no se qualificava como perita em amor. Ele andou pelo quarto, catando a gravata, as meias e os sapatos.
        Quando j estava vestido, parou ao lado dela.
        - Preciso ir trabalhar. Obrigado por tomar conta de mim ontem  noite. Voc precisa de uma carona?
        - Um amigo est vindo. Posso terminar de me aprontar? Trancarei tudo.
        - Acredito que uma mulher que deixa uma festa para tomar conta de um bbado caindo pelos cantos j provou ser de confiana.
        - Obrigada.
        - Obrigado a voc. Eu no costumo beber daquela maneira. Uma dose de tequila  o bastante.
        Ela parou de aplicar rmel nos olhos para olhar para ele.
        - Talvez voc devesse dizer para Sabrina que est apaixonado por ela.
        Ele agarrou a pasta e fez um grunhido ridculo.
        - Eu no acredito no amor... ou em finais felizes.
        - Oh. - Ela voltou ao rmel. - Ento deve ser s a ressaca.
        Ele acenou com a cabea. Certo. Era a ressaca. Deu uma ltima olhada em Darcy antes de ir embora. Uma coisa era certa. S porque ele tinha perdido de repente 
o gosto por louras de seios grandes no significava que ele estava apaixonado.
        Nenhuma dvida a esse respeito. Definitivamente era a ressaca.
        
        O sol brilhava atravs dos galhos altos, marcando o asfalto, enquanto Sabrina forava os passos em direo s portas principais da Igreja Catlica de So 
Pedro. Ela respirou fundo e endireitou os ombros,  medida que subia os degraus na frente da igreja. As pernas dela cambalearam e ela desejou muito que John estivesse 
a seu lado. Entretanto, ele no faria parte do ensaio e tinha ido se reunir com o corretor de imveis para finalizar o contrato da casa que estava comprando.
        O medo a tomou ante a expectativa de ver Noah novamente. Uma dor renovada queimou por dentro dela  memria de ter encontrado Darcy  porta dele, vestida 
em nada alm do roupo. Que idiota tinha sido! A humilhao a tomou com o pensamento de todas as vezes que se atirara para ele. L no fundo, tinha se convencido 
de que ele a queria.
        S podia culpar a si mesma. De sua prpria maneira, ele deveria querer bem a todas as mulheres com as quais j havia dormido. Ele jamais fizera uma. promessa 
e tinha sido honesto sobre suas intenes. Como uma boba, deixou as emoes alcanarem grandes propores, convencendo-se de que ele simplesmente ainda no tinha 
compreendido seus sentimentos verdadeiros.
        Parou diante das portas duplas de madeira. Por que tinha escutado Libby? Perseverar? Como algum poderia perseverar com isso? A tristeza pesou fortemente 
no corao de Sabrina. Uma lgrima caiu e rolou pela bochecha. Ela deveria perseverar pelos prximos vinte e tantos anos, esperando que Noah criasse juzo?
        - Sabrina! Aqui, querida! - Ao som da voz da me, limpou a umidade das bochechas e se virou em direo ao estacionamento.
        A viso dos pais sorrindo amplamente enquanto se aproximavam, de braos dados, liberou o n no estmago dela e enviou um leve toque de confiana que fluiu 
por ela. Como no poderia ser encorajada pelo evidente afeto deles um pelo outro?
        Sim, o amor verdadeiro vivia nos coraes de seus pais. At Noah, descrente como era, deveria ser capaz de ver isso. Tinha sido abenoada por ter sido criada 
por esses exemplos. Empurrando para o lado a prpria tristeza, ela firmou um sorriso.
        Gabriella jogou os braos em volta de Sabrina antes que ela alcanasse o ltimo degrau.
        - Minha menina linda. Deixe-me v-la. - Inclinou-se para a frente, encolhendo os ombros. - Por que, olhe para essas olheiras embaixo dos seus olhos, no 
tem dormido direito ultimamente?
        - Ela est maravilhosa, Gaby, pelo amor de Deus. Voc precisa comear a critic-la imediatamente? - Don Walker sacudiu a cabea felpuda, a boca dela repuxava 
em desaprovao.
        - Pai. - Sabrina libertou-se da me para se enterrar no abrao aconchegante do pai. - Voc andou malhando novamente, no foi? - Ela apertou o bceps inchado 
dele.
        Ele grunhiu em resposta, chegando para trs.
        - Eu no sei por que ele  to fascinado por essa malhao. Frequentando uma academia com essa idade. Por que no pode se unir ao grupo com o qual eu fao 
caminhadas? - A me inspecionou o pai por olhos estreitos.
        Don olhou para ela.
        - So um bando de velhas gazelas. Por que eu ia querer ser visto com elas?
        Espantada, Sabrina encarou os pais. O que havia acontecido com aqueles dois? Nunca os tinha visto brigar daquela maneira.
        - Ns deveramos entrar. Estamos atrasados. Eles j devem ter comeado.
        Os ombros de Gabriella caram.
        - Desculpe, querida. Ns estamos cansados da longa viagem.
        - Vocs vieram de carro? - Mais uma vez, Sabrina olhou com espanto.
        Trs anos atrs, seus pais se aposentaram e foram morar em West Palm Beach, na Flrida. Tinham feito a longa viagem de volta para Atlanta somente em uma 
ocasio, desde ento. A me havia passado to mal durante a viagem de dez horas que tinha jurado que nunca mais viria de carro novamente. Depois de cuidar da me 
por dois dias, Sabrina havia concordado.
        - Seu pai, que no se importa de pagar uma personal trainer, disse que  muito caro viajar de avio.
        Antes que Don pudesse refutar, a porta da igreja se abriu. Cliff os cumprimentou com um aceno apressado.
        - Eu pensei ter ouvido algum aqui fora. Venham, padre 0'Connal est comeando.
        Ele abraou o pai e a me enquanto entravam rapidamente. Sabrina piscou os olhos, ajustando-os  iluminao escura. Ela se apertou contra uma parede para 
ficar fora do caminho de vrias pessoas que estavam no pequeno saguo. Uma menina pequena com trancinhas e um menino da mesma idade, presumivelmente a dama e o pajem, 
pulavam para dentro e para fora da roda de adultos. Padre 0'Connal estava de p no meio deles, falando e gesticulando muitos.
        Mona surgiu do aglomerado de pessoas, os olhos calorosos dando boas-vindas.
        - Sabrina, tive medo que voc estivesse presa em algum lugar.
        - O trnsito estava bem pesado na rodovia. - Ela analisou a ponta do sapato.
        No podia admitir que desde que havia descoberto o quo tola havia sido por ter um "quase caso" com um playboy, o simples ato de levantar-se da cama a cada 
manh havia se tornado a mais assustadora das tarefas. Na verdade, ir para a igreja onde sabia que veria Noah havia tomado cada grama de resoluo dela. Ela estava 
grata pelo trnsito.
        Mona apertou o brao de Sabrina.
        - No caso de eu ainda no ter lhe dito, estou muito agradecida por voc ter aceito ser uma das minhas damas. Sei como voc  ocupada. Isso significa muito 
para mim.
        A
        - Estou feliz por fazer isso, Mona. - Apesar de ser muito duro estar aqui. Pelo canto dos olhos, ela olhou de relance para Noah. Ele estava conversando com 
uma mulher ruiva que Sabrina no reconheceu. Sua garganta apertou. Com fora.
        - Bem, eu tenho sido meio empurrada para voc. Sei que no tivemos muita chance de nos conhecermos, mas espero que isso mude daqui para frente.
        A profunda sinceridade no olhar de Mona tocou Sabrina.
        - Eu sempre quis uma irm. Os olhos de Mona embaaram.
        - Eu tambm.
        Padre 0'Connal bateu palmas.
        - Certo, vamos colocar todos alinhados. Vocs dois, cavalheiros - apontou para Cliff e Noah -, vo estar bem na frente comigo. A procisso comea com os 
padrinhos em fila indiana, depois as damas, seguidas pela dama de honra. - Ele fez um gesto em direo  ruiva.
        - E eu? - A menininha de trancas balanou animada nos calcanhares. No devia ter mais que 4 anos.
        Padre 0'Connal sorriu de forma benevolente e a guiou at a fila, atrs da moa ruiva.
        - Voc fica aqui.
        - E depois eu? - perguntou o menino.
        - Sim, voc  depois.
        - E eu no vou perder a aliana.
        - No, tenho certeza que no vai. - O padre passou a mo no cabelo dele. - Agora, vamos tentar com msica. Mary? - Padre 0'Connal gesticulou para uma mulher 
robusta que se apressou.
        Um sbito sentimento de conscincia arrepiou os cabelos da nuca de Sabrina. Ela olhou para cima. Por um momento repugnante, ela congelou quando seu olhar 
cruzou com o de Noah.
        - Para a frente comigo, cavalheiros por aqui. Noah? - O padre esperou pacientemente. 
        Sabrina lanou o olhar para o cho, torcendo para que o zumbido nos ouvidos aquietasse. Apertou as mos para evitar que tremessem.
        Para seu alvio, a msica comeou. Pelos prximos poucos minutos, ela se concentrou em colocar um p na frente do outro, obrigando-se a caminhar atrs da 
outra dama e mantendo-se em sintonia com a msica. A luz do sol penetrava atravs de grandes janelas de vidro que subiam alto acima deles pelos dois lados do ambiente 
com bancos alinhados. Ela se desequilibrou uma vez, quando olhou para cima e viu Noah observando-a. Estava parado de p, rgido e alto, ao lado de Cliff.
        Depois que todos j haviam achado seus lugares designados na frente, Mary comeou a Marcha nupcial. At usando roupas comuns Mona provou ser uma noiva bonita. 
Os olhos dela arderam em calor e seu sorriso se ampliou quando viu Cliff.
        Ele irradiou em retribuio, seu excitamento quase tangvel. O corao de Sabrina se encheu quando Mona se uniu a Cliff diante do altar. Eles estavam to 
obviamente apaixonados. A medida que ensaiavam os votos de casamento com o padre 0'Connal, a profunda emoo que os dois compartilhavam parecia extrapolar e tocar 
a todos. A me de Sabrina chorava ruidosamente no banco da frente. A ruiva suspirou e olhou para Noah, mas ele parecia fixado em Mona e Cliff, o olhar misterioso 
e srio.
        Lgrimas encheram os olhos de Sabrina. Ela no tinha sido nada alm de uma baguna hormonal ultimamente, chorando ao primeiro sinal.
        - Aqui. - Outra dama, uma morena baixinha, entregou a ela um leno de papel. - Eu sempre choro em casamentos. E ensaios. - Ela sorriu ligeiramente e enxugou 
os prprios olhos. - Espere at amanh. Eu parecerei as cataratas do Niagara.
        Sabrina acenou em agradecimento e secou discretamente as lgrimas. Mais uma vez, o arrepio de conscincia a percorreu. Lentamente levantou os olhos e viu 
que era o alvo do olhar intencional de Noah. A compaixo que enchia os olhos dele fez com que ela derrubasse lgrimas novamente.
        Felizmente, o padre comeou a organizar a procisso para a retirada. Cliff e Mona precederam todos os outros, os rostos brilhando em sorrisos. A pequena 
dama saltou logo atrs dele, espalhando flores imaginrias, enquanto o pajem se apressava para tentar manter o ritmo dela. Noah seguiu, com a ruiva agarrada em seu 
brao.
        Sabrina pegou o brao que um dos padrinhos ofereceu e permitiu que ele a acompanhasse, deixando a ltima dama e o ltimo padrinho para segui-los.
        - Sou Antnio. Conheo Cliff desde o colgio. Agora entendo por que ele nunca deixou nenhum de ns conhec-la.
        As bochechas de Sabrina coraram.
        - Sinto muito por isso, Antnio. Cliff sempre foi superprotetor.
        Talvez se Cliff a tivesse apresentado para mais amigos, ela poderia ter encontrado algum e se estabelecido h muito tempo. Ela deu um suspiro quando o rgo 
ecoou a ltima nota.
        Antnio parou, ficando ao lado dela quando chegaram ao saguo. Noah parou na frente deles, a ruiva ao lado. Ele firmou o olhar em Antnio.
        - Antnio, pode deixar a Sabrina ir agora. O ensaio j terminou. Voc sabe como Cliff  protetor. Voc no ia querer que ele tivesse uma ideia errada.
        O acompanhante de Sabrina franziu o cenho enquanto olhava dela para Noah e depois para a ruiva. Sabrina segurou a lngua, aborrecida com as tticas usadas 
por Noah. Ela no faria uma cena e envergonharia Cliff e Mona, mas de onde Noah tirou a ideia de que era seu co de guarda?
        - Est tudo bem, Antnio. - Ela agarrou o brao dele ainda mais apertado, mesmo quando ele tentou se afastar.
        - Eu no sei. Noah tem razo. Seu irmo pode ser realmente irracional. Eu o conheci anos antes de saber que tinha uma irm. Eu preciso, hum, verificar uma 
coisa. - Fez um gesto torto e Sabrina soltou seu brao.
        - Bem, foi um prazer finalmente conhec-lo. Acredito que nos encontraremos amanh.
        Antnio deu uma ltima olhada cautelosa para Noah e encolheu os ombros.
        - Com certeza. Espero ansioso por isso. Voc vai ao jantar?
        - Sim. - No podia deixar de ir. Era ela que tinha resolvido tudo.
        - Quer uma carona? - perguntou Antnio.
        - Ela j tem carona, no , Sabrina? - Noah arqueou a sobrancelha, como que a desafiando a dizer o contrrio.
        - Na verdade, vou dirigir meu prprio carro. O restaurante fica no meu caminho para casa.
        - Bem, ento eu verei voc l.
        - Certo. - Sabrina balanou a cabea e o padrinho sumiu na multido. Ela se virou para a ruiva. - Desculpe-me, mas voc poderia nos dar licena por um instante?
        A mulher lanou para Noah mais um olhar ardente e encolheu os ombros.
        - Com certeza. - E desapareceu na direo em que Antnio partira.
        O saguo estava ficando vazio  medida que os membros do grupo partiam para o restaurante. Sabrina foi at os degraus da frente. Noah a seguiu at que ela 
conseguiu um ponto perto de um grupo de rvores ao longo de um dos lados da igreja.
        Ela o atropelou.
        - O que foi aquilo? 
        - O qu?
        - Toda aquela atitude de co de guarda. Se eu quiser segurar o brao do Antnio, se eu quiser ir com ele para o restaurante, isso  problema meu.
        Os olhos de Noah escureceram quando ele se inclinou para perto dela.
        - Como eu disse antes, algum tem de tomar conta de voc. Voc tem uma tendncia a se meter em confuso.
        A raiva queimou dentro dela.
        - Voc no  meu guardio. Voc no  meu nada. Ns no estamos tendo um caso.
        A fasca nos olhos dele enfraqueceu.
        - No, ns no estamos.
        - Certo, bem... ento est bem. Estou feliz que tenhamos deixado isso claro. - Ela deveria ter sentido alguma satisfao quando se virou para ir embora, 
mas durante o caminho para o jantar de ensaio tudo o que ela sentiu foi angstia. 
        O dia seguinte amanheceu ensolarado e luminoso. John telefonou para dizer que se atrasaria um pouco, mas ainda teriam bastante tempo. Ouvir a voz dele j 
era um blsamo para o corao dolorido de Sabrina. Ele aparecera para o jantar de ensaio e ela conseguiu sobreviver ao jantar com um sorriso engessado e meneando 
e concordando com todos. Era incrvel como tantas pessoas conseguiam levar um monlogo com o mais leve encorajamento. Tinha ido embora o mais cedo que a educao 
permitira, alegando uma dor de cabea.
        John chegou perto da hora que prometera. Eles haviam entrado h pouco no saguo, quando foram de encontro aos pais de Sabrina. Gabriella exagerava na arrumao 
da gravata do marido.
        - Por que resolveu usar esta aqui? Eu tinha escolhido uma boa para voc. Esta aqui tem uma volta engraada. Acho que no foi bem cortada. O que voc fez, 
comprou de segunda mo?
        Com um grunhido impaciente, Don afastou suas mos.
        -  uma gravata boa. Gloria me deu de aniversrio. Pelo menos ela teve a decncia de comemorar comigo.
        - Eu estava pronta para comemorar. Voc que simplesmente escolheu sair com aquela sua treinadora desfrutvel antes que eu chegasse da minha caminhada em 
grupo.
        Sabrina alcanou a mo de John, o estmago afundando. Limpou a garganta para se fazer notar.
        - Me, pai, eu gostaria que vocs conhecessem um amigo meu. Este  John Dalton.
        De uma s vez, Gabriella e Don calaram a boca e viraram para olhar para John. Um pequeno rubor rseo surgiu nas bochechas de Gabriella. Ela abriu a boca, 
depois fechou, piscando rapidamente.
        Don estendeu a mo.
        - Prazer em conhec-lo. Desculpe por nossas maneiras rudes. Este  o primeiro casamento de nossos filhos.
        - Sim - acrescentou Gabriella -, ns s estamos um pouco nervosos. Est tudo bem.
        John deu um passo  frente e apertou a mo dela.
        - Eu estava ansioso para conhecer vocs. Sabrina me contou que esto se preparando para comemorar 30 anos de casados.
        Foi a vez de Don ficar vermelho, enquanto Gabriella ficou envolvida com o padro de desenho do carpete. O desconforto anterior de Sabrina voltou, s que 
agora tinha ganhado intensidade. Alguma coisa estava terrivelmente errada com os pais.
        Ela mudou de assunto apressadamente e, depois de alguns instantes, eles j estavam de braos dados de novo, sorrindo amplamente. Sabrina deslizou a mo pelo 
cotovelo de John e suspirou. Talvez seus pais ainda estivessem cansados da rdua jornada. Tambm, como eles haviam dito, o casamento poderia estar deixando-os um 
pouco estressados.
        Sabrina alisou seu vestido de dama. Mona havia escolhido cetim pssego com cintura baixa e decote aberto. Sabrina tinha ficado satisfeita de no precisar 
de nenhum ajuste depois da primeira prova.
        - Quero achar Cliff, depois vou avisar Mona que estou aqui. Ver se ela precisa de alguma coisa.
        John acenou com a cabea, apertando a mo dela enquanto se espremiam por um pequeno agrupamento de convidados que estavam no vestbulo. Ela mordeu o lbio 
enquanto olhava para os rostos desconhecidos. De alguma forma, tinha de passar por essa provao com o mnimo contato com Noah.
        - Sabrina? Voc est tima. - Brendan, um dos amigos de Cliff presentes na festa dela, a tocou no brao. Deu a John uma olhada curiosa.
        Mais uma vez, Sabrina fez as apresentaes necessrias e se virou para Brendan.
        - Voc viu meu irmo em algum lugar?
        Ele acenou com a cabea em direo a um corredor lateral curto.
        - Acho que o vi escapar naquela direo. Tente a porta da direita.
        - Obrigada. - Ela virou quando os pais pararam atrs dela. - Talvez possamos dizer um rpido ol antes da cerimnia.
        Sem esperar uma resposta, ela guiou o pequeno grupo at a porta que Brendan tinha indicado. Talvez Cliff pudesse fazer algo para reparar as coisas entre 
os pais deles. Bateu suavemente  porta.
        Um amortecido "Entre" foi a resposta. Ela girou a maaneta e abriu a porta. O brilho do sol atravessava uma cortina pendurada em uma pequena janela lateral. 
Na frente de um espelho envelhecido, Mona estava de p, brincando com o vu que flua descendo por suas costas sobre um vestido que parecia brilhar  luz.
        Ela virou, e Sabrina tomou flego. Mona parecia uma princesa de conto de fadas. O desejo nasceu no peito de Sabrina. Para seu horror, a sala tornou-se embaada. 
Ela piscou. Meu Deus, com tantos dias para os hormnios despertarem, este no era um deles.
        - Mona, querida! - Para mais um desnimo de Sabrina, sua me correu pelo quarto para se lanar nos braos de Mona.
        Os olhos de Mona se arregalaram em surpresa.
        - Sra. Walker! - Elevou o olhar a Sabrina e a seus companheiros.
        - Voc est to bonita. - Gabriella soluou sobre o vu translcido.
        Sabrina deu um passo adiante.
        - Me. Voc vai arruinar o vestido. - Lanou um olhar de desculpas para Mona, movendo-se para retirar a me de cima dela. Obviamente essa coisa de hormnio 
era hereditria. - Eu sinto muito. Este  um dia muito emocionante para ela.
        - Est tudo bem. - Mona acalmou a mulher mais velha. - Eu tambm estive um pouco chorosa esta manh.
        Gabriella se endireitou e enxugou os olhos com um leno que retirou de uma minscula bolsa pendurada ao pulso.
        - Oh, deixe-me ajud-la com isso. - Melhorou imediatamente quando comeou a ajustar o vu.
        - Voc poderia? Obrigada. - Mona virou-se novamente para o espelho, enquanto a futura sogra agitada lhe arrumava o vestido.
        A garganta de Sabrina queimou. Mais uma vez, piscou para eliminar a umidade aborrecedora dos olhos. Olhou para o pai e para John, que estavam parados um 
de cada lado da porta. John levantou a mo em um gesto interrogativo.
        - Ns estvamos procurando Cliff. - Sabrina ainda queria passar um pouco de tempo com Mona antes do casamento, mas esperaria at a me terminar o que estava 
fazendo.
        Mona olhou para cima e encontrou o olhar de Sabrina no espelho.
        - Ele est do outro lado do corredor.
        - Obrigada.
        - Diga a ele que o verei mais tarde. - A me acenou para eles, os olhos brilhando. - Estou cuidando da noiva dele.
        Sabrina meneou a cabea duramente, odiando o cime que a queimava por dentro. John colocou um brao reconfortante ao redor dos ombros dela quando cruzaram 
o corredor. O pai dela bateu  porta.
        Cliff respondeu quase imediatamente.
        - Papai! - Deu um tapinha no ombro do pai quando se abraaram rapidamente.
        John chegou  frente para apertar a mo de Cliff. Sabrina relaxou. Sem a me, a tenso acabou no pequeno grupo.
        - Boas notcias sobre aquela casa, John. Parabns. - O sorriso de Cliff esparramou-se. - Acho que voc sabe o quanto Mona est emocionada. Ela est ansiosa 
para ter voc por perto.
        - Bem, ela me ver muito agora. Eu planejo apressar o fechamento. Mal posso esperar para me mudar para c.
        O corao de Sabrina acelerou. Ser que ela tinha cometido um erro no procurando John? Ele tinha tanto a dar. A memria da mo dele na cintura de Darcy 
flutuou por sua mente e ela pareceu zangada. John estaria interessado naquela mulher?
        A cabea de Sabrina latejou. No podia pensar naquilo agora. Tinha de se concentrar em superar os prximos dias. Esperanosamente, John acharia algum que 
merecesse a vida de conto de fadas que ele parecia ansiar dar a uma mulher de sorte. Era uma pena ela no ser essa mulher.
        Cliff olhou o relgio.
        - Escutem,  melhor vocs irem se sentar. J est quase na hora.
        Ele olhou para Sabrina e abriu os braos. Ela caminhou at eles, deixando-o envolv-la num abrao forte.
        - Seja feliz, Cliff-murmurou ela.
        Ele chegou para trs e acenou com a cabea, ento a encostou sob o queixo dele.
        - Voc tambm, Brina. - O olhar vagueou at John e novamente para ela. - Voc tambm.
        As bochechas dela esquentaram. Cliff no conseguia ver que eles no eram mais que amigos? Pelo menos John no tinha tido sucesso em sua promessa de ganhar 
o corao dela.
        Eles saram para o hall. Sabrina parou na frente da porta de Mona.
        - Pode ir. Vou ver como Mona est.
        Para a decepo dela, Mona estava rodeada de ajudantes. A outra dama e a dama de honra ruiva tinham se unido a Gabriella, exagerando nos cuidados com a noiva. 
Sabrina ficou parada de forma desajeitada  entrada, antes que Mona virasse e a fizesse entrar.
        - Sabrina, entre. Acho que no as apresentei corretamente, com todo o alvoroo de ontem. Achei que talvez vocs tivessem se conhecido no ch-de-panela. Estas 
so Heather e Connie. - Ela indicou primeiro a ruiva e depois a morena atraente.
        Sabrina balanou a cabea.
        - A gente se conheceu ligeiramente. - Tinha estado muito distrada com Noah para notar os outros convidados no ch-de-panela. 
        Heather estava abrindo os botes minsculos na parte de trs do vestido, libertando a longa cauda. Sabrina moveu-se, sentindo-se um pouco fora de lugar, 
mas querendo deixar tudo certo entre ela e Mona antes da cerimnia. De alguma forma, parecia importante.
        - Mona... - ela brincou com o bracelete no pulso. Um que sua me havia lhe dado no aniversrio de 21 anos. - Se voc no tem nada emprestado, eu adoraria 
que voc usasse isto.
        Os olhos de Mona se arregalaram enquanto ela pegava o bracelete.
        - No, eu no tenho. Eu havia esquecido, na verdade. Obrigada.
        - Eu trouxe uma liga azul para voc. - Connie pulou para procurar em sua bolsa sob uma mesa por perto.
        - E seu vestido  novo, certo? - Gabriella sorriu.
        - Est correto. E o meu cordo  velho. - Mona deslizou a liga para baixo do cetim cor de marfim. Respirou fundo quando Heather afofou a cauda uma ltima 
vez. - Acho que estou pronta.
        - Vou avisar ao padre 0'Connal. - Heather saiu graciosamente do quarto.
        Connie pegou Gabriella pelo cotovelo.
        - Vamos procurar um dos padrinhos para levar voc para sentar. Ela olhou para Sabrina. - Ns deveramos ir para nossos lugares.
        - Irei em um instante. Quero desejar boa sorte a Mona.
        Com um aceno, Connie saiu com a me lie Sabrina. Sabrina virou-se para Mona.
        - Bem... boa sorte.
        - Obrigada. Eu me sinto to honrada de fazer parte da vida de Cliff.
        - Na verdade, eu realmente queria me desculpar por no ter sido mais receptiva com voc antes. Acho que, de certa forma, eu sentia que voc estava tirando 
o Cliff de mim.
        - Oh, Sabrina, eu nunca quis fazer isso. Eu invejo seu relacionamento com Cliff. Ele fala de voc e se preocupa com voc o tempo todo. Acho que eu fico um 
pouco ressentida de vez em quando.
        - No precisa ficar. Qualquer um pode dizer que meu irmo est de quatro por voc. - Sabrina apertou as mos de Mona. - Estou to feliz por voc. Estou to 
feliz por mim. Estou ganhando uma irm.
        - Eu tambm. - Mona abriu os braos e Sabrina a abraou, com cuidado para no desprender-lhe o vu.
        Ela se endireitou, sorrindo de verdade pela primeira vez em dias.
        - Pronta?
        - Pronta.
        A msica de rgo encheu o ar, em harmonia com os aromas de variadas flores. Buqus de flores adornavam vrias mesas auxiliares, inclusive os bancos. Pelo 
menos cerca de cinquenta convidados sentaram-se de cada lado do corredor dividido por fitas decorativas. Muitos murmuravam suavemente uns com os outros. Na parte 
de trs, uma mulher mais velha fazia com que dois meninos jovens se calassem.
        
        John estava sentado na seo da noiva.
        Por mais que odiasse admitir, Sabrina precisava do apoio moral dele agora. Se ao menos pudesse estar sentada ao lado dele. O rgo deu incio  msica de 
entrada e Sabrina caminhou em seu lugar atrs de Connie. Manteve o olhar deliberadamente afastado da frente da igreja enquanto se movia calmamente pelo corredor 
em direo ao altar onde Noah estava de p solenemente ao lado de Cliff.
        Ao passar por John, ela virou a cabea para buscar o olhar tranqilizador dele, mas seus olhos estavam fixos na frente da igreja e seu olhar era qualquer 
coisa, menos amigvel.
        Confusa, ela virou a cabea para seguir o olhar fixo de John. O corao dela pulou em um salto. Noah estava de p do lado do altar, os ps afastados, os 
braos ao lado do corpo, as mos fechadas. Ela buscou um pequeno gole de ar. Ele estava arrasador de smoking, e seu olhar negro estava fixado nela.
        
        
Captulo Doze
        
        
        O corao de Noah baqueou quando Sabrina andou pelo corredor. O que era isso - agora que ela estava to alm do alcance dele, tinha ficado ainda mais bonita? 
O olhar dele varreu sua forma esbelta sob o vestido de cetim. Mentalmente, atravessou cada cncavo, cada curva do delicioso corpo dela.
        Cliff tossiu ao lado dele, trazendo Noah de volta ao presente. Meu Deus, ele estava de p no altar de uma igreja, desejando Sabrina. Se existia um inferno, 
ele tinha acabado de ganhar a entrada.
        Ela pisou na plataforma elevada e manobrou para junto da pequena morena. Quando Heather se uniu a elas, a organista comeou a tocar a Marcha nupcial. A noiva 
de Cliff apareceu na parte de trs da igreja, radiante, num vestido cor de prola, o pai ao lado.
        Mantendo a boca fechada, Noah estava formalmente de p ao lado de Cliff enquanto Mona se aproximava conforme as notas triunfantes do rgo. A cerimnia procedeu 
em um borro. Concentrar-se nas npcias foi impossvel para Noah, quando tudo no que podia pensar era em Sabrina e no homem com um plano para dela.
        Ele cerrou os punhos e se forou a focalizar .em Mona, enquanto ela sorria e contemplava o noivo. Os olhos dela brilharam, a face se iluminou com um brilho 
vistoso. Cliff tambm tinha um certo brilho sobre ele.
        Franzindo o cenho, Noah sentiu uma dor aguda, pouco conhecida, de inveja. Obviamente, esses dois compartilhavam uma emoo mais profunda que a luxria. Teria 
o bom e velho Cliff achado de fato o amor?
        Sentindo-se mais desconfortvel do que gostaria, Noah suspirou de alvio quando o padre os pronunciou marido e mulher. Uma determinao severa fez com que 
ele passasse pela sesso de fotos com os recm-casados. E com Sabrina. Teve a sorte de manter sempre um nmero de pessoas entre eles. Ela tambm parecia propensa 
a manter a distncia, entretanto ele teve a dolorosa conscincia da presena dela o tempo todo. Ao final, o fotgrafo pediu para tirar fotos somente com os noivos.
        Noah no hesitou em se dirigir para fora. Precisava de ar. Ignorando tudo o mais, focalizou um facho de luz do dia fluindo por uma das portas duplas abertas. 
Enquanto se esquivava da multido de convidados, uma mecha de cabelo castanho capturou o olhar dele.
        Ele diminuiu a velocidade e virou. Sabrina havia, de alguma maneira, chegado at ali. Estava de p do outro lado do vestbulo. Como se sentisse o olhar dele, 
ela se endireitou e olhou para ele. Novamente os olhares se cruzaram. Os olhos azuis dela se arregalam e seus lbios se abriram.
        O corao de Noah bateu forte. Ela havia enrolado o cabelo, prendendo-o com arte sobre a cabea, de forma que se formasse uma cascata de cachos. O ajuste 
do vestido acentuava as curvas dela de uma maneira que o calor cresceu dentro dele. Ao mesmo tempo, ela parecia inocente e sensual como o inferno.
        Antes que pudesse perceber o que estava fazendo, ele tinha se espremido atravs da confuso de corpos em direo a ela. O que ia dizer ou fazer quando a 
alcanasse escapava de seu controle no momento. De alguma forma, somente ficar perto dela parecia mais importante que qualquer outra coisa.
        Estava a um passo de distncia quando John apareceu novamente ao lado dela. Com um olhar de advertncia para Noah, ele colocou os braos ao redor de Sabrina. 
Ruborizada, ela desviou o olhar enquanto John a virava em direo  porta.
        Noah os encarou. Desta vez, tinha de ser honesto consigo mesmo. A sensao devastadora que o torcia por dentro pouco tinha a ver com cime. Tinha tudo a 
ver com o fato de Sabrina ter encontrado um homem capaz de lhe dar um final feliz.
        - Voc gostaria de algo para beber? - John pousou o brao no encosto da cadeira de Sabrina.
        Ela retirou seu olhar de Mona e Cliff, que circulavam pela pista de dana.
        - Que tal vodca e tnica? - Ela tambm poderia chafurdar no desespero.
        Os pais dela tinham voltado a brigar pouco tempo aps a cerimnia, e a me havia se recusado a ir para a recepo com o pai. Desde que haviam chegado, nenhum 
tinha falado com o outro. Cliff s tinha olhos para Mona. Estava inconsciente do comportamento estranho dos pais.
        John deu um beijo rpido em sua bochecha e saiu para o buf e bar no outro lado do salo de dana. Como prometido, o casamento estava sendo um evento para 
superar todos os demais. Sabrina viu quando John sumiu na multido.
        O homem era perfeito. Era uma rocha. Tinha sido uma ncora ao longo da cerimnia, lanando-lhe olhares de apoio sempre que ela estivera em perigo de desmoronar.
        Ela achou que estivesse pronta. Tinha se certificado mentalmente, mas nada poderia t-la preparado para a viso de Noah naquele smoking. Quando ela o viu 
e seus olhares colidiram, ela mal pde respirar, quanto mais deixar de olh-lo. O corao havia acelerado e o calor, inundado seu copo.
        Tudo o que poderia fazer era continuar andando. Mesmo agora, as bochechas coravam s suas lembranas. Como Noah poderia afet-la estando do outro lado do 
salo?
        Depois que todos saram da igreja, Noah tinha andado at ela. Como uma tola encantada, ela ficara parada no lugar, at que John a enlaasse com seu brao 
protetor e a guiasse para fora. O que ele pensaria dela? Agora, ele seguramente j tinha adivinhado o papel que Noah exercia na vida dela.
        Mas ele se absteve de mencionar a fascinao inapropriada dela. O bom e velho John. Ele a mantinha a salvo e segura. Era reconfortante t-lo por perto. Como 
tinha sorte por t-lo conhecido, mesmo que nunca passassem de bons amigos.
        Talvez ele estivesse certo. Talvez o destino os tivesse unido. Se no tivessem se encontrado naquele avio, num momento em que ela estava to emocionalmente 
abalada, provavelmente ela no teria derramado sobre ele toda sua triste histria. Eles certamente teriam se conhecido, mas, sob diferentes circunstncias, no teriam 
se unido to rpido. No curto espao de uma semana, ela sentia como se o conhecesse por toda a vida.
        - O que aconteceu com seu co de guarda? - disse Noah calmamente ao seu ouvido.
        Ela se assustou, quase batendo nele. O corao quase saiu pela boca.
        - Noah! Voc me assustou.
        Ela levou a mo ao peito e lanou o olhar em volta procurando por John, olhando para todos os lugares, menos para Noah.
        - Est falando de John? Foi pegar alguma coisa para beber. Ele voltar em breve, acredito.
        - No com as filas do tamanho que esto. - Ele puxou a cadeira ao lado dela e se jogou sobre ela. - Ento, de qualquer modo quem  esse sujeito?
        Endireitando-se, ela afastou os joelhos dos dele. Depois de tomar um bom flego, ela falou o mais tranquilamente possvel, enquanto sentia o sangue pulsar 
nas orelhas.
        - O nome dele  John Dalton. E  meio aparente de Mona.  dono de uma agncia de propaganda em Panam City e est se mudando para c, para Atlanta.
        - E ele acredita em contos de fadas.
        Sabrina o encarou. Arrependeu-se imediatamente. Ele a recompensou com um de seus sorrisos devastadores. O pulso dela batia forte, e ela franziu o cenho firme.
        Os ombros largos dele se moveram.
        - Certo, bem, talvez somente em cercas brancas e finais felizes.
        - E se ele acreditar? Muitas mulheres acham isso extremamente atraente.
        - Ah! Mas o que a atrai exatamente? O conto de fadas brilhante ou o homem propriamente dito?
        Ela hesitou. Noah achou que ela estava interessada em John.
        - O homem,  claro.
        A sobrancelhas grossas de Noah se ergueram. O olhar escuro dele a penetrou. 
        -  claro.
        - O que voc quer? Seu bibel precioso no pde resolver?
        - Est falando de Darcy?
        - Quem quer que seja. - Onde estava John?
        - Ela me disse que voc foi at a minha casa na outra noite.
        Sabrina o encarou com as bochechas queimando. Tinha esquecido o quo direto ele poderia ser.
        - Olhe, at onde eu sei, aquela noite nunca aconteceu. Na verdade, toda esta semana no aconteceu. Entendeu?
        - Por que foi at a minha casa? O que voc queria de mim?
        A raiva a impeliu contra ele. Cresceu dentro dela e a ajudou a lembrar-se do quanto ele era vulgar. A lembrana de Darcy atendendo  porta com o roupo dele 
queimou em sua mente.
        - No era nada. Eu estava enganada.
        - Sobre o qu?
        Estreitando os olhos, ela se inclinou para ele.
        - Sobre voc. Sobre a noo errada de que poderia existir um corao nessa carcaa que voc chama de corpo. E a ridcula ideia de que talvez aquele corao 
pudesse ser nobre. - As palavras verteram antes que ela pudesse impedi-las. - Sobre o pensamento absurdo de que talvez ns pudssemos compartilhar mais do que um 
caso.
        A boca de Noah se transformou em uma linha, e seus olhos nublaram, mas ele levou um tempo antes de responder.
        - Entendo. - Ele empurrou a cadeira para longe da mesa. - Sinto muito que voc se sinta dessa forma, mas est tudo bem, j que no somos... feitos um para 
o outro.
        Ele ficou de p e olhou para ela.
        - Vou lhe dizer uma coisa, entretanto. Voc pode esquecer o que aconteceu entre ns, se quiser, Sabrina, mas Deus sabe que eu nunca esquecerei.
        Depois que ele se virou e foi embora, ela fechou os olhos. Eu no vou chorar. Por que ele a havia aborrecido? Ela cometera um erro, enchera a cabea com 
ideias apesar de saber tudo sobre ele desde o incio. Tudo o que tinha a fazer era enterrar essa histria no passado e fixar as vises no futuro.
        O futuro. O que reservava para ela? O que a atrai exatamente? O conto de fadas brilhante ou o homem propriamente dito? Ela deu um suspiro. Ar, ela precisava 
de ar. Precisava ir para longe desse barulho, dessa multido.
        Olhando em volta uma ltima vez em busca de John, ela abriu caminho pelas fileiras de mesas at um jogo de portas que se abriam para um terrao. Levantou 
o rosto para o sol morno e respirou fundo.
        - Eu estou cansado, Gabby. Estou cheio dessa sua atitude de santa. Quanto mais cedo resolvermos isso, melhor. - A voz raivosa do pai chegou at ela vinda 
do canto.
        Franzindo o cenho, Sabrina foi em direo ao som, mas hesitou quando a me comeou a falar.
        - Por mim, est timo. No agento mais essas brigas. Vamos ligar para o advogado quando voltarmos.
        A voz dela oscilou. 
        - Vamos simplesmente vender a casa. Eu no a quero. Nunca quis. Vou pegar minha metade e me mudar para c, onde sou querida, onde posso ver meus netos crescerem. 
- Um soluo alto amorteceu a ltima palavra.
        Chocada, Sabrina fez a curva.
        - O que est acontecendo aqui?
        Os pais viraram-se para ela, os olhos arregalados.
        - Sabrina... - comeou o pai. A me colocou o rosto entre as mos e chorou, os ombros sacudindo.
        - Ah, inferno. - Don colocou seu brao ao redor dos ombros dela com grosseria e bateu de leve. - Est tudo bem. Talvez possamos ao menos ser amigos novamente, 
assim que estivermos assentados. Talvez tudo o que precisamos seja de um pouco de espao.
        Gabriella lamentou mais intensamente.
        - O que est acontecendo? - repetiu Sabrina, olhando de um para o outro. - O que vocs querem dizer com vender a casa?
        O olhar triste do pai encontrou o dela.
        - No  bvio, Brina? Estamos nos separando.
        - No. - Sabrina sacudiu a cabea. - Vocs no podem fazer isso. Vocs dois se amam. - Ela apontou para a me. - Voc sempre disse que ela era seu docinho.
        Gabriella pegou o leno que Don ofereceu. Assoou o nariz com uma exploso forte.
        -  verdade, meu bem. - Os olhos dela brilharam. - Eu sinto muito. No queramos que voc descobrisse dessa maneira. amos contar a voc e seu irmo em algum 
momento depois do casamento. No queramos estragar as coisas.
        - Estragar as coisas? - A garganta de Sabrina queimava. Ela piscou, mas desta vez suas lgrimas se recusaram a ser educadas. Elas se derramaram por sua face 
abaixo em torrentes quentes. - Vocs esto arruinando tudo!
        Estava agindo como uma criana mimada quando se virou e correu para longe deles. Tudo o que queria era se jogar na cama, espernear e gritar at perder o 
flego.
        Como eles podiam? O mundo estava conspirando para provar a ela que Noah estava certo? Finais felizes no existiam. O amor era realmente uma inveno da imaginao 
dela.
        Ela parou e se apoiou em uma parede baixa de tijolos. Uma porta vizinha rangeu ao abrir e fechou. Ela esfregou os olhos com as mos, olhou para cima e viu 
Noah parado na frente dela. Seus olhos negros diablicos a encaravam com uma quantia enervante de compaixo. De todas as pessoas no mundo que podiam v-la em desespero, 
ele era sua ltima escolha.
        Empertigando a coluna, ela ergueu o queixo.
        - Espero que voc esteja satisfeito agora. 
        As sobrancelhas grossas dele se juntaram.
        - Voc tinha razo. - Ela ergueu os braos e os deixou cair em derrota. - Sobre tudo. - A voz falhou quando novas lgrimas desceram por sua face.
        - Sabrina, no faa isso. - A voz dele, cheia de preocupao, reverberou por ela. Ele estendeu a mo.
        Ela vacilou.
        - No, no faa voc. - Ela se ajeitou e empurrou-o para trs. - Fique longe de mim, com seus olhos malditos.
        - Sabrina. - Desta vez, ele esticou a mo e pegou o brao dela.
        Ela escapou dele.
        - No faa isso.
        A porta rangeu ao abrir novamente. Lanando um olhar escuro a Noah, John se apressou para o lado dela.
        - Sabrina, o que aconteceu?
        Arrastando o olhar de Noah, ela se virou para o John.
        - Voc poderia me levar para casa, por favor?
        Ele hesitou, olhando de volta para a porta que conduzia  recepo. Ento ajeitou os ombros.
        - Certamente.
        Com o brao seguro sobre Sabrina, ele a conduziu at o carro.
        
        O cheiro de cloro queimou as narinas de Noah na manh seguinte quando ele manobrou passando pela piscina do condomnio de casas de seu pai. Trabalhadores 
tinham removido a cobertura da piscina, evidentemente preparando-o para a nova estao. A primavera estava chegando.
        Passando por vrias fileiras de vasos de plantas, ele rumou para a casa de seu pai, no final de uma pequena passagem. David Banks respondeu o seu toque quase 
imediatamente.
        - Noah. Entre. Acabei de preparar um caf. Quer uma xcara?
        - Parece timo. Como voc est, pai? - Ele pisou no batente. Como sempre, a casa do pai cheirava a fumo em uma tabacaria.
        - No muito bem. Meu corao tem me dado um pouco de trabalho. - Ele conduziu Noah  pequena cozinha e encheu duas xcaras.
        Erguendo as xcaras, acenou em direo  varanda que circundava a parte de trs da casa.
        - Vamos sentar l fora. O doutor disse que preciso de bastante ar puro.
        Noah o seguiu. Eles se instalaram em cadeiras de ferro forjado colocadas junto a uma mesa que combinava.
        - Que tipo de trabalho?
        Dave balanou a mo em negao.
        - Nada srio. S estou ficando velho, eu acho. As partes esto gastando. Preciso fazer uma dieta, no ficar muito estressado. - Ele franziu o cenho. - Preciso 
parar de fumar e de beber.
        Noah deu um gole no caf. Conhecendo o pai, a situao tinha de ser sria para ele sequer mencionar.
        - Seu mdico  bom?
        - . O melhor. Ele vem me remendando h anos. Dr. Stevens. Sua me tambm o consultava, antes de fugir para as malditas montanhas. Mulher insana.
        - Bem, voc parece forte o bastante.
        - Com certeza. Tenho caminhado todos os dias. Ainda gosto de jogar um pouco de golfe. Tnis de vez em quando, quando consigo achar um jogador que valha o 
esforo. - Ele suspirou. - Acho que no tenho muita alternativa, a no ser viver uma boa vida estes dias.
        - Engraado. - Noah se mexeu no assento acolchoado. - Tenho pensado muito nisto ultimamente: o que constitui uma vida boa.
        As sobrancelhas de David se ergueram.
        - Estou com um sentimento que no estamos falando sobre parar de beber tequila.
        - Eu costumava achar que tudo o que eu queria da vida era uma boa dose de tequila, uma carreira desafiadora e uma boa mulher para namorar, mas ultimamente... 
no sei mais o que quero.
        - Eu sei o que eu quero. - Seu pai olhou ao longe, por cima do declive gramado.
        - O qu?
        Ficou em silncio por tanto tempo que Noah achou que ele no ia responder. Ento dobrou as mos sobre o colo e olhou atentamente para o filho.
        - Quero sua me de volta.
        Noah arregalou os olhos, surpreso. Encarou o pai sem ter certeza de como responder.
        -  tolice, todos esses anos desperdiados. Ela est sozinha. Eu estou sozinho. Eu esperava que ela cedesse muito tempo atrs. Mulher teimosa.
        - Ceder? Do que voc est falando? Vocs se odeiam. Os olhos de Dave brilharam com recordaes de um passado mais feliz.
        - Ns nos amvamos. Nunca duvide disso. Nosso amor era digno de livros.
        - Por favor. Eu estava l, lembra? Ele inclinou a cabea.
        - Voc s est se lembrando dos ltimos meses. Pense em antes, quando voc era garoto. Lembra?
        Enrugando as sobrancelhas, Noah tentou se lembrar. Recordaes nebulosas apareceram na mente dele - seu pai brincando de pega-pega com ele enquanto a me 
os olhava com os olhos brilhantes; seus pais se beijando na cozinha; carinhos sussurrados  noite. Todo esse tempo ele tinha focalizado em apenas alguns meses ruins? 
Espantado, ele olhou para o pai.
        - Mas as coisas estavam realmente ruins perto do fim. - To ruins, que aparentemente ele bloqueara todos os momentos felizes.
        - Isso foi um erro; meu erro. Eu tambm admiti isso, pedi desculpas at perder o flego, mas aquela mulher tem um corao duro. Quando ela se fecha para 
voc, pode esquecer. - Ele fez um movimento cortante com a mo. - Nunca fique mal com ela. No que eu j tenha lhe dado muito motivo para me perdoar. No posso dizer 
que eu tenha me perdoado.
        - Que tipo de erro? David encolheu os ombros.
        - Uma pequena transgresso.
        - Voc quer dizer um romance? - Noah o fitou, descrente.
        - No um romance, na verdade. Foi s uma vez, bem, houve aquela vez no vestirio do clube, tambm.
        - Voc teve um caso. - Ele nunca tinha pensado nessa possibilidade. Seu pai era um homem honrvel. Pelo menos Noah sempre pensara nele dessa forma. Nunca 
fora do tipo que corria atrs das mulheres, nem mesmo aps o divrcio.
        - Voc precisa entender. Eu estava tendo uma crise de meia-idade ou algo do tipo. Eu precisava provar que ainda era jovem e atraente. Aquela jovem me fez 
sentir invencvel novamente. - Ele inclinou a cabea para trs e contemplou o cu.
        - Quem era ela?
        Endireitando-se, o pai nivelou o olhar ao dele.
        - Era uma garonete no restaurante em nosso clube de tnis. Tinha... - Fez movimentos com as mos na frente do corpo para mostrar o tamanho dos seios dela.
        - Meu Deus. - Noah bateu com a mo na testa. - Bonnie, ou algo assim. Eu me lembro dela.
        - Sim. Ela mesma. Voc sabe, a forma como ela me olhava me fazia sentir dez anos mais jovem. Me fazia sentir como se eu fosse um heri ou algo assim. O estresse 
do trabalho, a rotina do dia-a-dia de um casamento no existia no momento em que eu estava com ela. - Ele parou, um olhar aflito no rosto.
        - A segunda vez foi no vestirio. Sua me nos pegou. Eu sabia, no momento em que a vi, que nosso casamento tinha acabado. - Ele balanou a cabea. - Eu poderia 
ter arrancado meu corao pela dor nos olhos dela. Eu a amava... ainda amo.
        - Pai... - Noah estava sem palavras.
        - Aquela garonete no significou nada para mim. Era somente aquela mulher que momentaneamente me distraiu do que era realmente importante. No consigo me 
perdoar por ter causado tanta dor  sua me. Se eu tivesse a chance, faria tudo diferente, mostraria a ela o quanto eu realmente a amava. Eu daria tudo por uma segunda 
chance.
        Ficaram sentados em silncio por um momento. O vento rufou por eles, fazendo um jogo de sinos de vento tilintar por perto. Noah inclinou-se para frente, 
colocando a mo sobre a do pai.
        - Sinto muito. Eu no tinha percebido o quanto voc amava mame.
        - Ah, eu no sei por qu estou lhe dizendo tudo isso agora. S estou me sentindo um pouco melanclico ultimamente. Talvez voc no cometa o mesmo erro, no 
?
        - Se voc encontrar uma mulher para amar, agarre-se a ela. Mantenha-a em primeiro plano em seus pensamentos. No a perca por uma fantasia passageira. Uma 
pequena aventura  uma coisa se voc est livre e solteiro, mas no vale a pena abrir mo de uma boa mulher por isso.
        Ele ergueu a xcara de caf e fez uma pausa antes de beber um gole.
        - Nada  melhor que uma boa mulher que ame voc.
        Noah concordou com a cabea. Os sinos de vento cantavam suavemente. Seu pai estava certo. Talvez Noah soubesse a verdade dessas palavras desde o incio. 
Talvez tivesse comeado a sentir isso quando conheceu Sabrina.
        De longe ela era a melhor mulher que conhecia. Era terrvel no conseguir tir-la da cabea. 
        Ele a tinha visto fugir para o terrao durante a recepo, sabia que devia deix-la quieta, mas alguma coisa na expresso dela o fez segui-la. Quando ela 
levantou os olhos chorosos, ele quase perdeu o controle.
        Tudo o que ele queria fazer naquele momento era abra-la e acalmar seu sofrimento.
        Mas ela no era dele, para ele poder abra-la. Ele tinha tido um caso - aquele interldio muito curto que o deixou desejando e esperando. Mesmo agora, ele 
no conseguia esquecer como tinha sido com ela.
        - Nunca subestime o poder do amor. - A voz do pai interrompeu seus pensamentos. - Ele pode virar um dio poderoso. Estou vivendo com este ltimo. Ela me 
odeia, agora. Vai continuar me odiando at que estejamos os dois muito velhos e decrpitos.
        Noah inclinou a cabea.
        - Como voc pode estar to certo? Tem falado com ela ultimamente? O tempo cura tudo. Talvez ela esteja com mais tendncia ao perdo agora.
        Uma pequena risada estourou dos lbios do pai.
        - Ela no me escutar. Por que acha que ela se mudou para as montanhas? Ela no consegue ficar nem no mesmo estado que eu.
        - Sinto muito, pai. Talvez as coisas se ajeitem um dia. 
        O pai grunhiu e baixou a xcara de caf com um estrondo.
        - Chega de conjecturas. Que tal bater uma bolinha com seu velho? - Ele gesticulou para a quadra de tnis, alm da rea da piscina.
        Noah ficou de p.
        - Hoje no. Talvez da prxima vez. Tenho algumas coisas muito srias em que pensar.
        - Pensar em largar as doses de tequila? - Os olhos de David brilharam.
        Aps olhar para ele por um longo momento, Noah meneou.
        - , talvez algo assim.
        

      Captulo Treze
        
        
        O murmrio constante de vozes se misturou ao tilintar dos talheres de prata contra a porcelana fina. Sabrina abaixou o copo de gua e deu um sorriso valente 
para John.
        - O que farei at voc voltar? Fiquei to acostumada em t-lo por perto.
        Ele esticou o brao para apertar a mo dela.
        - Eu fiquei feliz de poder apoi-la esta semana..
        - No foi uma das minhas melhores. Espero que voc saiba que me pegou no meio de uma confuso. Eu no costumo ser to lastimvel.
        - Voc teve seus momentos. Eu vi fagulhas suficientes nesses olhinhos azuis para ter uma ideia, de qualquer forma.
        - Espero que sim. - Ela afastou a mo dele para brincar com o garfo. - Voc vai estar muito ocupado com a mudana.
        - Eu gosto de estar ocupado. Faz o tempo passar mais rpido. Vou estar de volta antes de voc se dar conta.
        A garganta dela apertou. Como ela poderia ter sobrevivido  ltima semana se no fosse por ele?
        - Vou sentir falta de conversar com voc. 
        Os olhos dele se aqueceram.
        - Tambm vou sentir saudades de voc. No se preocupe. Voc no est se livrando de mim. Espero que possamos nos ver quando eu voltar.
        Ela balanou a cabea enquanto a tristeza a dominava. Sentia como se estivesse perdendo um amigo querido.
        - Sabrina, voc se importa se eu fizer uma pergunta? O olhar srio nos olhos de John a deixou um pouco apreensiva.
        - Nem um pouco. O que quer saber? Ele arrastou a cadeira mais para perto.
        - Foi Noah, no foi? Ela piscou.
        - Como assim, Noah?
        - Noah. Foi ele que a seguiu at a Flrida para impedi-la de executar o plano do caso. O homem que voc no conseguiu parar de olhar ontem na igreja. Noah, 
o homem que tirou sua virgindade.
        - Oh. Esse Noah.
        Ele manteve a voz calma e casual, como se estivessem discutindo sobre o tempo.
        - Algo aconteceu entre vocs dois na Flrida, no foi? Quero dizer, algo alm do fsico.
        Engolindo em seco, ela agarrou o guardanapo e comeou a torc-lo.
        - No o que voc pensa... exatamente.
        Ele a encarou por um longo momento.
        - Voc sabe, eu no perguntaria nada disso, mas passei a gostar de voc. Agora que Cliff e Mona se casaram, sinto como se fssemos uma famlia.
        - Eu tambm gosto de voc, John. - Um riso curto borbulhou dela. - Sabe, estou um pouco aliviada por termos esta conversa. Sobre ns sermos uma famlia, 
quero dizer. Eu me senti assim desde o momento em que nos conhecemos, como se j tivssemos essa conexo. Depois voc me deu muita ateno e eu fiquei com medo... 
bem, que voc estivesse interessado em mim. 
        Ele inclinou a cabea.
        - De fato, eu estava interessado.
        - Oh.
        - Mas eu acho que talvez ns sejamos muito parecidos. Ns, realmente, demonstramos que seremos grandes amigos. Alm do mais, eu acho que conheci algum.
        A imagem de Darcy atendendo  porta de Noah flamejou pela mente de Sabrina. Seu impulso inicial era alert-lo sobre ela, mas Darcy e Noah eram solteiros. 
Havia alguma coisa errada com o fato de os dois terem ficado juntos alm de ter devastado Sabrina? Ela  Noah haviam concordado em no criar laos. Ela no tinha 
o direito de se sentir magoada.
        - Voc est falando de Darcy, no ? - perguntou ela.
        Os olhos dele clarearam.
        - Sim. Eu no sei, h algo maravilhoso nela. No consigo tir-la de minha mente.
        Ser que ela deveria revelar que Darcy tinha estado com Noah? Teria algum efeito alm de desencorajar John? Talvez Darcy no tivesse conhecimento do interesse 
dele na ocasio.
        - Ela  uma garota de sorte. Voc  tudo que uma mulher pode querer. Eu estava comeando a pensar que homens como voc no existiam.  uma pena que voc 
no tenha um clone para mim.
        Os dedos dele se entrelaaram nos dela.
        - No, voc precisa de um clone com cabelos pretos e olhos escuros, mas com um corao que veja o prmio maravilhoso que est s esperando ele reivindicar.
        Lgrimas encheram os olhos dela. Sabrina acenou com a cabea, incapaz de falar.
        - Quer que eu converse com ele?
        - No, mas obrigada por oferecer.
        - Tudo acontecer para voc, Sabrina. Eu posso sentir. Voc est destinada a ter um grande amor.
        Ela teve de rir da frase.
        - Voc  muito bom para mim.
        Ele se inclinou para  frente a fim de pegar a mo dela novamente.
        - Tem certeza que est tudo bem para voc sobre mim e Darcy?
        Ela concordou com a cabea, enquanto um n formou-se no estmago dela. Ser que estava predestinada a sempre estar do lado de fora, olhando para dentro?
        - Positivo. Eu lhe desejo toda a felicidade.
        - E a garantia de que seremos sempre amigos?
        - Oh, sim. Eu no aceitaria de nenhuma outra forma.
        Bolos de poeira voaram em toda a direo quando Sabrina passou o espanador de penas em cima de um fileira de livros. Ela espirrou violentamente, piscando 
para manter a sujeira a distncia. timo. Hoje ela no parecia conseguir realizar nem a simples tarefa de tirar p.
        Sem aviso prvio, lgrimas brotaram em seus olhos. Santo Deus, nova maratona com os hormnios, no. Era tudo que ela precisava. Por que estava to emotiva 
esses dias? Tinha sobrevivido ao casamento de contos de fadas de Mona. De alguma forma, estava lidando com a separao iminente dos pais. Tinha at conseguido no 
pensar em Noah durante grande parte da manh.
        O sino na porta da loja tocou. Secando o rosto, ela desceu do banquinho usado para alcanar a parte de cima da estante de livros. Um jovem casal entrou, 
os braos ao redor um do outro, as cabeas encostadas. Como eles caminhavam sem tropear era um mistrio.
        - Bom dia - cumprimentou ela, forando seu melhor sorriso.
        A garota a avaliou, com olhos redondos e enormes enquanto o rapaz retribuiu a saudao.
        - Podemos folhear um pouco? - perguntou ele.
        - Claro. Meu nome  Sabrina. Podem me chamar se tiverem alguma pergunta, ou se precisarem de alguma coisa.
        A garota puxou o rapaz pelo colarinho e sussurrou no ouvido dele. Ele sorriu e virou para Sabrina.
        - Voc tem algum livro de poesia? Elizabeth Barrett Browing ou talvez algum Keats?
        A garganta de Sabrina apertou.
        - Certamente. Por aqui. - Ela os conduziu atravs das fileiras e entrou em um corredor curto. - Todos os nossos livros de capa dura esto aqui. Tenho alguns 
de capa mole na seo de usados.
        - Legal. - A jovem soltou-se do namorado somente o suficiente para alcanar um livro em uma prateleira.
        Sabrina meneou a cabea quando os dois curvaram as suas em cima do volume. Suspirando, ela foi em direo  parte de trs do balco. Por que deveria ficar 
aborrecida com um casal de jovens fantasiando com Keats e um com outro?
        O sino da porta chamou sua ateno mais uma vez. Olhou para cima e viu Libby Conrad entrar. Os cachos brilhosos estavam amarrados para trs com um leno 
turquesa, e levava uma pequena cesta pendurada no brao.
        - Bom dia! - exclamou ela.
        Balanando a cabea, Sabrina saiu de trs do balco. Dia com certeza era, mas ainda tinha de encontrar o que havia de bom nele.
        - Bom dia, Libby, como est hoje?
        - Maravilhosa, querida. Encontrei um azulo cantando no beirai da minha janela ao amanhecer. Tenho certeza que  um bom pressgio. - Seus olhos brilharam. 
- Meu Henry ligar hoje, com certeza.
        Sabrina encostou a mo em seu peito. Como conseguiria terminar este dia?
        - Eu realmente espero que ele ligue. - A voz tremeu. Libby colocou a cesta no balco e se virou para Sabrina.
        - Meu Deus, querida, o que est deixando voc to para baixo? J est com saudades de John?
        Ele s tinha ido embora h quatro dias, mas j havia telefonado duas vezes, fazendo o possvel para anim-la, portanto ela tentou colocar um sorriso no rosto. 
Ele e Darcy j estavam ocupados planejando sua vida de "viveram felizes para sempre". Pelo menos algum teria a cerca branca.
        A verdade era que Sabrina estava realmente feliz por eles. O relacionamento deles reforava sua crena no amor verdadeiro. Se ao menos pudesse compartilhar 
o otimismo de John de que ela estava predestinada a encontrar o amor.
        - Veja. Eu fiz isso para animar voc. - Libby entregou a ela a cesta com aroma doce. - So biscoitos de vrios sabores. Tm pedacinhos de trs tipos de chocolate, 
baunilha, manteiga de amendoim e caramelo.
        Ela puxou um biscoito das dobras de um guardanapo que arrumara para mant-los quentes.
        - Eles so para as pessoas que no conseguem se decidir.
        Sabrina examinou o biscoito quando Libby o colocou na mo dela.
        -  uma pena que no podemos fazer a mesma coisa com homens, ass-los todos juntos em um s biscoito, ento no precisaramos escolher somente um.
        Com os olhos bem abertos, Sabrina encarou a mulher mais velha.
        - Eu no tenho nenhum homem para escolher. 
        Libby arrumou um cacho perdido no leno.
        - Voc ter, querida. E, se no estou enganada, existe algum. No o John. Ele estava interessado por um tempo, mas no era o homem certo para voc. Tem 
mais algum, no tem?
        A garganta de Sabrina travou.
        - Garanto a voc que no h nenhum outro homem na minha vida.
        - Tem certeza?
        O vazio de seus dias pressionou Sabrina, ameaando sufoc-la. A sala parecia fechar. A garganta queimava como se tivesse engolido facas de fogo.
        Libby a observou atentamente.
        - Nem o adorvel Sr. Banks, que veio aqui  sua procura algumas semanas atrs? 
        Um soluo explodiu a fina compostura de Sabrina, conduzindo-a a uma cachoeira virtual. Ela se jogou sobre o ombro reconfortante de Libby e deixou a tempestade 
abater sobre ela. Depois de uma quantidade infinita de tempo, os pesados espasmos se transformaram em soluos intermitentes.
        Libby pegou um leno bordado e tocou de leve as faces de Sabrina. Meu Deus, quando tinha se tornado um espcime to lamentvel?
        - Isso, querida. Assim est melhor. - Com os olhos cheios de preocupao, ela guiou Sabrina at um banco atrs do balco. - Um corao partido  algo difcil 
de se remendar.
        - Um corao partido? - Sabrina fitou o leno bordado que Libby lhe entregara. Por que era sempre a ltima a descobrir o que a estava aborrecendo? Claro 
que estava com o corao partido. Tinha encontrado o homem errado e tinha sido tola o bastante para se apaixonar por ele.
        Libby colocou a mo sobre seu prprio corao.
        - Eu gostaria de poder dizer que o tempo cura todas as feridas. - Os olhos dela turvaram. - Mas receio que ainda estou esperando.
        Uma lgrima solitria riscou a face dela. Sabrina estendeu as mos para tocar as de Libby.
        - Oh, Libby, o que faremos?
        - Bem, primeiro voc vai vender este livro a esses jovens. - E apontou para os dois de outro lado do balco.
        Sabrina virou-se e viu os jovens amantes encarando-as, de olhos bem abertos.
        - Se estiver tudo bem... - O jovem colocou o livro sobre o balco e pegou um mao de notas.
        - Sim,  claro. - Sabrina pulou do banco para efetuar a venda. - Sinto muito que vocs tiveram de esperar.
        O jovem cocou a cabea.
        - Voc contou ao cara?
        Com o recibo na mo, Sabrina o fitou.
        - Que voc o ama. - A garota pareceu intranquila. Os jovens se viraram e trocaram olhares.
        - O amor tem um enorme poder de transformao - disse ele.
        - Pode curar qualquer ferida, acertar o que est errado - acrescentou ela.
        Sabrina colocou o livro em uma sacola e o entregou ao jovem. Teve de pigarrear duas vezes antes de obter a ateno dele. O jovem sorriu e prendeu a sacola 
debaixo do brao livre.
        - Obrigado. E boa sorte.
        Tudo o que ela conseguiu fazer foi assentir enquanto os dois partiam, de braos dados. Como conseguiam caminhar daquela maneira?
        - Maravilhosos! - Libby pegou outro biscoito. Sabrina virou-se para ela e apontou os pombinhos.
        - Voc acha que devo dar ouvidos a esses dois?
        - Eles parecem ser especialistas no assunto. - Ela ofereceu o biscoito a Sabrina.
        Sabrina olhou para o fio de chocolate escuro e meio-amargo derretido no biscoito dourado. Ela seria capaz de fazer isso? Conseguiria contar a Noah que o 
amava? Toda a angstia e a raiva que sentira quando ele a abandonou na Flrida voltaram  sua mente.
        - No posso. 
        Libby apertou os lbios.
        - O que voc vai fazer?
        - Vou juntar os pedaos e seguir adiante.
        - Boa menina. Com o tempo, voc ver que isso  o melhor. Talvez a ferida nunca cicatrize completamente, mas vai melhorar.
        Sabrina concordou, com o corao pesado.
        - E chocolate, muito chocolate ajuda. 
        Forando um sorriso, Sabrina pegou outro biscoito.
        Uma brisa suave embaralhou os cabelos de Noah quando ele parou na entrada da loja de Sabrina. Uma sensao de dj vu apossou-se de seu corpo enquanto as 
notas de uma melodia de jazz ecoavam pelo ar. Vislumbrou o espao na frente do longo balco, onde vira Sabrina pela primeira vez. A lembrana de seus quadris flexveis 
balanando ao som do sax o dominou. Logo depois, uma segunda lembrana assombrou seu devaneio: Sabrina seduzindo-o com sua dana de sereia naquela ltima noite na 
Flrida. Noah fechou os olhos.
        - Oi. - Uma voz simptica interrompeu sua quimera. Uma morena robusta aproximou-se, segurando um prato de biscoitos de doce aroma. Ela estendeu o prato para 
oferecer os biscoitos. - Eles so biscoitos de tudo ou algo assim. Recheados com um pouco de tudo. Nunca provei nada to decadente.
        Ele se conteve. A decadncia j tinha lhe causado problemas demais.
        - No, obrigado.
        Ela deu de ombros e apontou com a cabea para um canto mais distante.
        - As moas vo devor-los, sem dvida. Sempre providenciamos algo para mordiscarem.
        Ele acompanhou o olhar dela para uma rea aconchegante, mobiliada com vrias cadeiras que no combinavam, mas que pareciam confortveis, alm de uma resistente 
namoradeira. Uma dezena de mulheres conversava. Em uma mesa central de caf havia uma jarra e copos do que parecia ser limonada rosa.
        - Nosso grupo de leitura. - A morena o informou, sem que ele tivesse perguntado. - Formam um grupo leal. Devoram romances.
        De sobrancelhas erguidas, Noah assentiu.
        - Deve ser bom para os negcios.
        - Ah, sim. Alm disso, elas ganham um desconto nos dias de leitura.
        Novamente, ele assentiu, impressionado. Sabrina no era s um arraso: tambm tinha talento para os negcios.
        - A sua chefe est?
        - Sabrina? Ela est nos fundos. Vou deixar isso ali e vou cham-la para voc. Sinta-se  vontade para dar uma olhada na loja enquanto isso. Estamos liquidando 
alguns livros especiais. Esto naquela mesa ali. - Ela indicou uma mesa  direita do balco e em seguida virou-se com os biscoitos.
        Enquanto esperava, Noah examinou os livros, tentando no se esquecer do verdadeiro motivo da visita. A verdade era que ele no sabia exatamente por que estava 
l. Tinha adiado o mximo possvel, porm, mais uma vez, deixou-se dominar pelos impulsos.
        Tudo o que sabia  que no conseguia esquecer a dor nos olhos de Sabrina quando a encontrou chorando do lado de fora da recepo. Apesar da explicao de 
Cliff sobre a separao de seus pais, Noah no conseguia deixar de pensar que era de alguma forma responsvel pela tristeza de Sabrina.
        Tinha de se certificar que ela estava bem. Alm disso, precisava resolver sua relao com ela. Talvez assim Sabrina sasse de seus sonhos e ele conseguisse 
continuar com sua vida,
        - Noah?
        O corao dele disparou ao som da voz de Sabrina. Ele se virou. Ela estava a um passo de distncia, apertando as mos, com um olhar desconfiado.
        - Sabrina...
        - O que est fazendo aqui? - perguntou Sabrina, surpresa.
        Ele pigarreou, momentaneamente paralisado.
        - Eu estava passando... Ela cruzou os braos.
        - Poderamos ir a algum lugar para tomar uma xcara de caf?
        - Por qu?
        - Eu s... - Ele sacudiu a cabea e decidiu tentar dizer a verdade. - Aps a recepo, bem... Cliff me contou sobre seus pais. Eu queria saber se estava 
tudo bem.
        Ela deixou os braos carem ao lado do corpo, com ar surpreso. Em seguida, desviou o olhar.
        - Estou bem... obrigada.
        Ele a encarou por um momento, franzindo a testa.
        - Voc parece cansada.
        Na verdade, ela parecia cansada e frgil. Os instintos de proteo dele comeavam a assumir o controle.
        - Venha, uma pausa para o caf pode ser til. Ela olhou para o grupo de mulheres no canto.
        - Eu no devia. Tenho de sair mais cedo.
        - No vamos demorar muito. H um lugar calmo no muito longe. Poderamos caminhar at l. - Determinado e aproveitando-se da hesitao de Sabrina, Noah abriu 
seu melhor sorriso. - O ar fresco lhe far bem.
        Aps um instante de indeciso, ela chamou a morena.
        - Trish, vou fazer uma pausa e volto j. 
        Trish prestou continncia:
        - Tomarei conta do forte.
        Um lampejo de otimismo passou pela cabea de Noah quando pegou o brao de Sabrina para acompanh-la para fora da loja.
        - Gostei da ideia do grupo de leitura.
        Ela manteve o olhar distante, fixo na calada.
        - Eu no devia fazer isso.
        - Por que no?
        Ela ignorou a pergunta e os dois caminharam at a cafeteria em silncio. Depois que receberam os pedidos, Noah acompanhou Sabrina at uma pequena mesa. Ele 
apertou os lbios ao ver o confortvel sof perto da lareira apagada. Evidentemente, ela escolhera a mesa para manter alguma distncia entre os dois.
        Sem problemas. Afinal, ele s estava ali para encerrar a histria de uma vez por todas, nada mais. Sabrina colocou acar no cappuccino e assoprou um pouco 
da fumaa quente. Ele engoliu em seco, incapaz de tirar os olhos de seus lbios arredondados.
        - Voc ficou muito bem de smoking. Ele pegou a xcara. 
        - Voc tambm... de vestido, quero dizer.
        Ela tomou um gole, deixando o caf descer suavemente pela garganta e passou a lngua pelos lbios.
        - Voc... estava sozinho.
        Ele assentiu, com a garganta seca. Encerramento.
        - Eu no achei que fosse obrigatrio ter uma companhia.
        - Ah, no! - Um leve rubor coloriu sua face. Franzindo a testa, ele colocou a xcara na mesa.
        - Olhe, Sabrina, eu lhe devo desculpas. 
        Ela ficou imvel, o olhar fixo na bebida.
        - E por que voc est se desculpando? - Sua voz soava forada, como se falasse com os dentes cerrados.
        Ele se moveu, tomado de um pesado senso de inaptido.
        - Droga, se eu soubesse! Acho que deveria me desculpar por me aproveitar de voc naquela noite, aps a sua festa. Devia me desculpar por nosso caso, que 
tivemos, quer voc admita ou no. Mas tenho de ser honesto. No consigo me sentir culpado por nada do que fizemos.
        Depois de suspirar profundamente, ele continuou.
        - Mas sinto que errei com voc de algum modo, ento, acho que estou me desculpando por isso. E por no estar triste pelo que aconteceu.
        Passando os dedos pelo cabelo, Noah lanou um olhar para ela. Sabrina o observava com os lbios to apertados que pareciam apenas uma linha fina; os olhos 
vigilantes.
        - Voc no se aproveitou de mim. Eu me ofereci e estava ciente das consequncias.
        Noah sentiu o estmago embrulhado. Deus, ela se oferecera e ele compartilhara de todas as suas maravilhas. Ele estava sufocado pela lembrana dos gemidos 
dela, o corpo tremendo, levando-o ao xtase. Ele ainda podia sentir seu corpo, seu gosto... mas o remorso o dominava. Se ao menos ele a merecesse.
        - Mesmo assim, eu no devia ter me aproveitado de sua generosidade.
        - OK. Desculpas aceitas. - Ela sustentou o olhar dele enquanto se afastava. Em seguida, levantou-se. - Tenho de ir.
        O corao dele disparou.
        - Espere. No  s isso.
        - Noah, no estou entendendo. Voc disse que no ramos compatveis.
        - Eu disse um monte de coisas. Acho que tambm vim aqui para lhe dizer que posso estar errado com relao  maioria delas.
        Lentamente, ela se sentou outra vez.
        - Por exemplo?
        Seu corao acelerou-se outra vez. O que ele estava tentando dizer? Que desde que a conhecera Noah estava perdido e confuso? Que estava errado em no acreditar 
em contos de fadas? Que de repente, Noah s queria que esses contos fossem verdade?
        Ele deu de ombros.
        - Eu estava errado sobre finais felizes. s vezes eles acontecem.
        Os olhos dela enevoaram-se.
        - Quando, Noah?
        - Bem, veja o exemplo de Mona e Cliff.
        - Aquilo no foi um final. Foi um comeo. Meus pais comearam da mesma maneira.
        Ele assentiu, sentindo como se estivesse se afogando.
        - Estou certo de que existe algum, em algum lugar, vivendo feliz para sempre com sua cara-metade.
        Ela ficou em silncio por um longo instante.
        - Isso quer dizer que os finais felizes esto reservados para um poucos escolhidos.
        Se estivesse perto de uma parede, Noah teria batido sua cabea contra ela. A conversa no estava seguindo o rumo que ele esperava.
        - Eu no sei. Eu acho.
        - E isso  tudo?  tudo o que tem a me dizer? - A mistura de esperana e tristeza nos olhos dela o distraram. Ele estava tentando, mas no tinha ideia de 
como consertar as coisas entre os dois.
        Noah respirou profundamente.
        - S queria que voc soubesse que, na recepo, quando voc disse que esperava que eu estivesse feliz, que eu estava certo sobre tudo... bem, eu no estava.
        Ela assentiu.
        - OK. - Levantou-se e parou. - Obrigada pelo caf. Noah permaneceu sentado, inerte enquanto ela virou e saiu. Ainda a olhou durante uma infinidade, com o 
corao to apertado que seu peito doa. Um sentimento de perda tomou conta de Noah, e finalmente ele sabia.
        Ele estava errado sobre a droga do fim do relacionamento, porque, na verdade, essa era a ltima coisa que queria com ela. Estava errado em deix-la partir, 
tanto na Flrida quanto agora. Porm, acima de tudo, estava errado em ter dvida da existncia do sentimento mais poderoso de todos. Estava errado em no acreditar 
no amor.
        
        Noah caminhava sobre o tapete de Cliff com um copo vazio na mo.
        - Ento, o que ela disse sobre o cara? Ela est feliz por que ele est se mudando para c?
        - Mona?
        Noah virou, sacudindo a mo em frustrao.
        - Sabrina. Ela gosta dele?
        Com os braos cruzados sobre o peito, Cliff encarou Noah por um instante, antes de responder.
        - J passamos por isso antes. Ainda no tenho certeza se confio em voc perto da minha irm. Por que devo responder a todas essas perguntas?
        Rosnando, Noah colocou o copo na mesa de Cliff.
        - Voc tem todo o direito de desconfiar de mim. Eu admito. No passado, ns vamos as mulheres de modos diferentes. - Ele encolheu os ombros. - Talvez eu 
no as tenha levado a srio, mas agora estou vendo as coisas por outra perspectiva.
        - Que tipo de perspectiva?
        A cadeira na frente da mesa de Cliff rangeu quando Noah desabou sobre ela. Nunca pensou que teria esta conversa.
        - Bem, veja voc e Mona. Vocs tm uma coisa muito boa: amor, casamento, a possibilidade de ter filhos. Talvez eu esteja comeando a pensar sobre essas coisas.
        Cliff ficou de queixo cado.
        - Voc est pensando em amor... e filhos?
        - No sou to superficial quanto todos pensam! OK, talvez eu tenha sido ctico com relao ao amor, mas estou pronto para admitir que estava errado.
        - Sou todo ouvidos.
        - Estou pensando sobre isso e no quero me ver daqui a vinte, trinta anos e descobrir que sou um solitrio, sem nada, que desperdiou o tempo com uma longa 
sequncia de relacionamentos superficiais.
        - Uau!
        Noah respirou. O que exatamente ele queria?
        - Quer ter lembranas, muitas lembranas felizes de uma famlia e um lar. Quero uma esposa amorosa e filhos, que ainda gostaro de mim quando meu cabelo 
cair e minhas economias acabarem.
        Cliff inclinou-se e o examinou por algum tempo, do outro lado da mesa, com ar surpreso.
        - Voc est dizendo o que eu acho que est dizendo? 
        Noah retribuiu o olhar.
        - Estou dizendo que  hora de mudar algumas coisas na minha vida, em meus hbitos pessoais.
        - Nada mais de uma mulher a cada semana? - Cliff estava ainda mais surpreso.
        - Quem precisa delas quando pode ter uma nica boa mulher?
        - E voc acha que Sabrina  essa mulher?
        Noah respirou profundamente. Estava travando uma batalha contra seus sentimentos desde a primeira vez em que a vira. Admiti-los no era to assustador quanto 
havia imaginado.
        - Sem dvida nenhuma.
        - Verdade?
        - Verdade.
        Cliff empurrou a cadeira para trs e levantou-se, caminhando at a janela.
        - Como posso ter certeza que voc est falando srio sobre mudar seus hbitos?
        Noah lanou um olhar significativo sobre o copo que havia deixado sobre a mesa de Cliff.
        - Voc j me viu deixar uma garrafa de tequila fechada?
        Cliff arregalou os olhos. Ele pegou o copo.
        - Caramba! Nunca pensei que esse dia chegaria. Acho que voc est falando srio sobre a mudana de hbitos. - Ele sacudiu a cabea. - Ainda no sei como 
me sinto em relao a isso. Voc e Sabrina, ?
        - Se ela me quiser.
        - Ela vai querer o pacote completo, voc sabe.
        Um arrepio de expectativa percorreu as costas de Noah. Ele assumiu um ar determinado.
        - Estou contando com isso.
        - Acho que voc precisar de ajuda.
        - Eu sei. Eu sei. Ela acha que sou a pior pessoa do mundo.
        - Podemos consertar essa coisa toda de Darcy. Vou tentar. Vou coloc-la em contato com voc, em primeiro lugar.
        - E quanto a Dalton?
        - Acho que ele est fora da jogada. Mona diz que eles so apenas amigos.
        Noah sentiu-se aliviado.
        - E Sabrina est bem com isso? No est presa ao cara, nem nada?
        - No, tenho certeza disso. No entanto, voc ainda tem um grande problema.
        A cadeira estalou quando Noah se inclinou.
        - O que ?
        Cliff ergueu as sobrancelhas enquanto falava.
        - Voc,  claro.
        - Eu? O que voc quer dizer?
        - Para conquistar Sabrina, voc ter de se transformar em um homem realmente romntico.
        Uma sensao inquietante tomou conta de Noah. Ele olhou perplexo para o amigo.
        - Como vou conseguir fazer isso?
        
        
Captulo Quatorze
        
        
        Franzindo as sobrancelhas, Noah ajeitou os culos escuros. O ms de junho atingira a Gergia violentamente, provocando temperaturas mximas recordes. O sol 
batia nele. O calor tremeluzia da rua, enquanto ele fitava a loja de Sabrina.
        Ele fora um cnico completo na maior parte de sua vida adulta. Como se transformaria em um verdadeiro romntico da noite para o dia? Andar em crculos pelo 
escritrio de Cliff enquanto organizava as ideias no rendera nada alm do olhar feroz de seu scio.
        Noah pensou em escapar para seu lugar predileto para pensar, o telhado, mas se perdeu nos pensamentos, pegou o elevador e parou no andar trreo. Saiu e continuou 
a caminhar.
        No tinha percebido para onde estava indo at que chegou a este lugar. Em algum lugar no meio do caminho ele perdeu a gravata e enrolou as mangas da camisa. 
Apesar disso, sua camisa estava ensopada de suor. Toda essa caminhada e ele ainda no conseguira pensar em nenhum plano infalvel, que a impressionasse.
        Olhou de esguelha para Sabrina atravs da janela da loja.
        - Meu Deus, estou virando um crpula.
        Apertando os pulsos, sufocou a vontade de entrar de supeto na loja, sequestr-la e lev-la para seu apartamento, onde fariam amor selvagem at ela prometer 
que ficaria com ele para o resto da vida. Apesar de a ideia ter um certo charme, ela provavelmente o consideraria mais um homem das cavernas do que uma pessoa romntica.
        Ele usaria isso como ltima alternativa.
        Colocando as mos nos bolsos, ele se balanou nos calcanhares. Para provar que era um verdadeiro romntico, tinha de provar que acreditava no amor e nos 
finais felizes. A verdade era que, mesmo que viesse a acreditar nessas malditas coisas, ainda teria de descobri-las.
        Tentando se fazer passar por cupido, ele poderia viajar para ver a me e convenc-la a dar outra chance ao pai. Ele partiria sentindo que deixara as coisas 
piores do que antes de sua interferncia. Apesar disso, no entanto, no podia deixar de lembrar que sua melhor aposta era ajudar a criar um final feliz para algum 
prximo a Sabrina.
        Ele estremeceu ao pensar em se meter na vida dos pais dela. Eles precisavam de ajuda profissional, no de um cupido inapto. No, os pais delas estavam por 
conta prpria. Quem mais, ento?
        Frustrado, Noah ergueu o olhar para o cu.
        - Deus, sei que o Senhor est chocado de ouvir isso de mim, mas preciso de uma certa ajuda. No estou pedindo um milagre, apesar de no rejeitar um. Apenas 
queria um pouco de inspirao.
        Por longos minutos, ele fitou a livraria, os pensamentos em uma confuso catica. Aquilo era muito para a interveno divina. Talvez pudesse dar outra investida 
em Cliff. Ele saberia sobre a vida pessoal de cada amigo de Sabrina. Com certeza um deles poderia se beneficiar de um final feliz.
        Quando Noah virou para ir embora, uma Mercedes antiga virou a esquina. Diminuindo a velocidade, entrou em um estacionamento em frente  livraria. Com um 
estalo, a porta do motorista foi aberta. Libby Conrad, com os cabelos vermelhos envoltos em um leno violeta, saiu do carro. Como se fosse algo que acontecesse todos 
os dias, ela se ajeitou e acenou para Noah.
        Ele levantou a mo para acenar de volta, lembrando-se repentinamente da fotografia de Henry no medalho dela. Um leve sorriso curvou seus lbios.
        - Bingo!
        
        O corao de Noah disparou quando olhou para o pedao de papel que Tiffany lhe entregou.
        - H quanto tempo ele ligou? 
        Ela apontou para a mensagem.
        - No tem nem cinco minutos.
        - timo, talvez eu ainda consiga peg-lo. -J estava na metade do corredor quando se lembrou de berrar um obrigado.
        Quando chegou ao escritrio, olhou para o nmero que ela anotara no papel. O telefone chamou uma, duas vezes. No quinto toque, ele estava pronto para desligar, 
quando finalmente uma voz respondeu.
        - Al? - Era uma voz rouca de um homem mais velho.
        Noah sorriu. Podia ser ele. Podia ser o homem.
        - Al.  o Sr. Henry Thomas Watson?
        - Henry, voc quer dizer?
        Falando mais alto, Noah tentou novamente.
        - Estou procurando o Sr. Henry Thomas Watson. Me informaram que eu o encontraria neste nmero. Estou retornando a ligao dele.
        - Um momento. - O telefone fez um barulho forte. Um murmrio de vozes, cruzou a linha. Noah prendeu a respirao.
        - Al?
        - Al. Meu nome  Noah Banks. Sou de Atlanta, Gergia, e estou procurando o Sr. Henry Thomas Watson, que morava em Decatur.
        - Ah, sim, Sr. Banks. Bem, meu nome  Henry Thomas Watson e vivi em Decatur h muitos anos.
        - O senhor conheceu uma mulher chamada Libby Conrad?
        Henry deixou escapar um leve suspiro de prazer.
        - Jovem viva com cabelos com as cores do pr-do-sol? Uma das mulheres mais lindas que j andaram nas caladas de Atlanta?
        Noah bateu os lbios e fez uma breve orao de agradecimento.
        - Ela mesma. Diga-me, Sr. Watson, o senhor se interessaria em v-la novamente?
        Um momento de silncio se instalou entre eles, ento:
        - Meu Deus, voc est dizendo que ela est viva, que ainda est a?
        - Est e posso lhe garantir que ela se lembra do senhor.
        - Minha Libby est viva? Como pode? Estou de luto por ela h trinta anos. Disseram-me que ela morreu em um incndio. 
        - Bem, no sei nada sobre o incndio, mas juro que Libby Conrad est viva e muito bem. Deve ser a sua Libby. Ela usa um medalho com uma fotografia sua.
        - O medalho! - A excitao fazia a voz de Henry tremer. - Meu Deus, sonhei por tantos anos como poderia ter sido.
        Um sorriso estampou a boca de Noah.
        - Ento, Henry, sugiro que marquemos uma pequena reunio. Voc e eu?
        Henry respondeu tagarelando de prazer.
        - Conte comigo, Sr. Banks, apenas me diga onde e quando.
        
        Dois dias depois, um cheiro de leo diesel preenchia o ar  porta de trs da livraria de Sabrina. Ela verificou uma ltima caixa de livros que um entregador 
corpulento deixava no estoque. Depois de assinar rapidamente, devolveu a ele uma cpia da nota fiscal e o encaminhou at a porta.
        Com um profundo suspiro, retirou as luvas e olhou as vinte e poucas caixas que vieram no caminho. Mas no podia reclamar. Queria manter-se ocupada. Tinha 
muita coisa na cabea nos ltimos dias.
        A me dela ligara de manh. Seus pais estavam adiando a separao enquanto procuravam ajuda com um terapeuta para casais. Apesar de esse passo ter amenizado 
algumas das preocupaes de Sabrina, ainda no era suficiente. Com outro suspiro, ela abriu uma das caixas.
        A porta da livraria foi aberta. Toby observou.
        - Sabrina? H um senhor l fora. Ele precisa v-la.
        - Est bem, Toby. - Ela o seguiu para a frente da loja, fazendo anotaes mentais sobre onde colocaria a nova mercadoria.
        Toby a levou para o canto de leitura e depois a deixou para atender outro cliente. Um senhor mais velho estava sentado na borda de uma poltrona. Quando a 
viu, levantou-se vagarosamente e se ajeitou, erguendo os ombros e levantando o queixo. Ele virou a cabea trmula, coberta por uma grande quantidade de ondas prateadas.
        - Voc  Sabrina Walker? - perguntou ele, com os olhos brilhando.
        - Sim, senhor. Posso ajud-lo? - Sabrina inclinou a cabea. Aquele homem parecia familiar, mas tinha certeza de que jamais o encontrara.
        - Espero que sim. Vim da Califrnia. 
        Ela ergueu a sobrancelha.
        - Da Califrnia?
        - Sim.  uma longa histria, mas vim para desfazer um mal-entendido de trinta anos. Informaram-me que voc  a pessoa que pode me ajudar a colocar as coisas 
no lugar.
        - Desculpe, no estou entendendo. 
        Ele franziu o cenho.
        - No estou fazendo as coisas corretamente. Desculpe-me, estou um pouco nervoso.
        Ela franziu a testa.
        - Posso assegur-lo, Sr...
        - Watson. - Ele levantou a mo. - Henry Thomas Watson, de Decatur, mas que vive em Los Angeles h trinta anos.
        Por alguma razo que ela no conseguia entender, o nome dele causou um senso de reconhecimento. Ela apertou a mo dele.
        - J nos encontramos, Sr. Watson?
        - No. Como eu disse, vivi na Califrnia nos ltimos trinta anos.
        Ela balanou a cabea.
        - Sim. Bem, posso assegur-lo de que o ajudarei da forma que puder, se  senhor me explicar por que razo veio at aqui.
        Ele suspirou e um sorriso largo iluminou seu rosto.
        - Essa parte  fcil. Vim ver minha noiva.
        Ela moveu a boca para um dos lados. Outra noiva, no.
        - Bem, parece que h vrias delas por a. O senhor est em busca de algum especificamente?
        Os olhos dele brilharam.
        - Sim. Vim por causa de Libby Conrad. Estou trinta anos atrasado, mas finalmente estou aqui.
        Sabrina ficou parada e seus olhos se arregalaram quando ela percebeu tudo. Ela engasgou.
        - Oh, meu Deus, o senhor  o Henry! O senhor  o Henry de Libby!
        Ele sorriu profundamente.
        - Ela falou de mim, ?
        - Se falou do senhor? Ela vem aqui diariamente e pergunta se o senhor ligou. - Apesar de no ser da conta dela, Sabrina no pde deixar de perguntar. - O 
que aconteceu com o senhor?
        Ele sorriu suavemente.
        - Voc sabia que h trinta anos este lugar era um caf?
        Ela o fitou, com uma sensao de admirao por dentro.
        - No, no sabia disso. Estou aqui h apenas cinco anos. J era uma livraria naquela poca.
        - Bem, foi aqui que nos conhecemos, no caf. - O olhar dele se perdeu no tempo. - Ela era a coisa mais doce que meus olhos jamais viram. Trabalhava aqui.
        Ele olhou de soslaio e apontou para a livraria.
        - Havia um balco comprido ali. Eu costumava vir depois do trabalho com meu colega, sentar e tomar xcara atrs de xcara de caf, s para observ-la. Levei 
quase dois anos para tomar coragem e falar com ela. Fui presenteado pelo destino quando ela derramou uma xcara de caf no meu colo.
        - Mas o que aconteceu?
        - Ela tentou secar com uma toalha.
        - No, quero dizer, por que vocs no se casaram? Ele balanou a cabea.
        - Uma coisa estpida, realmente. - Suas sobrancelhas se arquearam. - Nos metemos em uma briga bizarra. A igreja foi o nosso desentendimento. Eu queria fugir 
para casar, mas Libby no queria saber disso. Tinha de casar na igreja.
        Ele interrompeu, passando a mo enrugada pelo rosto.
        - Achei que ela estava adiando muito. Todas as igrejas do local estavam reservadas pelos meses seguintes.
        - Meu irmo j morava em Los Angeles. Ele tinha um caf, mas no como este aqui. Era maior, mais na moda. Libby e eu j tnhamos decidido segui-lo. Ela trabalharia 
para ele. Ele tinha um pequeno apartamento sobre o caf e ns amos alug-lo. Eu era representante de vendas na poca, e viajava um bocado. Havia uma empresa tentando 
me contratar, na qual eu no teria de viajar tanto. Mas precisava fazer uma viagem a Houston antes, na semana anterior  nossa mudana. Ele suspirou.
        - Libby ainda no estava falando comigo quando eu parti. Eu tinha muita pressa de casar com ela. No gostava da ideia de ficarmos separados. Tinha de comear 
no emprego novo. Uma fuga fazia sentido para mim, mas eu no suportava v-la chateada.
        - Ento, liguei para meu irmo e pedi que verificasse as igrejas perto dele. E fiz uma pequena prece. Mal acreditei quando ele ligou dizendo que tinha achado 
uma igreja que poderia realizar a cerimnia naquele fim de semana. O telefone de Libby j tinha sido desligado, ento enviei-lhe um telegrama e deixei um recado 
urgente no caf.
        Ele fez uma pausa.
        - Entretanto, acho que ela nunca chegou a receber a mensagem. Houve um incndio terrvel aqui. Pelo que eu soube, destruiu o lugar. - A voz falhou. - Me 
disseram que Libby estava trabalhando naquele dia. E que no escapara.
        Ele engoliu em seco e enxugou os olhos.
        - Pensei que no fosse continuar vivo por muito tempo. - O olhar dele estava fixo em Sabrina. - Se no fosse por meu irmo, acho que teria perdido a cabea. 
No podia aceitar que minha Libby estava morta.
        Piscando para conter algumas lgrimas, Sabrina colocou a mo no brao dele.
        - Ela no estava. Estava esperando por voc, todo esse tempo. - Ela respirou rapidamente. - Temos de ligar para ela. - Excitada com a possibilidade de ver 
os dois amantes reunidos novamente, Sabrina correu para o balco para pegar o catlogo de clientes. - Tenho certeza de que possuo o telefone dela em algum lugar.
        Enquanto ela virava as pginas apressadamente, Henry continuou de modo sonhador. 
        - Que mulher! Nunca entendi por que ela foi gostar de mim.
        Sabrina encontrou a lista. Pegou o telefone e digitou o nmero enquanto Henry continuava com suas reminiscncias.
        - Ela tinha uma alma passional, minha Libby. O telefone tocou na casa de Libby.
        - Ela danava para mim enquanto eu tocava gaita. - Ele levantou os braos. Devagar, girou seus pequenos quadris enquanto imitava as notas da flauta.
        Se Sabrina tivesse alguma dvida se aquele era o Henry de Libby, elas sumiram naquele momento. Sem tirar os olhos de Henry, esperou o telefone de Libby tocar 
seis irritantes vezes. Ela se encheu de desapontamento.
        - Ela no atende.
        O tocar do sino atraiu o olhar de Sabrina para a porta. Libby Conrad entrou, com seu emaranhado de cachos ruivos preso a um leno, como sempre. O olhar dela 
encontrou Henry, enquanto ele rodopiava pelo cho. Sabrina prendeu a respirao, surpresa, e o rosto de Libby foi tomado por uma expresso de reconhecimento.
        - Henry? - Libby deu um passo vacilante para frente.
        Henry rodopiou na direo dela. Ficou paralisado.
        - Libby?
        - Meu Deus! - Com um grito de felicidade, ela se lanou na direo dele. - Eu sabia que voc viria! Voc est atrasado, mas eu sabia que viria!
        Ele a encontrou na metade do caminho, levantando-a com uma fora que Sabrina jamais pensou ser possvel, depois balanando-a em um grande crculo. A risada 
dela levou aconchego e calor para o interior de Sabrina. A cena ficou embaada, e uma incrvel felicidade tomou conta dela. Sabrina sequer tentou impedir as cascatas 
de lgrimas de carem por suas bochechas.
        Libby tinha encontrado seu Henry.
        Ele a sentou, seu sorriso era largo.
        - Deus, Libby, voc est to bela quanto posso me lembrar.
        Ele a sentou, apresentando um sorriso amplo.
        - Meu Deus, Libby, voc est to linda quanto antes. Ela deu um tapinha no brao dele.
        - Seu bode velho. Eu envelheci, assim como voc. Por que demorou tanto?
        - Porque pensei que estivesse morta. Liguei para c para dizer que consegui uma igreja em Los Angeles para o casamento. Como voc no apareceu nem mandou 
notcias, liguei para o proprietrio do imvel em que voc morava. Ele disse que voc havia morrido no incndio que assolou este lugar. Acho que fiquei chocado demais 
para verificar com as autoridades. Acreditei nele.
        Libby sacudiu a cabea.
        - Pobrezinho. Sa mais cedo naquela noite para levar minhas coisas com a minha irm. S soube do incndio na semana seguinte. No tinha ideia de que algum 
pensava que eu estivesse morta.
        - Nunca recebi seu recado e acho que voc perdeu o meu. Liguei para o hotel em Houston e disse a eles para avis-lo que estava pronta para fugir. - Ela passou 
a mo no rosto dele. - Odiava o fato de termos brigado. Acreditei que Deus entenderia. Tudo que eu queria era ser sua noiva.
        Com um largo sorriso, Henry a abraou, depois a afastou. 
        - Bem, graas ao gentil Sr. Banks voc ter mais uma chance.
        Ela sorriu para ele, os olhos cheios de amor.
        - Voc realmente conseguiu uma igreja para casarmos?
        - Com licena. - Sabrina contornou o balco com o corao palpitando. - O senhor disse Sr. Banks?
        Henry virou-se para ela.
        - Isso mesmo. Noah Banks. Disse que  um grande amigo seu e que estava muito feliz por unir-me a Libby novamente. - Ele cocou a cabea. - Algo sobre ter 
de provar para algum que ele acreditava em finais felizes. Voc entende isso?
        Sabrina engoliu o n que tinha na garganta. Talvez entendesse.
        - Oh, espero que sim. Vocs me do licena? Tenho algo a fazer.
        Ela olhou para Toby. Como sempre, ele estava ocupado organizando a rea de fico cientfica.
        - Toby, voc pode ficar e fechar a loja  noite? Ele retirou uma mecha de cabelo azul do olho.
        - Claro. O que aconteceu? - Ele ergueu as sobrancelhas sugestivamente. - Tem um encontro quente?
        Ela deixou uma risada escapar.
        - Talvez tenha.
        
        Depois de pegar as chaves e a bolsa, ela correu para a porta. Se Noah realmente acreditava em finais felizes, isso tambm significava que ele acreditava 
em amor?
        - Onde ele est? - Sabrina mordeu os lbios e se apoiou na porta do escritrio de Cliff.
        Ele saiu de trs da tela do computador.
        - Oi, mana. Est falando de Noah? Ela balanou a cabea.
        - Ele no est no escritrio.
        Dando de ombros, Cliff olhou para o relgio.
        - Ele passou o dia como um animal enjaulado. - Olhou para ela com uma curiosidade escancarada. - Tinha muita coisa na cabea. Estava me deixando quase louco 
andando de um lado para o outro. Disse para ele ir para casa.
        - Voc o mandou para casa? - O corao dela pesou. Ela enrolou a ala da bolsa nas mos.
        - Eu sugeri. Noah no tem de me obedecer. Ele no estava trabalhando, de qualquer forma. Saiu h uma hora, mais ou menos.
        - Mas espere - chamou Cliff, quando ela virou. Ele levantou e se apoiou na mesa.
        - Preciso falar com voc.
        - Pode ser mais tarde?
        - No. Isso no pode esperar.
        Rangendo os dentes, ela esperou que ele continuasse.
        - As coisas acabaram com Dalton?
        - Elas sequer comearam. Parece que ele e sua amiga Darcy deram certo. - Ela expirou forte. - Ele simplesmente no  o tipo de homem para mim.
        - timo. - As sobrancelhas de Cliff se uniram. - Quero falar com voc sobre essa histria de Darcy.
        A raiva antiga dela ressurgiu.
        - No quero falar sobre isso agora, mas ainda no o perdoei por isso.
        Ele levantou as mos.
        - Assumo toda a culpa. Foi ideia minha. Noah s concordou porque eu implorei. Sabe, ele nunca dormiu com ela. 
        Sabrina deixou escapar um suspiro pesado. A nica nuvem negra em sua esperana era Darcy. Noah estivera com ela naquela noite.
        - Ela estava com ele na noite do ch-de-panela. Eu a vi, mas...
        - Eles no fizeram nada.
        - Ela vestia o robe dele, Cliff. O robe dele. Ele se reclinou um pouco.
        -  mesmo? Bem, ainda assim, no fizeram nada. Ele estava caindo de bbado quando ela o encontrou no bar. Ela estava apenas ajudando. Aparentemente, ele 
estava mexido com o que acontecera com vocs dois.
        - Ele contou o que aconteceu entre ns dois?
        - Ele no me contou, mas eu juntei as peas, e Darcy tem algumas teorias.
        Ela olhou ferozmente para ele.
        - Voc tem de aprender a se meter apenas na sua vida.
        - Eu sei. Sou um bastardo intrometido, e prometi  minha querida esposa que isso vai mudar. - Ele lanou um sorriso esperanoso para ela. - Mas eu tenho 
boa inteno. Pensei que estava protegendo voc.
        - No temos tempo para discutir isso, mas se voc interferir na minha vida novamente, vou destitu-lo do cargo de irmo.
        - Brina, vamos l, ele est louco por voc! 
        Ela se encheu de esperana.
        -  mesmo? Ele falou isso?
        - Praticamente abriu um buraco no meu tapete tentando descobrir como conquist-la.
        Ela franziu o cenho.
        - Ento por que ele me deixou pensar que estava com Darcy?
        - Quem sabe? Talvez pensasse que no fosse bom o bastante para voc. Voc exige muito de um homem.
        - Tenho de, falar com ele. 
        Cliff balanou a cabea.
        Ela virou e acenou para ele por cima do ombro.
        - Nos falaremos depois. Ele sorriu.
        - Corra atrs dele.
        
        Noah andou at a janela da frente e ficou olhando para o bordo no quintal. Sua cabea latejava. Acontecera tanta coisa ultimamente que ele no teve tempo 
de assimilar.
        Ontem, seu pai telefonou para dizer que a me tinha ligado e que eles se encontrariam para conversar. A viagem de Noah s montanhas valera a pena, afinal. 
Talvez isso fosse um bom augrio. Se os pais dele pudessem se entender, ele tambm tinha uma chance de consertar as coisas com Sabrina.
        Henry devia estar na livraria agora. Talvez Noah devesse ter isso junto para ver como foram as coisas.
        Olhou nervosamente para as velas que piscavam pela casa. Ele as colocara em todos os quartos, antecipando a admirao de Sabrina quando as visse. Certamente 
ela iria at ele. Uma msica suave tocava no rdio no quarto da frente. Ele balanou a cabea. Se ela no aparecesse, ele se sentiria um grande tolo por ter criado 
um ambiente to romntico.
        E se o encontro de Libby e Henry tivesse dado errado por alguma razo? E se Libby no tivesse tido um final feliz? Por que Noah no tinha pensado em um plano 
alternativo? Sempre havia a chance de ele se jogar aos ps de Sabrina, implorando, pedindo misericrdia.
        A campainha tocou. O corao de Noah se contraiu. Engolindo em seco, abriu a porta. Sabrina estava do outro lado.
        - Sabrina, entre.
        Os olhos dela se estreitaram e sua boca afinou quando ela entrou. As esperanas dele foram renovadas quando ela cruzou a porta. Parecia que ele estava implorando, 
ou talvez agora fosse a hora de colocar em prtica aquela ideia do sequestro.
        - O senhor  um impostor. - Ela levantou um dedo acusatrio na direo dele.
        Ele inclinou a cabea, mantendo a voz calma.
        - Por qu?
        Ela parou a alguns centmetros dele. Ele segurou o impulso de jog-la por cima dos ombros. Os lbios dela se suavizaram em um pequeno sorriso.
        - Voc achou o Henry de Libby! Isso no foi trabalho de um cnico.
        A esperana se renovou no corao dele. Noah deu de ombros.
        - Eu vi os erros que cometi e decidi mudar.
        - Henry disse que voc alegou que queria provar para algum que voc acreditava em finais felizes.
        O olhar dele foi na direo dela.
        -  verdade.
        Ela deu um passo adiante e olhou nos olhos dele, seus olhos brilhando com aquela pureza que mexia muito com ele.
        - Por qu?
        - Encontrei uma mulher que acredita no amor e em "felizes para sempre". Ela me ajudou a ver o mundo de uma nova forma. Me fez querer coisas que jamais pensei 
em querer.
        O olhar dela se suavizou. Sabrina tocou o peito dele com a mo.
        - Como?
        - Uma casa, uma mulher... filhos.
        Ela ficou em silncio por um momento, depois virou de costas para Noah. Ele apertou o punho para no agarr-la pelas costas. Ela tinha de ir at ele por 
vontade prpria.
        Quando ela levantou o olhar novamente, ele viu dvida em seus olhos.
        - Por que me deixou acreditar que estava com Darcy? No sabe como isso di?
        Ele no podia resistir  urgncia de confort-la. Acabou com a distncia entre eles e envolveu-a nos braos, sem apertar muito. Ele a segurava de forma solta, 
de forma que ela pudesse se soltar quando quisesse. Para profundo alvio dele, Sabrina no fez nenhum movimento nesse sentido.
        - Voc queria tanta coisa na vida. Me senti to... sobrecarregado. No pensei que pudesse lhe dar o que voc merecia. Pensei que pudesse ter a atitude nobre 
de deixar voc partir, at que voc encontrou Dalton e ele pareceu querer dar tudo isso a voc. Por favor, me diga que voc no est saindo com aquele homem.
        - No estou saindo com aquele homem.
        Ele fechou os olhos, aliviado alm da medida. Quando os abriu, ela olhou para ele bem de perto.
        - Tenho sido infeliz desde que deixei voc na Flrida. Eu s penso em voc, sonho com voc. Quero faz-la feliz de todas as maneiras. Oh, Deus, eu amo voc, 
Sabrina.
        Os olhos dela cintilaram. Ele segurou a respirao, esperando a resposta dela. Quando veio, no foi exatamente o que ele esperava.
        - Prove.
        Ele fez uma longa pausa.
        - Desisti de mulheres e de tequila. - Fez nova pausa. Ela olhou para ele, esperando. Noah continuou: - Posso desistir do futebol s segundas-feiras...
        Ela ainda estava parada, com a sobrancelha erguida. Ele teve uma ideia.
        - Vou sair e... fazer uma tatuagem?
        Ela balanou a cabea.
        - No, isso no adianta.
        - O que, ento?
        Ela levantou os braos, envolvendo o pescoo dele e se aproximando.
        - No preciso de nada to complicado. Estava pensando em algo mais... pessoal.
        A pulsao dele acelerou.
        - Como?
        - Faa amor comigo, Noah. Ele a apertou.
        - Meu Deus, sim, mil vezes sim.
        Ela mordiscou o lbio dele e se apertou contra ele.
        - Tenho tido os sonhos mais depravados com voc. Ele fechou os olhos e sorriu, deixando os dedos descerem at o bumbum dela.
        - Acendi velas para voc e coloquei msica suave.
        - Sim, eu percebi. Voc  um verdadeiro romntico. Os olhares deles se encontraram.
        - Voc me ensinou que o amor verdadeiro existe. Sabrina sorriu, repleta de expectativa. Sim,  verdade, o amor existia. Ela nunca devia ter duvidado disso. 
Ficando na ponta dos ps, ela pressionou o corpo contra o de Noah.
        - Esta  a parte em que voc me arrebata. Preciso saber se eu realmente o satisfao na cama.
        - Voc no tem dvidas, tem? No depois de tudo o que compartilhamos. Voc tem de perceber que nunca foi assim com mais ningum.
        - Bem, voc tem muito mais experincia que eu. Pensei...
        Uma luz profunda brilhou nos olhos dele.
        - Ento vamos colocar essa preocupao de lado. Ela se inclinou para se aninhar nos braos dele. Como antes, ele a carregou para a cama. Beijou-a profunda 
e vagarosamente e tirou as roupas dela, colocando a boca e a lngua em cada centmetro de pele exposta. Ela estremeceu.
        Ele recuou para olhar para ela.
        - V como voc responde a cada toque?
        Ela balanou a cabea, deixando escapar um gritinho quando ele passou a ponta da lngua em seu mamilo endurecido. Ele a pegou na boca, sugando-a at ela 
se unir a ele, gemendo devagar.
        - Claro que respondo. Voc sabe o que faz.
        Ele se despiu, depois se deitou ao lado dela, embalando-a com seu corpo.
        -  o fato de voc responder que me d prazer.
        - Voc tem prazer por me dar prazer?
        - Algo assim. Eu realmente fico excitado de ver voc aproveitar a forma como a toco. Ela deslizou o dedo pelo peito dele.
        - Isso  bom.
        - Confie em mim, Sabrina. Voc no tem com que se preocupar. Eu juro.
        Sorrindo, ela o empurrou, deleitando os olhos em suas curvas e retas. Ele era glorioso, cada centmetro masculino dele era maravilhoso.
        - Acho que tambm tenho prazer em dar prazer a voc.
        Ela passou a mo pela frente dele, pela musculosa barriga, pela parte misteriosa que estava rgida, apontando para ela. Moveu-se para cima dele, tocando-o 
primeiro com a ponta dos dedos, depois ficando mais atrevida, pegando-o com a mo.
        O peito dele se retesou. Noah olhou para ela.
        - Bem, voc est definitivamente me dando prazer. Ela se encheu de confiana, mas balanou a cabea.
        - Ainda no estou convencida. Acho que tenho de provoc-lo um pouco mais.
        Ela balanava a mo para cima e para baixo.
        -  to duro, apesar de sedoso ao mesmo tempo e... - ela passou o dedo pela glande -... to bonito.
        Ele se sentou, segurando os seios dela, mas Sabrina afastou as mos dele. Curvou-se por cima dele, os cabelos roando nos msculos de Noah.
        - Quero fazer isso desde aquela primeira noite no meu apartamento. Quero retribuir a voc algo que fez comigo.
        - Voc no  obrigada, Sabrina.
        Ela fez uma pausa enquanto sua respirao ventilava a carne aquecida dele. 
        - Voc no quer que eu faa?
        - Quero - ele engasgou. - Se voc realmente quiser. Voc definitivamente me dar prazer.
        Ela pressionou os lbios na pele macia dele, se maravilhando com a rigidez subjacente. Devagar, explorou centmetro por centmetro usando os lbios, a lngua 
e mesmo os dentes, como ele fizera. Dar prazer a ele tambm dava prazer a ela. A pulsao dela era lenta entre as coxas, inchando-a, umedecendo as partes sinuosas 
de sua feminilidade.
        Quando ela o colocou totalmente na boca, o quadril de Noah se ergueu na cama. Ele gemeu, socando o colcho.
        Ela se afastou.
        - Machuquei voc? Ele riu.
        - Voc est me matando... mas no me machucou. 
        Ela franziu o cenho.
        - Voc parece tenso. 
        Sentando-se, ele a agarrou pelos braos.
        - Eu preciso... entrar... em voc.
        - Oh. - Ela olhou longamente para baixo. - Mas eu ainda no tinha acabado. - Um calor subiu por ela. - Se me lembro bem, voc me beijou assim por um bom 
tempo. Em vrias ocasies.
        - Voc ter de esperar outro momento. - Ele a jogou de costas na cama, abrindo as pernas dela e se aninhando entre elas. A ereo dele pressionava a juno 
das coxas dela. - Se voc no mantiver isso assim, eu no poderia entrar em voc.
        - Oh. - Ela se arqueou quando ele beijou seus mamilos, massageando-os com os lbios. - Oh.
        Ele a tocava em todos os lugares, sugando os mamilos e enfiando os dedos em seu tringulo de cabelos, at aquela parte que pulsava  suas carcias. Ele a 
tocou at que ela jogasse a cabea no travesseiro.
        - Noah... preciso... de voc... agora.
        Ele juntou a boca  de Sabrina, beijando-a profundamente, enquanto adentrava as dobras macias dela. A ponta robusta dele sondou a entrada dela. Sabrina se 
mexeu, dando boas-vindas a ele, se admirando com a sensao dele apertando-a, preenchendo-a. Ele fez um movimento rpido com o quadril e entrou fundo nela. Lentamente, 
puxou o corpo dela para unir-se ao seu em uma dana rtmica, seus movimentos causando pequenas ondulaes de prazer.
        - Oh, Noah,  sempre to bom. Ele riu.
        - Essa  a parte em que os dois tm prazer.
        Ela murmurou algo em concordncia. As palavras escaparam dela, enquanto o desejo crescia e tomava conta dela. Um som de xtase engasgava na garganta. Ela 
chegou ao clmax um segundo antes dele, seus gemidos se mesclando enquanto a noite cobria o quarto.
        Por longos momentos, eles se abraaram, o corao dela batendo forte. As luzes das velas piscavam pelas paredes. Ela se mexeu, se apoiando no cotovelo para 
sorrir para ele. Seu corao se encheu de calor.
        - Ento, creio que teremos um caso, afinal. Ele ergueu as sobrancelhas espessas.
        - Absolutamente no! Nem sonharia com isso. Um alarme disparou dentro dela.
        - O que quer dizer, sem caso?
        - Quero dizer... - Ele a aninhou nos braos. - Temos uma vida inteira de amor  nossa frente. No vou me contentar com um mero caso. Com certeza voc no 
quer brincar comigo.
        Ela se encheu de felicidade.
        - O que exatamente voc est dizendo?
        - Estou pedindo que case comigo, Sabrina. Eu realmente no espero nada menos que isso.
        - Ento creio que terei de casar. De que outra forma viveremos felizes para sempre?
     
     Fim
2
